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O catamarã de velocidade – VI

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Depois da noite bem dormida na ancoragem em frente à cidade de Cairu/BA, acordamos cedinho para aproveitar a maré de enchente e seguir até o distrito de Canavieirinhas. Navegar até o povoado das famosas ostras criadas em cativeiro era uma vontade que alimentávamos há anos, mas o alinhamento dos astros não permitia que acontecesse. Quando o comandante Flávio me delegou a tarefa de montar o roteiro do catamarã Tranquilidade entre Natal/RN e o litoral baiano, inclui o destino sem pestanejar. Até porque, o comandante queria conhecer lugarejos pitorescos e que fugisse dos roteiros tradicionais.

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No começo da viagem, quando ainda estávamos na Barrinha dos Marcos/PE, meu computador queimou a placa e fiquei sem poder acessar o planejamento e consequentemente conferir a rota e os waypoints marcados. Algumas rotas já estavam inseridas no chart plotter do barco e também em meu GPS portátil. Mas como sabia que muita coisa seria alterada, como foi, em várias oportunidades, preferi incluir a cada parada a rota seguinte. Por precaução, costumo anotar em uma agenda os roteiros, mas infelizmente o percurso entre Cairu e Canavieirinhas não anotei.

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Quando da nossa ancoragem em Itaparica, remexendo papeis do barco, encontrei o guia náutico produzido pelo antigo Centro Náutico da Bahia e que teve a mão do navegador Davi Perroni. Entrei em contato com ele sobre a rota, pois confio cegamente em suas informações, e ele alertou que eu prestasse atenção no datum do GPS, porque as rotas do Guia estavam em Córrego Alegre. Datum é o modelo matemático utilizado para produzir mapas e cartas náuticas. Datums diferentes podem provocar erros de até mil metros de distância. No momento em que eu estava fazendo as correções o Davi telefonou dizendo que havia enviado um email já com tudo pronto. Amigo faz assim!

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O canal entre as duas cidadezinhas é estreito, raso em algumas partes e merece atenção redobrada até para quem tem um pouquinho de experiência. Como diz um amigo: “Não aceita desaforos e muito menos egos inflados”. Seguindo a rota que me foi enviada, observei que a profundidade média gira em torno de 5 metros, porém, na parte mais larga do rio, além de sinuoso, o traçado passa por profundidades de 3,5 metros na maré cheia. Deve ser navegado com o GPS em zoom elevado e com confiança no que foi traçado. Ao menor sinal de indecisão o barco pode ser jogado sobre um banco de areia.

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A ancoragem em Canavieirinhas é outro ponto crítico e já fez muita gente boa ficar em maus lençóis. Em frente à cidadezinha existe um enorme banco de areia, que descobre na maré baixa, e a ancoragem é feita em pouco mais de 2 metros de profundidade. Apesar de toda essa dificuldade, navegar cercado pelo vasto e vibrante manguezal é de uma beleza sem tamanho. E foi envolvido nesse clima de êxtase que cruzamos aquelas águas com segurança e alegria. O nosso comandante, que desejava um passeio assim, ria de orelha a orelha e não parava de lembrar a frase dita por nosso amigo de que “praia é tudo igual”. Lembramos também de Geraldo e Myltson que desembarcaram em Itaparica e perderam o melhor da viagem. São navegadas assim que fazem o diferencial da vela de cruzeiro e precisamos estar com o espírito em paz para vivenciá-las em toda plenitude.

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Navegar em pequenos canais e ancorar em pequenos povoados ribeirinhos, interagindo com os habitantes do lugar é um prêmio para a alma do cruzeirista. Eu mesmo não troco por nada. Falei sobre isso no texto que dá início a essa série que termina aqui e que dei o título de “Um sonho a mais”, mas acrescento que sonhos, vontades e interesses são diversos. Por isso, quando me perguntam qual o número de tripulantes ideal para uma viagem de cruzeiro, respondo que não existe número e sim afinamento. Um cavaquinho tem quatro cordas e nem por isso é mais fácil de ser tocado, ainda mais se alguma estiver desafinada.

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Canavieirinha foi o prêmio maior dessa nossa velejada a bordo do Tranquilidade e que aqui está relatado com o título O catamarã de velocidade. O título pode não corresponder com tudo o que aqui foi dito e não corresponde mesmo, porém, é uma pequena alusão aqueles que entram a bordo de um veleiro e em vez de curtirem a velejada, se preocupam apenas em correr regatas contra eles mesmos e não apreciam o sabor de uma gostosa e despreocupada navegada.

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Essa foi sim uma velejada maravilhosa e mais uma vez agradeço ao comandante Flávio Alcides pelo convite, aos companheiros de tripulação Geraldo Dantas, Myltson Assunção e Paulo Guedes, pela amizade e a minha esposa Lucia, pelo astral sempre elevado e que me enche de coragem para enfrentar os mares navegados.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Retrato de um passeio pela Baía de Aratu – III

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Não me levem a mal quanto aos comentários ousados escritos nas primeiras duas páginas desse retrato, porque foram visões de um simplório escrevinhador metido a besta. Mas tenho aprendido que tem coisas que não devemos deixar passar em brancas nuvens e muito menos ficar calado diante dos desmandos dos reis. Dor de consciência não é fácil!

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A Baía de Aratu é sim um mundão de águas lindo de ser ver, apesar do descaso que existe em sua volta, mas quanto a isso, a natureza soube e sabe contornar os deslizes do homem, mesmo que as coisas não sejam mais como antes. Navegar em suas águas tranquilas e abrigadas foi para mim uma salada de euforia, prazer e encantamento, temperado com ingredientes que somente a natureza sabe dosar.

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Quando deixamos para trás as maledicências dos antigos e novos donos do poder e suas deslavadas caras de inocentes infernais, passamos a navegar em um paraíso de águas silenciosas, cercado de campos verdejantes e manguezais apaixonantes. Aqui acolá éramos despertados pelo piado de um pássaro ou pelo esvoaçar de asas agitadas ao vento. Sem palavras para expressar minha alegria, apenas repetia: – Que que coisa linda!

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O comandante Fróes, nosso cicerone, descrevia os detalhes daquele mundo que se abria em cortinas cada vez mais deslumbrantes e assim fomos entrando em um vasto e inacreditável manguezal, entrecortados por igarapés que nem de longe imaginei existir tão próximo de uma metrópole como Salvador. Nem tudo está perdido!

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O canal foi estreitando e apareceram algumas palafitas sobre o mangue e crianças vieram às margens para acenar aos intrépidos navegantes daquela tarde de um domingo de fim de verão. Talvez se perguntando o que queriam aqueles homens em um lugar tão esquecido.

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O canal continuou estreitando até não mais permitir o avanço de nosso barquinho de alumínio e foi à hora do comandante desligar o motor, embaixo das copas das arvores do mangue, para escutarmos o silêncio. Isso mesmo: Escutar o silêncio! A paz que reinava naquela floresta encantada não tem como ser descrita, muito menos a alegria em está vivendo aquilo. Apontava minha câmera em várias direções na tentativa inglória de registrar o impensável, porém, não conseguia distinguir nas imagens capturadas a alma daquele mundo tão fascinante.

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Depois de uns minutos em silêncio, o comandante acionou o motor e iniciamos o caminho de volta. Margeamos novamente as palafitas, acenamos para as crianças e entre curvas e desvios, para livrar coroas e bancos de areias, chegamos embaixo da velha ponte com uma dúvida: E aí, voltamos ao clube ao pegamos o rumo da direita em direção a uma igrejinha que aparecia no alto do morro? Pegamos a direita!

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Mais um canalzinho estreito e sinuoso, mais manguezais, mais natureza e quando tomamos ciência, estávamos diante do município de Passagem dos Teixeiras e sua igrejinha bela que só vendo. Navegamos por mais um bom tempo e novamente paramos diante de um fim de linha para nosso barquinho. A maré começava a vazar e o Sol iniciava caminhada para o ocaso. Tínhamos que voltar ao Aratu Iate Clube e dar por encerrado nosso passeio dominical.

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Seu Fróes passou o comando da Panela – nome de batismo da nossa embarcação – para o Ney e veio sentar ao meu lado. De início perguntou o que achei do passeio e respondi sem pestanejar que foi fantástico. Ele apontou outros canais em meio ao mangue e disse que tudo aquilo era navegável, mas pelo adiantado da hora não poderíamos ir. Lucia apenas sorria e matutava na ideia de um dia ancorar o Avoante naqueles recantos tão convidativos. O caminho de volta foi breve, porém, envolvido em sonhos e frases entrecortadas de deslumbramento.

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O mar da Bahia cada dia me surpreende e fico a perguntar o que será que passa na cabeça dos homens do poder para deixa-lo tão a míngua. Se regiões como a Baía de Aratu fizesse parte de algum país que leve a sério suas paragens e natureza exuberante, jamais estaria tão esquecido. As páginas da história que por ali vivem jogadas ao leu, acabrunhadas pela vergonha do abandono, passam em nossa cara a imagem de um mal sem precedentes.

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O que vi está lá para todo mundo ver e o retrato que mostro aqui é apenas uma pequena imagem de uma navegada que me deixou encantado. Agradeço ao Everton Fróes e ao Ney, veleiro Malagô, por nos ter proporcionado uma tarde de verão tão maravilhosa.

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Não me canso de dizer: Não existe lugar no mundo melhor para navegar do que a Baía de Todos os Santos e seus afluentes.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Retrato de um passeio pela Baía de Aratu – II

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O tom elevado, um pouco puxado para o raivoso e deixando de lado a necessária parcimônia, que encerrei a primeira parte desse retrato, foi apenas um grito ao vento de um escrevinhador diante ao descaso da história de um povo, porém, espero não ter que meter os pés pelas palavras na sequencia desse relato, em que tento apenas mostrar um pouco de uma região magistralmente bela e que me deixou feliz em ter navegado num fim de tarde de verão.

A Baía de Aratu, foco maior desse retrato, é um mundo cercado por pequenos e grandes municípios, conglomerados empresariais, grandes portos, uma BR movimentadíssima e grandes extensões de terras prontas para serem invadidas por grupos de sem terras, sem tetos e afins, porque esse é o destino reservado às terras que se prestam ao longo de gerações a uma quase infinita especulação imobiliária. Basta alguém armar uma tenda e o que era especulação vira fumaça e peleja nas barras dos tribunais. Mas calma aí, que dessa vez não mudarei o rumo de nossa prosa! Isso foi só um cochilo. Será?

A carcaça largada a míngua do velho navio Maragojipe ficou para trás e logo surgiu uma pequena enseadinha convidativa para jogar âncora e apreciar o mundo. Por lá estava ancorado um veleirinho o que fez brilhar os olhos de Lucia, pois ela adora lugares assim. Dizem que o local é gostoso durante o dia, mas que o pernoite não oferece segurança, porém, ninguém soube informar se já ocorreram problemas. É a velha máxima da histeria coletiva que abafa sonhos e vontades.

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O comandante Fróes acelerou a lanchinha Panela e mais uma enseada surgiu denunciando uma verdadeira e descontrolada invasão de suas margens por bares, biroscas e casas feitas de restos de madeira e papelão. O lixo se estendia pela praia e famílias inteiras se divertiam ao som de músicas saídas de vários paredões ao mesmo tempo. Aquele já é um pedaço de território sem dono, sem controle e sem lei. Agora vai alguém querer fazer um empreendimento náutico ou simplesmente um píer para atracação? Seu menino, o bicho pega e pega bonito! Acelera Seu Fróes!

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Ao lado da praia invadida está fincada a Belov Engenharia, pertencente ao velejador Aleixo Belov, onde foi construído o veleiro transoceânico Fraternidade. Em frente ao estaleiro estão adormecidas diversas embarcações e chatas de serviços, numa visão que incomoda e que dá uma dimensão da crise em que vive o setor petrolífero brasileiro.

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Um pouco mais adiante avistamos uma ponte ferroviária cruzando a baía, mas antes de cruzá-la, no grande lago que se desnudou, avistamos vários locais onde se pode jogar ancora para bons momentos a bordo. O Fróes informou que outrora existiu uma regata até ali e que era batizada de Volta da Galinha. O porquê do nome e porque acabou não se sabe, mas devia ser uma boa diversão diante de uma bela paisagem.

A ponte magistral não mais recebe o peso dos vagões das locomotivas, porque, assim como o velho Maragojipe e outros tantos bens abandonados do patrimônio público, foi condenada a morte pelos arautos do progresso.

A história da ponte é extensão da Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco, que começou em 1852, com um Decreto Imperial, e foi a primeira a ser construída na Bahia e a quinta no Brasil. O canteiro de obras inicial foi instalado em 1858 no bairro da Calçada e a primeira seção foi inaugurada em junho de 1860, entre Jequitaia e Aratu. Ainda em 1860, no mês de setembro – porque aquele tempo trem andava ligeiro -, os vagões circularam na segunda seção, entre Aratu e Rio Joanes. Em 1861 inauguraram a terceira seção, entre Rio Joanes e Feira Velha, atual Dias d’Ávila. A quarta etapa veio em 1862, entre Feira Velha e Pitanga e por último, em 1863, a quinta seção entre Pitanga e Alagoinhas.

Em meio a desacordos de garantias e comprometimentos nebulosos entre empresários e burocratas, em 1935 o presidente Getúlio Vargas transferiu o patrimônio da ferrovia para a Viação Férrea Federal Leste Brasileiro e a partir daí os trens saíram dos trilhos e a história é contada apenas pelos lampejos nas lembranças de velhos e saudosos passageiros. O patrimônio público abandonado continua nos passando na cara o descaso com que os homens do poder tratam o dinheiro arrecadado pelos impostos. A ponte de Mapele e os trilhos abandonados não deixam a mentira ter pernas longas e escancaram o descaso com que tratamos o transporte público.

Rapaz, juro que eu queria tomar outro rumo nessa prosa, mas os dedos coçam e a consciência martela o juízo. Prometo novas cores na próxima página desse retrato.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Um passeio arretado de bom!

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Semana passada tivemos a alegria de receber o casal Marcelo Paranhos e Clara Ferreira, com a filhota linda Marina, que embarcaram no Avoante para conhecer um pouquinho das belezuras da Baía de Todos os Santos.

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Navegamos pelas ilhas dos Coqueiros, Santo Antônio, Frade, Itaparica, chegamos até a Fonte do Tororó e tivemos a alegria de cruzar com um dos mais tradicionais saveiros da Bahia, o Sombra da Lua, Foi um passeio carregado de boas energias, alto astral e muita alegria, onde o casal, que em breve pretende adquirir um veleiro para dar um giro pelo mundo, reafirmou o sonho com mar.

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Para variar, Lucia preparou um cardápio especial para atender a todos os paladares, porque Clara é vegetariana e se esbaldou na moqueca de banana e no risoto de jerimum. Marcelo, Marina e nós, além da moqueca e do risoto, que por sinal estavam deliciosos, tivemos direito a pastéis, mariscos e outras cositas. Charter no Avoante é assim!

Charter na Bahia

fauremelexoQuem procura o Avoante para navegar pela Bahia, realizando o sonho de conhecer os encantos das terras do Senhor do Bonfim, terá a partir de hoje a opção de barcos maiores e dotados com todo o conforto, e muito mais, que sempre oferecemos em nossos charters. O Catamarã Fau, um modelo Ocema 42 super novo, com capacidade para até 10 pessoas e o monocasco Remelexo, que acolhe confortavelmente até 6 pessoas, passam a fazer parte do nosso catálogo de serviços. Quer saber mais ligue: 071-991149570 – TIM ou 071-99724-9747 Whatsapp

O grande mar – I

6 Junho (129)

O slogan é ufanista sim senhor, mas dificilmente encontraremos algum nativo, por mais cético que ele seja, para assinar embaixo de uma contestação: Bahia, terra mãe do Brasil! E quem sou eu para dizer o contrário.

Sempre que adentro as históricas águas do Rio Paraguaçu, me vejo diante de um cenário deslumbrante, entrecortado por alguns clarões que demonstram a sanha dos desmandos produzidos pelos caras pálidas. Queria mesmo saber se na língua tupi existe uma palavrinha para substituir a expressão “besta quadrada”. Se existir, deve ser um baita palavrão, pois o povo índio é bom em resumir palavras abreviando os pormenores.

O Paraguaçu – grande mar na linguagem tupi – é uma imensa estante de uma biblioteca a céu aberto, recheada de livros imaginários, mas que narram em poemas uma história fascinante.

Nesses dez anos morando a bordo do Avoante, em que a Bahia foi o meu porto mais constante – tanto que ainda não consegui atravessar sua fronteira navegável, porque ainda não conheço tudo o que desejei conhecer – naveguei umas poucas vezes as águas do velho rio e sempre fui tomado por uma professoral entidade saída dos arquivos recônditos da história, que me faz ver com tristeza os rumos maledicentes que as coisas tomaram.

Contam a boca pequena que a área de mata que cerca a rio Paraguaçu já disputou pareia com a floresta amazônica. Se a afirmação é verdade eu não sei, mas um dia alguém escreveu sobre isso e olhando em minha volta, do cockpit do Avoante, não duvido mesmo. É muita mata ainda em estado bruto!

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Algumas traquinagens foram cometidas no passado e o presente nos mostra que os traquinos continuam em franca atividade. As margens do Paraguaçu ainda conservam muito da sua beleza, talvez até mais do que os defensores do progresso a todo custo desejassem que fosse, porém, por trás dos montes e longe dos olhos dos navegantes, a desfaçatez do homem paira sobre a poeira de uma devastação galopante. Continuar lendo

E nem choveu

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Sabe de uma coisa, a postagem Entre uma Chuva e Outra me deixou com uma pontinha de culpa, porque nunca achei que chuva fosse empecilho para deixar de velejar, a não ser, quando o vento resolve acelerar a música para animar a festa. Claro que se for aquele toró de lascar o cano, o melhor a fazer é pegar um bom livro, sentar e esperar o bicho acalmar. Depois que desliguei o computador, fui para o cockpit, olhei em volta, me indaguei e perguntei para Lucia: – Vamos sair? A resposta foi a mesma de sempre, porque para ela nada impede de velejar, alias, nada é empecilho para se deixar de fazer alguma coisa: – A hora que você quiser! Como eu já disse, a resposta eu já sabia, apenas perguntei para ouvir novamente. Recolhi o toldo, subi a vela grande, recolhi a âncora e deixamos Salinas da Margarida para trás e aproei o Rio Paraguaçu, numa velejada de lavar a alma, com o Avoante navegando na estonteante velocidade média de 2 nós – para que a pressa –, até que o sol se retirou de cena e jogamos âncora novamente em frente ao paraíso que ilustra essa postagem. E nem choveu. Quer saber que lugar é esse? Claro que muitos vão se adiantar em contar, mas mesmo assim vou atiçar a sua curiosidade. Depois eu conto!