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O grande mar – I

6 Junho (129)

O slogan é ufanista sim senhor, mas dificilmente encontraremos algum nativo, por mais cético que ele seja, para assinar embaixo de uma contestação: Bahia, terra mãe do Brasil! E quem sou eu para dizer o contrário.

Sempre que adentro as históricas águas do Rio Paraguaçu, me vejo diante de um cenário deslumbrante, entrecortado por alguns clarões que demonstram a sanha dos desmandos produzidos pelos caras pálidas. Queria mesmo saber se na língua tupi existe uma palavrinha para substituir a expressão “besta quadrada”. Se existir, deve ser um baita palavrão, pois o povo índio é bom em resumir palavras abreviando os pormenores.

O Paraguaçu – grande mar na linguagem tupi – é uma imensa estante de uma biblioteca a céu aberto, recheada de livros imaginários, mas que narram em poemas uma história fascinante.

Nesses dez anos morando a bordo do Avoante, em que a Bahia foi o meu porto mais constante – tanto que ainda não consegui atravessar sua fronteira navegável, porque ainda não conheço tudo o que desejei conhecer – naveguei umas poucas vezes as águas do velho rio e sempre fui tomado por uma professoral entidade saída dos arquivos recônditos da história, que me faz ver com tristeza os rumos maledicentes que as coisas tomaram.

Contam a boca pequena que a área de mata que cerca a rio Paraguaçu já disputou pareia com a floresta amazônica. Se a afirmação é verdade eu não sei, mas um dia alguém escreveu sobre isso e olhando em minha volta, do cockpit do Avoante, não duvido mesmo. É muita mata ainda em estado bruto!

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Algumas traquinagens foram cometidas no passado e o presente nos mostra que os traquinos continuam em franca atividade. As margens do Paraguaçu ainda conservam muito da sua beleza, talvez até mais do que os defensores do progresso a todo custo desejassem que fosse, porém, por trás dos montes e longe dos olhos dos navegantes, a desfaçatez do homem paira sobre a poeira de uma devastação galopante. Continuar lendo

Cruzeirando pelas águas da Bahia.

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Como falei na postagem anterior, fiquei uns dias sem dar o ar da graça por aqui, mas foi por um motivo justo, estávamos navegando na companhia do casal Elson Mucuripe e Fabiane, que saíram do oceano endiabrado do Lago Paranoá, em Brasília, para uns bordos mais tranquilos pelas águas do Senhor do Bonfim. A primeira ancoragem foi diante dessa Lua maravilhosa que iluminou de poesia a Baía de Tinharé, onde se localiza o badalado Morro de São Paulo.

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Iluminado pela magia lunar, o violeiro Mucuripe deixou fluir sua veia musical e tocou e cantou até fazer calos nos dedos. Lucia, para não deixar barato, nos presenteou com maravilhoso jantar, servindo costela de porco ao molho agridoce, acompanhado de risoto de jerimum. Jurei que ninguém no mundo, naquele instante, estava saboreando uma comida tão deliciosa como aquela e com um fundo musical tão perfeito.

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Apos duas noites ancorados em frente a Gamboa do Morro, um fundeadouro gostoso, mas que merece um pouquinho de atenção, pegamos o beco de volta para a Baía de Todos os Santos, onde adentramos no começo da tarde de um dia de verão. Para festejar a velejada, um través de ida, outro de volta, Elson e Fabiane nos convidou para jantar em um dos restaurantes da Marina de Itaparica.

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O dia seguinte tiramos para navegar o canal interno da Ilha de Itaparica, com parada na Fonte do Tororó, para um delicioso banho de mar e terminamos o dia jogando ancora ao largo da Ilha da Cal, onde passamos a noite diante de mais um cenário dos deuses. Não se avexe, mas na próxima postagem eu continuo.

Os números do Diário do Avoante de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog e só temos a agradecer a todos vocês que fizeram esses números serem tão significativos. Cento e dez mil tripulantes somente em 2014 é uma responsabilidade muito grande para quem comanda um veleirinho de 33 pés de tamanho e com um coração tão imenso quanto todos os oceanos do mundo. Desejamos ter todos vocês com a gente em 2015 e adicionar outros 110 mil novos tripulantes, para assim ampliar essa comunidade tão amiga do Avoante. Um grande beijo Nelson e Lucia  

Aqui está um resumo:

O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 110.000 vezes em 2014. Se fosse o Louvre, eram precisos 5 dias para todas essas pessoas o visitarem.

Clique aqui para ver o relatório completo

Dois potiguchos a bordo do Avoante

10 Outubro (162)

No finzinho de Outubro tivemos a alegria de receber a bordo Antônio Carpes e Rosângela, um casal arretado de bom e que temos o maior carinho. Tônho e Rosângela vieram a Salvador para assistir ao casamento de minha filha e ficaram por uma semana para sentir como é gostoso navegar nas águas da Baía de Todos os Santos. Continuar lendo

Um passeio e novos amigos

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Sexta-Feira, 14/11, tivemos mais um dia de boas companhias a bordo do Avoante em um passeio pela belezura das águas mansas da Baía de Todos os Santos. Recebemos os casais Fernando Leite/Luciana e Rogério Damasceno/Eliana, para um Day Charter até a Ilha de Maré, com direito a saborear as delícias culinárias da chefe Lucia e sua cozinha maravilhosa. Fernando, de camisa branca, que veleja nos lagos e represas do planalto central, pretende enveredar nas águas do Atlântico e para isso escolheu o Avoante para suas primeiras milhas no reino de Netuno. Não foi ainda um batismo em mar aberto, como ele queria, mas foi o motivo para apresentar o seu sonho para a esposa e os cunhados, que adoraram a experiência. 

Eita mundo pequeno

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Estamos mais uma vez navegando pelas águas abençoadas da Baía de Todos os Santos na companhia de amigos. Dessa vez é o casal Mauricio e Simone, que arredaram o pé de Recife/PE e vieram passar oito dias a bordo do Avoante. Mas o mundo é mesmo bem pequenininho, e foi justamente no conforto do cockpit do nosso veleirinho que, mais uma vez, tiramos a prova. Mauricio chegou até a gente através desse blog e depois dos primeiros contato compareceu ao lançamento do livro Diário do Avoante no Cabanga Iate Clube na intenção de nos conhecer pessoalmente, já que o casal viria navegar no Avoante na Bahia. Até ai nada de mais, além da alegria de conhecer novos amigos. No dia que o casal embarcou, ficamos batendo papo e numa das fases da conversa ele falou que havia morado em Natal/RN na Rua Ângelo Varela. Levantei a vista e perguntei: – Você morou na Ângelo Varela em que época? Já esperando uma boa surpresa como resposta. Quando ele falou que havia morado em meado dos anos 70 não havia mais dúvidas: Eu tinha que conhecer Mauricio, pois morei lá e até hoje minha Mãe mora nas imediações. Foi quando ele falou que naquela época era conhecido como Mauricio Baiano. Que mundo pequeno! Mauricio, meu amigo na adolescência, estava ali sentado no cockpit do Avoante. Em cima da bucha disparei: – E o que danado fizeram com aquela sua cabeleira? Risos e a grande alegria do reencontro. Depois de muitas lembranças, muitas informações sobre os amigos que ficaram espalhados pelo tempo, cada vez mais recordações e a certeza que os amigos são para sempre, resta a felicidade de estar recebendo a bordo do nosso Avoante um amigo que imaginava escondido em algum lugar desse mundo maravilhoso.

Amigos a bordo

3 março  (36)

Você pode até achar que incorporei de vez o jeito manso do baiano levar a vida, pois faz uns bons dias que me mantenho afastado das teclas do computador para atualizar o blog. Será que você tem razão? Tomara que não. Mas a verdade, ou a desculpa, você que escolhe, é que recebemos a bordo a visita de Sandra e Vinício Gama, dois grandes amigos, durante a Semana Santa e fomos envolvidos pelo clima de feriadão tão típico nessa época.

3 março  (46)

A coisa foi tão seria que até minha inseparável máquina fotográfica ficou jogada num cantinho do Avoante a espera da minha boa vontade em colocar a bateria para recarregar. Mas antes que ela descarregasse de vez, ainda fiz algumas imagens para registrar a alegria do casal amigo/irmão, que nunca havia passado mais do que uma hora a bordo de um veleiro, em estar vivendo a vida a bordo do nosso Avoante.

3 março  (47) 

Ilha de Itaparica, canal interno de Itaparica e Ilha da Cal foram os nossos destinos durante o feriado da Semana Santa. Lugares belíssimos e que encantam todos aqueles que tem a oportunidade de conhecer. Lucia como sempre mandando ver nos quitutes e nos fazendo agregar mais uns quilinhos, com pratos a base de bacalhau, camarão, peixe e moqueca de siri mole de fazer inveja a qualquer chef cinco estrelas.