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Mais um velejador para singrar os mares do mundo

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Um amigo sempre diz que eu não tenho nada que pedir desculpas por passar alguns dias sem aparecer pelo blog, mas acho que tenho sim, porque compromisso é compromisso e quando me propus a por o Diário do Avoante no ar, foi com a ideia que ele teria atualização diária, mas como nem sempre é possível, vou navegando e dando bordos entre uma desculpa e outra. A desculpa dessa vez foi que estávamos mostrando a um novo aluno do nosso curso de vela de cruzeiro, como é a vida a bordo de um veleiro de oceano e quanto ela é prazerosa.

20160402_083426Pois bem, o Ricardo de Brasília, chegou e de cara já sentiu que a vida de velejador de cruzeiro é cheia de alegrias, boas amizades, extremamente irreverente e que nem sempre a turma está afim de dar uns bordos por aí, porém, é uma vida maravilhosa e que passa bem distante dos estresses produzidos pelas cidades.

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Como primeira aula, participou do churrasco de inauguração da churrasqueira do veleiro Intuição, do comandante Chaguinhas, que começou pela manhã, se estendeu pela tarde e culminou com o início da segunda aula, numa velejada noturna do Aratu Iate Clube até o Suarez, ou portinho da ilha de Bom Jesus – como queiram – , um dos mais gostosos e tranquilos fundeadouros da Baía de Todos os Santos. Foi uma velejada em flotilha, porque tivemos a companhia do veleiro Luar de Prata, do comandante Paulo, num percurso de pouco mais de 14 milhas.

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No segundo dia de aula, navegamos do Suarez até a ilha de Itaparica, num través gostoso, onde dividimos a ancoragem com os veleiros Ati Ati, do comandante Fernando e da grumete Erica, e do veleiro Remelexo, comandante Claudio e imediata Giordana. A noite foi de festa a bordo do Remelexo e mais uma vez o Ricardo sentiu a força da amizade que tempera a alma dos velejadores de cruzeiro.

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O terceiro de dia de curso para Ricardo foi uma navegada pelo Canal Interno de Itaparica, diante de uma paisagem de encantar, até a Fonte do Tororó, uma pequena cachoeira quase sem água, mas que oferece um banho de mar sensacional. Depois do almoço a bordo, emoldurado pela mata exuberante do Tororó, levantamos as velas e tomamos o rumo do fundeadouro da ilha da Cal, outro paraíso da Baía de Todos os Santos, onde passamos a noite. Aliás, na ancoragem da ilha da Cal não precisamos nem olhar para o Céu para ver as estrelas, basta olhar o mar para vê-las refletidas.

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No quarto dia voltamos a Ilha de Itaparica, onde o Ricardo desembarcou, para seguir para Morro de São Paulo, e nos fizemos o rumo do Aratu Iate Clube, navegando sob as cores de um belíssimo pôr do sol. Ricardo foi mais um aluno aplicado que desembarcou do Avoante focado no sonho de singrar os mares do mundo a bordo de um veleiro. Tudo que viu e viveu durante os quatro dias de curso temos certeza que ficará marcado em sua memória como dias maravilhosos e que jamais ele imaginou que teria. Fizemos questão de montar uma grade de curso em que a vivencia sobressaísse sobre os ensinamentos técnicos, porque assim ele veria que a vida a bordo de um veleiro não tem segredos e tudo não passa de um novo olhar sobre a vida, onde se busca a verdadeira interação entre homem e natureza. Desejamos sempre bons ventos e mares tranquilos ao novo velejador e desejamos um dia ancorar nosso veleirinho ao lado do seu em algum recantinho gostoso desse mundão de oceano.

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Um descobridor a bordo do Avoante

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Passei uns dias sem dar o ar da graça, mas foi por uma boa causa, pois estava mostrando ao português Pedro Cardoso os segredos que encantam aqueles que enveredam pelos mares da vela de cruzeiro. Pedro foi mais um aluno aplicado que desembarcou com a aposta firme no sonho de dar uns bordos por aí com a família. Ele que veleja de Windsurf tem a sensibilidade para sentir o vento e retirar o melhor rendimento da embarcação e como bom português, tem a água salgada escorrendo nas veias. Aprendi muito com o Pedro. – E a mesa do café da manhã da segunda imagem? Isso faz parte do aprendizado a bordo do Avoante que o aluno e agora grande amigo se deliciou para valer.   

Dando asas aos sonhos

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Hoje festejamos mais um aluno do nosso “Curso de Vela de Cruzeiro”, dessa vez foi o sergipano Gustavo Barreto de Melo que embarcou no Avoante para dar asas ao sonho de um dia cruzar os mares do mundo a bordo de um veleiro.

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Foram quatro dias navegando por belos recantos da Baía de Todos os Santos – um dos melhores lugares do mundo para a prática da vela de cruzeiro –, apreciando paisagens fantásticas, saboreando a culinária maravilhosa da comandante e chef sem igual Lucia, se inteirando dos meandros das Cartas Náuticas, planejando rotas e regulando as velas para aproveitar com conforto o melhor que um veleiro pode oferecer que é a magia do encanto. Desejamos bons ventos ao novo comandante e que em breve possamos dividir a mesma ancoragem em algum recantinho gostoso do imenso e apetitoso litoral brasileiro.

No Avoante é assim!

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Curso de vela? E o que danado faz essa garrafa de cachaça e essa latinha de cerveja em meio a um dia de aula diante de uma paisagem espetaculosa? Será que fazem parte do currículo? Pois é, taí uma boa pergunta! Mas não se avexe que tenho uma boa resposta, ou pelo menos vou tentar. Esse dois ai são os amigos Diego e Felipe, que se mandaram das paragens do planalto central e embarcaram no Avoante para desanuviar o juízo dos dias de lida  em uma cidade mandatária, que a cada dia nos deixa com cara de espanto. Diego queria aprender os segredos da vela de cruzeiro para muito em breve cruzar os mares do mundo. Felipe pretendia apenas passear e conhecer os segredos guardados a céu abertos pelos santos e orixás que povoam a Baía de Todos os Santos, pois daqui uns dias seu veleiro, que está sendo construído pelo estaleiro maranhense Bate Vento, estará bossando pelas águas da Bahia. Juntamos o útil ao agradável e montamos esse curso/charter que foi um sucesso e recheado de boas energias e uns centímetros a mais na circunferência abdominal de cada um.

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Para variar, mais uma vez Lucia caprichou na gastronomia e preparou um cardápio, desde o café da manhã com tapiocas, bolos quentinhos, peixe frito e outras guloseimas, que encantou nossos tripulantes. E nos almoços e jantares não faltaram as deliciosas moquecas baianas e as tradicionais massas.´

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Claro que o Felipe, que embarcou para curtir a vida, adorou o que viu do mar da Bahia, mas o Diego, aproveitou cada minuto do aprendizado e desembarcou dando aula de rotas e marcações e já  tentando enxergar um veleiro para adquirir e realizar o sonho. – E as cervejas e a cachaça? – Claro que tínhamos que brindar tudo isso!

O grande mar – I

6 Junho (129)

O slogan é ufanista sim senhor, mas dificilmente encontraremos algum nativo, por mais cético que ele seja, para assinar embaixo de uma contestação: Bahia, terra mãe do Brasil! E quem sou eu para dizer o contrário.

Sempre que adentro as históricas águas do Rio Paraguaçu, me vejo diante de um cenário deslumbrante, entrecortado por alguns clarões que demonstram a sanha dos desmandos produzidos pelos caras pálidas. Queria mesmo saber se na língua tupi existe uma palavrinha para substituir a expressão “besta quadrada”. Se existir, deve ser um baita palavrão, pois o povo índio é bom em resumir palavras abreviando os pormenores.

O Paraguaçu – grande mar na linguagem tupi – é uma imensa estante de uma biblioteca a céu aberto, recheada de livros imaginários, mas que narram em poemas uma história fascinante.

Nesses dez anos morando a bordo do Avoante, em que a Bahia foi o meu porto mais constante – tanto que ainda não consegui atravessar sua fronteira navegável, porque ainda não conheço tudo o que desejei conhecer – naveguei umas poucas vezes as águas do velho rio e sempre fui tomado por uma professoral entidade saída dos arquivos recônditos da história, que me faz ver com tristeza os rumos maledicentes que as coisas tomaram.

Contam a boca pequena que a área de mata que cerca a rio Paraguaçu já disputou pareia com a floresta amazônica. Se a afirmação é verdade eu não sei, mas um dia alguém escreveu sobre isso e olhando em minha volta, do cockpit do Avoante, não duvido mesmo. É muita mata ainda em estado bruto!

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Algumas traquinagens foram cometidas no passado e o presente nos mostra que os traquinos continuam em franca atividade. As margens do Paraguaçu ainda conservam muito da sua beleza, talvez até mais do que os defensores do progresso a todo custo desejassem que fosse, porém, por trás dos montes e longe dos olhos dos navegantes, a desfaçatez do homem paira sobre a poeira de uma devastação galopante. Continuar lendo

Aviso aos navegantes e um alerta a DHN

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A Carta Náutica é a representação real do trecho de mar em que navegamos ou que pretendemos navegar. Nela está contida toda informação pertinente a navegação e são confeccionadas em escalas convenientes com a precisão que o navegador necessita. Com o advento do GPS e suas cartas digitais, a carta náutica de papel deixou de ser uma ferramenta de uso por uma grande parcela dos comandantes e muitos nem sabem como utilizá-las, porém, vale salientar que ela é item de segurança obrigatório a bordo. No Brasil as cartas náuticas são produzidas pela Diretória de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil – DHN, que sempre primou pela precisão nas informações e muito raramente nos deparamos com surpresas desagradáveis que comprometam a segurança da navegação. Mas tem um detalhe, as cartas náuticas de papel são produzidas especificamente para a navegação comercial e militar, por isso o navegante amador se recente de informações detalhadas em rotas que passam ao largo da navegação comercial e por isso mesmo o sucesso das cartas digitais, em especial a CCD Gold que para mim é a mais perfeita. Mas nem por isso deixo de traçar minhas rotas nas cartas de papel e estudar com afinco minhas velejadas. Notem que grifei: “muito raramente”.

Carta Náutica 1110 (4)A imagem que abre essa postagem é da Carta 1110, a carta mestre da Baía de Todos os Santos, e que recentemente fui tomado pela surpresa ao me ver perdido em um mar de interrogações ao marcar um waypoint na longitude 38º, entre os paralelos 39′ e 40’, devido um erro de impressão na medida de distância existente no exemplar que atualmente está sendo comercializado.

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Na carta adquirida recentemente por aluno do nosso Curso de Vela de Cruzeiro, onde ensinamos os fundamentos de uma carta e a traçar rotas para um melhor planejamento de viagens oceânicas, a medida de distância na longitude 38º, entre os paralelos 39′ e 40’ está acrescida de meia milha náutica no gráfico. As linhas das longitudes estão corretos, mas a impressão fora do padrão induz o navegante a um erro, que se não for percebido a tempo, pode provocar acidentes com sérias consequências. Na imagem acima assinalei o problema com um círculo na Carta adquirida recentemente e com atualizações que indicam 2012. A Carta assinalada com um retângulo é mais antiga e não existe o erro. Portanto fica o alerta aos navegantes e a indicação para que o erro seja o mais breve possível corrigido. 

Mais dois cruzeiristas no mar

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Mais dois alunos concluíram o nosso curso de vela de cruzeiro. Dessa vez foi o casal Bras e Cristiane, que vieram de São Paulo para fazer o curso a bordo do próprio veleiro. O casal adquiriu recentemente um veleiro Delta 36 e queria conhecer os segredos da boa navegação de cruzeiro. Foram quatros dias traçando rotas e navegando por lugares paradisíacos da Baía de Todos os Santos, como Salinas da Margarida, Portinho da Ilha de Bom Jesus dos Passos e Itaparica. Muito em breve o casal estará aproando os mares do sudeste para onde pretendem levar o veleiro.