Retrato de um passeio pela Baía de Aratu – III

03 - março (360)

Não me levem a mal quanto aos comentários ousados escritos nas primeiras duas páginas desse retrato, porque foram visões de um simplório escrevinhador metido a besta. Mas tenho aprendido que tem coisas que não devemos deixar passar em brancas nuvens e muito menos ficar calado diante dos desmandos dos reis. Dor de consciência não é fácil!

03 - março (358)

A Baía de Aratu é sim um mundão de águas lindo de ser ver, apesar do descaso que existe em sua volta, mas quanto a isso, a natureza soube e sabe contornar os deslizes do homem, mesmo que as coisas não sejam mais como antes. Navegar em suas águas tranquilas e abrigadas foi para mim uma salada de euforia, prazer e encantamento, temperado com ingredientes que somente a natureza sabe dosar.

03 - março (367)

Quando deixamos para trás as maledicências dos antigos e novos donos do poder e suas deslavadas caras de inocentes infernais, passamos a navegar em um paraíso de águas silenciosas, cercado de campos verdejantes e manguezais apaixonantes. Aqui acolá éramos despertados pelo piado de um pássaro ou pelo esvoaçar de asas agitadas ao vento. Sem palavras para expressar minha alegria, apenas repetia: – Que que coisa linda!

03 - março (365)

O comandante Fróes, nosso cicerone, descrevia os detalhes daquele mundo que se abria em cortinas cada vez mais deslumbrantes e assim fomos entrando em um vasto e inacreditável manguezal, entrecortados por igarapés que nem de longe imaginei existir tão próximo de uma metrópole como Salvador. Nem tudo está perdido!

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O canal foi estreitando e apareceram algumas palafitas sobre o mangue e crianças vieram às margens para acenar aos intrépidos navegantes daquela tarde de um domingo de fim de verão. Talvez se perguntando o que queriam aqueles homens em um lugar tão esquecido.

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O canal continuou estreitando até não mais permitir o avanço de nosso barquinho de alumínio e foi à hora do comandante desligar o motor, embaixo das copas das arvores do mangue, para escutarmos o silêncio. Isso mesmo: Escutar o silêncio! A paz que reinava naquela floresta encantada não tem como ser descrita, muito menos a alegria em está vivendo aquilo. Apontava minha câmera em várias direções na tentativa inglória de registrar o impensável, porém, não conseguia distinguir nas imagens capturadas a alma daquele mundo tão fascinante.

03 - março (380)

Depois de uns minutos em silêncio, o comandante acionou o motor e iniciamos o caminho de volta. Margeamos novamente as palafitas, acenamos para as crianças e entre curvas e desvios, para livrar coroas e bancos de areias, chegamos embaixo da velha ponte com uma dúvida: E aí, voltamos ao clube ao pegamos o rumo da direita em direção a uma igrejinha que aparecia no alto do morro? Pegamos a direita!

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Mais um canalzinho estreito e sinuoso, mais manguezais, mais natureza e quando tomamos ciência, estávamos diante do município de Passagem dos Teixeiras e sua igrejinha bela que só vendo. Navegamos por mais um bom tempo e novamente paramos diante de um fim de linha para nosso barquinho. A maré começava a vazar e o Sol iniciava caminhada para o ocaso. Tínhamos que voltar ao Aratu Iate Clube e dar por encerrado nosso passeio dominical.

03 - março (393) 

Seu Fróes passou o comando da Panela – nome de batismo da nossa embarcação – para o Ney e veio sentar ao meu lado. De início perguntou o que achei do passeio e respondi sem pestanejar que foi fantástico. Ele apontou outros canais em meio ao mangue e disse que tudo aquilo era navegável, mas pelo adiantado da hora não poderíamos ir. Lucia apenas sorria e matutava na ideia de um dia ancorar o Avoante naqueles recantos tão convidativos. O caminho de volta foi breve, porém, envolvido em sonhos e frases entrecortadas de deslumbramento.

03 - março (400)

O mar da Bahia cada dia me surpreende e fico a perguntar o que será que passa na cabeça dos homens do poder para deixa-lo tão a míngua. Se regiões como a Baía de Aratu fizesse parte de algum país que leve a sério suas paragens e natureza exuberante, jamais estaria tão esquecido. As páginas da história que por ali vivem jogadas ao leu, acabrunhadas pela vergonha do abandono, passam em nossa cara a imagem de um mal sem precedentes.

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O que vi está lá para todo mundo ver e o retrato que mostro aqui é apenas uma pequena imagem de uma navegada que me deixou encantado. Agradeço ao Everton Fróes e ao Ney, veleiro Malagô, por nos ter proporcionado uma tarde de verão tão maravilhosa.

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Não me canso de dizer: Não existe lugar no mundo melhor para navegar do que a Baía de Todos os Santos e seus afluentes.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Notícias do tempo, do mar e de nós

Dia 16 de abril saímos de Natal/RN a bordo do catamarã Tranquilidade com destino a Salvador/BA, numa viagem que planejamos em 10 dias de mar, porque programamos paradas na Barrinha dos Marcos – no canal de Santa Cruz/PE, praia dos Carneiros/PE e Barra de São Miguel/AL. A bordo, além de mim e Lucia, o comandante Flávio Alcides, Myltson Assunção e Geraldo Dantas. Para os navegadores e aqueles que estão familiarizados com os ditames do tempo, essa não é a melhor época para descer a costa brasileira, partindo de Natal, mas no mundo do mar nem tudo são flores. Bem, diante de um mar de faroeste e vento sul, demos início a nossa navegada no meio da tarde e confiantes que cumpriríamos nossa programação, mas na madrugada do dia 17/04, com a chegada da chuva, começamos a pensar em entrar em Cabedelo/PB e foi isso que fizemos no começo da manhã, porque o tempo fechou e prosseguir viagem, ignorando um porto apetitoso como o da praia do Jacaré, seria apenas uma forma de masoquismo de nossa parte e as previsões não prometem boa vida a quem insiste em navegar. As ondas devem ficar em torno de 1,5 a 3 metros entre Alagoas e Rio Grande Norte e muita chuva entre o RN e PE. Por enquanto vamos curtindo a chuva que cai lá fora nessa Paraíba aconchegante e amanhã voltaremos ao mar para prosseguir nossa navegada até a Barrinha dos Marcos. Tomará que o tempo e o mar assinem em baixio da nossa vontade. Quem quiser acompanhar a viagem e saber nossa posição, basta acessar o SPOT DO TRANQUILIDADE, que faz parte do BlogRoll do Diário do Avoante.

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Pancadas de chuva em parte do Brasil
No domingo (17/04), ocorrerão pancadas de chuva que podem ser localmente fortes, em grande parte da Região Norte, no MA, centro-norte do PI, CE, centro-oeste do RN e da PB e extremo sul do RS. O dia será bastante instável e podem ocorrer acumulados expressivos de chuva na faixa leste dos estados de PE, da PB e do RN. Nas demais áreas do país o dia será com predomínio de sol e as temperaturas permanecem elevadas.
Obs: Texto referente ao dia 17/04/2016-11h58 – Cptec/Inpe

Aviso aos navegantes

IMG-20160412-WA0020A Diretoria de Portos e Costas emitiu circular número 4/2016, datada de 01 de abril de 2016, desobrigando as Capitanias dos Portos, Delegacias e Agências da Marinha do Brasil da cobrança do documento de seguro obrigatório – DPEM – a bordo das embarcações até segunda ordem. A medida foi tomada devido nenhuma empresa seguradora querer comercializar o referido seguro. 

Uma bela noite a bordo do Fau

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Essa vida de morador de veleiro é mesmo cheia de boas energias, bons amigos e bons papos. Na última sexta-feira, 09/04, estávamos no Aratu Iate Clube, AIC, quando recebemos o convite do casal Augusto e Fátima, veleiro FAU, para um bate papo a bordo, pois eles estavam ancorados na marina Ocema vizinho ao AIC. O FAU é um catamarã Ocema 42, construído no estaleiro do mesmo nome e desenhado pelo Philippe Pouvreau, mesmo projetista do catamarã sergipano Dolfhin, um dos mais bem sucedidos barcos já produzidos no Brasil, e para nossa surpresa os outros convidados eram justamente o projetista e a esposa Bárbara. Foi uma noite divertida diante de uma mesa repleta de gostosuras produzidas pela Fátima, e vale ressaltar o sabor de um delicioso bolo de milho dos deuses, de um pão italiano recheado com pasta de alho e uma focaccia divina. Para temperar tudo isso, tivemos a alegria de uma verdadeira aula de engenharia de veleiros ministrada pelo Philippe que com muita propriedade destrinchou segredos da construção de catamarãs e monocascos. É um craque! Philippe anunciou ainda que já estão adiantados os projetos para retomada da produção do Dolfhin, com foco no mercado dos EUA, no estaleiro de Sergipe, porém, o Ocema 42 continuará sendo produzido em Simões Filho/BA. Agradecemos ao Augusto e a Fátima a noite memorável e incrivelmente educativa.       

Aratu Iate Clube promove passeio náutico

 

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O Aratu Iate Clube promove excelente programação para o feriado do dia 21 de abril, onde se comemora o dia de Tiradentes. A festa começa com uma Noite Portuguesa, na noite do dia 20, quarta-feira, com jantar e música ao vivo nas dependências do clube. Na manhã da quinta-feira, 21, a flotilha toma o rumo de Loreto, um fundeadouro fantástico por trás da Ilha do Frade, para um churrasco na beira mar, onde cada participante deve levar sua carne – que pode ser até picanha –, sua bebida e o clube providenciará gelo, churrasqueira e churrasqueiro. No decorrer da brincadeira serão sorteados alguns brindes ofertados pelo clube. No dia 22, sexta-feira, a flotilha aproa a praia de Salinas da Margarida onde será servido jantar e sorteio de brindes. Dia 23, sábado, é a vez da flotilha ancorar em Itaparica para brincadeiras, banho de mar na Coroa do Limo e a noite será servido mais um jantar no restaurante Portal das Águas. As inscrições podem ser feitas na secretaria do clube até o dia 17/04, ao preço de R$ 60,00 por tripulante e dará direito aos três jantares. Programa imperdível!

Retrato de um passeio pela Baía de Aratu – II

03 - março (342)

O tom elevado, um pouco puxado para o raivoso e deixando de lado a necessária parcimônia, que encerrei a primeira parte desse retrato, foi apenas um grito ao vento de um escrevinhador diante ao descaso da história de um povo, porém, espero não ter que meter os pés pelas palavras na sequencia desse relato, em que tento apenas mostrar um pouco de uma região magistralmente bela e que me deixou feliz em ter navegado num fim de tarde de verão.

A Baía de Aratu, foco maior desse retrato, é um mundo cercado por pequenos e grandes municípios, conglomerados empresariais, grandes portos, uma BR movimentadíssima e grandes extensões de terras prontas para serem invadidas por grupos de sem terras, sem tetos e afins, porque esse é o destino reservado às terras que se prestam ao longo de gerações a uma quase infinita especulação imobiliária. Basta alguém armar uma tenda e o que era especulação vira fumaça e peleja nas barras dos tribunais. Mas calma aí, que dessa vez não mudarei o rumo de nossa prosa! Isso foi só um cochilo. Será?

A carcaça largada a míngua do velho navio Maragojipe ficou para trás e logo surgiu uma pequena enseadinha convidativa para jogar âncora e apreciar o mundo. Por lá estava ancorado um veleirinho o que fez brilhar os olhos de Lucia, pois ela adora lugares assim. Dizem que o local é gostoso durante o dia, mas que o pernoite não oferece segurança, porém, ninguém soube informar se já ocorreram problemas. É a velha máxima da histeria coletiva que abafa sonhos e vontades.

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O comandante Fróes acelerou a lanchinha Panela e mais uma enseada surgiu denunciando uma verdadeira e descontrolada invasão de suas margens por bares, biroscas e casas feitas de restos de madeira e papelão. O lixo se estendia pela praia e famílias inteiras se divertiam ao som de músicas saídas de vários paredões ao mesmo tempo. Aquele já é um pedaço de território sem dono, sem controle e sem lei. Agora vai alguém querer fazer um empreendimento náutico ou simplesmente um píer para atracação? Seu menino, o bicho pega e pega bonito! Acelera Seu Fróes!

03 - março (352)

Ao lado da praia invadida está fincada a Belov Engenharia, pertencente ao velejador Aleixo Belov, onde foi construído o veleiro transoceânico Fraternidade. Em frente ao estaleiro estão adormecidas diversas embarcações e chatas de serviços, numa visão que incomoda e que dá uma dimensão da crise em que vive o setor petrolífero brasileiro.

03 - março (356)

Um pouco mais adiante avistamos uma ponte ferroviária cruzando a baía, mas antes de cruzá-la, no grande lago que se desnudou, avistamos vários locais onde se pode jogar ancora para bons momentos a bordo. O Fróes informou que outrora existiu uma regata até ali e que era batizada de Volta da Galinha. O porquê do nome e porque acabou não se sabe, mas devia ser uma boa diversão diante de uma bela paisagem.

A ponte magistral não mais recebe o peso dos vagões das locomotivas, porque, assim como o velho Maragojipe e outros tantos bens abandonados do patrimônio público, foi condenada a morte pelos arautos do progresso.

A história da ponte é extensão da Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco, que começou em 1852, com um Decreto Imperial, e foi a primeira a ser construída na Bahia e a quinta no Brasil. O canteiro de obras inicial foi instalado em 1858 no bairro da Calçada e a primeira seção foi inaugurada em junho de 1860, entre Jequitaia e Aratu. Ainda em 1860, no mês de setembro – porque aquele tempo trem andava ligeiro -, os vagões circularam na segunda seção, entre Aratu e Rio Joanes. Em 1861 inauguraram a terceira seção, entre Rio Joanes e Feira Velha, atual Dias d’Ávila. A quarta etapa veio em 1862, entre Feira Velha e Pitanga e por último, em 1863, a quinta seção entre Pitanga e Alagoinhas.

Em meio a desacordos de garantias e comprometimentos nebulosos entre empresários e burocratas, em 1935 o presidente Getúlio Vargas transferiu o patrimônio da ferrovia para a Viação Férrea Federal Leste Brasileiro e a partir daí os trens saíram dos trilhos e a história é contada apenas pelos lampejos nas lembranças de velhos e saudosos passageiros. O patrimônio público abandonado continua nos passando na cara o descaso com que os homens do poder tratam o dinheiro arrecadado pelos impostos. A ponte de Mapele e os trilhos abandonados não deixam a mentira ter pernas longas e escancaram o descaso com que tratamos o transporte público.

Rapaz, juro que eu queria tomar outro rumo nessa prosa, mas os dedos coçam e a consciência martela o juízo. Prometo novas cores na próxima página desse retrato.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Mais um velejador para singrar os mares do mundo

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Um amigo sempre diz que eu não tenho nada que pedir desculpas por passar alguns dias sem aparecer pelo blog, mas acho que tenho sim, porque compromisso é compromisso e quando me propus a por o Diário do Avoante no ar, foi com a ideia que ele teria atualização diária, mas como nem sempre é possível, vou navegando e dando bordos entre uma desculpa e outra. A desculpa dessa vez foi que estávamos mostrando a um novo aluno do nosso curso de vela de cruzeiro, como é a vida a bordo de um veleiro de oceano e quanto ela é prazerosa.

20160402_083426Pois bem, o Ricardo de Brasília, chegou e de cara já sentiu que a vida de velejador de cruzeiro é cheia de alegrias, boas amizades, extremamente irreverente e que nem sempre a turma está afim de dar uns bordos por aí, porém, é uma vida maravilhosa e que passa bem distante dos estresses produzidos pelas cidades.

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Como primeira aula, participou do churrasco de inauguração da churrasqueira do veleiro Intuição, do comandante Chaguinhas, que começou pela manhã, se estendeu pela tarde e culminou com o início da segunda aula, numa velejada noturna do Aratu Iate Clube até o Suarez, ou portinho da ilha de Bom Jesus – como queiram – , um dos mais gostosos e tranquilos fundeadouros da Baía de Todos os Santos. Foi uma velejada em flotilha, porque tivemos a companhia do veleiro Luar de Prata, do comandante Paulo, num percurso de pouco mais de 14 milhas.

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No segundo dia de aula, navegamos do Suarez até a ilha de Itaparica, num través gostoso, onde dividimos a ancoragem com os veleiros Ati Ati, do comandante Fernando e da grumete Erica, e do veleiro Remelexo, comandante Claudio e imediata Giordana. A noite foi de festa a bordo do Remelexo e mais uma vez o Ricardo sentiu a força da amizade que tempera a alma dos velejadores de cruzeiro.

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O terceiro de dia de curso para Ricardo foi uma navegada pelo Canal Interno de Itaparica, diante de uma paisagem de encantar, até a Fonte do Tororó, uma pequena cachoeira quase sem água, mas que oferece um banho de mar sensacional. Depois do almoço a bordo, emoldurado pela mata exuberante do Tororó, levantamos as velas e tomamos o rumo do fundeadouro da ilha da Cal, outro paraíso da Baía de Todos os Santos, onde passamos a noite. Aliás, na ancoragem da ilha da Cal não precisamos nem olhar para o Céu para ver as estrelas, basta olhar o mar para vê-las refletidas.

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No quarto dia voltamos a Ilha de Itaparica, onde o Ricardo desembarcou, para seguir para Morro de São Paulo, e nos fizemos o rumo do Aratu Iate Clube, navegando sob as cores de um belíssimo pôr do sol. Ricardo foi mais um aluno aplicado que desembarcou do Avoante focado no sonho de singrar os mares do mundo a bordo de um veleiro. Tudo que viu e viveu durante os quatro dias de curso temos certeza que ficará marcado em sua memória como dias maravilhosos e que jamais ele imaginou que teria. Fizemos questão de montar uma grade de curso em que a vivencia sobressaísse sobre os ensinamentos técnicos, porque assim ele veria que a vida a bordo de um veleiro não tem segredos e tudo não passa de um novo olhar sobre a vida, onde se busca a verdadeira interação entre homem e natureza. Desejamos sempre bons ventos e mares tranquilos ao novo velejador e desejamos um dia ancorar nosso veleirinho ao lado do seu em algum recantinho gostoso desse mundão de oceano.