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Veleiros brasileiros pelo mundo

mon bienArgos Vocês sabem quantos veleiros com bandeira brasileira estão hoje navegando pelos oceanos do mundo? – Não sabe? Pois é, eu também não, mas digo que tem uma flotilha enorme de abnegados aventureiros cortando água por aí, depois de abandonarem o conforto de um escritório e as maravilhas abençoadas de uma poltrona macia diante de uma TV último tipo. Se vocês não acreditam, basta deixar de lado, por alguns minutos, o facebook ou o whatsApp, para navegar pelos sites de pesquisa que povoam a internet, que você ficará de frente com pessoas que jogaram tudo para o alto e foram em busca de viver o sonho sonhado sem ter nenhum medo de ser feliz. Entre essa turma estão as tripulações do veleiro baiano Mon Bien, comandado pelo Gileno Borges, um sergipano arretado de bom, e do veleiro paulista Argos, sob o comando do André Cavalheiro, que agora estão fazendo o caminho de volta, depois de perambularem pelos mares do Caribe, português e espanhol. O Mon Bien já está no meio do Atlântico dando bordo buscando se apegar com os ventos alísios que o trarão a costa brasileira. O Argos, está nos preparativos finais para zarpar. – Quer saber por onde eles andam? Acesse os links que fazem parte do nosso BLOGROLL SPOT DO VELEIRO ARGOS e SPOT DO VELEIRO MON BIEN – que você acompanhará toda a velejada dos dois.  

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Baianidade

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A turma de cruzeiristas do mundo inteiro chega na Bahia e num instante se adapta ao estilo de vida do bom baiano. Vida boa não quer pressa!

Entre um bolinho e outro a gente vai ficando mais redondo

bolinho de bacalhau do andante (6)

Acho que já comentei aqui várias vezes sobre os encontros de velejadores que acontecem em Natal, o palco nem sempre fica restrito as varandas do Iate Clube do Natal, mas é sobre esse palco que quero falar novamente, já que estamos ainda sob os efeitos etílicos-gastronômicos do Pós-Regata Fernando de Noronha/Natal e por aqui ainda se encontra uma turma boa, animada e que basta um estalar de dedo para começar uma festa. A flotilha dos apressados, ou melhor, dos regateiros de carteirinha, já deixaram a Cidade do Sol há muito tempo, mas os sempre devagar, que são os cruzeiristas, ainda estão por aqui pegando um bronze e aumentando a silhueta. Alguns estão com as velas prontas para se mandar para as águas macias e cativantes do Mar do Caribe e de lá se esparramar pelos mares do mundo. Outros ficam olhando o vento e esperando um bom motivo para deixar Natal e voltar para o Sul maravilha. Mas no final, todos ficam mesmo é de olho na churrasqueira e nos anúncios diários de festas e comilanças, pois basta alguém chegar da feira com uma sacola mais recheada, que os outros já ficam na espera por um convite. É de mais homi! Até os barcos parecem entrar nesse esquema de maré mansa e festa, pois alguns insistem em não querer conserto e todo dia inventa uma munganga. Tem deles que só se resolve com reza braba. Eduardo Zanella que o diga! No rastro dessa flotilha de aventureiros sem pressa e loucos por um bate-papo descontraído, fica o grupo de velejadores nativos dessas terras do cacique Poti, que a todo momento inventa uma novidade para os visitantes se esquecerem de ir embora. No frigir dos ovos e das lufadas de vento, os cafés das segundonas e os encontros de quartas-feiras ultimamente estão com carga dobrada, sem falar nos intervalos entre um e outro. Comecei esse post na intenção de falar das receitas e dos sabores deliciosos que a todo momento surgem de algum barco visitante, ou mesmo da turma caiçara, como o Bolinho de Bacalhau, cujas fotos ilustram esse texto, e que foi produzido a bordo do veleiro Andante, por Fernando e Paula, editores do blog Do Bar pro Mar e que faz parte do BlogRoll do Diário do Avoante.  O casal velejador é proprietário do Bar do Português, na cidade paulista de Bauru, e está aproveitando a delícia do fundeio do Rio Potengi enquanto espera a vontade de zarpar subir a bordo. Mesmo que você prometa doar dois conjuntos de velas novas para o Avoante eu não vou dizer a receita do bolinho, pois isso é segredo de estado, guardado debaixo da quilha do Andante e eu também não sei. Mas que o bicho estava bom estava! No mais, eu e Lucia já desistimos de olhar a balança e agora estamos tentando a todo vapor engrenar umas caminhadas pelo calçadão da beira mar, o que conseguimos até agora foi apenas gastar o solado dos tênis e umas dorezinhas pelo esqueleto, mas estamos na luta. Só que, essa luta está desigual e acho que enquanto essa turma não for embora, vamos ter que comprar mais uns pares de tênis.  

BIBLIOTECA NÁUTICA

Existe uma extensa lista de livros que contam a história do mundo náutico desde os primórdios da humanidade e muitos outros que foram escritos por velejadores de cruzeiro ou regatistas. São livros que até hoje despertam a curiosidade e faz com que muitas pessoas entrem no mundo do mar.  Muitos amigos pedem que eu informe alguns livros sobre o mundo da vela e como podem encontra-los, já que nas principais livrarias do país achar um livro náutico é o mesmo que achar agulha em palheiro. Não sei o que acontece com esses livros que não despertam o interesse comercial de donos de livrarias. Vou tentar acreditar que seja apenas falta de visão para esse mercado. Não estou ganhando nada com isso, mas sempre que alguém me pergunta como encontrar livros náuticos indico a Moana Livros, especializada em mar e aventura e que vende pela Internet. Fico feliz em passar essa informação, até porque, possa ser que o interessado venha a ser um futuro velejador. Eu entrei no mundo náutico a partir de um livro da Família Schurmann, e até aquele momento nunca me imaginei num barco, nem muito menos morando a bordo. Aquela história de aventura deu outro rumo a minha vida, mas tudo por causa de um balconista de uma livraria do aeroporto de Guarulho/SP, que ousou apresentar aquele livro a um executivo-engravatado, que era eu. A partir daquele livro descobri uma literatura gostosa e apaixonante nos livros de cruzeiristas como Marçal Ceccon, Edson de Deus, Amyr Klink, João Sombra e outros brasileiros, isso sem falar nos autores-velejadores estrangeiros, que são muitos. Fica a dica para aqueles que um dia sonharam com essa vida e ainda não se decidiram.  

BRASILEIROS NAVEGANDO PELO MUNDO

Navegando pelo blog dos amigos do veleiro maracatu – maracatu.wordpress.com – tive a informação que 26 barcos brasileiros hoje forma a flotilha brazuca pelos mares do mundo. Pode até parecer pouco, para um País com dimensão continental como o nosso e ainda mais com um litoral de mais de 8 mil quilometros, e até eu acho que seja pouco, mas como a concentração de veleiros é muito maior nos estados do sul e sudeste, sobrando para o nordeste e o norte apenas uns poucos valentes, corajosos e teimosos velejadores, e ainda levando em consideração que nossa tradição náutica vem de muito depois dos períodos das grandes navegações e descobrimentos, onde em vez de descobridores fomos descobertos e abandonados por muitos anos. Então essa turma de aventureiros que hoje navega levando a bandeira brasileira pelo mundo, pode ser considerada uma grandiosa força tarefa naval, levando alegria, simpatia, calor humano, paz, amor, muitos sonhos e abrindo rotas para novos velejadores brasileiros e sonhadores com o mundo mágico do mar. Sempre me perguntam quando iremos sair do País ou se já saímos, eu sempre respondo que sair ou não do Brasil de veleiro é apenas uma consequencia natural de quem mora a bordo e faz do mar seu mundo como nós. Nosso primeiro objetivo é o litoral do Brasil e depois de 5 anos morando a bordo e partindo de Natal, nossa cidade, ainda não conseguimos passar de Camamú/BA. É pouco? pode até ser, mas a pressa nunca embarcou em um veleiro. Com isso seguimos navegando, devagar e sempre. Quem sabe um dia faremos parte dessa grande flotilha brasileira pelo mundo. Os ventos é quem sabem! Mas, enquanto a gente navega por aqui, vamos dando notícias dos amigos que cortam as águas internacionais levando a bordo, de seus belos veleiros, o sonho de toda uma vida e torcendo para que essa flotilha não pare nunca de crescer. A partir de hoje, sempre que possível, postarei notícias dessa turma.