Arquivo do mês: agosto 2011

Natal/Trinidad – As fotos III

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Agora são 60.000!!!

Rio da Dona (7)

Com essa foto de um dos lugares mais encantadores que visitamos em 2011, o Rio da Dona/BA, queremos comemorar os  60 mil acessos do nosso blog. São 60 mil muito obrigado que temos de dizer hoje a todos vocês. Esse número para nós representa o oceano de carinho e atenção que recebemos todos os dias através desse Diário do Avoante. Volto a dizer que para alguns isso possa não representar nada, mas para mim e Lucia, é a certeza de que continuamos velejando na esteira da paz e do amor ao próximo.  Muito Obrigado!!! Junto com vocês vamos continuar tocando o barco.

Aventuras de um Capitão Amador

Numa viagem de carro que fizemos a Caiçara do Norte/RN em Julho deste ano, me encantei com o fundeadouro perfeito que aquele mar proporcionava. Os muitos barcos de pesca ancorados, a duna branca que se esparramava na praia, a bela arquitetura do farol, o convidativo banho de mar e o gostoso vento alísio, formavam o conjunto para construção do convite. Na volta a Natal comentei com o comandante Erico Amorim das Virgens que pretendia velejar até Caiçara do Norte e depois estender a velejada até a Praia de Galinhos. Erico pegou a idéia no ar e logo a transformou num grande motivo para reviver uma bela página da história do Iate Clube do Natal, quando o então ex-governador do Rio Grande do Norte e fundador do iate clube, junto com dois amigos velejadores, velejou de Natal a Fortaleza/CE. A história que reviveu toda essa aventura foi contada por Erico Amorim  nas páginas do Jornal Tribuna do Norte com o título: A arte de reviver as aventuras. Clique em cima do título sublinhado e navegue também nessa história.

Anunciando a chegada. Agora sim!

voltando a natal (17)

Amigos, viajar é muito bom e velejar, mesmo com a ajuda de dois motores como foi o nosso caso, é mais gostoso ainda. Mas a alegria da volta para casa não tem comparação, acho que essa euforia de estar voltando para junto dos nossos familiares, do abraço afetuoso dos amigos e rever o nosso Avoante me fez esquecer de anunciar a nossa chegada a Natal. No post Começando a história pelo fim, encerrei dizendo que estávamos em São Paulo esperando o embarque para Natal. Bem! Já estamos em Natal onde chegamos em paz e com saúde na Sexta-Feira, 26/08. Para tirar a prova dos nove de nossa chegada, ai está a foto do belo pôr-do-sol de ontem, Domingo 28/08, no Rio Potengi.

Natal/Trinidad – As fotos II

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Uma notícia triste

Hoje, 28/08, pela manhã quando estava me preparando para desligar o computador, teclei sem querer na página do portal G1 e me deparei com uma notícia que me deixou paralizado. O veleiro Salmo 33 dos amigos Nelson e Sônia desgarrou de uma poita em frente ao Terminal Náutico da Bahia, Salvador/Ba, e a deriva foi jogado pelo mar nas pedras da Praia do Farol da Barra. Por telefone tentamos falar com o casal, pelo qual temos muito carinho e atenção, mas infelizmente não conseguimos. Deixamos aqui a nossa solidariedade e o conforto de um abraço. foto:portal G1    

Navegando em desatinos

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Gosto de sentar no cockpit do Avoante e observar o mundo que se transforma a passos cada vez mais largos e rápidos. Tenho a sensação que estamos vivendo num mundo meio amalucado, onde nada parece ter sentido e o modismo transloucado ferve numa grande panela de pressão.

Até as nossas Leis parecem saídas das pranchetas de alegres designs. Elaboradas para atender a ânsia de algum malfeitor do momento e livrá-lo de alguma enrascada futura. Passado o aperto inicial da ilegalidade, que não dura mais do que uma manchete de jornal, a etapa seguinte é a alegria do abraço e a certeza que algum famoso vai chegar para se solidarizar. Quando não, basta o elemento malfeitor se lançar candidato em alguma eleição e dizer que está sendo vítima de ataques oposicionistas. A Lei sai de moda instantaneamente e os designs voltam às pranchetas para atualizar os traços.

Uma marola passa sob o Avoante e meus pensamentos vagueiam nos embates das cidades. Penso nas crianças destruídas pelas ruas e adotadas pelas drogas, com os sinais insistentemente fechados para elas. Fazem parte de um mundo que os homens apelidam de estatística. Um mundo floreado com explicações desencontradas e cheio de permissidade. Um mundo que os homens não sabem gerenciar e, por isso, se acham no direito de tapar os olhos com receitas psicológicas que nem eles acreditam no resultado. Um mundo que começa baseado na legalidade e termina na encruzilhada sem saída de muros de pedras.

Os homens, sem conhecer a verdade, e sem querer sujar as mãos com o sangue da destruição, criaram um mote e deram vida a um estatuto colorido, esquecido, permanentemente triturado e com um nome que azeita a cabeça de intelectuais engravatados e de pessoas com os romantismos das flores e de antigos festivais.

O tal estatuto funciona claramente para liberar os pais da tarefa de educar e se fazer obedecer, e libera as crianças para cair nas armadilhas do mundo e aprender com os amigos, que também são desassistidos e, por isso também, presas fáceis das armadilhas urbanas. Não sei em que mundo chegaremos, mas vamos caminhando para ver ao vivo cenas daqueles filmes que falam do futuro da humanidade.

O Avoante não para um instante de se movimentar e eu observo um mundo diferente a cada grau indicado pela bussola. O vento sopra sussurros de incerteza sobre um mundo de monstruosos titãs. Dessa vez me assusto com o que escuto, e com alegria estampada em rostos cada vez mais endividados.

Os titãs vomitam teorias e teoremas de um mundo maravilhoso. Um mundo de um progresso torto e corroído pelo falso moralismo de gravatas engomadas. Um mundo em que o tudo pode e onde o lucrar cada vez e justificado pela corrupção consumada em felizes amizades.

Os titãs têm sede exagerada e fome cada vez mais voraz, nada consegue deter a fúria desenfreada desses deuses impunes e cheios de truques mirabolantes. São empregadores apaixonados da própria família, dos amigos e dos pretensos amigos. São eternos, mutantes e cada vez mais se multiplicam. São os senhores da verdade. Para ser um titã não é tão fácil quanto parece ser. É preciso dominar a técnica do ilusionismo, desconversar a verdade, desacreditar os crédulos, prometer o inalcançável e receber os aplausos acalorados de uma platéia bem ouvida.

Olhando para o alto vejo países se desmanchando na sanha destruidora de um capitalismo torto e cada vez mais incerto. Mundos que antes eram verdadeiras rochas e hoje não passam de poeira no vento. Mundos que acostumamos a chamar de primeiro, mas que agora não sabem fazer o dever de casa dos últimos colocados. Mundos focados nos desejos dos homens, mas que agora tentam destrinchar o segredo da palavra não. Dizem que eles estão desatinados e que o nosso próprio desatino está indicando crescimento, mas qualquer marolinha pode desmanchar nosso castelo. Então tá! Vamos espalhar mais migalhas.

Acho que hoje o cockpit está muito carregado ou então é o mundo que navega em meio a um temporal. É melhor eu entrar e dormir um pouco.

Nelson Mattos Filho – Velejador