Esperança para os velejadores presos em Cabo Verde

csm_csm_veleja001_f1fe9298c5_30794d67b3O caso dos três velejadores brasileiros e um francês, tripulantes do veleiro Rich Harvest e condenados no arquipélago de Cabo Verde, a dez anos de prisão, por tráfico internacional de drogas, ganhou mais um capítulo e com boas perspectivas de um final feliz para os quatro velejadores. A polícia espanhola prendeu na última sexta-feira, 15/06, um foragido da justiça, acusado de tráfico internacional de drogas, e acredita que o mesmo seja um dos proprietários do veleiro. O francês e os brasileiros sempre juraram inocência e com a prisão do suposto proprietário, esperam que o processo seja revisto.

Relembre o caso: A Lição; E afinal; Velejadores brasileiros são condenados em Cabo Verde 

Anúncios

O moído da carta de Colombo

2018-06-07t024820z-2104059922-rc144a2a8df0-rtrmadp-3-usa-spain-columbus-documentCristóvão Colombo navegou pelo Atlântico, a mando de reis e rainhas, em busca de terras que alguns diziam existir  e encontrou o que nem sonhava. A história do navegador está escrita na espinha dorsal dos contos das Américas, desde que em 1492 ele aportou sua Nau nas águas das Antilhas e a partir daí, as terras de além-mar viraram o que é hoje, um balaio de gato da molesta dos cachorros, mas tudo por culpa dele e dos que vieram no rastro das espumas de seu veleiro. Aliás, contam as más línguas, que a história da vida de Colombo é cheia de pontos que não casam com vírgulas, exclamações que mais parecem interrogações e parágrafos que não se encaixam no texto. É como se diz no popular: História meio encardida. Mas tudo bem, o que vale é que o navegador, que ninguém até hoje sabe ao certo a nacionalidade, descobriu oficialmente as Américas e tem até uma estátua chantada em pleno coração de Nova York, apesar de protestos dos defensores dos peles vermelhas, povo que pagou caro por ter dado boas vindas ao navegante visitante. Pois bem, como toda história mal contada deixa sequelas para sempre, uma das cartas do navegador, que estava exposta em um museu da Espanha, foi roubada anos atrás e bateu meio mundo até chegar as mãos inocentes de um brasileiro, por uma bagatela de uns milhõezinhos bestas, que ficou na moita até que um dia a mutreta foi descoberta pelos homens da lei, e estes, depois de muito papo furado, pegaram a missiva histórica e levaram para a guarda de Tio Sam, até que o quiproquó fosse resolvido, e foi. A roubada, ou melhor, a carta, pertencia aos arquivos da Biblioteca da Catalunha, desde de 1918, e foi surrupiada em um dia qualquer entre 2004 e 2005. Na carta, Colombo narra para a rainha Isabel, que havia liberado a bufunfa para a gastança da viagem, o início de sua aventura as “Índias Orientais” e até depois de retornar continuou apostando que havia mesmo ido a Índia. Ou será que ele foi na índia? Sei lá! Bem, esse moído é apenas para dizer que a “carta roubada, da roubada” voltou as mãos dos espanhóis e estes ficaram muito felizes. Ponto final e quem quiser que conte outra! – E o ovo? – Que ovo? – O ovo de Colombo! – Ah, sim, mas essa história é velha! – E a carta também não era? – Homi, deixe quieto que depois eu me avexo a falar do ovo, viu! Tchau!            

Cartas de Enxu 26

10 Outubro (14)

Enxu Queimado/RN, 06 de Junho de 2018

Eh, meu amigo Venício, acho que chegamos finalmente ao tão sonhado século XXI. Você lembra, claro que lembra, das invencionices contadas pelos nossos pais de como seria o mundo quando chegássemos ao ano 2000? Falavam em carros voadores, passeios espaciais, moradias em Marte e outras milongas mais. Seríamos os Jetsons em carne e osso. Eita que era bom ouvir aqueles moídos e sonhar com a vida daquela família que era o futuro puro e simples. Pois é meu amigo, com dezoito anos de atraso, nada demais em se tratando de ciência, finalmente vemos os primeiros carros voadores tomarem os céus das cidades e, por incrível que pareça, sem chofer. Rapaz, é muita onda, viu!

Aí você irá pensar assim: – Onde danado Nelson tá vendo essas coisas? Será que em Enxu já tem carro voador? – Hahaha, tem não meu amigo, me assunto mesmo é pela tal da internet, que tomou conta desse planetinha azul, de cabo a rabo. Deito na rede, acessando a grande rede, que esqueço do mundo, enquanto os assuntos mundo afora chegam avexado que nem ontem. – Entendeu? – Nem eu, vôti!

Pois bem, abri a telinha e lá estava dizendo que o povo do Google tá nos finalmente para fazer um carro levantar voo e a geringonça se chamará Flyer. Só não vi se terá modelo L, LX, LG, XL ou 1000. Vou perguntar a Luciano de Tita ou a Rodrigo de Paula, os dois mecânicos mais afamados daqui, pois eles devem de saber alguma coisa. Mecânico sabe tudo e um pouco mais! Tomara que eles saibam, pois senão souberem vão é rir da minha cara. – Onde danado tu ouvisse essa mentira Nelson? – Onde já se viu carro voar? – Quem voa é avião! Parece que estou vendo a resenha!

Mas Venício, não é só o doutor Google que se meteu a fazer carro avoar, não, pois os meninos do Uber fizeram pareia com os galegos do 7 a 1, se adiantaram na trapizonga e até botaram os xeiques das arábias para voar num carro drone, cheinho de ventilador no teto. Meu amigo, ria não, pois se os homens das arábias se ariscam em tapetes voadores, imagine num carro que avoa! Isso é besteira pouca! Homi, agora eu vou contar: Dia desses, me chega um amigo, vindo lá das alagoas, e tira do bisaco um drone, dizendo ele que iria bater uns retratos. Ligou o bicho, as hélices começaram a giram fazendo um zumbido que nem uma ruma de muriçoca, as luzes começaram a piscar, meu amigo testou os controles remotos e lá se foi o estranhento pegando altura. Pois quando o bicho emparelhou com as cachadas de cocos do coqueiro, deu um pé de vento que se não fosse a ligeireza do controlador, em trazer o mosquito de volta ao terreiro, era bem capaz do danado ter ido parar nos quintos do judas. – Meu amigo, ninguém tira brincadeira com os alísios do Nordeste quando eles estão apoquentados, não! Vai brincar pra tu ver a cor da chita!

Ei, mudando de voo de carro para voador, você sabia que em Enxu tem caviar? Pois tem! E dizem que o caviar tem o mesmo sabor do que é produzido no estrangeiro, só que o de lá vem da ova do esturjão, peixe que nada nas águas da Rússia e do Irã, e são os mais famosos e mais caros do mundo. O nosso é o primo pobre e vem da ova do peixe voador, peixe que no mar entre Enxu Queimado e Caiçara do Norte, dá que só peste. A ova é pega, pelo menos aqui é assim, com uma armadilha feita com os galhos que sobram dos cachos de cocos, que são lançadas ao mar para os peixes depositarem as ovas. Tem barco que chega com mais de 500 quilos de ova em cada viagem, e entregam o produto aos atravessadores na faixa entre R$ 7,00 e R$ 10,00 o quilo. O que acho estranho é que nessa região ninguém sabe como beneficiar o produto para consumo, o que para mim é um pecado. A ova do voador é uma iguaria rica na cozinha japonesa, que eles chamam de Tobiko, e são comumente utilizados para rechear sushis e outros pratos. Mas fazer o que, num é? As coisas são como são e quem sabe um dia apareça um filho de Deus por essa região para ensinar os segredos dessa iguaria.

Pois é, meu amigo Venício Gama Pacheco, por aqui as coisas vão indo assim e vou contando aqui, acolá como elas são. Fico imaginando no dia em que chegar por aqui os carros voadores e dentro de um deles, buzinando aos quatro ventos, meu amigo Pedrinho de Lucinha aboletado em um deles. Vai ser onda, viu! Quanto ao caviar do voador, até já comi uns sushis com aquelas bolinhas coloridas, só não sabia de onde saía aquela delícia, mas agora já sei e juro que gostei pra valer. Do caviar do esturjão já provei e digo que nem achei lá esse babado todo, mas parodiando Zeca Pagodinho, “…já tirei essa chinfra…”.

Caro amigo, vou ficando por aqui viu, porque a noite já vai alta e Lucia já está com os olhinhos miúdo de sono. Beijo em Sandroca e outro para tu.

Nelson Mattos Filho

Cartas de Enxu 25

IMG_0002

Enxu Queimado/RN, 03 de junho de 2018

Caro amigo Peralta, que danado de mundo é esse tão cheio de peraltices? Pois é, meu amigo, a coisa está esquisita, como bem disse um amigo, morador dessa Enxu mais bela. E por falar nisso: Quando você dará o ar da graça por aqui? Já se foi tempo que botasse os pés nessas areias, viu! Tá bom de se achegar novamente para ver como as coisas mudaram e nem as dunas são mais as mesma, pois deram um chega para lá nos montes de areia e plantaram uma colossal floresta de cata-ventos. Ficou uma paisagem surreal, que enche os olhos do povo que adora falar em progresso, mas para um saudosista inveterado como eu, restou apenas lembranças e interrogações sem respostas.

Velejador, você bem sabe que esse negócio de deitar o esqueleto numa rede para ver o tempo passar e coisa medonha de boa, mas deixa o caboco cheinho de confabulança, porém, assim mesmo que é bom, ainda mais quando a redinha, macia e cheirosa, está esparramada numa varandinha ventilada e perfumada pelas palhas verdes de um coqueiral. Pois é nessas horas que me avexo em curiar os noticiados deste planetinha azul e foi daí que li na coluna do jornalista Woden Madruga, assentada no jornal Tribuna do Norte, periódico que em tempos idos rabisquei páginas e páginas do Diário do Avoante, de que o mercado de livros no Brasil está caminhando avexado para o volume morto e no período entre 2006 e 2017 encolheu 21%, com os escritos de obras de ficção e não ficção liderando a queda com 42%. O povo num lê mais não, meu amigo! Só quer saber de zap zap e, como diz Woden, “faicebuqui”, e mesmo assim se for texto com, no máximo, duas linhas e com fundo colorido.

E por falar em livros, nas calmarias dessa prainha gostosa tenho lido um bocado e até dei por fim o primeiro volume da biografia do inglês Winston Churchill, caboco bem colocado nos anais da história do século XX. O inglês era bom e assinou o jamegão em uma ruma de passagens históricas do mundo em meio ao reboliço de duas grandes guerras. Agora estou pegado com os pecados e mistérios de Pilar, uma maranhense arretada e personagem principal do livro, A mãe, a filha e o espírito da santa, do autor PJ Pereira. Sei não, viu meu amigo, mas esse mundo da fé é meio desvairado!

A rede deu um balanço e dei de cara com notícias estelares insinuando que o mundo das estrelas tem, por baixo, uns 100 planetas habitáveis. – Será verdade, professor? Se assim for, o futuro será o céu e as estrelas. O problema vai ser fazer os homenzinhos verdes acostumar com nossas maruagens. Os estudiosos terráqueos apostam que em menos de 15 anos teremos a resposta se os orelhudos verdes existem de verdade ou tudo não passa da nossa fértil imaginação. – Será que tem funk? – E batidão? – Vixe, se não tiver eu pego o primeiro foguete!

A rede foi, voltou, a página virou e as notícias continuaram nas estrelas e dessa vez anunciando que a lixeira espacial está de vento em popa, com mais de 500 mil detritos vagando sem rumo sobre nosso quengo. O problema é sério, pois não tem ninguém na Terra com vontade de resolver a bronca. Os sabidos só sabem jogar as gerigonças para cima, mas nenhum tem o discernimento de saber quando, como e se um dia o rebolo volta. Ainda bem que Enxu fica num pedacinho quase invisível do mapa do mundo e acertar um alvo tão pequeno, só mesmo se for por azar.

Peralta, e a greve dos caminhoneiros? Seu menino, até aqui nessa vilazinha de pecadores a coisa deu ruim e até hoje, 03/05, dias depois que os polícias engrossaram a voz, ainda tem prateleira vazia. A padaria já anunciou que vai parar por falta de farinha, a batata inglesa virou pepita de ouro e assim vai a reza. A gasolina nem se fala, pois para falar tem que pagar. E o diesel, motivo maior da greve, ninguém sabe, ninguém viu e ninguém aposta que vá baixar de vera. As más línguas dizem que baixa e o governo vai pagar a conta inteirando o valor que faltar, e como ele é nós, quem paga é nós. Dizem que a Petrobras é nossa. – Como nossa, cara pálida? – Minha parte é só para pagar pelo prejuízo, é? – Vots, pode me tirar dessa sociedade!

João Jorge Peralta, velejador e professor arretado, desculpe encher seus miolos com esses moídos sem pé, nem cabeça, mas é, como disse no início dessa missiva, confabulações criadas enquanto balanço nessa redinha aconchegante e observo o balé do coqueiral. Venha aqui meu amigo, venha ver a vida por uma visão mais humana, mais simples e sem os cacoetes das grandes cidades. Venha espichar o corpo numa rede para esperar as respostas da alma. Venha saber com quantos paus se faz uma jangada e se inteirar dos segredos existentes na trama das costuras das redes de pesca. Venha, meu amigo, e venha logo, pois estamos na abertura da temporada da pesca da lagosta e por aqui a produção é decente. Quem sabe sobra algumas para enfeitar a churrasqueira!

Abraços.

Nelson Mattos Filho

Histórias de quem vive no mar

Screenshot_2018-06-01-18-54-54Screenshot_2018-06-01-18-57-10 Tem coisas que enche nossa alma de felicidade, principalmente quando recebemos o carinho e a atenção de pessoas que tão pouco conhecemos, ou nem conhecemos, mas que nos tem como referência para a realização de sonhos e histórias de vida. Foi assim comigo e Lucia, quando embarcamos em uma bela e enigmática história de um livro de aventura que mudou definitivamente o rumo de nossas vidas. Obrigado Heloísa Schurmann, por escrever o livro, Dez Anos no Mar, porque sem ele, jamais teria existido um certo casal Avoante e seu velho Diário. Hoje me deparo com o Blog Barlavento, editado pelo Tiago, e para surpresa, contando um pouco da nossa história e de outros casais, que um dia apostaram que o mundo do mar tinha muito mais a oferecer do que a maluquice extremada existente nas ruas de uma cidade qualquer. Plagiando Adriano Plotzki, velejador e editor do canal Hashtag Sal, digo assim: “Apenas alguns segundos sobre o mar, nos faz repensar prioridades”. Mar, reino encantado, guardião de sonhos e sonhadores, eternamente te renderei reverências! Obrigado Tiago!   

De olho no tempo

mapservObservando a imagem do mapa do Brasil, bem bonitinha e, como se diz no popular, de cabeça para cima, nos faz até esquece que estamos em um país virado de ponta cabeça e bem longe de sair do buraco em que se meteu. – Mas antes que você comece a apontar o dedão para um e outro, aponte primeiro para você, viu! – Sim, e o que danado você quer dizer com isso? – Homi, nada não, quero apenas falar da previsão do tempo. A indicação para o final de semana é de céu enuveado  com pancadas de chuvas fortes e isoladas em alguns recantos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Para quem pretende ir ao mar, acho bom dar uma revisada nos manuais de segurança da boa navegação, pois lá fora a coisa não está para muita brincadeira. – E o que dizem os meninos do CPTEC/INPE? 

Condição de chuva na faixa norte e leste do país

Neste sábado (26/05), ocorrerão pancadas de chuva, localmente fortes, em parte do centro-norte do AM e PA, em RR e no AP, no norte do MA, do PI e do CE. No litoral da BA e no ES o dia será de chuvas periódicas com condição para acumulados significativos. Nas demais áreas do litoral leste do Nordeste o dia será com chuvas isoladas e de fraca intensidade. Haverá bastante nebulosidade e chuva de forma isolada entre o litoral do PR e de SP.

Obs: Texto referente ao dia 26/05/2018-08h50

A história esquecida em meio ao cal

06 junho (72)06 junho (74)

Sou bairrista sim, e adoro bater pernas pelos recantos desse Brasil mais belo impossível, porém, em muitas dessas caminhadas fico frente a frente com os desmandos e desmazelos de um país terrivelmente carregado de normas e leis, em que algumas, de tão esdruxulas ou escrachadamente burocratizadas, não conseguem sair do papel. E vou logo alertando aos que em tudo despejam ideologias de cartilhas baratas: – Antes de mirar no momento presente,  olhe de banda e reflita o que se deu no passado longínquo e recente, viu! – Sim, e o que isso tem a ver com a capelinha e a placa “profanada” do retrato aí em cima? – Digo! A igrejinha, que infelizmente não consegui saber qual santo homenageia, está fincada numa minúscula comunidade na beira da estrada, BA 880, que liga o famoso município de Santo Amaro da Purificação/BA, terra de Dona Canô, ao distrito de São Tiago do Iguape, uma joia encravada nas margens do Rio Paraguaçu e pertencente ao município de Cachoeira/BA. Pois bem, a capelinha, pelo que consegui tatear por entre a tinta maledicente que encobre a placa, foi construída no início do século passado, reerguida em 1918, após um incêndio, e reconstruída em 1920 por um tal Bel. José Augusto… (não consigo identificar o sobrenome). Fotografei a capelinha em junho de 2016 e juro pelo santo homenageado, que nem sei se a construção ainda está de pé, neste 2018, pois naquele tempo a estrutura pedia encarecidamente que aparecesse outro Bel. José Augusto, para lhe proporcionar uma sobre vida. – E o IPHAN, aquele órgão “tão bem intencionado” com as coisas do patrimônio cultural, material e artístico das terras de Pindorama? – E os movimentos culturais? – E as políticas públicas? – O que? – IPHAN, movimentos, políticas públicas? – Homi, tenha fé em Jesus! E assim, com placas borradas com mão de cal, vai sendo rabiscada a história desse povo varonil. Um dia a gente toma jeito!