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Cruzeirando pelas águas da Bahia – III

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Canoas na Ilha de Bom Jesus dos Passos – BA

 

Quando me perguntam o que tem de tão especial na Baía de Todos os Santos, BTS, que faz o Avoante – depois de dez anos em que moramos a bordo – continuar cruzando suas águas para lá e para cá, confesso que costumo olhar para o interlocutor com a certeza de que ele realmente não conhece o mar do Senhor do Bonfim. Na Parte I e Parte II dessa postagem, navegamos em Morro de São Paulo e terminamos aproados na Ilha de Itaparica para saborear um churrasco a bordo do veleiro Acauã. O churrasco foi servido sob uma Lua maravilhosa e embalado pelos acorde do violão dedilhado pelo comandante Elson Mucuripe, mas infelizmente vou ficar devendo o registro fotográfico da noitada, porém, sem esquecer de dizer que foi um encontro memorável, pois o Webber é um anfitrião sem igual.

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Quando o dia amanheceu em Itaparica recolhemos âncora para seguir nosso passeio, agora em direção ao portinho da Ilha de Bom Jesus dos Passos, por trás da Ilha do Frade, mais conhecido entre os velejadores como Saco de Suarez, que aqui já foi relatado em duas postagens: Um lugar e A tribo dos pés-descalços. O lugar é simplesmente lindo e limpa os olhos de qualquer mortal mais exigente. Ancorar por ali, embarcar no botinho inflável para um giro entre as ilhas e mangues que cercam a paisagem é um programa imperdível. Mas se preferir, pode apenas sentar no cockpit, abrir uma cerveja gelada e ficar em silêncio diante da natureza.

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O portinho é rota comum para os velhos Saveiros, personagens vivos da história da Bahia, e dizem que por ali os holandeses, na época das grandes invasões, ficaram camuflados durante quase 60 anos sem que os portugueses dessem conta. Será? Para qualquer lado que miramos o olhar, se descortina uma paisagem de sonho. Quanto ao pôr do sol, não tenho como descrever.

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Certa vez ouvi falar de um riozinho que corta parte da Ilha do Frade, mas nunca havia aparecido a oportunidade para desbravá-lo. Olhando na Carta Náutica ele está lá e se chama Rio Cabuçu. Como o Elson queria fotografar o Saveiro Tupy que descarregava mercadorias na Ilha de Bom Jesus, deixamos o Avoante ancorado no círculo vermelho indicado na imagem da Carta, sob os cuidados de Lucia e Fabiane, e somos até lá retratá-lo. O Mucuripe, como todo homem do mar, vibrou ao chegar próximo a valente e histórica embarcação. Ao sair dali, resolvemos navegar um pouco pela ancoragem e ficamos frente a frente com um igarapé mais largo e achei que aquele era o tal riozinho. Passamos pela foz uma vez, duas e na terceira decidimos adentrar. A visão que tivemos foi fascinante. Estávamos a pouco mais de 12 milhas náuticas de uma grande metrópoles e navegando cercado por uma natureza em estado quase bruto. Se não tivéssemos encontrado um morador de uma fazenda e umas máquinas que denunciavam a retirada de areia nas margens, poderíamos jurar que aquele lugar estava parado no tempo. Não sei precisar a profundidade do Rio Cabuçu, pois não levamos o eco sonda manual, porém, ele é estreito e suas margens tracejadas de pequenos igarapés. Perguntamos ao morador da fazenda até onde iria o rio, ele respondeu que terminava ali onde estávamos. Olhamos para frente, vimos muita água a ser navegada e seguimos um pouco mais. Navegamos ainda por quase meia milha por minúsculas ilhotas e resolvemos dar meia volta quando o sol já caminhava serelepe para o seu descanso. Um dia eu volto!

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Pois é, a Baía de Todos os Santos é linda sim e duvido que tenha lugares no mundo com uma sincronia tão perfeita dos elementos da natureza para satisfazer os amantes do mar. Elson Mucuripe e Fabiane ficaram nove dias embarcados no Avoante e conheceram apenas um pouquinho do que a Bahia tem a oferecer ao navegante, mas tenho certeza que gostaram do que viram. Foram nove dias degustando a paisagem e saboreando as deliciosas receitas produzidas por Lucia. O casal Mucuripe batizou o passeio de charter gastronômico e prometeu retornar muito em breve para um segundo roteiro. O mar da Bahia é um encanto! 

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Momentos da natureza

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Em um delicioso fim de tarde e começo de noite que se estendeu madrugada adentro a bordo do veleiro Acauã, dos amigos Webber e Miriam, escutei a frase: “…passamos o dia inteiro sem perceber as coisas da natureza, por que não parar quinze minutinhos para se despedir de um dos mais belos e fantásticos momentos que é o pôr do sol…?”.   E foi com essa imagem de poesia que o Sol se despediu ontem, 18/09, da Ilha de Itaparica. Hoje estarei novamente na platéia para reverenciá-lo.

Pense numa pareia apressada!

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Diz a letra de uma música de um casal de velejadores que veleiro vai devagar e tem muita gente que acha que isso não passa de mais uma lenda dos mares. Faz tempo que escuto falar do veleiro Acauã e do seu comandante, o gaúcho Webber, e da vagareza com que ele navega pelo litoral brasileiro. Até parece que a música, veleiro vai devagar, foi feita para ele. Em Dezembro ele se comunicou comigo pela internet dizendo que havia chegado a Salvador/BA e iria desembarcar para comprar um chip e assim ligaria para marcar um encontro. Isso foi há três meses. Nesse intervalo Lucia sempre me indagava sobre o Acauã e eu respondia que o Webber estava indo comprar um chip. Como está indo? É porque ele vai devagar! Pois bem, na semana passada finalmente consegui conhecer pessoalmente o comandante e selar a nossa amizade a bordo do Avoante, com muito bate papo e muitas histórias engraçadas. Na verdade esse é um encontro bem significativo para nós dois, pois faz 14 anos que Webber saiu do Rio Grande do Sul para subir a costa brasileira e eu estou completando 9 anos que sai do Rio Grande do Norte para descer a costa brasileira até o Sul. Bem, cruzamos a rota dessas duas histórias na Bahia depois de muitos anos, quem sabe agora a gente consiga adiantar o passo. Tomara!  

Coisa de hérois

É sempre bom relembrar, reconhecer e aplaudir grandes homenagens. A tripulação do veleiro Acauã, da Paraíba, colocou para fora toda emoção que estava contida nas profundezas dos seus corações  em vários Outdoor espalhados nas cidades de João Pessoa/PB e Natal/RN. O Acauã capotou na costa da Paraíba quando retornava da REFENO em 2009, seus tripulantes foram salvos pelos navios da Marinha do Brasil num resgate emocionante que demonstrou toda perícia e profissionalismo dos homens da Marinha. Nestes tempos de REFENO onde a Marinha do Brasil, além de parceira, é primordial para a realização do evento, essa frase dos velejadores do Acauã deveria estar estampada nas camisas de cada participante da regata.  

Reconhecer hérois é fácil.

Eles sempre aparecem para salvar vidas

 

PALESTRA REVIVE DRAMA DO ACAUÃ

O encontro de velejadores da última quarta-feira, 19, no Iate Clube do Natal foi emocionante. Tudo por causa da palestra do Capitão de Fragata Paolo, Imediato da Base Naval de Natal e ex-Capitão dos Portos da Paraíba. Comandante Paolo da uma verdadeira aula de segurança no mar quando fala do regate do veleiro Acauã, que virou na costa da Paraíba e que ele participou ativamente. O Acauã retornava da Ilha de Fernando de Noronha, onde participou da REFENO 2009, quando aconteceu o acidente. A palestra do Comandante Paolo emociona pelo modo como o tema é desenvolvido. No final vem a parte mais dramática e emocionante da palestra, é quando Paolo mostra o vídeo feito pelo tripulante Igor, o mais jovem do grupo. Uma aula de liderança, companheirismo, perseverança, comando, bom humor e alto astral do jovem tripulante Igor. O comandante Savigny, ferido no rosto, e o tripulante Joca, visivelmente emocionado, demonstraram toda bravura e valor dos grandes homens do mar nos momentos difíceis. Igor foi o fio condutor da energia que o grupo tanto precisava naquele momento de angústia e luta pela vida, com sua irreverência, bom humor, sangue frio e grande espírito de liderança. Em nome dos velejadores do Rio Grande do Norte, agradeço de coração ao Comandante Paolo e desejo boas velejadas ao Comandante Savigny e seus bravos tripulante, Joca e Igor e dizer que o mar sabe reconhecer a bravura dos grandes marinheiros. Encerro o post com uma frase do tripulante Igor: “…NO FIM TUDO DÁ CERTO E SE NÃO DEU CERTO É PORQUE NÃO CHEGOU AO FIM…”