XXXVIII Regata Brancaccio

imageO clube Angra dos Veleiros confirmou para dia 08 de Agosto a realização da XXXVIII Regata Brancaccio. A Brancaccio, como é conhecida no meio náutico da Bahia, é uma das mais tradicionais regatas do circuito baiano de vela e é uma homenagem ao fundador e primeiro comodoro do Angra do Veleiros, Edson Battle Brancaccio. As inscrições podem ser feitas em qualquer clube náutico de Salvador, até um dia antes da prova, ou na secretaria do Angra com a Sra. Ana.  

O cesto é do ca…..

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A imagem que abre esse post é da réplica de uma Caravela da época dos grandes descobrimentos e que estava exposta no Museu das Naus, um projeto belíssimo do arquiteto João Mauricio Fernandes de Miranda, inaugurado, em 2012, com todas as pompas nas dependências do Iate Clube do Natal. Infelizmente o Museu das Naus, que falei sobre isso AQUI, entrou para o arquivo morto do já teve” e hoje é apenas uma vaga lembrança na cabeça dos saudosistas. Será que mandaram para o cesto? Bem, vamos em frente, porque não é sobre o Museu que eu quero falar e sim sobre um cesto que existia no alto dos mastros das Naus e Caravelas e que tem um nomezinho esquisito, mas que não é fácil saber onde se localiza a fronteira entre a lenda e a verdade.

imageDizem que o cesto, assinalado na imagem, era conhecida como casa do caralho, mas segundo as informações que andei pesquisando nos mares temperamentais da internet, não existe referência a esse termo e sim cesto da gávea. O cesto era o local na embarcação onde ficava o olheiro que identificaria terra, barcos, perigos isolados e com certeza não era lugar desejado por nenhum marinheiro. Talvez  chamar o lugar de caralho tenha vindo justamente daí, pois o cara estava dando nó cego a bordo e o comandante gritava: – Joaquim, vá a casa do caralho! E lá ia Joaquim cumprir seu castigo. Ainda bem que nos veleiros modernos não existe o tal cesto, pois se existisse iria faltar espaço.

O Mara Hope e o mar do Mucuripe

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Quem chegava pela primeira vez a cidade de Fortaleza/CE navegando e aproava o Hotel Marina Park, onde se localiza a marina, ficava intrigado com a carcaça enferrujada de um navio sobre um enorme banco de areia, mas não tinha como o navegante fugir daquela visão fantasmagórica, porque o navio serve de excelente balizamento para a entrada da marina, além de que, pontua com exatidão o banco de areia. O casco, ou o que sobrou dele, é do navio Mara Hope, um gigante petroleiro que em 1985 escolheu as terras de Iracema, a virgem dos lábios de mel, para seu descanso eterno. A história do petroleiro é bem carregada e nos leva a navegar pelos manuais das superstições que habitam os oceanos e o coração de velhos e novos marinheiros. Construído em 1967 na Espanha, foi batizado inicialmente como Juan de Austria. Em 1979 foi rebatizado como Asian Glory e somente em 1983 passou a se chamar Mara Hope. E foi justamente em 1983 que o gigante dos mares pegou fogo quando estava ancorado em Port Neches, Texas, e como consequência, os moradores das imediações do porte tiveram que ser evacuados, porque corria risco de explosão. Eh! Existe uma velha superstição marinheira que não se muda nome de uma embarcação. Será verdade? E como danado o navio veio parar no Ceará? Vamos lá: Em 1985 o chamuscado petroleiro estava sendo rebocado para o desmanche numa praia qualquer asiática, quando o rebocador Sucess II – contratado para a operação – sofreu avarias na costa do Brasil e foi dar no litoral do Ceará. Sem sucesso na empreitada o Sucess II foi encaminhado para o estaleiro e o Mara Hope ficou ancorado ao largo, quando uma forte tempestade rompeu suas amarras e o navio derivou para cima do banco de areia, que ficava em frente ao estaleiro onde estava o rebocador avariado, e de lá não saiu mais.  

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Isso foi há trinta anos e de lá para cá, o casco faz a vez de ponto turístico na capital alencarina e diariamente várias empresas oferecem passeios até próximo ao naufrágio e grupos de mergulhadores fazem a festa em meio aos corais que se formaram sobre as ferragens submersas. Na semana passada um grupo de artistas fez um mutirão para colorir as ferragens do que restou do navio, criando uma nova cena para o turismo local. Se ficou bonito eu não sei, pois não vi as fotos da obra terminada, mas achei uma ideia muito criativa e que serve de inspiração para outras embarcações que estejam nas mesmas condições. Agora fica aqui um aviso aos navegantes: O Mara Hope não é mais um pedaço de navio enferrujado e fiquem atento ao colorido. Fontes: G1 Ceará; blog Mar do Ceará; Wikipedia

O grande mar – III

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A primeira vez que desejamos navegar até São Tiago do Iguape foi em 2009, mas naquele ano as chuvas, os ventos e o frio nos fizeram retornar de São Francisco do Paraguaçu, cinco milhas náuticas antes, e deixamos a oportunidade passar adiante, porém, o desejo nunca passou.

No começo de 2015 o amigo e velejador baiano Haroldo Quadros falou assim: – Nelson, você escreve maravilhas sobre a Baía de Todos os Santos, mais até do que muitos baianos. Você precisa escrever sobre a Baía do Iguape e todas as cidades banhadas por ela, pois ali está a verdadeira história da Bahia. Confesso que fiquei lisonjeado com as palavras do amigo, mas fiquei corado quando ele me colocou acima de “muitos baianos”. Deve ter sido piada!

Ele me fez retornar até 2009, o desejo aflorou novamente e dessa vez, com força total. Vou a Iguape, faça sol ou faça chuva!

Com as fogueiras sendo armadas em frente às casas nas ruas da Ribeira, soltamos as amarras que prendiam o Avoante ao píer do Angra dos Veleiros e debaixo de uma chuva forte subi as velas e aproei a Ilha de Itaparica, onde comemoramos o São João. De lá, tomamos o rumo de Salinas da Margarida para festejar o outro santo junino, o poderoso São Pedro. Os dois santos forrozeiros mandaram ver nas chuvas e estas castigaram Salvador e as cidades do Recôncavo Baiano durante todo o período festivo. Entre uma chuva e outra fomos ficando em Salinas, curtindo a velha e boa preguiça que sempre bate na gente nos dias de chuva e frio.

Numa manhã nublada, quando já descambava para seis dias de ancoragem em Salinas, suspendi a âncora, icei as velas e aproei a foz do Paraguaçu. Pronto, estava novamente no rumo de Iguape e onde os amigos diziam ter camarão em banda de lata.

A ideia inicial era ancorar em algum lugar ao longo do rio, mas a velejada estava tão boa, com o Avoante navegando na estonteante velocidade de média de 2 nós, que as ideias foram mudando, os locais planejados foram ficando para trás e quando o sol se preparou para ir embora, numa curva do rio, surgiu as torres da Igreja e logo estávamos jogando âncora em frente ao povoado, com a noite tomando forma em meio ao lusco-fusco. Foi uma noite tranquila e de belos sonhos.

Quando o dia amanheceu e botei a cabeça para fora do barco, me deparei com a canoa Carolina de onde o pescador gritava: – Gringo, camarão? Olhei para os lados e como não havia outro barco na ancoragem, deduzi que o gringo era eu mesmo. – Quero, pode chegar!

Foi ai que conheci Seu Lito, um pescador boa praça e que nos adotou como amigos logo de cara. Compramos o camarão, mas como não tínhamos gelo, ele se ofereceu para levar para sua casa e guardar no freezer. Beleza! Ele ensinou o endereço e combinamos que pegaríamos no dia seguinte.

Como a maré estava baixa, esperamos ela subir para poder desembarcar. Como assim? O desembarque é o ponto franco em Iguape e em todas as cidades que margeiam o Paraguaçu, porque a lama espessa que se deposita no fundo torna o desembarque um tremendo desconforto.

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Infelizmente a visão dos administradores não permite que eles enxerguem o apoio a navegação como um bem maior para incentivar o turismo e o desenvolvimento das cidades. No passado existia sim um píer para embarque e desembarque, mas o que restou dele virou escombros abandonados que enfeiam a paisagem.

A maré subiu e desembarcamos. Precisávamos comprar gás de cozinha e água mineral, o que foi resolvido na primeira mercearia em que Lucia parou e bem próximo ao porto. Em seguida saímos em busca de Dona Calú e Seu Jarinho, proprietários de um pequeno comércio de bar e mercearia. Eles foram recomendados por alguns velejadores baianos que outrora estiveram por lá. Seu Lito nos informou que há muitos anos não ancora por ali veleiros com bandeira brasileira e por isso ele achou que éramos gringos.

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Como Dona Calu e Seu Jarinho são mais conhecidos no povoado do que farinha, não foi difícil achá-los. Do primeiro interlocutor já recebemos as coordenadas: – No primeiro pé de amendoeira que encontrarem na praça a mercearia deles é na frente. E era mesmo! O casal é uma simpatia e logo que fizemos as apresentações viramos amigos de longas datas. Eita povo bom!

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É esse carinho espontâneo e a simplicidade que me encanta.

Nelson Mattos Filho/Velejador

O que eu uso

Enseada de Garapuá BaEnseada de Garapuá CCD GoldEnseada Garapuá BlueChart Carta oficialQuando me perguntam qual o melhor programa de carta náutica digital que conheço, não pisco nem o olho para responder: CCD Gold. Claro que muitos hão de discordar, porque cada um tem suas preferencias, razões e justificativas, mas para mim não existe nada mais perfeito para a navegação amadora, principalmente no litoral entre a Argentina e a cidade do Natal/RN. O Clube de Cartas Digitais – CCD Gold, fundado pelo argentino Rodolfo Larrondo, tem o propósito de corrigir a lacuna existente entre as cartas náuticas oficiais, que priorizam basicamente a navegação comercial, coletando informações – extremamente precisas – levantadas por inúmeros navegantes amadores. Para se aventurar em pequenas enseadas, barras, canais e rios o navegante amador, ao utilizar as cartas oficiais, navega praticamente as cegas devido aos detalhes do desenho da costa estarem mal representados. Veja nas imagens acima a enseada de Garapuá, litoral sul da Bahia: A primeira imagem é do Google Earth; A segunda é da Carta CCD Gold e a terceira é o mostrado em outro programa que utiliza a carta oficial.

Itacaré GoogleearthItacaré CCD GoldItacaré Carta oficial

Nessas imagens de Itacaré/BA, temos mais um flagrante do que acontece quando não estamos utilizando um programa de qualidade. A última imagem é de um GPS que utiliza a carta digital oficial. Claro que os novos modelos já trazem cartas bem atualizadas e quem navega em baías, rios e portos de interesse da navegação comercial não sente o problema com maior ênfase, mas basta se aproximar das margens para que se acender uma luz amarela na cuca. As informações da CCD Gold são atualizadas a cada ano, ou quando surgirem, que é uma raridade, possíveis erros. O Clube não tem fins lucrativos, mas os interessados em adquirir a carta paga uma taxa para cobrir custos de elaboração e atualização permanente. Na Bahia o representante oficial é o velejador Michael Gruchalski, (71) 99879797. Saiba mais acessando matéria, de 2008, no blog Popa.com.br e o link: CCDGPS.

É assim!

viagem no naumi (16)

Um dia um oráculo perguntou ao rei porquê ele tratava os súditos com tanto desprezo. O rei levantou os olhos e respondeu: Porque preciso ser visto como poderoso, mas no dia que eu precisar passar a coroa, basta distribuir alguns acenos e sorrisos para que eles passem a declarar que, além de poderoso, sou também um rei bondoso.

Foi assim o XV Campeonato de Duplas do Aratu Iate Clube

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Foi bonito o XV Campeonato de Duplas do Aratu Iate Clube e teve como grande campeão o veleiro HPE 25 Fuguinha, que conquistou a Fita Azul nas quatro regatas. Não foi uma regata em que possamos dizer que teve boa frequência, porque apenas 18 barcos disputavam a raia, mas foi super competitiva e deixou aquele gostinho de quero mais. Não sou regateiro e nem meu Avoante, com suas toneladas de apetrechos que uma casinha necessita, se anima, mas juro que fico tentado a voltar a participar de regatas. Primeiro, como incentivo. Segundo, porque aprendi muito, do pouco que sei, nas regatas que já participei e terceiro que é uma brincadeira arretada de boa e o melhor é a resenha do final. Não participei da prova, mas acompanhei do cockpit do Avoante, fui a festa de confraternização na noite do sábado e me apresentei diante do pódio para aplaudir os campeões. Veja abaixo alguma imagens do Campeonato: