Cartas de Enxu 56

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Enxu Queimado/RN, 16 de janeiro de 2020

Sabe minha irmã, durante a fração de vida vivida a bordo do veleiro Avoante, todo fim de tarde adorava sentar no cockpit para sentir o pulsar do coração da natureza, ouvir ao longe os ecos das vozes e sons que vinham das cidades diante da ancoragem e pedir bênçãos aos deuses para que aquele momento de paz, emoldurado pela magia do pôr do sol, que jamais se apresentou com a mesma roupagem, chegasse a cada pedacinho do planetinha azul, principalmente as bucólicas e aconchegantes comunidades ribeirinhas em que deixamos tantos e queridos amigos com água nos olhos. Agora, morando embaixo da sombra gostosa dessa cabaninha de praia, estendida sobre o chão de uma Enxu mais bela, tento repetir o velho costume, mas a vida urbana é complexa demais para aliviar a alma. – E o pôr do sol? – Pois é, o pôr do sol!

Grace, falando assim você pode achar que estou com saudade do mar e pode apostar que sim, mas vou driblando essa saudade diante da pequena nesga de oceano que consigo mirar da varandinha da cabaninha, só não sei até quando, porque as cidades exigem progresso e o progresso não aceita e nem reconhece caprichos. Aí você diria: – E porque não mora em uma casa de frente para o mar? Digo: – Bem que poderia, mas assim eu iria sonhar um sonho vivido, vivendo diante de um sonho sonhado. Ficou difícil de entender, não foi? Mas não se avexe, porque também é difícil de explicar, pois esse é um segredo que nem os poetas contam, porque não sabem contar e os que sabem não contam, por medo de perderem a conexão com a alma. – E o pôr do sol?

Minha irmã, dia desses descobri que não tenho mais tempo para o pôr do sol, não que eu não queira, mas a cidade não me permite. Quando morava em uma casinha balançante sobre o mar e meus passos deixavam poeiras de espumas e plânctons em uma esteira que se perdia em pensamentos, o pôr do sol era um quadro pintado e emoldurado por contornos mutantes. A hora da despedida do Astro luz era um grande momento de reflexão e redenção diante da indecifrável magnitude da natureza. Aquele espetáculo me dizia tudo o que era preciso saber daquele dia que se despedia, dos dias que viriam, e a ele me rendia de corpo e alma. Era uma vida medida pelos quartos de tempo e não pelos ponteiros do relógio. A madrugada com suas sombras era o primeiro quatro, o dia com seus brilhos era o segundo, a tarde com seus lusco-fuscos era o terceiro e a noite com seus mistérios fechava o ciclo da vida e assim o veleirinho seguia cambaleante e inebriado em sua saga de bem singrar os mares e nos dar prazer.

Grace, apesar dessa cabaninha encravada em meio a uma maravilhosa natureza viva, onde cantam livres os passarinhos e os alísios aliciam as dunas em um namoro desavergonhado, o pôr do sol visto da varadinha é notado apenas pelas cores pintadas na tela azul do céu e denunciado pelos rebanhos de carneiros que passam na rua de volta a segurança dos cercados. Sei das suas cores, sinto seu pulsar e até escuto o sussurro de sua voz querendo me falar as novidades, mas a inércia me prende sob a cabaninha e assim ele se vai. Ele tem paciência e sabe que um dia novamente estarei postado diante do seu altar. E eu? Fico perdido em uma angustiante desfaçatez.

Mas minha irmã, não se apegue aos meus lamentos, porque são apenas palavras ditas para anestesiar as dores da alma e sempre que posso, e algum amigo me atenta, largo o conforto da cabaninha e me posiciono diante do crepúsculo, mas confesso que não consigo decifrar as palavras que ali estão tão explicitas. Meus sentidos ficam dispersos em meio as vozes urbanas e por mais que tente manter a concentração nada consigo. O que me resta é me render diante da beleza, que nunca é igual.

Foi com esse sentimento que no segundo sábado de janeiro fui com amigos assistir ao espetáculo a beira mar. Levei a máquina fotográfica, umas cervejas geladas para variar, e caminhei sozinho em busca dos melhores ângulos. Naquele dia registrei os últimos movimentos do grande rei e até vi em seu olhar a esperança de me contar boas novas, mas baixei a vista, porém, sem antes deixar de notar em seu rosto um leve sorriso de alegria em me ver ali tão próximo.

Grace Lopes Mattos Barbalho, minha irmã caçulinha, desculpe essa carta tão carregada de insatisfações, mas hoje acordei com saudades do mar, do pôr do sol e precisava contar isso para alguém. A magia do crepúsculo solar sempre me fascinou, mas a partir do momento que soltei as amarras e me vi no mar, para mim ele se tornou um deus.

Quer saber? Venha aqui, minha irmã, venha e traga Jailson para falarmos mais sobre esse tema sobre as areias macias dessa prainha paraíso e prometo te levar para ver um dos mais belos pôr do sol do universo, apesar de eu estar momentaneamente alheio aos seus segredos. Venha, pois estamos na safra da azeitona e os pés estão todos carregados com frutos da melhor cepa. Venha e traga Ceminha, pois quem sabe ao lado dela, recupero a linguagem que vem do Sol.

Beijo!

Nelson Mattos Filho

Cartas de Enxu 55

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Enxu Queimado/RN, 08 de janeiro de 2020

Olá, comandante dos mares de Iemanjá e dos oceanos em que navegam as Naus das boas amizades, embaladas por ondas de afagos, risos, bons papos e temperadas com o néctar colhido nos mais puros canaviais das terras banhadas pelo belo Rio Cunhaú, “água de mulher” segundo o alfabeto tupi, que guarda no fundo do seu leito bons arquivos da história da nação dos potiguares.

Velejador, como vão os aprendizados, colhidos do alto da colina em sua aguçada observação, sobre o suave voo das velas que riscam as águas e dão ar de fascinação a Praia de Barra do Cunhaú? Para não perder a vez: Ergamos um brinde! Saúde!

Amigo, respondendo sua pergunta, feita nos primeiros passos deste ano que marca rumo ao futuro, sobre como estavam soprando os ventos nas bandas por onde o vento faz a curva, digo que sopram faceiros, preguiçosos e mornos vindos das paragens do Norte. Daí, lembro que o poeta arriscou falação e disse, enquanto jurava mentiras em sua caminhada solitária, que os ventos do Norte não movem moinhos e ainda bem que ele assumiu os pecados, pois se tivesse deitado o corpo sob o frescor das palhas do coqueiral dessa Enxu mais bela, veria outros segredos. Mas antes da correção dos incautos, vou dizer que a arte tem interpretações diversas e segundo se conta a boca pequena, os arrodeios do poeta de sangue latino contava a história do sofrimento de um povo, o que não é o caso desse aprendiz de escrevinhador que tenta ser o que não é e da varandinha dessa cabaninha de praia, olha para os modernosos e gigantescos catadores de vento, da eólica, apontados para os ventos que vem do Polo de riba e se arvora a desmiolar o juízo em palavreado amalucado e tomara ter respondido sua pergunta.

Érico, tenho andado meio disperso nos escritos, mas não é por falta de assunto, pois nesse povoado praia o que mais tem é assunto para assuntar. Porém, essa tal de rede social é bicho tinhoso para nos meter em caminhos tortuosos e ainda por cima é danada em nos enganchar em bate-boca e o pior, com gente que nem conhecemos nem mais gordo, nem mais magro, mas um tal de logaritmo afirma que somos amigos desde de criancinha e quando damos por fé, entre uma vírgula e um ponto, lá vai a “amizade” para o beleléu. Pois bem, a gente fica passando o dedo, para cima e para baixo, na telinha e nem percebe que o tempo passou e com ele as ideias dos escritos.

Comandante, a virada do ano por aqui foi na paz que sempre se deu e atesto que nem precisava das tais bandas que se apresentaram com repertório de nem sei o que dizer. Nas festas de Ano Novo, o largo da beira mar, uma pracinha de apetitosa areia branca, vira um grande salão de abraços, apertos de mão, declarações de amizades, crianças brincando despreocupadas, adultos em largos sorrisos e tendo as ondas do mar como testemunha e a Senhora dos Navegantes como fiel guardiã. As badaladas da meia noite são festejadas ao som do pipocar de fogos, que este ano disseram que foi pra mais de 13 minutos. Se foi ou se não foi não dou por certo, pois sempre me atrapalho com as bolhinhas do espumante e daí já viu, né! Juro que queria saber quem danado inventou essa história de beber champanhe em virada de ano. Se era para fazer espuma e esparramar pelo chão, bastava uma Brahma, num é não?

Mas a festança começa mesmo é pela manhã com a tradicional regata de fim de ano e este ano, para não fugir à regra e nem do costume da gozação, o barco de Pedrinho, com ele no governo, chegou em derradeiro. O pior, sempre que estou por aqui ele me convida para fazer parte da tripulação e até já gastei todo o rol das desculpas, mas por enquanto vou me livrando do mico, ou melhor, do burro, pois quem chega por último, ou comete a maior barbeiragem, tem que passear em meio a turma montado num burrico. Meu amigo Pedrinho, no comando do Brasil 1, não perde uma viagem!

Caro amigo, Érico Amorim das Virgens, naquele dia em que você perguntou sobre os ventos que estavam soprando por aqui, juro que imaginei que havia chegado a hora de ver a Musa jogando o ferro no portinho de Enxu e até pedi a Lucia que preparasse uma moqueca das boas e arrochasse na farinha do pirão, pois logo, logo você riscaria o horizonte, mas foi só a vontade, porque fiquei sabendo que seu belo paquete mais uma vez havia desbravado a brava barra do Cunhaú e naquele momento descansava feliz diante da estonteante paisagem que cerca as terras dos Santos Mártires. Porém, não esqueça que me deve uma visita, se bem que te devo bem mais do que uma, mas conta é assim mesmo, quando a gente deve dá preguiça de lembrar!

Amigo, deixa eu te contar um segredo: Ganhei uma garrafa de Samanaú envelhecida, presente de minha irmã Margareth, que vive me acenando, mas nem dou cabimento a ela. Que tal vir aqui para tirar essa história a limpo?

Grande abraço.

Nelson Mattos Filho

Cartas de Enxu 54

11 Novembro (137)

Enxu Queimado/RN, 30 de dezembro de 2019

Eh, meu irmão, já vai longe o tempo em que meu amigo Alexandre Jácome, Teltur Viagens e Turismo, falou das belezas da praia de Enxu Queimado e você endossou a parada dizendo que conhecia e por aqui havia passado algumas temporadas na companhia do seu compadre Alexandre Chaves, genro do Sr. Abrão, que possuía uma casa a beira mar e de varandas abertas para os alísios que sopravam por sobre as maravilhosas dunas móveis que se estendiam para o sul até a Praia do Marco. Quanto aos alísios, digo que ainda são os mesmos se bem que ultimamente estão soprando mais avexados e tirando onda em estações climáticas que tradicionalmente eles passam mais parcimoniosos. Coisas dos deuses da natureza! Quanto as dunas, de Enxu ao Marco, digo que receberam a intervenção criminosa dos caras pálidas, que chegaram com a cruz, as bandeiras e as armas do progresso, e hoje praticamente foram riscadas do mapa para dar vez a um gigante parque eólico. Coisas dos sapiens e de suas leis descompensadas! Porém, para não instigar falação, pulemos essa parte!

Pois é, meu irmão, Enxu continua um lugarejo descente, dotado de uma beira mar aconchegante e se olharmos com um olhar mais apurado, não mudou muito desde os verões dos anos oitenta e noventa. Sinceramente, acho até que adormeceu por longo período e acordou meio sonolento em pleno século XXI, tentando resgatar o passado, mas com o foco desnorteado nos horizontes de um futuro incerto. Dia desses sonhei acordado na lembrança dos balaios de bolacha doce e “fresco”- iguaria feita com goma e coco seco ralado – produzidos em fornos artesanais de barro nos quintais das casas e todas as tardes eram vendidos de porta em porta pelas crianças. Eram os bons tempos das casas de farinha, que existiam em quase toda localidade interiorana e que complementava a renda de famílias que se divertiam nas horas da farinhada. Meu irmão, tudo isso ficou para trás e o que restou das velhas casas de farinha foi abandono, promessas politiqueiras e saudações a mandioca, como se palavras jogadas ao vento resolvesse alguma coisa. Como bem diz um velho ditado potiguar: Conversa fiada foi o que fechou o bar cova da onça!

Idio, sou saudosista sim e até tento controlar esse instinto tão cruel para o ser humano diante desses tempos modernosos, em que a razão se perde em meio ao nada e os antigos costumes culturais, para muitos, não passa de balela contada pela história dos povos. Aliás, a defesa da cultura nesses dias em que a década se encaminha serelepe para a entrada do ano derradeiro, não passa de discursos raivosos contra o corte das verbas que abasteciam os sabidos. Acredita não? Pois então bote na vitrola qualquer LP de Gonzagão ou ouça as prosas do Jessier Quirino! Os tempos eram outros, meu irmão! Quer ver coisa esquisita? Tente assistir uma apresentação de foguedo, sem se espantar com a descaracterização que está causado a morte de raríssimas raízes culturais! Tente participar do que ainda resta das festas de padroeiro, Brasil afora, sem se espantar com o esvaziamento dos costumes e a tristeza que ecoam das ladainhas! Entre em qualquer repartição pública que “cuida” da cultura e peça informações sobre tal! É duro, meu irmão, é duro!

Já sei, você está doido para saber sobre a cultura daqui, num é? Pois vou contar assim: A cultura aqui é do mar, das redes de pesca, das jangadas, dos paquetes, dos botes, dos balaios de pescado, da vida ditada na dança das palhas do coqueiral, mas ela está agonizante e jurada de morrer na praia. Dizem por aí, que quando o homem perde o rumo de sua história, sua alma definha até renascer sem os princípios que o fizeram homem. Será verdade?

Meu irmão, juro que não queria azucrinar seu juízo com coisas que fugissem dos limites dessa prainha paraíso, pois queria mesmo era despertar em você a vontade de rever o que um dia encheu seus olhos, mas tem coisas que não caminham longe de outras e por mais que tenhamos o cuidado de desviar dos obstáculos, mais damos de cara com eles. Porém, venha aqui, meu irmão, venha jogar conversa fora sob a sombra dessa cabaninha de praia. Venha estirar a rede na varanda para tocar sua viola. Venha rir da vida e lembrar da vida vivida. Venha sentir o cheiro do mar e caminhar despreocupado por uma beira de praia encantadora. Venha receber o sorriso largo e o abraço de um povo que tenta resistir as desventuras. Venha olhar as estrelas do céu, que por aqui são mais brilhantes. Venha acompanhar o belo passeio da Lua sobre o manto negro do firmamento. Venha assar castanha numa fogueira sobre as dunas para degustar o verdadeiro sabor da terra e venha sem pressa, pois de carreira já basta o tempo.

Idio Nogueira de Mattos Neto, nesse pezinho de nada que falta para findar o ano, dias de luar em quarto crescente, o convite está feito, mas nem precisava, porque minha casa é sua casa e na casa da gente precisa de convite não. Mas digo uma coisa: Se não trouxer a viola vai ter que voltar para buscar. Venha e traga sua trupe pois aqui tem escapas para um monte de rede e o tacho da moqueca é grande.

Beijos em tu e em Neném!

Nelson Mattos Filho

Natal 420 anos

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Ah, Natal, sempre me pergunto qual terá sido o mal que você fez para receber tanto castigo. Logo você, uma cidade outrora tão linda, tão mágica, tão tranquila, tão fascinante, tão hospitaleira, tão bucólica, iluminada por uma áurea que bem lembrava a brilhante estrela do oriente que marcou época e mudou a história do mundo. Logo você, fundada em um belo dia de Natal e por bem foi batizada. Que tristeza vê-la assim tão maltratada, sobrevivendo as custa de migalhas, caminhando cambaleante em meio ao caos, assustada e sem ao menos ter um porto seguro que lhe dê guarida. Quando nos seus primórdios, foi guardada e resguardada por uma enorme e segura fortaleza com nome de Reis, fortaleza essa que hoje só resiste por obra e graça de uma engenharia que os bancos de universidade não ensinam mais, porque se fosse pela vontade dos homens, há muito estaria riscada do mapa sem restar pedra sobre pedra.

Sabe, Natal, fico pensando no que diriam seus fundadores, seus defensores e todos aqueles que deram sangue e suor para lhe ver altaneira e próspera. O que diriam os invasores se a visse assim tão cruelmente abandonada e malcuidada? Será que fariam como os amantes que se separam e quando se reencontram no futuro sentenciam em pensamentos: Me livrei de uma boa! Não, Natal, você não merecia isso!

Sinceramente, minha cidade querida, ultimamente não gosto de caminhar pelas suas ruas, pois não a reconheço em nenhuma esquina. Alguns cronistas, saudosistas e historiadores ainda tentam elevar sua estima em textos lindos e poéticos, mas sua alma lê, sorri pelo canto da boca e se fecha na solidão da sua tristeza. Aliás, vou confessar-lhe uma coisa: Para mim, o único potiguar a honrar sua história e elevá-la ao alto, mesmo dizendo ele que você “…não consagra nem desconsagra ninguém”, foi Luís da Câmara Cascudo, os demais, são apenas os demais. Cascudo lhe amava e você amava Cascudo. Era uma paixão sem poréns, encantadora, de olho no olho, de coração entrelaçados, de mãos unidas em um fascinante passeio de namorados. Você era a alma de Cascudo e ele era a sua essência! O que diria o grande mestre ao vê-la hoje? Acho até que sei a resposta, porque o mestre, de tão apaixonado por ti, relevaria os desmandos colocando tudo em brancas nuvens.

Querida cidade, não sei se me viste, mas dia desses tentei passear despercebido pelas ruas do centro para tentar sentir seus cheiros, sua respiração, as batidas do seu coração, o calor do seu abraço, o eco dos seus risos, o olhar acolhedor de seus habitantes, porém, minha indignação me denunciou. E olhe que era bem próximo desse seu aniversário e os mandatários haviam armado palanque para shows e criado uma passarela iluminada em parte da Rua João Pessoa. O que presenciei foi uma maledicente decadência e me veio a saudosa lembrança de quando o centro da cidade, nos períodos natalinos, era uma alegre reunião de transeuntes em cada pedacinho de calçada e o comércio rindo do tempo. Pois é, Natal, você era sinônimo de alegria!

O retorno para a casa de Ceminha foi penoso, ainda mais quando me deparei com a pobreza da decoração no canteiro central da Av. Hermes da Fonseca. Um sino aqui, outro acolá, poucas estrelas que mais parecem cruzes sobre as árvores, tudo compondo um cenário desfigurado e desbotado. Se era para demonstrar tristeza e desencanto, era mais salutar que a prefeitura mantivesse o dinheiro nos cofres para gastar em frentes mais necessitadas. Aliás, a prefeitura gastou uma nota preta na contratação de grandes artistas nacionais que foram distribuídos em vários – como diz o modismo tosco – polos, mas não dou conta, pois não assisti nenhum, como também não cheguei a ver – quem sabe hoje – a árvore iluminada, que dizem ser a maior do Brasil, ao lado do viaduto de Ponta Negra. E por falar em Ponta Negra, acho melhor nem falar!

Eh, Natal, desculpe esse meu mal humor e essa visão tão cruel sobre você, ainda mais no dia de seu aniversário e acho até que você não merecia palavras tão duras vindas de um apaixonado, mas tinha que desatar o nó que estava em minha garganta. O ditado diz que quem ama fala mesmo e por isso me atrevi. Desejo que os ventos alísios que acariciam seu litoral e as águas do Atlântico que te banham, levem para longe essa tristeza e tragam de volta a alegria, o aconchego e o calor humano que em outros tempos fizeram de você a linda Cidade do Natal, Natal de nascimento, de esperança, de renovação, de boas novas, de renascimento, da maravilhosa luminosidade da Estrela do Oriente que foi seguida com muita fé pelos Reis Magos, sabendo eles que aquela estrela era o farol de uma nova história para o mundo. Natal, a cidade dos Reis Magos!!!

Parabéns, Natal, e mais uma vez peço desculpas pelas palavras. Te amo!!!

Nelson Mattos Filho

O Rio Grande do Norte no topo do surf mundial

Italo Ferreira

O surfista potiguar, Ítalo Ferreira, natural da Praia de Baía Formosa/RN, é o novo campeão mundial de surf, conquistado hoje, 19/12, nas ondas de Pipeline, point sagrado do surf. Essa é a 4ª vez, em seis anos, que um surfista brasileiro sobe ao alto do pódio. Em segundo lugar ficou o também brasileiro, e campeão de 2018, Gabriel Medina. É o Brasil no topo do surf mundial e fazendo história! 

Aviso aos navegantes

11 Novembro (209)

A Marinha do Brasil anuncia ventos de sudeste de 61 km/h e ondas que podem atingir 2,5 metros de altura, no litoral entre Rio Grande do Norte e Maranhão, a partir desta sexta-feira, 20, até terça-feira, 24/12. As Capitanias dos Portos pedem que as embarcações menores permaneçam no porto e que os comandantes das demais embarcações observem os avisos de alerta.  

Meu Amor

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No capítulo “Ama e faze o que quiseres”, do livro, O Coração é Para Amar, de Dom Nivaldo Monte, fala do amor que existia entre Floyd Odlum e Jaqueline Cochran, ambos americanos do Norte, ele advogado e ela piloto de avião de caça durante a Segunda Guerra. Segundo consta, o caso de amor era tão intenso que um amigo deles fez a seguinte definição: “Eis aí um dos maiores casos de amor de todos os tempos. Tudo o que ela faz gira em torno dele e ele fica encantado com tudo que ela faz”.

Amor, hoje é mais um dia de comemorar seus anos de vida e mais do que nunca tenho motivos para celebrar essa data, porque a festa é sua, mas sempre você teve o prazer e a alegria de demonstrar que o presente é para mim. Desde que estamos juntos, e isso já se vão trinta longos e maravilhosos anos, o nosso amor foi incondicional, mas com a explicita condição de que seriamos um só ser e assim estamos intrinsecamente ligados sem mais e nem poréns.

Que bom te amar! Que bom viver essa vida de unidade em mão dupla! Que bom servir ao seu amor! Que bom ser servido por um amor com a força de zilhões de megatons! Que bom te abraçar a cada momento, sem motivos ou razões, apenas pelo prazer de sentir o calor e a maciez de sua pele! Que bom sentir seu cheiro, que sinto mesmo quando você se afasta de mim por mais de uns metrinhos qualquer! Que bom sentir sua falta, apenas porque saiu da sala para o quarto, do quarto para a cozinha, da cozinha para a varanda! Que bom chamar amor, apenas quando não sinto sua presença e nem a vejo ao menos de relance! Que bom saber que você só dorme depois que eu dormir, apenas para ter a certeza que estou bem e em paz! Que bom ter você sempre em meus sonhos! Que bom estar sempre observado pelos seus olhos atentos e vigilantes! Que bom saber da sua incrível capacidade de se superar em tudo! Que bom presenciar diariamente sua alegria ao acordar, mesmo que as dores da alma tenham lhe maltratado durante a noite! Que bom que você existe em minha vida, meu amor, e que bom poder todos os dias acordar, dar um bom dia, dizer que te amo e que você é linda!

Parabéns, meu amor, e digo mais, não tenho motivos para ter inveja, até porque essa palavra nunca foi parte entre nós, do casal Floyd e Jaqueline, que através do livro de Dom Nivaldo, virei fã. Apenas queriam que eles soubessem que a semente do amor que eles plantaram se perpetuou.

Beijos e que a vida me reserve o prazer de poder dizer que te amo por muitos e muitos anos!

Nelson Mattos Filho