Previsão do tempo na terra brasilis

br1 (1)A semana que começou em Lua crescente, também foi de chuva em boa parte do Brasil e pelos dados dos “meninos” do CPTEC/INPE, São Pedro manterá as torneiras abertas, aqui, ali, acolá, até o dia 15. Da minha varandinha de praia, numa Enxu mais bela, mantenho um olho no nascente e outro no poente na esperança de decifrar os sinais emitido pela natureza e me alegro com o que vejo e até o pé de banana leite, que andava meio sei lá, fez brotar o primeiro mangará 20181210_160938 e daqui uns dias teremos fartura. O Nordeste com chuva é bom demais!

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Pensadores

03 - março (413)

Nada em mim foi covarde, nem mesmo as desistências: desistir, ainda que não pareça, foi meu grande gesto de coragem.

Caio Fernando Abreu

 

De olho nas nuvens e nas ondas

br1Esta terça-feira, 27/11, promete ser de chuva em boa parte do território brasileiro e a tendência é que São Pedro mantenha as torneiras abertas pelo resto da semana. O povo do sertão nordestino anda com as butucas de olho bem abertas em direção ao poente na esperança de que as notícias de aguaceiros que chegam das bandas do Piauí e Norte do Ceará, prevaleçam e aliviem o chão das agruras da seca que insiste em ficar pé. No finalzinho da segunda-feira, 26/11, observei que as nuvens estão passando carregadas sobre Enxu Queimado/RN e durante a noite tem aparecido algumas formigas de asa, anunciadoras de tempos invernosos. O mar pelo litoral do Nordeste, que na semana passada andou amuado, deu um alívio, mas os gráficos do CPTEC/INPE indicam que a partir da quarta-feira, 28, vem mais balanço, se bem que com menos agito. Veremos!  

Uma nova estrela brilha lá no alto

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Hoje, 23 de novembro de 2018, perdemos um grande amigo e o mundo náutico perdeu uma referência. No dia 4 de setembro de 2018, dediquei a ele, que travava luta desigual com uma doença cruel e desumana, a Cartas de Enxu 31. Nesta noite de Lua cheia, estou diante deste computador e por mais que tente, as palavras não se conectam e os dedos insistem em não teclar. Deu um branco! Talvez porque ainda não caiu a ficha, talvez porque a emoção se instalou em meu peito e sinto o coração pulsar sem eco e sem sentido ou talvez porque não é preciso dizer nada. É isso, meu amigo, não é preciso dizer nada, porque o silêncio fala por si. Siga em paz querido e bom amigo, Daniel Cheloni. 

 

O Caminho de Volta

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Ao ler o texto, O Caminho de Volta, da jornalista e publicitária Téta Barbosa, me vi nele. Em janeiro de 2005 iniciamos o caminho de volta ao embarcar em um veleiro de oceano para viver por onze anos e cinco meses e desde que desembarcamos, passamos a morar em uma pequena comunidade praia no litoral do Rio Grande do Norte para viver uma vida que muitos admiram e sonham, mas que pouquíssimos se propõem a dar ao menos um passo em busca da realização. As pessoas dizem: vocês moram longe; venham mais para perto; saiam dessa vida off; vocês são malucos e mais uma serie de interrogações, mas não fazem ao menos uma simples reflexão da vida deles, nem se perguntam para onde estão caminhando.

Já estou voltando. Só tenho 37 anos e já estou fazendo o caminho de volta.

Até o ano passado eu ainda estava indo. Indo morar no apartamento mais alto do prédio mais alto do bairro mais nobre. Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda. Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras.

Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe!

Mas, com quase 40 eu estava chegando lá.

Onde mesmo?

No que ninguém conseguiu responder, eu imaginei que quando chegasse lá ia ter uma placa com a palavra FIM. Antes dela, avistei a placa de RETORNO e nela mesmo dei meia volta.

Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo.) É longe que só a gota serena. Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe.

Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo.

E num é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram 4 vezes em quatro anos) agora vêm pra cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta e eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou).

Por aqui, quando chove a internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo) abre um livro e, pasmem, lê. E no que alguém diz “a internet voltou!” já é tarde demais porque o livro já está melhor que o Facebook , o Twitter e o Orkut juntos.

Aqui se chama ALDEIA e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama.

No São João, assamos milho na fogueira. Nos domingos converso com os vizinhos. Nas segundas vou trabalhar contando as horas para voltar.

Aí eu lembro da placa RETORNO e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: RETORNO – ÚLTIMA CHANCE DE VOCÊ SALVAR SUA VIDA!

Você provavelmente ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: “compre um e leve dois”.

Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta.

 

Téta Barbosa

Uma ponte atravessada no caminho

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Juro que nunca entendi o motivo que levou o criador de nomes a batizar o meu Rio Grande do Norte com um nome tão pomposo. Se foi por causa do rio que nasce no município de Cerro Corá e segue serpenteando boa parte do Estado, por 176 quilômetros, até desaguar nas águas do Atlântico, imagino que não foi, pois apesar da beleza de suas pinturas e do romantismo de suas poesias, ele não é tão grande assim e desde que o Potengi entrou nessa história que vem sendo diminuído ano após ano. Se foi pela grandeza das suas terras, também não, porque o elefante não aprendeu a crescer. Se foi pela riqueza do solo, até que poderia ser, pois aqui, se plantando tudo dá, porém, tem alguns poréns para atrapalhar. Será que foi pelas jazidas minerais e os recursos naturais? Quem sabe! Mas se foi, já foi, pois como diz a piada: “Tá se acabando tudo! ”. E pela grandeza dos nossos governantes? Com certeza não foi e definitivamente não, pois pense numa turma apequenada! Mas já que batizaram assim, assim será e ponto final e vamos seguir com a prosa.

No dia da festa maior em homenagem a Nossa Senhora da Apresentação, padroeira de Natal, o jornal Tribuna do Norte publicou matéria, mais uma, sobre o empecilho criado pela Ponte de Todos Newton Navarro para melhor desenvolvimento do turismo potiguar. Mas não foi por falta de aviso, foi por falta de visão e pelo grande mal causado pelo endeusamento político que a tudo corrói e destrói. Segundo a matéria, que é uma verdade, a Ponte é uma barreira para que o RN receba a maioria dos navios de cruzeiro que fazem a festa e levam alegria a outros portos Brasil afora, porque a altura do vão central, em torno de 54 metros, e a falta criminosa das proteções nas pilastras de sustentação, impedem a entrada de navios maiores e mais modernos. Na Copa 2014, jogo dos desmandos e do nosso maior fracasso futebolístico, Natal deixou de receber dois ou três transatlânticos e no verão que se avizinha, apenas assistirá à passagem deles ao largo e apenas um ou outro aproará a Barra do Potengi.

O mais engraçado é que recentemente foram gastos uns bons milhares de dólares para a construção de um terminal de passageiros, que de tão jogado as moscas, baratas e ratos do porto, está sendo oferecido a qualquer troco para realização de eventos diversos. Há quem diga que está certo e até defenda o uso para outros fins. – E sabe de uma coisa? – Eles é que estão certo, pois se não serve para uma coisa, que sirva para outra antes que venha abaixo por falta do que fazer.

O secretário de turismo, falando pelo governo do Estado, governo este que já está com as gavetas desocupadas, se apressa em dizer que está batalhando para mudar o quadro. A Codern, Companhia Docas do Rio Grande do Norte, diz que não está medindo esforços e até anuncia que o porto tem batido recordes de embarques de container. A classe política, deputados e senadores, se faz de desentendida, porque para ela tudo são flores e palanque. O governo que vai assumir, prometendo transformar o RN em um mar de rosas, vermelhas, continua prometendo, porém, ainda não orientou suas fileiras a pastorar o horizonte.

– E o que eu quero com essa prosa? – Digo! Sou defensor do turismo náutico em todos os níveis e o Rio Grande do Norte tem potencial para navegar em mar de almirante nesse segmento. O turismo náutico está entre os que mais crescem no mundo e que trazem excelentes benefícios e recursos. O RN está aproado e é porto estratégico para os destinos mais procurados do mundo e basta dar uma folheada na história para ver essa verdade. Somos beneficiados pelos ventos, pelas correntes marinhas, por um litoral belíssimo, por praia maravilhosas e viramos as costas para a lógica e nos agarramos com falácias de burocratas cegos, mal-amados e por uma politicagem barata. Recentemente enfiamos na lama a ideia maravilhosa de uma marina, que traria a esperança de bons resultados. Projeto que não passou pelo ranço e a acidez de mentes ferinas e ideologicamente transloucadas. Batemos palmas na construção e festejamos loucamente a inauguração da Ponte de Todos como um marco de desenvolvimento, o que não é. A obra é linda, as fotos são lindas, os festejos de fim de ano ganharam novos ares, mas a Ponte está posta em local errado e seus construtores e gestores públicos não vislumbraram o futuro, olharam apenas para o próprio umbigo, acenaram para os afagos, cortaram a fita, condenaram a praia da Redinha a ficar embaixo da ponte e saíram de cena. O futuro a Deus pertence!

O turismo náutico empancou diante da Ponte Newton Navarro, logo ele, que tanto amou e retratou Natal. Agora, parodiando as autoridades, vamos batalhar essa batalha perdida! A história conta que por mais de 300 anos, Natal virou as costas para o mar e somente pela visão de um dos seus prefeitos, no início do século XX, passou a apreciá-lo. Será que a construção da “ponte do futuro” deu início a uma viagem ao passado? Os fantasmas dos guerreiros do velho Forte dos Reis Magos observam tudo sobre as muradas, dão risadas e se perguntam: – Foi por esse povo esquisito que brigamos tanto?

Nelson Mattos Filho

Elementos em fúria e velhas recordações

imageA força das ondas nas Ilhas Canárias, arquipélago que é uma das joias do turismo espanhol, foi de fazer tremer o coração daqueles que moram em residências ou edifícios praticamente debruçados sobre o mar. Com o mar não se brinca, assim diz o ditado, e o que aconteceu na costa de Tacoronte, em Tenerife, dia 18/11, foi mais um exemplo que felizmente trouxe apenas danos materiais e desassossego. Ao assistir o vídeo da fúria dos elementos, lembrei de um caso acontecido na Praia do Marco, litoral do Rio Grande do Norte, nos idos anos 90. Naquele tempo eu era um dos poucos veranistas da praia e da varanda fiquei observando um dos vizinhos, durante todo o dia, construir uma barricada com sacos de areia diante de sua casa. Para mim, pitaqueiro dos bons, aquele serviço era em vão e no finalzinho da tarde levei uma latinha de cerveja gelada para ele, que aceitou de pronto, e ao sentar sobre a areia falei: Rapaz, acho que esse serviço não terá sucesso, pois você deveria estirar essa barricada um pouco mais para os lados, senão, o mar entrará por lá e vai acabar destruindo a casa. Ele deu um gole na cerveja, olhou para mim e antes de levantar para ir embora, disparou: – Amigo, obrigado pela cerveja, mas você não entende de nada. Passar bem! Fiquei ali na areia mais um pouco, apreciando o pôr do sol, e voltei para casa. Pela manhã o trabalho do vizinho recomeçou e nem prestei mais atenção. Logo após o almoço, armei a rede na varanda e fiquei escutando o mar de ressaca roncar lá fora. Em dado momento um barulho surdo irrompeu o mundo e ao levantar a vista, notei que a varanda do vizinho não estava mais lá e o vi sobre a areia com os olhos arregalados. Fui até ele para prestar solidariedade e ele perguntou: – Como você sabia? Respondi: – Como assim se eu não sei de nada? Nunca mais ele falou comigo.