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Passeio de jet no litoral potiguar termina em empurra-empurra

600x400Um passeio dos usuários de motos aquáticas que seria realizado nesta sexta-feira, 11/01, no litoral Sul do Rio Grande do Norte, deu o que falar nas redes sociais, expôs a maluquice das repartições fiscalizadoras que cuidam do bom cumprimento das leis ambientais e tirou os prefeitos, das cidades por onde a flotilha navegaria, do conforto dos alpendres das casas de veraneio. O Idema, órgão ambiental do Estado, navegou pra lá, deu bordo pra cá e sem ter um rumo certeiro passou o comando para o Ibama, que sem saber se acelerava ou parava as motocas voadoras, devolveu o timão para o Idema sem ao menos visualizar o horizonte. Quem botou ordem na derrota foi o prefeito de Tibau do Sul, que numa canetada fechou a barra. O quiprocó teve início quando foi anunciado a navegada que sairia da praia de Barra do Cunhaú, uma das joias do litoral potiguar, com destino ao município de Senador Georgino Avelino, passando por uma extensa área de proteção ambiental na Lagoa de Guaraíras. Segundo os organizadores, o “passeio” tinha como objetivo fazer distribuição de cestas básicas a comunidades carentes, porém, os ambientalista vislumbraram uma possível agressão ao meio ambiente e aí o reboliço foi grande. Procurei nas ondas livres da internet notícias se o “passeio” encalhou ou seguiu em frente, mas não tive resposta, como também fiquei sem saber qual foi o posição da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte diante desse moído. Estou comentando o caso porque navegando por aí deparei com vários passeios de motos aquáticas e vi de tudo: de motonautas bem comportados e seguidores das leis de navegação a turmas que mais pareciam saídos dos filmes de bárbaros sanguinários. As leis de terra podem não ter a clareza necessária, mas as leis marítimas não deixam dúvidas, porém, todas escorregam pelo mesmo ralo por onde escorrem as coisas nebulosas. Já os ambientalistas, nem sempre olham para onde deveriam olhar e muitas vezes se apegam apenas em aspas.          

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Elementos em fúria e velhas recordações

imageA força das ondas nas Ilhas Canárias, arquipélago que é uma das joias do turismo espanhol, foi de fazer tremer o coração daqueles que moram em residências ou edifícios praticamente debruçados sobre o mar. Com o mar não se brinca, assim diz o ditado, e o que aconteceu na costa de Tacoronte, em Tenerife, dia 18/11, foi mais um exemplo que felizmente trouxe apenas danos materiais e desassossego. Ao assistir o vídeo da fúria dos elementos, lembrei de um caso acontecido na Praia do Marco, litoral do Rio Grande do Norte, nos idos anos 90. Naquele tempo eu era um dos poucos veranistas da praia e da varanda fiquei observando um dos vizinhos, durante todo o dia, construir uma barricada com sacos de areia diante de sua casa. Para mim, pitaqueiro dos bons, aquele serviço era em vão e no finalzinho da tarde levei uma latinha de cerveja gelada para ele, que aceitou de pronto, e ao sentar sobre a areia falei: Rapaz, acho que esse serviço não terá sucesso, pois você deveria estirar essa barricada um pouco mais para os lados, senão, o mar entrará por lá e vai acabar destruindo a casa. Ele deu um gole na cerveja, olhou para mim e antes de levantar para ir embora, disparou: – Amigo, obrigado pela cerveja, mas você não entende de nada. Passar bem! Fiquei ali na areia mais um pouco, apreciando o pôr do sol, e voltei para casa. Pela manhã o trabalho do vizinho recomeçou e nem prestei mais atenção. Logo após o almoço, armei a rede na varanda e fiquei escutando o mar de ressaca roncar lá fora. Em dado momento um barulho surdo irrompeu o mundo e ao levantar a vista, notei que a varanda do vizinho não estava mais lá e o vi sobre a areia com os olhos arregalados. Fui até ele para prestar solidariedade e ele perguntou: – Como você sabia? Respondi: – Como assim se eu não sei de nada? Nunca mais ele falou comigo.    

Enxu Queimado festeja sua padroeira

IMG-20181109-WA0033A comunidade da praia de Enxu Queimado, litoral norte do Rio Grande do Norte, realiza neste sábado, 10/11, o encerramento da festa de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira da bela praia paraíso. As comemorações sagradas tem início às 4 horas da manhã com caminhada de orações e cânticos, ao meio dia, procissão marítima e no finalzinho da tarde, procissão e missa de encerramento na Capela. A festa profana, com várias bandas, está marcada para às 22 horas, na quadra de esportes. Taí um programa legal para quem está a procura de um final de semana diferente!  

Cartas de Enxu 33

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Enxu Queimado/RN, 07 de novembro de 2018

Caro amigo, Beto, hoje ao olhar o coqueiral, me peguei pensando em você e naqueles dias, já bem distantes, que parece que foi ontem, dos veraneios da velha e boa praia da Redinha, na casa do seus pais, Bianor e Terezinha Medeiros. Eita tempos bons que não voltam mais. Mas pensando bem: O que seria da vida se conseguíssemos retornar no tempo? Será que meteríamos os pés pelas mãos e poríamos tudo a perder? E o que faríamos com as lembranças, as boas e as ruins? E os aprendizados? Será que avançaríamos como pessoa ou ficaríamos insistindo nos mesmos erros e acertos? Eh, meu amigo, acho melhor parar com essas interrogações utópicas pois a vida é um caminho sem volta e é bom demais cascaviar a memória em busca dos arquivos da saudade.

Os antigos veraneios da Redinha com suas festas do caju no Redinha clube, com a procissão dos navegantes, com as charangas de carnaval, com o Pé do Gavião, com a areia branquinha dos seus becos e vielas, com as estórias assombradas, com os balaios carregados de tainhas, com o cheiro da maresia inebriado de dendê, peixe frito e tapioca, com as jangadas indo e voltando do mar, com as rodas de viola, com a travessia nos toque-toque, com o encanto da igrejinha de pedra, com a alegria que parecia não ter fim, marcaram a vida de gerações, porque aquele recantinho de litoral era mágico, ou melhor, é mágico. Aí você me pergunta: – Nelsinho, você quer falar de Enxu ao da Redinha? – Quero falar da vida, meu irmão, da vida vivida e da vida de agora, porém, o bailar das palhas do coqueiral me fizeram viajar em um mar de lembranças. E assim vou eu, dando pulos no tempo!

Beto, rapaz, faz dias que você não vem por aqui e olhe que prometesse voltar ligeiro, aliás, você, Bruno Barros, violeiro arretado da mulesta, e Clif, tirador de prosa e tocador de causos musicados, e as respectivas consortes. Com sorte mesmo, pois aquelas moças bonitas tiraram sorte grande em pegar cabocos bons que nem vocês. A vidinha por aqui continua indo tranquila e tomara que Nosso Senhor e Nossa Senhora dos Navegantes, conserve assim por anos a fio. O mar nesse comecinho de novembro tem andado meio no reboliço e os alísios estão soprando avexado, mas tem caído uns peixinhos nas redes e os paquetes estão chegado carregados, para alegria de todos. Aquela floresta de eólicos que você viu fazendo, já está pronta e mandando carga para o meio do mundo. Dizem que tem outro parque prometido por aqui e assim a esperança se renova e tomara que a promessa seja paga logo, pois a meninada está desocupada e cabeça ociosa é ninho de coisa ruim.

E por falar nos moinhos de vento e olhando de minha varandinha as pás que não param de girar: Você sabia que a produção de energia eólica no Brasil atingiu níveis de gente grande e em setembro se igualou ao gigantismo da hidrelétrica de Itaipu, com 14,34 gigawatts (GW)? Pois foi! E o Rio Grande do Norte, assoprado pela bondade do deus Éolo, se mantém na frente do processo com 146 parques e 3.949,3 megawatts (MW) de potência, seguindo de perto pela Bahia, do Senhor do Bonfim, com 133 parques que produzem 3.525 MW e o Ceará, com 80 parques produzindo 2.050 MW. A disputa é boa, o progresso é salutar, mas sempre que observo o salseiro que os homens estão fazendo sobre as dunas e matas, ponho minha barba de molho quanto a real pureza dessa fonte energética.

Amigo, estamos no meio das comemorações da padroeira, Nossa Senhora dos Navegantes, e a igrejinha da Santa desde a semana passada se mantém em festa, com missas, novenas e procissões. Gosto de ver a fé de um povo, porque é nela que são derramadas as esperanças em um mundo melhor e as angustias que atormentam a alma. Fico encantado ao ver os passos lentos, os cânticos e a levada suada do andor das procissões. Me absorvo pelos dogmas das religiões, mesmo sem alcançar seus mistérios. Visito meu interior, no interior dos templos, porque é lá que converso com meu eu e sou observado por olhos atentos e um coração que a tudo compreende. Não questiono os princípios religiosos, mas sim os princípios dos homens que as comandam. E lá vai passando a procissão, são quatro horas da manhã!

Pois é, caro amigo Beto, Humberto Jefferson de Medeiros, as lembranças são mágicas e os ventos trazem o antidoto para curar saudades. Não procuro nas religiões o fio da meada dos meus fins, pois acho o povo do Céu ocupado demais para se ocupar com um errante como eu. Dos amigos quero o afago e a verdade do abraço. E assim, hoje vou levando a vida nessa Enxu mais bela, assim naveguei os mares do país de Pindorama e assim aprendi com meus pais, porque a memória ainda não me deixa esquecer.

Rapaz, já ia esquecendo de dizer que em Enxu Queimado não existe Praça do Cruzeiro, na Redinha ainda tem, talvez um pouco esquecida, mas se mantém como Norte de sua história!

Abraços!

Nelson Mattos Filho

Cartas de Enxu 30

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Enxu Queimado/RN, 20 de agosto de 2018

Papai, dizem por aí que os dias festivo são cavilações comerciais para alavancar venda e tem até quem passe por eles, como se nada de mais estivesse acontecendo e ainda declaram em alto e bom som, que são dias como outro qualquer e não tem do que comemorar. Claro que quem pensa assim está com razão, porque cada um pensa como quer, mas dizer que os dias normais não merecem comemoração, aí não sei não, viu! Só em ter tido a graça de ter vivido mais um dia já é motivo de comemoração, pelo menos é assim que vejo a vida.

Pois bem, Papai, hoje para mim não é um dia normal, pois não comungo da ideia dos que assim acham, e nem acho que só temos uma data especifica para homenagear pai, mãe, avós, filhos, família ou amigos, porque são pessoas tão especiais que merecem homenagens todos os dias, principalmente aqueles que já partiram para a casinha branca do Céu.

Pai, sei que o senhor se lembra, mas não me custa repetir e repetirei quantas vezes for preciso, que um dia lhe escrevi uma cartinha confessando que durmo e acordo pensando naqueles últimos momentos que estive ao seu lado, dando tudo de mim para vencer a corrida de barreiras que se transformou as ruas e avenidas do bairro do Alecrim. O senhor tentando dizer alguma coisa e eu, na loucura de vencer a batalha, sem saber decifrar suas palavras. Talvez nem houvessem palavras, talvez nem existissem sons, talvez tudo não passasse da esperança da vitória que eu apostava a todo custo, mas seu olhar falava, como sempre falou, e naquele momento, justamente naquele momento tão crucial, tão aflitivo, tão pedinte, os últimos momentos de seu olhar, onde eu tinha por dever e obrigação escutar, não consegui ouvir. Me perdoa Pai! Quem sabe uma noite dessas, entre as fases de sono REM e NREM, o senhor venha sussurrar em meu ouvido!

Mas, Papai, não se aflija com os meus mais desejosos desejos, pois esta missiva é para falar das coisas desse paraíso praia que me acolhe carinhosamente sob a sobra de uma cabaninha de praia. Sei que o senhor sabe de tudo que acontece em meu redor, mas me deixe contar, pois vá lá que alguma coisa passou despercebido.

Os dias por aqui caminham na maciez dos ventos e das correntes marinhas. Os festejos do Dia dos Pais foi uma festança na beira mar, com direito a regata de paquete e umas bandas que tocam as mesmas músicas, parecendo um disco enganchado. Só não entendo porque não contratam somente uma banda e pedem para tocar o repertório de frente para trás e de trás para frente, pois seria bem mais divertido e mais barato. Mas tudo bem, a festa foi animada, sem confusão e no final salvaram-se todos.

Papai, os ventos de agosto estão de fazer inveja a qualquer Saci Pererê. Fico só na saudade das lembranças dos meus dias a bordo do Avoante, quando passava horas estudando rotas e roteiros para aproveitar o vento da vez. Os de agosto eram os ventos que rendiam mais estudos e era quando o Avoante mostrava toda sua valentia e destreza, pois ele adorava deixar esteiras sobre as águas frias de fins de inverno e eu amava a brincadeira. Por aqui o coqueiral tem comido tocha e quem quiser que se meta a besta em caminhar sob a sombra das palhas, pois vez por outra o vendaval faz um coco despencar no vazio para se espatifar no chão com um barulho surdo. Thumm!

O peixe da vez agora é o serra e os cestos tem chegado aos barracões cada vez mais abarrotados. A lagosta, que está com a pesca liberada até final de novembro, este ano por aqui está igualmente a orelha de freira, todos sabem que existe, mas poucos tem visto. Quando aparece umas lagostinhas, os preços estão que nem os salários dos STF, lá nas nuvens. O povoado está arrumadinho, mas bem que poderia estar melhor, mas como no mundo da política as coisas caminham lento, lento vamos andando até onde as pernas deixarem. A água chegou, mais não chegou e muito pelo contrário. O reservatório foi recuperado, cada casa tem seu registro, as bombas foram acionadas, o bem da vida jorrou uns dias pelos canos e de um dia para a noite, a fonte secou e não tem uma alma viva para contar a justeza do motivo. Onde a falta de informação é uma verdade, a verdade não se faz presente!

Papai, agora que me avexei que essa carta era para lhe homenagear, mas fiquei de teretetê contando os moídos, que me dei conta que o papel está findando e a homenagem não saiu. Mas é assim mesmo, num é meu Pai? As vezes a gente quer contar tudo de uma vez que esquece do principal. A saudade é imensa, o nó na garganta nunca sara, as lágrimas vez por outra lavam os olhos, o coração se aperta e quer sair pela boca, as pernas amolecem, os joelhos dobram, porém, as lembranças e os ensinamentos brilham mais forte e indicam o caminho a seguir.

Sim, meu Pai, já ia esquecendo de dizer que Ceminha está cada dia mais linda, apaixonante, amada e tenho a mais pura certeza que o senhor tem cochichado nos ouvidos do Nosso Senhor e da Virgem Maria, para mantê-la sob dobrada proteção. E Nanã! Eita que Nanã é valente, viu Pai!

Beijo

Nelson Mattos Filho

O Farol de Enxu

20180819_092454Na semana passada postei no facebook o retrato de uma das artes arteiras de Lucia, que fincamos na entrada de nossa cabaninha de praia, O Farol. Aí, o casal Alípio e Gil, navegadores arretados de bons, que cruzaram os mares do mundo a bordo do veleiro Bar a Vento, e que o mar nos deu de presente em forma de grandes amigos, pediu para incluir na postagem as coordenadas geográficas do “Farol de Enxu” e quando um velejador pede um waypoint e com vontade de traçar rota ligeira até o mesmo, aí vai: S 05º 04.296’ / W 035º 50.956’. Pronto, agora é botar a cerveja para gelar e esperar que a vela do Bar a Vento surja no horizonte.  

12ª Regata dos Pescadores de Enxu Queimado

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A praia de Enxu Queimado-Pedra Grande/RN está em festa neste final de semana, 11 e 12 de agosto 2018, com a 12ª Regata dos Pescadores, em homenagem aos pais. A Regata, – uma idealização de Pedrinho e Lucinha, um casal ímpar – depois do Ano Novo e Carnaval, é o maior evento do paraíso praia de Enxu. São dois dias de comemorações com torneio de futebol de praia, campeonato de sinuca, shows musicais, barraca de leilão e outras atrações. A prova no mar, uma competição imperdível, que tem apoio da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte e da Prefeitura Municipal de Pedra Grande, acontece na manhã do domingo, quando falta areia na praia para acomodar tantos torcedores e observadores. Se você, leitor, está pelas paragens maravilhosas do Rio Grande do Norte,  pegue a estrada e venha viver um final de semana sem igual.  Venha, que o povoado de Enxu Queimado lhe receberá de braços abertos!