Nanã

MARGARETH

Eh, Nanã, há mais ou menos sessenta dias lhe vi pela última vez e desde lá guardo com muito carinho aquele dia, porém, com uma pontada de ressentimento, porque ao sair de seu apartamento, ainda quis voltar para lhe dar um abraço, pedir um café apenas para ficar momentos a mais, ou até mesmo tomar um copo d’água, mas não, entrei no carro e voltei para casa.

Naquele dia você me pediu para ir a sua casa trocar o garrafão de água mineral que havia acabado e João estava viajando. Respondi que iria no período da tarde, porque naquele momento estava muito ocupado. Você disse que não tinha tanta pressa, pois restavam duas garrafas com água. Passei a manhã encucado achando que haveria outro motivo para o seu pedido e assim que desocupei fui imediatamente. Aliviei o coração quando vi que não existia outro motivo, era mesmo para trocar o garrafão, sorri por dentro e pensei: “Coisas de Margareth. ”

Mesmo ressentido em não ter voltado para um papo a mais, retornei para casa feliz e a noite comentei com Ceminha que tinha ido a sua casa trocar o garrafão de água mineral. Ceminha deu uma risada e comentou: “Coisas de Margareth.” Rimos os dois. Poxa, Nanã, como me senti feliz naquele dia e nem imaginei que apesar de nos falarmos diariamente, até mais do que duas vezes, aquele tinha sido nosso último encontro.

Hoje faz trinta dias da sua morte e não consigo acreditar que você nos deixou. Ainda escuto suas palavras, seus conselhos, vejo seu andar tranquilo, sinto seu olhar frágil e sempre vigilante. Na ânsia da saudade, todas as manhãs, vasculho o telefone em busca do seu Bom Dia, mas ele não está lá. Quanta saudade, minha irmã! Quanta saudade! Até quando viverei essa busca?

Nosso Senhor Jesus Cristo sabe da minha angustia e revolta quando fiquei sabendo que a doença tinha voltado e você estava novamente naquele hospital. Ele ouviu minha revolta em ensurdecedores gritos silenciosos, mas não disse nada, apenas durante a noite acalmou meu coração e amanheci calado e com o coração doloroso. Se Ele perdoou e se um dia perdoará minha ira, não sei, mas Ele me fez calar e, como penitência, me levou a 15 longos dias de reflexão, até o finalzinho da tarde de 09 de agosto de 2022, quando recebi mensagem de Marília dizendo que você estava na UTI em estado muito grave. Naquele momento eu já sabia, Nanã, não sei como, mas eu já sabia. Fui correndo para o hospital, mesmo tendo a certeza que não a veria. Sentei com Fabio, seu genro, num banco do jardim do hospital, tentando refrescar a cabeça, e quando Marília saiu da visita, chorando e ainda fazendo planos para a visita do dia seguinte, eu sabia que não teria mais visitas. Aquela havia sido a última. Ao chegar em casa comentei com Lucia que você não estava mais entre nós. Não chorei! À noite, 22 horas, você se foi! Não chorei!

Na sua missa de Sétimo Dia recebi do Nosso Senhor Jesus Cristo, pelas palavras do padre Francisco Fernandes, as respostas ao momento de revolta que tive para com Ele. Baixei a cabeça e chorei, Nanã, e continuo chorando até hoje, por você, por Ele, por minha pouca fé, por ver Ceminha, ali sentada, em frangalhos mas firme como uma rocha, escutando o padre, tão resignada, tão fiel, tão triste, tão frágil, tão forte. Deus se materializou sobre nossa Mãe, pois era para ela que o olhar do padre Francisco se dirigia e pedia permissão para prosseguir falando em palavras transparentes me mostrando o quanto eu estava errado. Ele não tinha tirado você da gente. Ele tinha livrado você de todo mal que consumia sua carne, sua alma e lhe colocado no reino dos anjos protetores para que sempre olhe por nós. Deus é grande, minha irmã, e você sempre soube disso, por isso nunca esmoreceu, nem vacilou diante da dor.

Por isso, Nanã, você estava tão serena e aparentando felicidade sobre aquela mesa fria. Foi uma força arrebatadora que me fez ir até aquela sala, junto com Roseani, João, Emerson e Luciano Pirinha, fazer o reconhecimento do seu corpo. Senti naquela sala um clima de paz espiritual, de amor, de resignação, de cura e um mistério encantador. Um frescor de paraíso e a sensação de que alguém segurava em sua mão. Não teve choro, não teve desespero, teve apenas as palavras de Roseani pedido que você seguisse confiante, curada e feliz ao lado de Nosso Senhor, que estava ali, pronto a te levar pelo caminho de luz.

Eh, Margareth Lopes Mattos, minha Nanã, a dor da falta que você nos faz não cabe na imensidão dos maiores dos “Margareeeeeth”, mas seguiremos confiantes nos desígnios de Deus, pois somente Ele nos dá a paz e o remédio que cura a dor que dilacera nossa alma.

Em nome de minha Mãe, dos meus irmãos, da sua filha, da sua netinha linda, do seu amado João e de todos aqueles que lhe querem bem, deixo aqui um grande e carinhoso beijo.

Obrigado minha irmã! Sempre lhe amarei!

Nelson Mattos Filho

Vá em paz Rainha Elizabeth II

RAINHA ELIZABETH

“Sempre foi fácil odiar e destruir. Construir e cuidar é muito mais difícil.”

                                                             Rainha Elizabeth II

“Conto do Vigário”

PADRE

“Cuidai para que ninguém vos iluda” (Lc 21, 8). Nesse tempos de promessas e rinhas eleitorais nada melhor do que se apegar e refletir nas palavras do Padre João Medeiros Filho, seridoense das paragens abençoadas por Sant’Ana, Mãe da Virgem Maria e avó de Nosso Senhor.

“O conto do vigário” é bem antigo. Pode-se encontrá-lo nos primórdios da história. Segundo estudiosos de literatura, faz-se presente na metáfora de Adão e Eva. É possivelmente a sua primeira manifestação. Considera-se como texto precursor a narrativa da serpente, induzindo Eva a comer do fruto proibido (Gn 3, 1ss). Outro relato bíblico (com algumas adaptações) nessa direção seria o episódio de Jacó, enganando o sogro Labão. Propôs a este que lhe desse os filhotes de cabras que nascessem malhados. Ele concordou, certo de que muitos teriam uma só cor. Jacó elaborou um plano. Pegou algumas varas de plátano, deixando expostas as partes claras e escuras e colocou-as perto das gamelas com água. Quando as cabras iam beber o líquido com os cabritinhos, Jacó aproveitava para tingi-los. Sua esperteza teria sido uma revanche contra o pai de sua esposa Lia, o qual não lhe dera em casamento a filha caçula Raquel, por quem era apaixonado. (Gn 30, 25 ss).

Na língua portuguesa há várias versões sobre a origem da expressão. Uma delas é brasileira. Origina-se na disputa de dois padres pela posse de uma bela imagem da Virgem Maria. Os presbíteros eram titulares respectivamente das paróquias de Nossa Senhora do Pilar e Nossa Senhora da Conceição, de Ouro Preto (MG). O primeiro sacerdote propôs ao colega amarrar a escultura sobre um burro. Onde este parasse, ali ela ficaria. Acontece que o pároco de Pilar era o dono do animal, acostumado com o caminho da igreja paroquial. Intitularam a história de “conto do vigário.”

Outras versões são mais antigas e vêm de Portugal. Existia um falsário, comerciante de gado, oriundo do Conselho de Ribatejo, denominado Manuel Peres Vigário. Os casos de dolo passaram a ser chamados “conto do vigário”, em alusão ao sobrenome do fazendeiro, mentiroso contumaz. Há outra variante, proveniente da região do Minho. O cura de uma freguesia costumava encomendar aos carpinteiros os bancos para a matriz. Na hora de pagar, o padre dizia-lhes: “Deus vos pague.” E assim enganava os artífices. Na aldeia, qualquer história semelhante passou a ser denominada “conto do vigário.” O apóstolo Paulo já advertia os cristãos de Éfeso: “Portanto, abandonando a mentira, cada um diga a verdade a seu próximo, pois somos membros uns dos outros” (Ef 4, 25).

Com o decorrer dos anos, as ações dolosas vão sendo capituladas em lei. Na legislação brasileira preveem-se punições para os que cometem tais atos com o intuito explícito de ludibriar o próximo. Os comportamentos e hábitos sociais evoluem. E assim, criou-se entre nós outro tipo de “conto do vigário”, mais abrangente e deletério: o eleitoral. Este é sutil, sofisticado, arquitetado por especialistas, além de ser custeado com o dinheiro dos contribuintes (Fundo Partidário). Verifica-se tal postura em certos candidatos a cargos eletivos. No Brasil, vem se transformando em tradição. Dos relatos bíblicos, infere-se que conduta análoga existia na época de Cristo, a ponto d’Ele advertir seus discípulos: “Cuidai para que ninguém vos iluda” (Lc 21, 8).

Com a propaganda eleitoral em curso, não faltarão falas burlando os eleitores. Vários autores têm consciência de suas atitudes. Embora com exceções, não se constatam sanções legais aplicadas a essas práticas. À luz da ética e da justiça, trata-se de um dano social ou coletivo, além de ser uma inverdade, incluída no oitavo mandamento do decálogo judaico-cristão. Cabe lembrar as palavras do Evangelho: “Vós tendes por pai o diabo e quereis fazer os seus desejos. Ele é homicida e não permaneceu na verdade. Quando profere mentira, fala do que lhe é próprio, pois nele não há verdade.” (Jo 8, 44). Iludir e prometer o que não se vai cumprir, esconder objetivos impopulares são alguns dos engodos que costumam circular em programas e pronunciamentos de candidatos. “Mentir, mentir, alguma coisa ficará” (segundo Voltaire), parece ser o mantra preferido de muitos pretendentes a cargos públicos. O Brasil, um país de tradição cristã, demonstra ignorar as palavras da Sagrada Escritura: “Para mim não existe alegria maior: saber que meus filhos trilham os caminhos da verdade” (3Jo 1, 4).

Nordeste em alerta após surgirem fragmentos de óleo em praias

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Órgãos de proteção ambiental do Nordeste estão em alerta desde a última sexta-feira, 26/08 , após o surgimento de pequenas porções de óleo em várias praias do litoral pernambucano e paraibano. Equipes do IBAMA sobrevoaram hoje, 29/08, o litoral mas não encontraram vestígios de manchas de óleo em alto-mar que justifiquem o  problema. Alguns fragmentos do óleo encontrados nas praias foram coletados e encaminhados para análise para se tentar identificar a origem. Em 2019 o litoral do Nordeste foi atingido por grande quantidade de óleo cru, oriundo de vazamento nos tanques de um navio de bandeira grega, que navegava em águas brasileiras, causando um dos maiores desastres ambientais do Brasil.

 

Chuvas acendem sinal de alerta na Paraíba e Rio Grande do Norte

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Ontem, 22, aos primeiros raios de Sol sobre a capital potiguar, uma faixa escura de nuvens cor de chumbo na  barra do nascente chamou minha atenção e  enquanto tomava o café da manhã comentei com o amigo Jorge Rezende que viria chuvas volumosas até o final da noite. Jorginho replicou dizendo que não achava que choveria, porque os alísios de agosto, que naquele momento sopravam avexados, dissipariam as nuvens. Entre um gole e outro de café lembrei do céu estrelado durante a madrugada e escutei o eco dos ensinamentos da saudosa amiga, Dona Aurora, quando, em uma noite fria na Ilha de Campinho/Baía de Camamu, observou o manto extremamente brilhante de estrelas e disse: – Nelson, amanhã vai chover muito!  E choveu! A chuva em Natal/RN começou no finalzinho  da noite da segunda-feira, 22, se estendeu pela madrugada, continua por esta terça-feira, 23, até o momento que escrevo essas linhas, e pelo acumulado de nuvens, deverá adentrar a noite e varar a madrugada. Os institutos meteorológicos prenunciam que o sol voltará a brilhar no final da manhã da quarta-feira, 24. O alerta  é de chuvas volumosas a partir do litoral paraibano até o litoral norte do Rio Grande do Norte, entre os dias 23 e 24 de agosto. Em algumas cidades do Oeste potiguar a temperatura mínima chegará a 16ºC.   

Brasil assume comando de Força-Tarefa marítima internacional

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A Marinha do Brasil (MB) assumiu dia 18 de agosto o Comando da Combined Task Force 151 (CTF-151), em cerimônia realizada em Manama, capital do Bahrein. A CTF-151 é uma força-tarefa multinacional que realiza operações para dissuadir, interromper e reprimir a pirataria na região do Chifre da África. O Contra-Almirante Nelson de Oliveira Leite recebeu a função do Comodoro Ahmed Hussein, da Marinha do Paquistão, e exercerá um mandato que se estenderá de agosto de 2022 a fevereiro de 2023.

A CTF-151 é uma das quatro forças-tarefa subordinadas às Combined Maritime Forces (CMF), Força-Tarefa Multinacional formada pela coalizão de 34 países e organizada para promover o combate à pirataria, bem como a segurança e estabilidade em aproximadamente 3,2 milhões de milhas quadradas de águas internacionais, que abrangem algumas das rotas marítimas mais importantes do mundo, destacando-se o Mar da Arábia, Golfo de Omã, Golfo de Áden e o Mar Vermelho.

A participação na CMF é feita de forma voluntária e cada país da coalizão decide de que forma pode contribuir com as operações, seja por meio de navios, aeronaves, ou pessoal qualificado para compor os Estados-Maiores das Forças-Tarefa Combinadas ou da própria CMF. O período de Comando das Forças-Tarefa varia de quatro a seis meses.

O Contra-Almirante Nelson Leite destaca que “ao aceitar mais um convite para comandar a CTF-151, a Marinha do Brasil reafirma seu compromisso com a comunidade marítima. Estou na expectativa pelo trabalho que minha equipe fará para continuar a promover e defender a segurança na região”.

Participação do Brasil na CTF-151
O Comandante de Operações Navais, Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, esteve na cerimônia de transmissão do cargo e afirmou que “a Marinha, ao assumir o Comando da CTF-151, reforça a posição do Brasil como ator capaz de contribuir para o esforço de manutenção e segurança das linhas de comunicação marítimas, participando de uma coalizão internacional de combate à pirataria, respeitando os limites de atuação do Estado brasileiro. Além disso, trata-se de uma oportunidade ímpar para sedimentar conhecimentos nos níveis operacional e tático, aprimorando, assim, a doutrina e os procedimentos concernentes às Operações de Segurança, Defesa e Controle do Tráfego Marítimo, dentre outros”. O Brasil foi o primeiro e único país da América do Sul a comandar a CTF-151, tendo assumido pela primeira vez entre junho e novembro de 2021.

Marinha do Brasil/Agência Marinha de Notícias

É furada

CABAÇA COMPRIDA

Na caminhada diária pelas veredas da grande rede, um moído dá conta de que uma das mais famosas modelos do serviço de conteúdo por assinatura, OnlyFans, vai reconstituir a virgindade para mostrar, online, sua “primeira vez”. O anuncio está fazendo tanto sucesso que vários seguidores da futura “moça” estão contribuindo para os custos da cirurgia e outros tantos estão reservando acesso ao vídeo, sem nem querer saber quanto vai custar a conta.

Lendo a notícia fui revendo causos contados nas mesas dos bares da vida e entre as resenhas veio a lembrança de um amigo que foi comunicar a mãe que iria casar com uma menina, dessas mais rodadas do que carrossel de parque infantil, e a mãe muito preocupada comentou: – Mas meu filho, essa moça é furada! O pai que estava deitado na rede, lendo o jornal, falou: – Maria, ele quer a moça para casar e não para carregar água!

A beldade da segunda “primeira vez”, bem que podia pegar a dica de outra mãe, que sabendo que a filha não tinha mais a tão cobiçada membrana angelical e com medo que ela perdesse a chance de casar com um rapaz de posses, aconselhou que no dia da noite de núpcias ela colocasse, no lugar da pureza, uma laranja. A filha arregalou os olhos e perguntou: – Uma laranja, mãe? – Pois é, uma laranja para ele furar! – Mãe, e se ele não conseguir furar? – Se não conseguir, minha filha, pode largar esse homem, pois ele não é de nada. Seu pai quebrou um coco em quatro pedaços!

Outra mãe aconselhou a filha a socar um punhadinho de pólvora, pois quando o marido partisse para o finalmente, a pólvora iria dar um estalo e ela diria com alegria: – Oh, meu amor, você agora é meu homem e eu sua mulher até a eternidade! Com tudo acertado, chegou o grande dia, mas a “moça” por garantia, em vez de um punhadinho socou meio quilo de pólvora. Na hora do bora ver, um clarão tomou conta do quarto e BUUUUMMMMM. A cama partiu-se no meio, o reboco arriou das paredes, a porta despencou, a luminária ficou só o fio e o bocal, a cortina pegou fogo, o quarto ficou tisnado de fumaça e quando o mundo foi clareando novamente, o marido de olhos arregalados e em prantos perguntou: – Que danado foi isso? A esposa respondeu quase sem voz: – Foi meu cabaço que voou! – E ele volta? – Por quê, meu amor? – Porque meus quibas foram junto!

Só tomara que a beldade da “primeira vez” não vá se apegar com umas estripulias dessas. Mas se mesmo assim ela quiser “causar”, como diz a moda, não precisa nem gastar a grana cedida pelos seguidores, basta ir em qualquer sapateiro de beira de calçada e mandar colocar uma meia sola de couro de botina preta, pois tem até um versinho que diz assim:

“Faca de ponta

Espingarda, baioneta

Nunca vi couro tão duro

Como couro de botina preta.”

Nelson Mattos Filho

Erro

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O porto será em Caiçara do Norte pelo erro que foi erguer a Ponte Newton Navarro na boca-da-barra e sem permitir a passagem dos grandes navios. Cargueiros e de passageiros”.

Essa notinha na coluna Cena Urbana, no jornal Tribuna do Norte, dia 13/08, me faz relembrar velhos questionamentos e boas discursões que travei sobre a construção da Ponte Newton Navarro, em Natal/RN, popularmente conhecida como Ponte de Todos, que para mim, neófito que sou em engenharia e tantas coisas mais, mas um pitaqueiro incontrolável, a obra foi pensada e construída em lugar errado. Porém, não acho que o futuro Porto de Caiçara do Norte deva levar a mácula do erro alheio estampado em suas pedras.

O Porto, no portal da região do Mato Grande, se for mesmo sair do papel é a promessa de redenção de uma das regiões mais sofridas e esquecidas do Rio Grande do Norte. Apesar da riqueza amealhada a cada segundo pelos totens da energia eólica e ser o maior produtor nacional da tal energia verde, o Mato Grande é uma região empobrecida pela cultura politiqueira que a tudo consome com fome e sede voraz. O Porto dará animo novo a um povo que foi acostumado a pedir e a esperar migalhas, mesmo sem a esperança de ser atendido.

A Ponte Newton Navarro, apesar da beleza de sua arquitetura, é um erro sim, uma afronta a navegação, tolheu o desenvolvimento do Estado e colocou o turismo na Cidade do Natal em um plano secundário e obscuro. A Ponte fechou a porteira para grandes navios mercantes e de cruzeiro, justamente em uma cidade que sempre se abriu para o mundo e que serviu de trampolim para livrar a humanidade de um desastre de consequências imagináveis.

A obra é fruto da vaidade de governantes e uma descortesia com o deus mar. Um descaso com a beleza de uma cidade linda e uma desfaçatez com a obra de um homem que retratou em telas as belezas da Praia da Redinha, dos bairros da Ribeira, Santos Reis, Rocas e a lida dura, apaixonante e romantizada dos pescadores. De onde estiver, o grande dramaturgo, poeta, desenhista e pintor, Newton Navarro Bilro, deve estar olhando com tristeza suas fontes de espirações terem sido jogadas sob as sombras tenebrosas de uma ponte, ainda mais de uma ponte que leva o seu nome.

Não é fácil viver e nem sequer é visto quem é jogado para debaixo de uma ponte, não é mesmo?

O Porto de Natal, por sua posição estratégica, não merecia ter sido lançado a própria sorte, apesar de seus cada vez mais gritantes problemas de retroárea. Hoje é um porto acanhado, inseguro e com o futuro fadado ao abandono.

A Ponte Newton Navarro-Ponte de Todos, como quer a vaidade ranzinza dos homens, estreitou a porteira para as Naus que cruzam os oceanos levando desenvolvimento e progresso. O Porto de Caiçara do Norte, que aliás é um porto natural e a cidade tem orgulho de ter a maior flotilha de barcos de pesca artesanal do país, escancarará as portas do Rio Grande do Norte e do Mato Grande e quem sabe virá trazer, após 521 anos, o reconhecimento de que pertinho dali, 30 milhas mais ao Sul, na Praia do Marco, o Brasil oficialmente passou a ser forjado.

Vale lembrar que muitos que hoje apontam o dedão acusador para a Ponte de Todos, outrora a festejaram e deram vivas, assim como fizeram com o Aeroporto de São Gonçalo de Amarante e a Arena das Dunas.

Nelson Mattos Filho

Peixe-leão encontrado no litoral do RN é risco para a biodiversidade marinha

PEIXE LEÃO

O aparecimento do Pterois volitans no litoral da Costa Branca do Rio Grande do Norte, entre Areia Branca e Porto do Mangue, acende o sinal vermelho na cuca dos meninos da ciência que cuidam das coisas do mar, porque a presença da espécie é um risco para a biodiversidade local. O bonitinho que ilustra a postagem é um diabinho danado de perigoso e no popular atende pelos nomes de Peixe-Leão, Peixe-Dragão, Peixe-Peru, e seja lá o nome que você queira chamar o espalhafatoso, saiba que ele é um predador extremamente voraz, venenoso que nem jararaca com TPM e quando acua a presa com seus espinhos, engole numa bocada só.  Dizem que várias espécies de peixes e crustáceos, que fazem parte do seu cardápio, estão arriscado entrar em extinção, pois o bichinho é caboco bom de boca e nem perde tempo para dar um arroto. A espécie é natural dos oceanos Índico e Pacífico, mas ultimamente tem sido avistado, um aqui outro acolá, nas aguas quentes do Atlântico e Mar do Caribe. Biólogos dizem que o Peixe-Leão adentrou os mares do Atlântico Sul provavelmente vindo do aquário de algum criador durante o furacão Andrew, em 1992, na Flórida, ou por obra e graça do reboliço das correntes marinhas. Pois bem, quem encontrar um exemplar da espécie por aí, bata só um retrato, de longe, avise as autoridades e pesquisadores, o local e a hora do encontro, e nem pense em pegá-lo, pois o bichinho não come gente, mas não alisa couro de curioso ousado.    

Anunciado o local do novo Porto a ser construído no litoral norte do RN

PORTO DE CAIÇARA

O Governo do Rio Grande do Norte anunciou o local da construção do Porto Indústria-Multipropósito Offshore, para atender as necessidades da exploração da energia eólica offshore e exportação de outros produtos, como o Hidrogênio Verde (H2V). O local escolhido fica entre os municípios de Caiçara do Norte e São Bento do Norte, litoral norte. Nas previsões mais animadoras da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec/RN), as quais temos que descontar os arroubos coloridos e eleitoreiros da campanha eleitora, será possível iniciar as obras em 2023, porém, antes terão que ser pulados os obstáculos burocráticos das licenças ambientais, enfrentar a peleja das desaparições, além de ter que travar uma grandiosa queda de braço com a Assembleia Legislativa, porque a empreitada será no formato  Parceria-Público-Privado (PPP) e a lei estadual necessita de atualizações. Pense num moído que vai render!