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O buraco e a fonte

1Dia desses nos grupo de mídias sociais de velejadores baianos pipocaram imagens da Fonte do Tororó, uma das joias da Baía de Todos os Santos, em que se dizia que o local havia desabado, porém, a notícia logo foi desmentida. Segundo relatos, o desabamento se deu um pouco mais a frente da bela Fonte, hoje quase sem água. A Fonte do Tororó, debruçada sobre as águas do Senhor do Bonfim, é emoldurada por uma maravilhosa mata nativa e se apresenta com uma convidativa prainha de areias brancas. Por várias vezes o local serviu de ancoragem para o Avoante e em uma delas foi local escolhido para comemorar um dos meus aniversários. Ultimamente tenho escutado comentários de que a ancoragem não merece confiança, o que é uma pena. Hoje me apeguei com a notícia, no G1 Bahia, que uma enorme cratera está intrigando técnicos e ambientalistas, na mata no centro da Ilha, que não é mais ilha, de Matarandiba, localidade que abriga a Fonte. Os estudos indicam que a cratera cresce a cada dia e em sete dias já aumentou quase três metros. A área pertence a empresa Dow Química, que de lá extrai salmora de seis poços a uma profundidade de 1,2 mil metros. O buraco da Dow Química já está com quase 72 metros de comprimento por 30 de largura e quase 46 metros de profundidade. Agora eu pergunto: – Será que não poderiam aproveitar esse buraco para jogar dentro uma ruma de… Homi, deixe quieto! Como se diz na Bahia: Deus é mais!     

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Votos renovados com o mar – II

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Talvez possa dizer que esses Votos Renovados com o Mar, com o mar da Bahia, seja uma retrospectiva de tudo o que vivi na Baía de Todos os Santos, mas talvez não, porque no mar não tem talvez. No mar não existe sorte e nem azar. Aventura, jamais. Quem sabe destino, porque o mar não é dos valentes e muito menos dos inconsequentes, ele é daqueles que o respeitam, que tem na alma uma rota traçada, que tem no sonho o destino. O mar não se enfrenta, a não ser que se queira perder a luta. O mar se navega e com bem querer navegança, pois só passa por ele quem ele deixar.

Tenho uma paixão com o mar, daquelas que não se conta para não enciumar, pois no reino de Iemanjá segredo é segredo e ai de quem duvidar. Conto tudo por cima e quem sabe alguns floreios, mas se quer saber a verdade, vá você navegar. Experimento de um tudo e não deixo nada faltar, não me acho professor, pois essa é profissão dos encantados de lá. Navego com o coração aberto, alma livre e saio colhendo frutos, alguns doces outros amargos, mas todos são frutos que alimentam meus sonhos e me ensinam que no mar não existem nem flores e nem espinhos, e sim o amor de querer navegar. O mar do Senhor do Bonfim me acalma os sentidos e dita as regras de minha razão. Não consigo definir minha relação com ele, mas sei que é coisa de encanto.

E foi numa tarde faceira de final da primavera de 2016, que soltamos as amarras que prendiam o Tranquilidade ao píer da marina e fomos navegar. Fui até a proa e deixei ser tomado por aquele momento tão delicioso que vivi durante anos. Fechei os olhos e pedi bênçãos, pois é assim que sempre fiz. O mar me altera os sentidos e sou tomado por uma gostosa sensação de alerta, de prioridade, de responsabilidade. O mar me alimenta e faz minha alma sorrir com uma infinita alegria, a alegria de uma vida que alguns dizem de sonho. – Sonho? – Ah sim, o melhor deles, o sonho sonhado e vivido.

O mestre-saveirista olha o vento e segue para onde ele for, o mar é seu caminho e Iemanjá sua rainha, quando ela não deixa ele fica no caís. Não se briga com o mar e nem com os percalços que se apresentam, pois ali estão ensinamentos que muitas vezes valem alegrias, e vida, porém, não se desiste, muda-se o rumo, porque o vento e o mar são sempre mais carinhosos quando seguimos ao lado deles. E foi assim que fizemos ao cruzar a boia da Ribeira, que por sinal está indicando um canal cada vez mais raso, olhamos as condições, checamos os equipamentos e sem muito insistir aproamos a ilha de Itaparica e seu fundeio maravilhoso. Inicialmente queríamos ir a Canavieirinhas, lá no final do canal de Tinharé, região do famoso Morro de São Paulo, mas o piloto automático resolveu reclamar e os lemes estavam muito endurecidos – barco não gosta de ficar parado – e seguir assim durante mais de 50 milhas era uma tarefa árdua demais para quem só queria a sombra e a água fresca oferecida pelo Senhor da Colina Sagrada.

O fundeio de Itaparica continua lindo, maravilhoso e cativante. A paisagem que se descortina ao nosso redor é um bálsamo para aliviar as tensões de um mundo cada vez mais desumano. Podem dizer o que quiserem da Ilha, mas nunca neguem a poesia que está escrita no traçado das linhas de sua paisagem. Brindamos a noite com um bom vinho e uns quitutes da minha chef das chef e dormimos o sono dos justos naquele balanço de entorpecer e que somente um veleiro é capaz de proporcionar. A manhã seguinte levantamos a âncora e seguimos pelo canal interno da ilha, até a Fonte do Tororó, outro fundeadouro imperdível e lindo que só vendo. Um banho de mar para lavar a alma, uns bate-papos gostosos e despreocupados, um almoço fora de série e assim seguimos para a Praia de Mutá, outro fundeadouro maravilhoso e onde iriamos conhecer a Cervejaria ED3, que posso dizer, mesmo sem ter autoridade de conhecimento para tal, que é a melhor cerveja da Bahia.

A Praia de Mutá é um povoado pertencente ao município de Jaguaripe, que em tupi é îagûarype e significa “no rio das onças”. Mutá tem no traçado de suas ruas a origem da velha e boa Bahia, com ruas e becos que desaguam inevitavelmente na praça da igreja ou na rua que a praça leva. A beira mar é uma pequena baía de águas preguiçosas e rasas e nas areias se estendem alguns bares e restaurantes que ultimamente estão até bem educados no quesito altura do som. Tem na produção de mariscos, que por sinal por lá se prepara divinamente, uma excelente parcela de sua renda. É em Mutá o destino final de uma das boas regatas da Bahia, a Regata da Primavera, que a cidade recebe com muito carinho e festança.

– Sim, e a cerveja? – Tenha paciência meu rei, que falarei na próxima página.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Mais um velejador para singrar os mares do mundo

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Um amigo sempre diz que eu não tenho nada que pedir desculpas por passar alguns dias sem aparecer pelo blog, mas acho que tenho sim, porque compromisso é compromisso e quando me propus a por o Diário do Avoante no ar, foi com a ideia que ele teria atualização diária, mas como nem sempre é possível, vou navegando e dando bordos entre uma desculpa e outra. A desculpa dessa vez foi que estávamos mostrando a um novo aluno do nosso curso de vela de cruzeiro, como é a vida a bordo de um veleiro de oceano e quanto ela é prazerosa.

20160402_083426Pois bem, o Ricardo de Brasília, chegou e de cara já sentiu que a vida de velejador de cruzeiro é cheia de alegrias, boas amizades, extremamente irreverente e que nem sempre a turma está afim de dar uns bordos por aí, porém, é uma vida maravilhosa e que passa bem distante dos estresses produzidos pelas cidades.

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Como primeira aula, participou do churrasco de inauguração da churrasqueira do veleiro Intuição, do comandante Chaguinhas, que começou pela manhã, se estendeu pela tarde e culminou com o início da segunda aula, numa velejada noturna do Aratu Iate Clube até o Suarez, ou portinho da ilha de Bom Jesus – como queiram – , um dos mais gostosos e tranquilos fundeadouros da Baía de Todos os Santos. Foi uma velejada em flotilha, porque tivemos a companhia do veleiro Luar de Prata, do comandante Paulo, num percurso de pouco mais de 14 milhas.

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No segundo dia de aula, navegamos do Suarez até a ilha de Itaparica, num través gostoso, onde dividimos a ancoragem com os veleiros Ati Ati, do comandante Fernando e da grumete Erica, e do veleiro Remelexo, comandante Claudio e imediata Giordana. A noite foi de festa a bordo do Remelexo e mais uma vez o Ricardo sentiu a força da amizade que tempera a alma dos velejadores de cruzeiro.

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O terceiro de dia de curso para Ricardo foi uma navegada pelo Canal Interno de Itaparica, diante de uma paisagem de encantar, até a Fonte do Tororó, uma pequena cachoeira quase sem água, mas que oferece um banho de mar sensacional. Depois do almoço a bordo, emoldurado pela mata exuberante do Tororó, levantamos as velas e tomamos o rumo do fundeadouro da ilha da Cal, outro paraíso da Baía de Todos os Santos, onde passamos a noite. Aliás, na ancoragem da ilha da Cal não precisamos nem olhar para o Céu para ver as estrelas, basta olhar o mar para vê-las refletidas.

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No quarto dia voltamos a Ilha de Itaparica, onde o Ricardo desembarcou, para seguir para Morro de São Paulo, e nos fizemos o rumo do Aratu Iate Clube, navegando sob as cores de um belíssimo pôr do sol. Ricardo foi mais um aluno aplicado que desembarcou do Avoante focado no sonho de singrar os mares do mundo a bordo de um veleiro. Tudo que viu e viveu durante os quatro dias de curso temos certeza que ficará marcado em sua memória como dias maravilhosos e que jamais ele imaginou que teria. Fizemos questão de montar uma grade de curso em que a vivencia sobressaísse sobre os ensinamentos técnicos, porque assim ele veria que a vida a bordo de um veleiro não tem segredos e tudo não passa de um novo olhar sobre a vida, onde se busca a verdadeira interação entre homem e natureza. Desejamos sempre bons ventos e mares tranquilos ao novo velejador e desejamos um dia ancorar nosso veleirinho ao lado do seu em algum recantinho gostoso desse mundão de oceano.

Recados do mar

12 Dezembro (356)

Pesquisa de uma universidade dos EUA, aponta que a elevação do nível dos oceanos teve uma rápida aceleração nos últimos 20 anos e que até 2050 o nível do mar deve chegar a mais de 50 centímetros do que é hoje. Essa notícia bem que poderia ser mais uma das previsões apocalípticas que circula pela ondas virtuais, mas para quem mora em um lar balançante e volta e meia sai dando uns bordo por aí, a pesquisa é uma verdade verdadeira que salta aos olhos. As causas que fizeram chegar a beira dessa futura catástrofe mundial já é sabida por todos, porém, nada de concreto se chegou até hoje para tentar amenizar o castigo reservado as futuras gerações. Os líderes mundiais gastam tempo, dinheiro, comida e energia em monstruosos encontros para discutir o clima do planeta e no final da brincadeira se metem a assinar protocolos de intenções tão falsos que nem eles acreditam. Pura papagaiada! Nós, pobres mortais membros amestrados das torcidas organizadas, por enquanto vamos escapando e fazendo poses para selfies durante os momentos em que Netuno sai do sério e manda ver na força das ondas. A imagem que ilustra essa postagem é da prainha na Fonte do Tororó, no canal interno da Ilha de Itaparica, um dos locais em que observo a cada ano a maré subir um tiquinho a mais. Na pisadinha em que a coisa vai, muito em breve as cartas náuticas terão que ser revistas quanto a indicação das profundidades anunciadas, porque maré que sobe muito baixa muito. Ou será que não é assim? 

Cruzeirando pelas águas da Bahia.

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Como falei na postagem anterior, fiquei uns dias sem dar o ar da graça por aqui, mas foi por um motivo justo, estávamos navegando na companhia do casal Elson Mucuripe e Fabiane, que saíram do oceano endiabrado do Lago Paranoá, em Brasília, para uns bordos mais tranquilos pelas águas do Senhor do Bonfim. A primeira ancoragem foi diante dessa Lua maravilhosa que iluminou de poesia a Baía de Tinharé, onde se localiza o badalado Morro de São Paulo.

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Iluminado pela magia lunar, o violeiro Mucuripe deixou fluir sua veia musical e tocou e cantou até fazer calos nos dedos. Lucia, para não deixar barato, nos presenteou com maravilhoso jantar, servindo costela de porco ao molho agridoce, acompanhado de risoto de jerimum. Jurei que ninguém no mundo, naquele instante, estava saboreando uma comida tão deliciosa como aquela e com um fundo musical tão perfeito.

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Apos duas noites ancorados em frente a Gamboa do Morro, um fundeadouro gostoso, mas que merece um pouquinho de atenção, pegamos o beco de volta para a Baía de Todos os Santos, onde adentramos no começo da tarde de um dia de verão. Para festejar a velejada, um través de ida, outro de volta, Elson e Fabiane nos convidou para jantar em um dos restaurantes da Marina de Itaparica.

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O dia seguinte tiramos para navegar o canal interno da Ilha de Itaparica, com parada na Fonte do Tororó, para um delicioso banho de mar e terminamos o dia jogando ancora ao largo da Ilha da Cal, onde passamos a noite diante de mais um cenário dos deuses. Não se avexe, mas na próxima postagem eu continuo.

Velejando com amigos

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Com essa imagem do crepúsculo embelezando a ancoragem em Loreto, entre as ilhas do Frade e Bom Jesus, marcamos a volta ao batente para contar como foi a semana que tivemos a alegria de ter a bordo do Avoante o casal Chiquinho e Lucienne, nossos amigos de longas datas e que vieram tirar a prova dos nove das belezas navegáveis da Baía de Todos os Santos (BTS). O roteiro escolhido foi: Ilha do Bom Jesus, Madre de Deus, Loreto, Salinas da Margarida, Itaparica, Ilha da Cal, Fonte do Tororó e retornando para o Aratu Iate Clube. 

IMG_0054Para começar, quero reafirmar a alegria de ter recebido a bordo pessoas tão queridas. Posso dizer que fui criado junto com Cienne, pois fomos vizinhos até o final da adolescência, no bairro do Tirol, em Natal/RN, durante a época em que amigos tinham a liberdade de sentar no meio fio de uma calçada e conversar despreocupadamente até altas horas. Aquele sim era o Brasil que merecíamos viver até os dias de hoje, mas que em algum subterfugio da história deixamos escapar para mais nunca. Mas deixa estar, pois quem sabe um dia nossos descendentes possam reescrever essa história.

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Foi uma semana inteira de belas navegadas e boas ancoragens onde o casal, que já havia realizado outras velejadas, mas nunca em tempo tão estendido, ainda mais vivendo intensamente a vida a bordo de um veleiro de oceano, ficou encantado. A empatia foi tanta que quase não quiseram desembarcar nos lugares por onde passamos.

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Dizem que sete dias demora a passar, mas os sete dias de Chiquinho e Cienne no Avoante passou como um raio e deixou saudades. Eles viveram tudo com naturalidade, companheirismo e consciente de que a vida a bordo de um veleiro requer uma extrema parcela de boa vontade e desprendimento.

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Velejando no Canal de Itaparica

Imagens 034 Navegar pela Bahia é uma festa! Para onde aproamos o barco surge uma paisagem de sonhos, vento a favor, mar de fazer inveja e ancoragens belíssimas. Na semana passada navegamos pelo canal interno da Ilha de Itaparica, junto com dois veleiros: O argentino Aventurero e o alagoano Tike Take. Na primeira noite ancoramos na Fonte do Tororó, uma ancoragem excelente para uma noite tranquila, mas a fonte que é bom, só existe mesmo no nome. Dizem que uma empresa represa a água e por isso a fonte secou, mas mesmo assim o banho de mar é uma delícia. No dia seguinte rumamos para a Praia de Mutá, muito próximo de Tororó e outro fundeio perfeito.  Hoje Mutá é um ponto de encontro de velejadores baianos.   Uma das atrações de Mutá, além do banho de mar e da praia muito bonita, é o Restaurante Sabor de Mutá com uma culinária muito especial e comandado pelo casal velejador Almir e Simone. Mesmo se não gostar Imagens 036da comida você não vai sair falando, pois o Almir tem conversa para muitas horas de um bom bate-papo. Dessa vez não fomos ao Restaurante Sabor de Mutá, pois no dia seguinte, a nossa chegada, o Aventurero e o Tike Take resolveram levantar âncoras e retornar a Salvador. Nós ficamos sozinhos e aproveitamos para descer o canal até a Praia de Catu, outro fundeio sensacional, já próximo a Barra Falsa de Itaparica. Imagens 064Dois dias depois retornamos a Itaparica e no meio da navegada ficamos sabendo através do velejador Davi Hermida que no Sábado, 26/02, o Saveiro Vendaval estaria em Itaparica para um passeio, e no mesmo dia haveria a lavagem da Coroa do Limo, uma faixa de areia que descobre na maré baixa, em frente a Marina de Itaparica.Imagens 102 Em busca da festa aproamos o fundeio de Itaparica! Velejar em um Saveiro é o mesmo que velejar na história da Bahia. Já velejei no Vendaval em outras oportunidades, mas nunca matei a vontade. Sempre que ele esta disponível para velejar, e estou na Bahia, eu me convido. A lavagem da Coroa do Limo é uma festa organizada por velejadores do Aratu Iate Clube, bastante informal e animada. A turma se reúne na Coroa e contratam uma bandinha de sopro para animar a festa. Os que estão com os barcos ancorados ao largo, vão desembarcando e a festa acontece na maior alegria. Churrasco, feijoada em dingue, muita cerveja gelada e as marchinhas carnavalescas dão o tom a festa, que só termina quando o mar resolve tomar conta novamente da Coroa do Limo. Lavagem da Coroa  de Itaparica (37) Lavagem da Coroa  de Itaparica (17)Lavagem da Coroa  de Itaparica (18) Um detalhe chamou nossa atenção em toda essa folia: No final não existia nenhuma sujeira nas areias e nem na água. A festa foi grande e animada, mas a consciência ecológica da turma foi ainda maior. Valeu!