Arquivo do mês: julho 2016

De loucuras, quadradices e barcos

Um barco legal

“… A loucura é estigmatizada. Falta amor para se dedicar aos loucos… Só há mundo para os “saudáveis” e suas quadradices… Pouco se quer perceber sobre a profundidade criativa que nela, na loucura, há…”. Estava à procura de palavras para expressar meus sentimentos diante das inúmeras regras daqueles que se declaram politicamente corretos querem nos impor. Ao ler o artigo, nas páginas da Tribuna do Norte, assinado pelo poeta e advogado Lívio Oliveira, encontrei o fio da meada da minha prosa. Mas antes de seguir em frente, quero parabenizar o poeta pela crônica e pedir perdão por ter copiado suas palavras.

Mas será que é mesmo de loucura que eu quero falar? Será que os “loucos” que deixam tudo para trás e caminham sem direção pelos vastos horizontes do mundo, a procura de nada além da felicidade de viver a vida, podem ser considerados loucos? Quem avalia os loucos? Somos nós, que vivemos no desespero de ter mais, juntar mais, querer mais, exigir mais e sonhar menos? Machado de Assis um dia escreveu sobre a loucura e espantou o mundo com suas palavras, porém, o espanto virou reflexão, depois virou verdades, passou a ser imaginação, descambou para espasmos literários e hoje o livro está abandonado em alguma estante empoeirada. De vez em quando, as palavras do escritor são lembradas e ditas como verdadeiras por algum cronista ou crítico literário afamado, em seguida a página é virada, o livro e novamente fechado e volta à prateleira empoeirada.

Certa feita, ao participar de uma conversa entre uma senhora e um velejador, me ative quando a mulher perguntou ao homem qual o objetivo dele com o barco que havia comprado. O velejador respondeu que pretendia dar uma volta ao mundo. A mulher se espantou e disse: – O senhor é muito louco e aventureiro! O velejador perguntou quantos filhos ela teve e a mulher respondeu que tinha três. Foi aí que o velejador devolveu a pergunta: – E o louco e aventureiro sou eu é?

Somos assim mesmo e estamos sempre querendo padronizar a vida dos outros olhando exclusivamente para a nossa. Chamamos de loucos aqueles que nem de longe desejam caminhar pelos nossos caminhos, como se estes não tivessem espinhos e nem pedras. Avistamos o certo apenas quando os padrões estabelecidos por alguém guiam nossos olhos. Temos que ficar calados diante daqueles que discordam das nossas crenças para não atiçar a fúria desenfreada através de palavras e agressões físicas. Deve ser por essas e outras que taxamos de loucos aqueles que não aceitam como verdades as nossas certezas, ou aqueles que querem dançar na rua, que sorriem e falam sozinhos, que andam sujos, que dormem nas ruas, que comem migalhas apanhadas do lixo, que andam nus ou que simplesmente falam verdades que não queremos ouvir. Afinal o que é a loucura?

Mas minha prosa não era essa, pois o que queria mesmo era achar um mote para esmiuçar a fotografia que ilustra esse texto meio amalucado. Isso mesmo, essa imagem para mim escancara um mundo de sonhos possíveis e imagináveis e me leva a varar os oceanos em busca dos infinitos horizontes. A imagem desse barquinho fora do comum é a síntese que sempre busquei a bordo do meu Avoante, em que vivi uma vida de sonhos, apesar de ter viver fora dos padrões das “quadradices”.

Quanto mais olho para o retrato desse barquinho navegando suavemente sobre as águas mansas e com sua chaminé soltando lufadas de fumaça branca no ar, mais me vejo como seu tripulante. Na loucura de minha imaginação me vejo cruzando oceanos, acenando para outros barcos, chegando a uma ilha deserta, fazendo planos para novos rumos ou simplesmente sentado na popa e olhando para o mundo em minha volta. Imagino o que pensariam os “saudáveis” envolvidos em suas lógicas ao me ver navegando nesse barquinho encantado. Será que perguntariam quais equipamentos eletrônicos que eu usava? Será que perguntariam pela potência do motor? Será que perguntariam pelos equipamentos de salvatagem? E o tipo de âncora? E sobre as baterias? E o modelo? Qual o projetista? Qual a marca das velas? – Não, acho que não perguntariam nada! Acho até que teriam pena de mim por está navegando em uma embarcação tão rústica. Talvez tirassem uma foto para mostrar aos amigos nos grupos sociais. Talvez um aceno de cabeça para aliviar o desconforto em me vê navegando ali em coisa tão imprópria e ele em um barco tão maravilhoso.

Pois é, a cada olhada na imagem minha imaginação flutua no espaço e sai em busca de novos horizontes. A cada nova olhada, novos sonhos se somam aos outros e me alegro por estar vivendo aquela viagem naquele barquinho. Recordo das muitas vezes em que fui taxado de alienado porque vivia a bordo de um veleiro lindo e que me deu infinitas alegrias. O Avoante não tinha o luxo desejado e buscado por tantos sonhadores com a vida sobre o mar, mas me deu tudo o que eu queria ter, enquanto assistia calado e espantado o filme dos desejos sem fim do delírio dos sonhadores.

A imagem desse barquinho sem nada e com tudo do que o homem necessita me abre o coração, e deixa minha mente aberta para novamente viver o sonho.

Quanta loucura! Quanta “quadradice”!

Nelson Mattos Fillho/Velejador

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Escolinha de vela. Um olhar no futuro

13880266_506773799530893_4548498709507417184_nTudo que exige muitos salamaleques não passam da intenção e quando os salamaleques servem para massagear egos envaidecidos, aí é que a coisa desanda. Resultados positivos são colhidos quando a ação vem precedida de um bom planejamento, focado no interesse comum e visam o desenvolvimento futuro. A Escolinha de Vela do Cabanga Iate Clube é uma história de sucesso que acompanho com alegria e brilho de emoção nos olhos. Em suas turmas surgiram grandes campeões e são formadas excelentes promessas do iatismo. Mas não é só o Cabanga que investe na continuação vitoriosa de sua história, outros clubes náuticos brasileiros – não muitos – sabem dar o valor que as escolinhas precisam e fazem pesados investimentos na manutenção desses berços que mantém viva suas pilastras. A Escolinha de Vela do Cabanga anuncia que abriu inscrições para novas turmas e delas sairão grandes campeões e cidadãos com uma visão mais humana do mundo, porque é assim que tem sido.     

Bola fora

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Olhando a imagem do avanço do mar sobre as areias de Copacabana, ameaçando uma estrutura olímpica reservada as equipes de TV, pergunto aos meus botões: Por que danado o homem  se acha superior e mais inteligente do que a natureza?

Aviso aos navegantes

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A Marinha do Brasil alerta que o aviso de mar de ressaca, entre Salvador/BA e Natal/RN, está mantido até segunda-feira, 01/08, mas observando as informações e os gráficos do Cptec/Inpe, o aviso é válido até o litoral do Ceará e deve se estender até a quarta-feira, 03/08. A Marinha recomenda que as pequenas embarcações evitem navegar nesse período e as demais redobrem a atenção quanto ao material de salvatagem, estado geral dos motores, bomba de esgoto do porão, equipamentos de rádio e demais itens de segurança. O quadro acima mostra a previsão para o litoral de Maceió/AL.

A hora do muxoxo passou

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Em fevereiro de 2015, na postagem “Jogos Olímpicos 2016 e uma boa pergunta”, diante das lamúrias sobre a imundice despejada nas águas da Baía da Guanabara, perguntei por qual motivo as competições de iatismo não serem transferidas para a Baía de Todos os Santos. Alguns responderam que já não haveria tempo para a mudança, outros disseram que o palco era o Rio de Janeiro e não Salvador/BA, outros falaram em bairrismo e assim a lista dos comentários, escritos e em viva voz, seguiu por mais uma semana e parou por aí. Porém, na mídia e nas redes sociais as acusações e a choradeira navegaram de vento em popa. Hoje estamos diante das barbas dos deuses olímpicos e tudo continua na mesma, com lixo, esgotos, reclamações, choros, acusações e desculpas esfarrapadas para tudo quanto é lado. O que me chama atenção é que não vi nenhum velejador olímpico, de hoje e nem de ontem, pelo menos mencionar a mudança da raia para outro local. Torben Grael falou, em entrevista ao blog do Axel Grael, que “a arena foi entregue cheia de lixo”. Será que um dos nossos maiores medalhistas acreditava que seria diferente? – Eu aposto que não! Quanto a dizer que o palco Olímpico é o Rio de Janeiro e por isso todas as competições devem ser realizadas sob os olhares do Cristo Redentor, isso não me convence, pois se assim fosse, as partidas de futebol não seriam realizadas também em outros estados. Será que o deus do futebol é mais poderoso do que o deus do Olimpo? Bem, não é mais hora de choro e nem de muxoxo, agora é botar o barco na água, subir as velas e sair em busca do pódio, nem que seja para chegar com um penico enfiado na cabeça.

Apocalipse

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Eita! E num era hoje que o mundo iria acabar?

Se tiver pedido a fazer aproveite

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Quem tiver pedidos para fazer essa é hora, porque a partir de hoje, 29/07, e durante todo o final de semana uma chuva de meteoros enfeitará o Céu da madrugada, onde mais de 20 meteoros riscarão o firmamento a cada hora do relógio, segundo os astrônomos. O fenômeno conhecido como Delta Aquáridas acontece todo ano entre os meses de julho e agosto, mais nesse final de semana se intensificará. Os astrônomos dizem que a chuva de meteoros é consequência da passagem do comenta 96P/Machholz, descoberto em 1986. Quem tiver interesse, e o sono deixar, e estiver abaixo da linha do equador, basta mirar o Norte. Quem estiver nos domínios do Norte, basta virar a cabeça para o Sul. Agora quem estiver velejando e tiver no turno de comando na madrugada, coloque o barco no piloto automático, dê uma olhada em volta, para se certificar que não existe nada em rota de colisão ou nas proximidades, deite no cockpit e aproveite. Fonte: notícias terra.com.br