Arquivo do mês: março 2015

Mais dois cruzeiristas prontos para o mar

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Em meados de Março, enquanto o verão se esforçava para dar seus últimos suspiros, mesmo com um Sol de rachar moleira dos mais desavisados, recebemos mais dois alunos para o Curso de Vela de Cruzeiro. Os amigos Edson Bonfim e Mário Hilsenrath embarcaram no Avoante para sentir na pele como vivem aqueles que optam em morar a bordo de um veleiro de oceano. Foram quatro dias navegando pela Baía de Todos os Santos, ancorando a cada noite em fundeadouros diferentes, se aprofundando nos assuntos de navegação e curtindo a vida, pois essa é a melhor parte.

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Fazia tempo que Edson queria embarcar no Avoante, mas os astros teimavam em não alinhar. Dia desses ele apareceu na marina Angra dos Veleiro, onde estávamos, e teve a sorte de chegar justamente no dia em que reuníamos um grupo de velejadores e afins em torno de uma churrasqueira. Ele saiu dali animado e prometeu antecipar a decisão. Em conversa com seu amigo Mário, que também tem o sonho de sair pelo mundo durante dois anos, de barco ou não, combinaram vir fazer o curso. No Avoante eles viram que nem tudo são flores, mas que também nem sempre as teorias se encaixam com a realidade. Cartas Náuticas, meteorologia, planejamento, arrumação, ventos, velas, condições do mar, GPS, rotas, ancoragem e tudo o mais que gira em torno do povo do mar foi motivo de bate papo, regado a café da manhã, pastéis fritos na hora – pois é, no Avoante tem fritura sim – bolo quente e mais um rosário de delícias do cardápio de Lucia.

O Avoante em Salinas da Margarida      

O nosso Curso de Vela de Cruzeiro tem o objetivo de mostrar a vida em um veleiro sem segredos, sem mistérios, sem medos e com a simplicidade que ela requer. E foi isso que apresentamos aos novos velejadores cruzeiristas Edson e Mário, aos quais desejamos bons ventos e mares tranquilos.     

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Cruzeirando pelas águas da Bahia – III

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Canoas na Ilha de Bom Jesus dos Passos – BA

 

Quando me perguntam o que tem de tão especial na Baía de Todos os Santos, BTS, que faz o Avoante – depois de dez anos em que moramos a bordo – continuar cruzando suas águas para lá e para cá, confesso que costumo olhar para o interlocutor com a certeza de que ele realmente não conhece o mar do Senhor do Bonfim. Na Parte I e Parte II dessa postagem, navegamos em Morro de São Paulo e terminamos aproados na Ilha de Itaparica para saborear um churrasco a bordo do veleiro Acauã. O churrasco foi servido sob uma Lua maravilhosa e embalado pelos acorde do violão dedilhado pelo comandante Elson Mucuripe, mas infelizmente vou ficar devendo o registro fotográfico da noitada, porém, sem esquecer de dizer que foi um encontro memorável, pois o Webber é um anfitrião sem igual.

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Quando o dia amanheceu em Itaparica recolhemos âncora para seguir nosso passeio, agora em direção ao portinho da Ilha de Bom Jesus dos Passos, por trás da Ilha do Frade, mais conhecido entre os velejadores como Saco de Suarez, que aqui já foi relatado em duas postagens: Um lugar e A tribo dos pés-descalços. O lugar é simplesmente lindo e limpa os olhos de qualquer mortal mais exigente. Ancorar por ali, embarcar no botinho inflável para um giro entre as ilhas e mangues que cercam a paisagem é um programa imperdível. Mas se preferir, pode apenas sentar no cockpit, abrir uma cerveja gelada e ficar em silêncio diante da natureza.

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O portinho é rota comum para os velhos Saveiros, personagens vivos da história da Bahia, e dizem que por ali os holandeses, na época das grandes invasões, ficaram camuflados durante quase 60 anos sem que os portugueses dessem conta. Será? Para qualquer lado que miramos o olhar, se descortina uma paisagem de sonho. Quanto ao pôr do sol, não tenho como descrever.

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Certa vez ouvi falar de um riozinho que corta parte da Ilha do Frade, mas nunca havia aparecido a oportunidade para desbravá-lo. Olhando na Carta Náutica ele está lá e se chama Rio Cabuçu. Como o Elson queria fotografar o Saveiro Tupy que descarregava mercadorias na Ilha de Bom Jesus, deixamos o Avoante ancorado no círculo vermelho indicado na imagem da Carta, sob os cuidados de Lucia e Fabiane, e somos até lá retratá-lo. O Mucuripe, como todo homem do mar, vibrou ao chegar próximo a valente e histórica embarcação. Ao sair dali, resolvemos navegar um pouco pela ancoragem e ficamos frente a frente com um igarapé mais largo e achei que aquele era o tal riozinho. Passamos pela foz uma vez, duas e na terceira decidimos adentrar. A visão que tivemos foi fascinante. Estávamos a pouco mais de 12 milhas náuticas de uma grande metrópoles e navegando cercado por uma natureza em estado quase bruto. Se não tivéssemos encontrado um morador de uma fazenda e umas máquinas que denunciavam a retirada de areia nas margens, poderíamos jurar que aquele lugar estava parado no tempo. Não sei precisar a profundidade do Rio Cabuçu, pois não levamos o eco sonda manual, porém, ele é estreito e suas margens tracejadas de pequenos igarapés. Perguntamos ao morador da fazenda até onde iria o rio, ele respondeu que terminava ali onde estávamos. Olhamos para frente, vimos muita água a ser navegada e seguimos um pouco mais. Navegamos ainda por quase meia milha por minúsculas ilhotas e resolvemos dar meia volta quando o sol já caminhava serelepe para o seu descanso. Um dia eu volto!

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Pois é, a Baía de Todos os Santos é linda sim e duvido que tenha lugares no mundo com uma sincronia tão perfeita dos elementos da natureza para satisfazer os amantes do mar. Elson Mucuripe e Fabiane ficaram nove dias embarcados no Avoante e conheceram apenas um pouquinho do que a Bahia tem a oferecer ao navegante, mas tenho certeza que gostaram do que viram. Foram nove dias degustando a paisagem e saboreando as deliciosas receitas produzidas por Lucia. O casal Mucuripe batizou o passeio de charter gastronômico e prometeu retornar muito em breve para um segundo roteiro. O mar da Bahia é um encanto! 

Aos príncipes

Fevereiro (50)

Por mais que a tempestade amedronte, sempre haverá a bonança. Os ventos mudam.  

Um mundo de mar

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Alguém pode até achar que o poste de atracação atrapalhou, mas digo que ele faz parte ativa da imagem, que mostra a diversidade de embarcações que é a cara do mar da Bahia. 

Cruzeirando pelas águas da Bahia – II

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Quando me perguntam por que Ilha da Cal, confesso que não sei nem um centavo o motivo, mas tem quem a chame de Ilha do Cal e é assim que a Carta Náutica batiza esse pequeno paraíso bem baiano. Mas prefiro chamá-la no feminino, pois assim aprendi nas minhas primeiras andanças pelo mar do Senhor do Bonfim. Essa ilhazinha que irradia paz e tranquilidade em quem navegar pelo Canal Interno de Itaparica oferece um delicioso fundeadouro para os amantes do silêncio. Alguns velejadores baianos e outros tantos cruzeiristas brasileiros contam que em outras épocas a Ilha serviu de base para churrascos e festas da vela, porém, nos dias atuais o proprietário não é muito afeito a quem pise em suas areias brancas e limpas. Uma pena mas tudo bem, ancoramos ali assim mesmo apenas para apreciar a beleza, a natureza e a noite que é uma maravilha.

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Foi lá que jogamos âncora quando saímos da Fonte do Tororó com o casal Elson e Fabiane Mucuripe. O banho por ali é muito gostoso, onde mergulhamos em uma água morna  e convidativa. Foi lá que Lucia serviu uma incrível moqueca de Banana com Camarão, acompanhado de pirão dos deuses. Essa moqueca é especialidade de Lucia e dificilmente você irá degustar em outro local que não seja o Avoante. O nascer da Lua cheia foi a senha para Elson dedilhar o violão e assim encerramos a noite. Quando o dia clareou, tomamos café, levantamos âncora, subimos as velas e voltamos para a Ilha de Itaparica onde tínhamos um convite do amigo Webber, veleiro Acauã, para um churrasco a bordo.

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Com essa imagem do Avoante ancorado ao largo da Fonte do Tororó vou deixar você com água na boca, mas espere um pouquinho mais pela terceira parte.

 

Pense num pescador!

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É sabido que pescador, velejador, mergulhador, caçador e outras comunidades esquisitas são chegados a estórias carregadas de criatividades e ficam bravos quando o interlocutor não acredita em suas incríveis façanhas, mas o pescador australiano Brendon Hilder mandou ver e ainda apresentou um pequeno vídeo para provar que ele fisgou um tubarão tigre com quatro metros utilizando apenas uma linhazinha de mão. Diz a matéria, publicada no Globo.com/Planeta Bizarro, que Brendon depois de posar para fotos, lançou o bichano novamente ao mar. Eita cabra bom!

Baianidade

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A turma de cruzeiristas do mundo inteiro chega na Bahia e num instante se adapta ao estilo de vida do bom baiano. Vida boa não quer pressa!