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Cartas de Enxu 36

2 Fevereiro (165)

Ângela, não sei se é verdadeiro o conto de que nascemos com o plano de vida traçado em algum lugar entre o Céu e a Terra e por mais que tentemos mudar nosso destino, não tem como. Mas como duvidar do conto, se quando começamos a caminhar no labirinto, o máximo que conseguimos é chegar a uma imensa e indecifrável clareira onde tudo casa com tudo sem nem sabermos o porquê? Amiga, aquele carequinha era o máximo e não tem como deixar de agradecer Aquele que traça o destino das pessoas, em ter cruzado o de vocês com o nosso.

Sabe, amiga, a vida nessa praia paraíso continua caminhando na paz e na tranquilidade e lembra um pouco Terra Caída/SE, aquele pedacinho do Céu debruçado sobre os rios Piauí e Cajazeiras, só não tem o Zé de Teca, porém, tem uma trinca de cabocos resenheiros que se brincar, deixa Zé segurando o queixo. Pois veja só: Certa manhã, depois de uma madrugada de relâmpagos e trovoadas, sentei para papear com uns amigos e o assunto não poderia ser outro a não ser o riscado dos coriscos que lumiaram a noite e o ronco surdo de Thor. Lá pras tantas, alguém afirmou que primeiro vinha o trovão e em seguida o clarão do relâmpago. Tentei corrigir a crença do amigo e por mais que eu argumentasse que primeiro vinha o relâmpago e logo após o trovão, porque a luz é mais rápida do que o som, não teve jeito, pois naquela roda de bate papo todos estavam convencidos que o som vem primeiro do que a luz. Teve até quem dissesse assim: – Menino, quando a gente solta um peido de velha primeiro vem o pipoco e só depois aparece o fogo do traque. E vou confessar uma coisa, viu amiga: Pois num é que saí daquela resenha quase convencido que eu estava errado, tamanha era certeza dos debatedores. No próximo encontro vou perguntar se a Terra é redonda ou plana só para ver o circo pegar fogo. Vai ser onda, viu!

Amiga, nesse mundão sem fronteiras e com a rede de computadores emitindo dados e notícias a cada milionésimo de segundo, por mais isolado que seja o recantinho do planeta o zumbido chega e chega ligeiro e nem uma redinha preguiçosa e despretensiosa, estirada em uma varandinha de praia, serve de trincheira para um vivente se esconder. Pois veja só, estava eu sobre a varandinha, maravilhado com a história de São Lucas, no livro Médico de Homens e de Almas, de Taylor Caldell, quando me deu na telha de pegar o celular, bicho anunciador de boas e más, e na telinha apareceu a notícia de que o presidente dos ianques, Donald Trump, em discurso cutucou os defensores da energia eólica e disse que o barulho emitido pelas pás e turbinas geram câncer. Não é preciso dizer que a largada do galego deu o que falar mundo afora, mas da minha varandinha fiquei a matutar ao olhar para a floresta de “moinhos de vento” que por aqui se estende além de onde a vista alcança e mais um pouco: – Agora danou-se, e se esse “topetudo” estiver certo? Dia desses uma amiga que mora no povoado do Alto da Aroreira, parede e meia com Enxu, disse que tinha horror do barulho constante das torres de eólico, que cercam o lugar. Disse que aquele zumbido surdo dava até dor de cabeça e que muitas vezes não conseguia dormir. – Vai vendo, amiga, vai vendo!

Pois bem, deixei o alerta do galego para lá, pois o danado é dado a falar pelos cotovelos, se bem que acerta quase todas. Lembra do atentado na Suécia? O bixiga só errou a data! Pulei a tela e diante da notícia seguinte encolhi os olhos para ler o que achava que não estava lendo. O STF, que agora se avexou a cesurar a boca e os dedos do povo e a emitir ameaças veladas a torto e a direita, deu carta branca para o sacrifício de animais nos terreiros de umbanda, sob alegação de cunho religioso, cultural e histórico. Cada qual com sua fé, mesmo que seja torta! Agora me diga, Ângela: – E se o santo pedir o sangue, como tem acontecido por aí, de uma pessoa, será que também está dentro da permissão dado pelos senhores supremos?

Eh, amiga, esse mundo está virado de ponta cabeça, ou melhor, sempre esteve. E falando de sacrifícios de humanos: – Você viu que nos Andes encontraram centenas de esqueletos de crianças, coisa feita pelos Incas? Os estudiosos relativizam e dizem que as crianças eram sacrificadas para que os deuses abrandassem os efeitos do El Niño. Será que naquela época tinha STF naquelas montanhas de frente para o Pacífico? Sei lá! E pior é que o danadinho do El Niño e sua irmãzinha querida, continuam dando as cartas e mandando ver nas coisas do tempo, isso quer dizer que as crianças incas morreram por nada. Tem muito pecado em meio a fé!

Pois é, Ângela Cheloni, essa missiva era para falar das coisas dessa Enxu mais bela, mas fui inventar de curiar o celular e me perdi por entre as vias marginais das histórias mal contadas, mas tudo bem porque tudo vale quando se quer puxar conversa com uma amiga.

Beijo e não demore a voltar por aqui, viu!

Nelson Mattos Filho

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Cartas de Enxu 35

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Enxu Queimado/RN, 12 de março de 2019

Olá, filhota, espero que essa cartinha chegue até você e a encontre em paz e com aquele sorriso lindo que me derrete de paixão. Bem que poderia ficar horas e horas ajuntando letras nesse teclado confidente, falando do amor que sinto e derramando loas e loas sobre a beleza que estonteia os olhos e enche de alegria o coração de um pai que está a milhas e milhas de distância. Mas não vou não, porque quero falar do cotidiano da vida vivida nessa vilazinha praieira que me acolhe e me dá carinho. Como você é linda e maravilhosa, Filha! Benza Deus!

Filha, o Carnaval por aqui foi bom, tranquilo e na paz que merece a festa de Momo, se bem que as músicas deixam a desejar, mas fazer o que se a batida é mesma de Norte a Sul. Andei lendo e vendo os moídos da sua Salvador amada e vi que a coisa por aí foi bem animada. Gosto de dizer que é preciso viver a Bahia para falar sobre ela. Eita terra boa e abençoada. Também, com todos os Santos no comando e um exército de Orixás dando proteção, não tem quem se atreva a meter água no azeite!

Aqui teve uns buchichos na beira mar, onde se apresentaram umas bandas tipo xerox. Digo assim, porque entrava uma, saía outra e o repertório era o mesmo. Não fomos nem um dia dar uma bisbilhotada no fuzuê, até porque a pizzaria estava funcionando a todo vapor e quando a labuta terminava, abríamos uma cervejinha gelada e cadê a coragem de sair. Tomara que Momo me desculpe por essa, mas foi assim. Papai gostava de dizer que ninguém podia perder um Carnaval, pois não recuperava mais nunca. Pense num homem arretado e que gostava de festa!

Filhota, as chuvas por aqui estão bem chovidas e a pequena floresta do quintal está rindo à toa e verdinha que só vendo. Tem acerola, pinha, graviola, pitanga, seriguela, laranja, coco, fruta-pão, caju, mamão – doce que faz inveja a açúcar –, berinjela, cajá, cajá-manga, banana e até uns pés de pimenta, para temperar moqueca e espantar mau-olhado. Tá pensando! Estou até pensando em virar exportador! Margareeeeth!

Loura Linda, diga aí se você já ouviu falar na palavra “serigóia”. Pois é, estava hoje na varanda e escutei alguém xingar outro de “serigóia” e me avexei a pesquisar no doutor Google para saber o que danado é isso, e no que cheguei mais perto foi da “sericóia”, que é a Saracura-três-potes, uma espécie de ave que vive em áreas alagadas do pantanal mato-grossense e também México e Argentina. Fiquei matutando como danado chegou essa sericóia por aqui e não sosseguei enquanto a danada não voltou. Pois num é que a pessoa tinha as pernas longas e era magra que só uma sericóia! Sei não, viu! Pedrinho de Lucinha certa vez me disse que no fundo do mar tem toda espécie de criatura igualmente em terra. Perguntei: – Pedrinho, e tem gente? – Tem veio, eu num mergulho lá! – Eh, tem mesmo! Qualquer dia vou perguntar se tem sericóia e parece que estou vendo a resposta!

Por aqui apelido é que não falta e tem cada um que nem nos melhores dicionários do mundo se consegue a tradução. Meu amigo Zé Mago, que agora ganhou mais um apelido, que depois eu conto esse moído, é quem mais bota apelido no povo. O cabra é bom de ajuntar letras e basta olhar para uma pessoa que o apelido já vem na ponta da língua. Dia desse chamei Zé Mago para um bate papo na mesa que tenho embaixo do pé de nim e pedi que destrinchasse os apelidos de Enxu. Foram tantos que enchi três folhas de caderno e só não enchi mais porque Zé recentemente teve um AVC e segundo ele, a doença fez a cabeça esquecer de uma ruma. Tem um, que foi goleiro do time, que tem dezenove apelidos e quando Zé irradiava o jogo, dizia tudinho numa tacada só.

Amandinha, Enxu Queimado é uma graça de se viver e um paraíso de encantos. É difícil encontrar um recantinho no litoral brasileiro mais gostoso do que esse. Tem suas necessidades, suas mazelas como em todo lugar, mas no final da conta o que sobra é uma riqueza enorme de grande. Só em ter paz e as pessoas poderem andar despreocupadamente a qualquer hora do dia ou da noite, já é uma riqueza que não tem preço. – Quer ver eu criar ciumeira e dar o que falar? – Gostoso fica aqui bem pertinho, mas nem de longe tem a gostosura que tem Enxu!

Amanda Isabella Palma Mattos, a Loura linda de Nelsinho, venha aqui filhota. Venha conhecer um lugar que dificilmente as pessoas deixam de se apaixonar. Venha ver as belezas encantadoras das dunas e do coqueiral que declama poesias ao vento. Venha sentir o frescor dos alísios do Nordeste que por aqui declaram amores ao mar. Venha se banhar em um mar de águas mágicas e caminhar em um infinito de praias de areias branquinhas e livres de poluição. Venha ver as jangadas em seus belos bailados. Venha ver a Lua mais bela. Venha filhota, venha viver um mundo que só tem em Enxu.

Beijo, Filha e não demore!

Nelson Mattos Filho

Feira de arte e cultura em Enxu Queimado

20190311_180511O grupo Mulheres Conquistando Autonomia, da Praia de Enxu Queimado/Pedra Grande, realizará no próximo final de semana, 15 e 16/03, a 1ª Feira de Arte e Cultura da Praia de Enxu Queimad0 – FECAPE. Evento que tem como meta divulgar a cultura e os sabores de uma das mais belas praias do Rio Grande do Norte. Uma excelente oportunidade de conhecer um pedacinho do paraíso!

 

Escritos de uma segunda de Carnaval

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O Carnaval já vai alto pelas dunas e coqueirais de Enxu Queimado e pelo eco das músicas – músicas? – que invadem o povoado, poderíamos até dizer que é mais um Carnaval que se vai sem deixar saudades, mas aí seria demais, porque cada geração tem suas músicas preferidas, porém, nem todas tiveram a alegria de ter vivido os tempos dourados dos geniais compositores e letristas. Mas tem nada não, enquanto os gênios ficam esquecidos, sem querer, vamos cantarolando uma tal de Tu Tá na Gaiola, com “versos” que dizem assim: “…Ei, tu tá na gaiola….Cheiro de maconha boa….Várias piranha jogando….Ei, tu tá na gaiola….Vem sentando na piroca….Ei, tu tá na gaiola….Vai descendo a buc….tá na gaiola…”. Enquanto o tal Mc Kevin, emplaca sua loa de violação, as novinhas e os defensores dos direitos da mulherada, fazem coreografias em frente aos palcos e paredões Brasil afora! – E depois? – Ora, depois é outro dia!

Eita que esse mundão tá virado num traque e o Mc Kevin é apenas um tiquinho de nadica de nada em meio ao fogaréu da fuleragem e sua “música” foi feita apenas para um verão e ponto final e quem achou ruim, é porque nem advinha o que virá amanhã. Deus é mais, ou menos, já nem sei mais!

E por falar em fogaréu, os meninos das ciências do tempo anunciam que o mundo está bem pertinho de pegar fogo. Eles apostam que lá pras bandas de 2100 – bem pertinho, viu! – o Sol vai torrar o juízo de quase 50% da população do “planetinha azul”. Dizem que será uma onda de calor tão monstruosa que nem o “tinhoso” jamais imaginou. – Sabe em quem eles põem a culpa? – Pois é, em nós mesmo, mas nos acusam de uma forma tão relativista que a sentença entra por um ouvido e sai ligeiro pelo outro. Tomara que Santo Antão do ventilador ponha as barbas de molho e bote as ideias para funcionar, senão, os nossos netinhos tão ferrados, ou melhor, torrados. Mas vou logo avisando, viu Seu Sol: – Já deixei de usar os famigerados canudinhos, não jogo lixo na rua, não poluo os oceanos, nem os rios, gosto de cerveja gelada e de umas cachacinhas para esquentar o pé da orelha. “….tu tá na gaiola…” Homi, vai pra lá! Pense numa bixiga insistente!

E por falar nas coisas do tempo, pois num é que São Pedro resolveu abrir as torneiras do Céu durante o Carnaval. O Céu está bonito que só vendo e a chuva tem dado o ar da graça todos os dias. A mata da caatinga que cerca essa Enxu mais bela está uma boniteza sem igual. As borboletas fazem a festa em meios as flores do mato e a bicharada tem andado com riso de orelha a orelha. E os barreiros? Eita que tão de água de ponta a ponta. É tanta água que não chega um carro por aqui que não venha pintado de marrom. Já ontem mesmo, o amigo Lutero convidou para tomar leite no curral, diretamente do peito da vaca, mas foi logo avisando que a estrada estava difícil. Deixei quieto e guardei o convite para usar mais na frente. Tem tempo, tem tempo!

Mudando o ar da graça, nesses dias de reinado de momo tenho navegado pouco pelos portais de notícias e mais pelas estripulias das trincheiras das redes sociais, para saber os moídos dos pierrôs e colombinas e tenho comprovado que esses personagens não são mais os mesmos e nem deveriam ser, pois caíram no alçapão da gaiola e perderam o passo do frevo e das velhas marchinhas. Aliás, sempre que passo a vista pelas manchetes da grande mídia, me apego no mesmo mantra de mané luiz, que dá até uma dor de tanta falta de criatividade jornalística. Será que os velhos mananciais do jornalismo também entraram na onda da gaiola? Os caras estão batendo na mesma tecla e nem se dão por conta. Não tem ninguém pensando diferente e todos estão agindo que nem cartomante, tentando adivinhar o futuro pelas cartas, ou melhor, por colunas mais ideológicas impossível. Quer saber: Com toda milacria, as redes sociais estão mil anos à frente das redações e prontinhas para jogar a pá de cal sobre a carniça. – Quer apostar? – Aposte não, pois quem apostou perdeu a última eleição!

Pensa que esqueci do Mc Kevin, esqueci não, e nem posso, seus sucessos comandam os paredões. Se não gostou da Gaiola, que tal Sobe balão e Desce B…..? Isso mesmo, Desce B…..! E ele “canta” assim: “…No baile da Colômbia/Hoje eu como uma ninfeta/No baile da Colômbia/Hoje eu como uma ninfeta…”.

Mas tudo bem, o Carnaval está no terceiro dia e hoje em Enxu Queimado é dia do bloco As Putas de Segunda, mas antes que você fique imaginando o reboliço, digo que é um dos blocos mais tradicionais do lugar, onde donzelos se vestem de donzelas e saem pelas ruas espalhando alegria, paz e amor. – E a música? – Bem, a música não é preciso puxar muito pelo juízo para apostar no estilo do Mc Kevin!

E lá vem as Putas! “…tu tá na gaiola…/…e não para não novinha…”

Nelson Mattos Filho

Passeio de jet no litoral potiguar termina em empurra-empurra

600x400Um passeio dos usuários de motos aquáticas que seria realizado nesta sexta-feira, 11/01, no litoral Sul do Rio Grande do Norte, deu o que falar nas redes sociais, expôs a maluquice das repartições fiscalizadoras que cuidam do bom cumprimento das leis ambientais e tirou os prefeitos, das cidades por onde a flotilha navegaria, do conforto dos alpendres das casas de veraneio. O Idema, órgão ambiental do Estado, navegou pra lá, deu bordo pra cá e sem ter um rumo certeiro passou o comando para o Ibama, que sem saber se acelerava ou parava as motocas voadoras, devolveu o timão para o Idema sem ao menos visualizar o horizonte. Quem botou ordem na derrota foi o prefeito de Tibau do Sul, que numa canetada fechou a barra. O quiprocó teve início quando foi anunciado a navegada que sairia da praia de Barra do Cunhaú, uma das joias do litoral potiguar, com destino ao município de Senador Georgino Avelino, passando por uma extensa área de proteção ambiental na Lagoa de Guaraíras. Segundo os organizadores, o “passeio” tinha como objetivo fazer distribuição de cestas básicas a comunidades carentes, porém, os ambientalista vislumbraram uma possível agressão ao meio ambiente e aí o reboliço foi grande. Procurei nas ondas livres da internet notícias se o “passeio” encalhou ou seguiu em frente, mas não tive resposta, como também fiquei sem saber qual foi o posição da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte diante desse moído. Estou comentando o caso porque navegando por aí deparei com vários passeios de motos aquáticas e vi de tudo: de motonautas bem comportados e seguidores das leis de navegação a turmas que mais pareciam saídos dos filmes de bárbaros sanguinários. As leis de terra podem não ter a clareza necessária, mas as leis marítimas não deixam dúvidas, porém, todas escorregam pelo mesmo ralo por onde escorrem as coisas nebulosas. Já os ambientalistas, nem sempre olham para onde deveriam olhar e muitas vezes se apegam apenas em aspas.          

Elementos em fúria e velhas recordações

imageA força das ondas nas Ilhas Canárias, arquipélago que é uma das joias do turismo espanhol, foi de fazer tremer o coração daqueles que moram em residências ou edifícios praticamente debruçados sobre o mar. Com o mar não se brinca, assim diz o ditado, e o que aconteceu na costa de Tacoronte, em Tenerife, dia 18/11, foi mais um exemplo que felizmente trouxe apenas danos materiais e desassossego. Ao assistir o vídeo da fúria dos elementos, lembrei de um caso acontecido na Praia do Marco, litoral do Rio Grande do Norte, nos idos anos 90. Naquele tempo eu era um dos poucos veranistas da praia e da varanda fiquei observando um dos vizinhos, durante todo o dia, construir uma barricada com sacos de areia diante de sua casa. Para mim, pitaqueiro dos bons, aquele serviço era em vão e no finalzinho da tarde levei uma latinha de cerveja gelada para ele, que aceitou de pronto, e ao sentar sobre a areia falei: Rapaz, acho que esse serviço não terá sucesso, pois você deveria estirar essa barricada um pouco mais para os lados, senão, o mar entrará por lá e vai acabar destruindo a casa. Ele deu um gole na cerveja, olhou para mim e antes de levantar para ir embora, disparou: – Amigo, obrigado pela cerveja, mas você não entende de nada. Passar bem! Fiquei ali na areia mais um pouco, apreciando o pôr do sol, e voltei para casa. Pela manhã o trabalho do vizinho recomeçou e nem prestei mais atenção. Logo após o almoço, armei a rede na varanda e fiquei escutando o mar de ressaca roncar lá fora. Em dado momento um barulho surdo irrompeu o mundo e ao levantar a vista, notei que a varanda do vizinho não estava mais lá e o vi sobre a areia com os olhos arregalados. Fui até ele para prestar solidariedade e ele perguntou: – Como você sabia? Respondi: – Como assim se eu não sei de nada? Nunca mais ele falou comigo.    

Enxu Queimado festeja sua padroeira

IMG-20181109-WA0033A comunidade da praia de Enxu Queimado, litoral norte do Rio Grande do Norte, realiza neste sábado, 10/11, o encerramento da festa de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira da bela praia paraíso. As comemorações sagradas tem início às 4 horas da manhã com caminhada de orações e cânticos, ao meio dia, procissão marítima e no finalzinho da tarde, procissão e missa de encerramento na Capela. A festa profana, com várias bandas, está marcada para às 22 horas, na quadra de esportes. Taí um programa legal para quem está a procura de um final de semana diferente!