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Agora vou pegar pesado

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Agora vou falar e quem quiser que diga que a Bahia é terra de moqueca, o que não duvido e não nego, porém, o que duvido mesmo é que exista uma baiana arretada para fazer moquecas melhores do que as de Lucia. A danada aprendeu os segredos que foram repassados por Dona Aurora, nêga velha da nação independente da Ilha do Campinho, na enigmática e fascinante Baía de Camamu, e entre toques e retoques, aprumou a mão para produzir as melhores moquecas do mundo. A imagem aí em cima é de uma moqueca de peixe, que estava boa que só a mulesta. Há quem diga que sou suspeito para falar e pode até ser verdade, mas que é assim é. Tenho dito!

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Nas estradas da vida e da gastronomia

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Nem só de mar vive um velejador de cruzeiro, muitas vezes queremos desenfastiar do sal que impregna a alma e botamos o pé na estrada, ou melhor, embarcamos no Avoante rodoviário, um Uno Fire, presente de Mãe – quando Mãe quer é assim – e saímos por aí. Nesse último final de semana deixamos o Avoante muito bem guardado no fundeadouro nota mil do Aratu Iate Clube e fomos escutar a pulsação dos tambores do maracatu e dos metais do frevo pernambucano. Essa viagem que deu muitos panos pras mangas vai render boas histórias por aqui, mas essa postagem é apenas para deixar muita gente com água na boca e falar do cardápio do almoço dessa segunda-feira preguiçosa de outubro, em que estamos sendo recepcionados na casa dos amigos Daniel e Ângela Cheloni, alagoanos de coração e proprietários do Del Popollo, o melhor restaurante de Maceió. Porém, não foi do cardápio do Del Popollo que saiu nosso almoço, e sim das magias gastronômicas de Lucia.

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O menu foi uma mistura de sabores oriundos das cozinhas brasileira e britânica, alias, brasileira da Ilha de Campinho, Baía de Camamu/BA. Moqueca de Fruta-Pão com sobremesa de Crumble de Frutas com sorvete de creme. A moqueca Lucia apreendeu com a saudosa Onília Ventura, uma das pilastras do Campinho, que segundo ela mesmo, foi namorada do Saint-Exupéry quando esse aterrissou seu avião nos redutos da ilha há muitos anos. Essa história é bem conhecida em Camamu e a casa onde o aviador/escritor usou como base de apoio, até hoje faz parte da história e está plenamente preservada. Pois é, por enquanto é só e desculpe por deixá-los com água na boca. Sabe o que mais: Essa moqueca raramente você terá a oportunidade de degustar produzida por outra pessoa, a não ser por Lucia.

 

No Avoante é assim!

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Curso de vela? E o que danado faz essa garrafa de cachaça e essa latinha de cerveja em meio a um dia de aula diante de uma paisagem espetaculosa? Será que fazem parte do currículo? Pois é, taí uma boa pergunta! Mas não se avexe que tenho uma boa resposta, ou pelo menos vou tentar. Esse dois ai são os amigos Diego e Felipe, que se mandaram das paragens do planalto central e embarcaram no Avoante para desanuviar o juízo dos dias de lida  em uma cidade mandatária, que a cada dia nos deixa com cara de espanto. Diego queria aprender os segredos da vela de cruzeiro para muito em breve cruzar os mares do mundo. Felipe pretendia apenas passear e conhecer os segredos guardados a céu abertos pelos santos e orixás que povoam a Baía de Todos os Santos, pois daqui uns dias seu veleiro, que está sendo construído pelo estaleiro maranhense Bate Vento, estará bossando pelas águas da Bahia. Juntamos o útil ao agradável e montamos esse curso/charter que foi um sucesso e recheado de boas energias e uns centímetros a mais na circunferência abdominal de cada um.

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Para variar, mais uma vez Lucia caprichou na gastronomia e preparou um cardápio, desde o café da manhã com tapiocas, bolos quentinhos, peixe frito e outras guloseimas, que encantou nossos tripulantes. E nos almoços e jantares não faltaram as deliciosas moquecas baianas e as tradicionais massas.´

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Claro que o Felipe, que embarcou para curtir a vida, adorou o que viu do mar da Bahia, mas o Diego, aproveitou cada minuto do aprendizado e desembarcou dando aula de rotas e marcações e já  tentando enxergar um veleiro para adquirir e realizar o sonho. – E as cervejas e a cachaça? – Claro que tínhamos que brindar tudo isso!

Coisas da saudade

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Hoje sentei no computador para escrever alguns artigos para a coluna Diário do Avoante, publicada todos os Domingos no jornal potiguar Tribuna do Norte, e atualizar o blog que há tempo está precisando, mas a saudade me traiu. Fui cair na besteira de rever algumas fotos e me deparei com o arquivo mais do que especial da bela e fascinante Baía de Camamu. Eita saudade danada daquele paraíso!

Bateu saudade

colunas

Natal, 20 de Maio de 2012

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Diário do Avoante
por Nelson Mattos Filho
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BATEU SAUDADE

20 de Maio de 2012

Nelson Mattos Filho/Velejador

A gastronomia é um dos segredos para a boa harmonia da vida a bordo. Não é preciso ter o esmero dos grandes chefes e suas porções mágicas, mas antes de acender a boca do fogão é preciso estar de bem com a vida e com o paladar aguçado para saber, antes de qualquer pessoa, o sabor dos pratos. Porém, não é todo mundo que tem a coragem de enfrentar a cozinha balançante de um barco, e por isso, muitas vezes a coisa fica complicada. Por isso é que miojos, sopinhas e sandubas fazem tanto sucesso a bordo de uma embarcação e fora deles são renegados.
Os peixes e os frutos do mar formam uma excelente base para o sucesso de pratos e sabores. Os grandes chefes despejam sobre as receitas marinhas todo o seu potencial de conhecimento e ainda deixam guardados na manga da bata, trunfos para dias premiados. Muitas vezes os pratos ficam incrivelmente belos e coloridos, mas o sabor passa muito longe daquelas casinhas simples de beira de praia e seus fogões a lenha.
Se você quer mesmo saber o gosto que tem um peixe fresco, sem adição de ervas e salamaleques turbinados das grandes escolas gastronômicas, vai ter que botar o pé no chão, sentar num tamborete, disputar espaço com algumas moscas insistentes, degustar uma cerveja estupidamente gelada, escutando ao longe o chiado da frigideira fervendo e sentindo o aroma se espalhar pelo ar. Não tem quem resista!
Você pode estar pensando assim: E daí? Bem, vou chegar onde eu quero, mas antes quero lhe dizer que esse peixe já me deu água na boca. E antes que você pergunte, vou dizer também que: no Avoante se frita peixe e que esse negócio de dizer que fritura deixa mal cheiro a bordo é apenas conversa de palhoção, ou de desculpa de quem não quer cozinhar.
Acho que já falei por aqui outras vezes que a primeira coisa que Lucia faz ao desembarcar numa nova ancoragem e descobrir o prato típico do lugar e raramente isso acontece em restaurante. Nada passa despercebido do seu paladar apurado e sempre repetimos o prato no dia seguinte, porque quando chega a bordo ela faz tudo igualzinho.
Não posso precisar o número, já que muitas receitas ficam arquivadas apenas na cabeça de Lucia, mas o caderninho de receitas do Avoante já tem muitas páginas deliciosas. Uma boa parte está reservada para as moquecas baianas e sua infinita variedade.
A moqueca baiana entrou para o nosso caderninho desde a hora em que ancoramos o Avoante em frente à ilha de Campinho, na bela e paradisíaca Baía de Camamu/BA, um dos lugares mais bonitos do mundo. Foi lá que cruzamos com as irmãs Onília e Aurora e nunca mais a nossa vida foi à mesma. Foi lá que sentimos o sabor e aroma do verdadeiro azeite de dendê e sua fragrância incomparável. Foi lá que aprendemos que existem muitas maneiras de fazer moqueca, mas que nenhuma se compara aquelas degustadas sob as sombras das arvores de uma Camamu mais bela. Foi lá que descobrimos o tamanho do tempo que havíamos perdido na correria sem freio das cidades.
Mas não sou o dono da verdade e você pode até ir a um chique restaurante tradicional baiano e se deliciar com uma deliciosa moqueca, mas nunca terá o sabor dos deuses, de um tacho apimentado cozinhando em fogo de lenha e espalhando alegria pelo ar. E no Avoante tem fogão a lenha? Tem não, mas tem moqueca de fazer inveja a qualquer bom baiano e isso eu garanto. E se faz moqueca velejando? Claro que sim, basta um peixe cair em nossa isca. E a pimenta? Bem, como na piada, vai depender da educação de cada um.
Toda essa prosa gastronômica temperada no dendê foi apenas por uma saudade que me bateu das sombras e das águas da Baía de Camamu, depois que Lucia preparou uma moqueca de peixe com camarão, na casa de um casal de amigos. A danada da moqueca estava de lascar o juízo de qualquer um e de fazer muito chefe de cozinha rever os conceitos. Foi uma moqueca com tempero acumulado dos muitos dias vividos em Camamu e batizado com alegria de Dona Aurora. Foi uma moqueca para reafirmar toda a paixão que tenho por aquele lugarzinho apaixonante. Foi uma moqueca prá lá de boa.
Só faltou escutar a voz arrastada de Aurora dizendo: Eitcha que essa muqueca tá danada!

Mais uma do caderninho de receitas do Avoante

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Não me levem a mal se vocês procuram o nosso blog com o intuito de se aprofundar nos assuntos de velejadas em um barco de oceano, ainda mais sabendo que moramos a borco do Avoante há vários anos, mas tem alguns assuntos que tenho a obrigação de contar por aqui e a gastronomia é um deles. 

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A moqueca baiana entrou no caderno de receitas do Avoante desde a hora em que aportamos com o Avoante em frente a ilha de Campinho, na belíssima baía de Camamu/BA, em janeiro de 2005, início de nossa jornada a bordo. Por falar em Camamu, aquilo lá é o lugar mais bonito do mundo.  Mas nesse post eu não vou contar mais nada além disso, pois já estou com um delicioso texto saindo do forno. Por enquanto vou apenas encher os olhos de vocês com essa noitada baiana que Lucia preparou na casa dos amigos Sandra e Vinício Gama em que até eu fiquei surpreso. O vatapá estava muito acima da média! 

Nessa panela de barro estava a moqueca de Peixe com Camarão de fazer inveja a muita baiana arretada.

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A cara de Vinício, enquanto Sandra preparava o prato, era de quem pensava assim: Pelo amor de Deus, isso está bom demais!

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Mais satisfeitos estavam Iraneide e Eudes, apreciadores de carteirinha das receitas de Lucia.

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E para deixar esse post com uma imagem de dar água na boca, como fazem os grandes chefes de cozinha, ai está a foto do prato pronto que eu não me cansei de reperir algumas vezes.