A lição

cape_verde_political_mapO caso dos brasileiros presos no arquipélago de Cabo Verde, costa africana, é um alerta e uma lição para todos que tem no mar o cenário de sonhos de vida, principalmente os velejadores, que enxergam a oportunidade de uma viagem, como foi a do veleiro apreendido, como uma forma de ganhar experiências náuticas e embarcam com a alma livre e sem observar alguns procedimentos, que, inclusive, alguns mais experientes deixam passar em branco. O ditado já diz: “…quando a esmola é grande, o cego desconfia…”. Esse não é o primeiro caso, não será o último e nem é o caso de transferir a culpa para as autoridades policiais brasileiras, que segundo estão assinalando as matérias jornalísticas, cometeram falhas na hora da inspeção. Tenho esperanças que os brasileiros sejam inocentes e me levo a acreditar que embarcaram numa barca furada, mas não faço juízo de valor.

    

Anúncios

Aprenda!

26229784_10204207316658876_8883063875650189349_n

Não é para rir, viu!

…deixando um pouco de si, levando um tanto de mim

26165925_1765143046843716_8610594531692422989_n

Não pedi licença para copiar e colar, mas sei que serei perdoado

Mastaréu, Mastaréus 

Por Valeria Mendes.

O que são essas tantas linhas verticais que parecem querer fazer uma ligação com as águas e o firmamento?
Estes são os mastros de alumínio fundido, em outra época eram de madeira, que povoam nosso céu, agora que estamos embarcados. Do pouco, aliás pouquíssimo, que conheço desta ciência de velejar, a principal função do mastro é suster a retranca, a cruzeta e o conjunto de velas. Ainda se presta para suporte de antenas, faróis e luzes de navegação. Não quero me ater à sua técnica sobre a qual certamente me sairia muito mal, desejo na verdade avaliar outras questões que podemos perceber.
Faço uma leve reflexão desse conjunto, casco, mastro, velas, que é uma paixão que nós temos, que nos aproxima da natureza, que nos envolve e protege e ao nos deslocarmos nos coloca em contato com as águas e o vento, além de nos dar uma bela aula de física, pois o deslocamento de um barco a vela se dá sob o mesmo conceito das asas de avião, o princípio de Bernoulli. Quando o barco navega o deslocamento se dá a partir de um conjunto de forças que o vento faz nas velas. Alia-se a estas forças uma outra, a resistência da água, que somadas permite assim o movimento de uma boa velejada. Aquela água batendo no casco, o marulhar produzindo pequenas ondas trata-se de mais um princípio físico, quem não se lembra de Newton com uma de suas leis “para toda ação existe uma reação igual e contrária”?
Os árabes e os fenícios que provavelmente foram os primeiros povos a utilizarem este tipo de embarcação à velas nos passaram esse legado, que vai sendo desenvolvido por séculos e séculos, e assim ainda é hoje bastante usado como meio de transporte e lazer, antes feito de modo empírico, hoje com muita tecnologia e diversos aparelhos que são aliados ao conhecimento humano.
Quando vemos um veleiro soltando suas amarras e se afastando do porto de origem seu mastreamento é a última coisa que vemos, lá vai ele a se locomover ao sabor do vento, vai voando nas asas brancas que são suas velas. Alguém partiu daqui, alguém chegará ao seu destino, deixando um pouco de si, levando um tanto de mim.

Natureza extrema

xtubarao.jpg.pagespeed.ic.LQLyi3sOM-Tem caboclo que se aboleta numa cadeira, na beira da praia, e diz que vai esperar o mar pegar fogo, para comer peixe frito. Já nos “estaites” e  Canadá, que sofrem com uma onda de frio de fazer inveja a fiofó de foca, a turma está pegando peixe já congelado. A coisa nas terras do norte não está de brincadeira e os estudos dizem que as temperaturas nos domínios de Tio Sam estão tão baixa quanto as do planeta Marte. É frio, seu menino, é frio! É a natureza em reboliço!  

Imagem

Feliz Ano Novo!

Collage 2017-12-31 12_53_59

Você acredita em Papai Noel?

Papai NoelTexto publicado em dezembro de 2010, na coluna Diário do Avoante, jornal Tribuna do Norte, e publicado neste blog no mesmo dezembro e hoje renovo minhas esperanças. Feliz Natal!!!!

Do meu cantinho no cockpit do Avoante, onde costumo observar o cotidiano das cidades, às vezes me pego sonhando acordado e perdido em devaneios. Sons de sirenes, buzinas, motores e tiros são trazidos pelos ventos carregados da cidade. Cidade que vira as costas para seus problemas.

Luzes coloridas piscam ao longe, dando vida e cores a mais um Natal que se aproxima. Nas esquinas e na penumbra das ruas, crianças lutam contra o novo bicho-papão em forma de pedra. A cidade não reconhece a fera e a vida vai assim sendo desmentida. Papai Noel não existe! Bicho-Papão não existe!

O Avoante balança suavemente na ancoragem e me desperta para ver que no mundo de hoje, nem criança acredita em Papai Noel.

E você, acredita em Papai Noel? O velhinho bondoso e bonachão, com sua roupa vermelha, gorro dependurado, transportado num trenó e puxado por renas voadoras.

Você não acredita em Papai Noel? Que pena!

Como seria bom se todos acreditassem em Papai Noel. Não na figura mercadológica, mas no bom velhinho. Personagem encantado e carismático, com sua risada gostosa, que não precisa falar, sua risada já diz tudo.

Quantos Natais dependeram de sua presença alegre para ser Natal? Quantas noites mal dormidas a espera dos presentes desejados? Quantas vezes ficamos a olhar o céu na esperança de ver seu trenó passar com os sinos a tilintar? Quantas vezes desejamos ter uma chaminé no telhado para o velhinho entrar com os presentes? Quantos sonhos? Quantos pedidos? Quantos presentes? Quanta fantasia?

Quem inventou o Papai Noel? Alguns falam nos americanos. Outros juram que foi a Coca-Cola. Muitos afirmam que foram os empresários. Os cépticos apostam tudo no capitalismo, mas estes como sempre, duvidando. Não precisamos saber quem criou o Papai Noel, só precisamos reconhecer que foi uma pessoa iluminada e que queria trazer alegria e paz ao mundo e as crianças, pelo menos em um dia do ano. Assim vai Papai Noel em seu passeio pelos ares, carregado de presentes e apoiado em seu cetro grandioso.

Muitos adultos já não acreditam em Papai Noel e, por incrível que pareça, muitas crianças também não. O adulto tem suas razões para a descrença, mas a criança não. Elas foram orientadas pelos pais de que tudo não passa de fantasia, de uma grande mentira, de uma farsa diabólica e maldosa. Criança não gosta de maldade. Criança não gosta de coisas diabólicas. Criança não mente e nem gosta de mentira, mas criança adora fantasia.

Por que reprimir a fantasia do Papai Noel da cabeça da criança? Por que desmerecer o papel do Papai Noel? Por que apagar a esperança por coisas boas e lembranças felizes de brinquedos e brincadeiras? Por que retirar esse sonho das cabeçinhas inocentes das crianças? Por que tomar o doce da alegria e do desejo de suas bocas? Por que não permitir que a criança seja criança? Por quê? Do que temos medo?

O mundo vive na banalização da violência, na concorrência desenfreada e desumana, na eterna briga pelo poder, na falta de vergonha, na extinção da ética, na corrupção desenfreada, na falta de pudor, na fúria das drogas, na desagregação dos povos, na cegueira da justiça, na palhaçada oficial, na guerra pelo petróleo, na intolerância religiosa, no choque entre culturas, no terror desumano, na expectativa do confronto e na guerra, eternamente na guerra. Por que não pedir ao Papai Noel um mundo melhor para nossas crianças?

Por que ter medo do Papai Noel? Por que não deixar que a criança acredite no Papai Noel? Como éramos inocentes e felizes quando acreditávamos em Papai Noel! Por que não deixar que as crianças peçam paz, amor, esperança e presentes ao Papai Noel? Criança é criança e adulto é adulto.

O Papai Noel não traz somente presentes, ele traz sonhos, fantasias, esperança, risadas, encantamento, paz, compreensão e alegria, tudo que a criança precisa, tudo que a criança deseja, tudo que a criança merece e tudo que o adulto necessita para deixar um mundo melhor para as crianças.

Por que desfazer o sonho? Por que acabar a fantasia? Por que o medo?

Eu acredito em Papai Noel, tanto acredito que todo Natal peço alegria, compreensão, tolerância e paz para o mundo. Ainda não fui atendido, talvez Papai Noel esteja ocupado em atender aos pedidos de crianças que pedem alegria, compreensão, tolerância e paz para seus lares.

Viva, Papai Noel! Viva sempre!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Dilemas de uma profissão

Agosto 2017 (13)

Quando escrevi o texto Cumbuca, o fiz olhando pelo esquadro das janelas escancaradas, que poucos querem enxergar, mesmo tendo diante dos olhos as verdades ou as mentiras que o mundo do jornalismo cobre ou descobre, a depender das direções que sopram os ventos. Não peguei o mote de ninguém, apenas me estirei na rede armada na varanda e deixei a mente vagar, passando a limpo os últimos acontecimentos do gigante verde e amarelo. Lendo hoje, a coluna do jornalista potiguar Woden Madruga, na Tribuna do Norte, me deparei com o mote e vi que ele gira por aí que nem pião e tem deixado rastros com traços bem fortes, como o artigo, Dilemas do Jornalismo, de Carlos Alberto Di Franco, no Estadão, que termina assim:  

…A internet é um fenômeno de desintermediação. E que futuro aguarda os meios de comunicação, assim como os partidos políticos e os sindicatos, num mundo desintermediado? Só nos resta uma saída: produzir informação de alta qualidade técnica e ética. Ou fazemos jornalismo para valer, fiel à verdade dos fatos, ou seremos descartados por um consumidor cada vez mais fascinado pelo aparente autocontrole da informação na plataforma digital.

Com quem nós queremos falar? Com o Brasil real? Com o País que tem valores e olha para a frente? Ou queremos falar com minorias ideológicas, à direita e à esquerda, articuladas e barulhentas? Façamos jornalismo. Nada mais.