Aviso aos navegantes – Embarcação desaparecida

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 A flotilha alagoana de vela de oceano informa que um de seus maiores nomes, o velejador Roberto Buenos Ayres, está desaparecido no mar. Roberto, um grande amigo, estava a bordo do catamarã Dom Diego, na imagem, e o último contato foi quando deixava a Barra de Salvador, às 19 horas do dia 23/11, informando que pretendia fazer uma escala em Vitória/ES antes de rumar para o Rio de Janeiro. Quem tiver alguma informação ligar para o Plinius Buenos Ayres, Cel.82 98849 6950 .

O comunista

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Passando a vista nas postagens das mídias sociais – coisa mais viciante do que biscoito de goma – me divirto com a batalha entrincheirada dos soldados comandados por “espertos” generais de areia. Nessa luta sem ganhador, onde esquerda e direita mudam de lado numa fração de segundos, ou a depender da conveniência do comandante espertalhão, amizades verdadeiras se esvaem como se daqueles velhos abraços, ou daqueles velhos e bons sorrisos, não restassem mais nem uma fagulha sequer de lembrança. Dizem que é assim entre os grandes povos politizados e que assim será o Brasil do futuro. Quanta besteiragem e quanta ideologia barata sendo arrotada, sem nem ao menos sentir o gosto da comida!

Chamar de idiota velhos amigos, irmãos de sangue, pais, colegas, companheiros de velhas e boas jornadas já virou banalidade e ninguém mais se incomoda. A ordem unida agora é partir para a agressão física e aí daquele que não aceitar as agressões. Perdemos o sorriso fácil de brasileiro. Perdemos a ternura tão comum em nossos campos. Perdemos a paz de um mundo mágico chamado Brasil. Perdemos a alegria de rever velhos amigos. Deixamos de lado o abraço sincero e enveredamos pelo abraço de urso. Estamos perdendo a dignidade – ou será que ela ainda existe? – e tudo sob olhares atentos e encarniçados dos “generais” sem quarteis, que lançam bombas e assistem da poltrona, sorridentes e brindando, o incêndio das trincheiras. E por falar em dignidade: Recentemente li o comentário de um professor universitário, desses que preferem as salas dos sindicatos do que as salas de aula, onde ele dizia que estava perdendo a dignidade, pois até de ônibus lotado já estava andando e ele como professor não merecia isso. – Ok!

Ao fechar a telinha que me coloca diariamente em contato com a guerra sem padrão, sem ética e sem nada de bom, lembro de meu amigo comunista e fico a divagar e ouço o eco de suas palavras. Meu amigo comunista, pois é assim que o chamo, não é um comunistazinho qualquer, ele é um comunista de mão cheia que nem de longe se arvora em vadiar pelas veredas dos facebooks da vida, porque, segundo ele, isso é coisa de imperialistas, associados com capitalistas selvagens, para enganar trouxas e ali não se aproveita nada. Nem as palavras ditas, que por sinal ninguém as lê, e se lê, não absorve. – E o que será que dirá do WhatsApp? – Um dia eu pergunto!

Livros de romance? Nunca jamais. Livros apenas aqueles que tratam de sua ideologia, mas recebe com um largo sorriso e um feliz muito obrigado os livros de romance e aventura que lhe presenteiam. E sem nenhum sinal de crítica ao presenteador. Para ele os amigos são sagrados, mais sagrados do que suas crenças. Viajar de avião? A não ser nos Tupolevs, como ele não viaja de avião, está bom do jeito que está. E uma cachacinha? – O que? Cachaça? – Cachaça é coisa de usineiro, eu gosto é de uma boa Vodca. Vinho? – Vou nem dizer o que ele acha. Eita piula! Carro? Bem, como ele acha que o verdadeiro socialismo passa longe da perda da dignidade, ele vai de ônibus mesmo. Carro é para a elite. O proletariado anda de ônibus.

Meu amigo comunista é uma figura que vê a vida de um modo simples, vive simples, adora ser assim e quem sou eu, que gosto de viver a vida simples e boa para discordar de seus princípios. Se você acha, pela breve descrição que fiz, que ele é um cara chato, desfaça seus pensamentos, porque ele é um bom companheiro que fará de tudo para você se sentir bem, pois é assim que deve ser entre pessoas que pensam diferente, sonham diferente, tem aspirações diferentes, rezam em cartilhas diferentes, são de raças diferentes, gostam de músicas diferentes, tem opções sexuais diferentes, tem cheiro diferente, nascem diferente, vivem diferente e assim vai indo diante de toda diferença. A vida é diferente e não serão as batalhas que a tornará igual. Se tudo na vida seguissem o mesmo padrão, que vida teríamos? O seu pensamento, a sua ideologia, o seu deus, a sua regra, o seu sonho, o seu modo de amar, o seu jeito de andar, de se vestir, de se pentear é o seu jeito. Podemos sim expressar para o mundo nossa ideologia, falar do nosso deus, divulgar nossas regras, mostrar o nosso amor, mas nunca podemos perder a ternura, o carinho, o bem querer do próximo.

Por que devo seguir na sua linha, se você destrata a minha? Por que devo seguir sua religião, se você discorda da minha? Por que tenho que comer da sua comida, se você detesta a minha? Por que devo amar seu filho, se você odeia o meu? Amigos e familiares não se cobram desses detalhes, porque amigos e família são bens de infinita riqueza.

É meu amigo comunista, que bom ser seu amigo, que bom viver nossas diferenças, que nem são tão diferentes assim, mas eu gosto mesmo é de uma cachacinha.

Sim, já ia esquecendo: Venha me visitar, viu, pois preciso de uns conselhos ao pôr do sol e dar boas risadas sobre as ideias dos socialistas das mídias sociais, que correm léguas atrás de uma tal de Black Friday.

Nelson Mattos Filho

Da loucura dos poetas

03 - março (87)

Fernando Pessoa: “Meu coração é um almirante louco que abandonou a profissão do mar e que a vai relembrando pouco a pouco em casa a passear, a passear …”

E o Titanic II hem?

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O mundo das vontades é extenso, porém, dizem que vontade é bom porque dá e passa. Em 2015 um bilionário australiano pensou em construir uma réplica em tamanhos naturais do Titanic, o fatídico transatlântico que naufragou em sua viagem inaugural. Pela vontade do empresário, em 2016 o navio já deveria estar navegando e foi até anunciado uma lista de mais de 50 mil pessoas interessadas em fazer parte da viagem inaugural da réplica, fato postado aqui em 01 de agosto de 2015 com o título Vem aí o Titanic II. Hoje vejo no site Veja.com que o navio ainda está na fase final do projeto que será tocado por um estaleiro chinês. Mas alguma coisa deve ter saído fora do plano inicial de fazer a réplica navegar, pois, segundo consta na reportagem, o Titanic II servirá apenas para atrativo turístico e por isso ficará permanentemente atracado em um reservatório na cidade de Daying, fazendo parte de um resort. -Sei não, viu, mas dinheiro é um bichinho que dá vontade.

Tradições Navais

03 - março (341)

O NAVIO

O navio tem sua vida marcada por fases. O primeiro evento dessa vida é o batimento da quilha, uma cerimônia no estaleiro, na qual a primeira peça estrutural que integrará o navio é posicionada no local da construção. Estaleiro é o estabelecimento industrial onde são construídos navios. Como os navios antigos eram feitos de madeira, o local de construção ficava cheio de estilhas, lascas de madeira, estilhaços ou, em castelhano, “astilias”.

Os espanhóis, então, denominaram os estabelecimentos de astüeros ,que em português derivou para estaleiros.
Quando o navio está com o casco pronto, na carreira do estaleiro, ele é lançado ao mar em cerimônia chamada lançamento. Nesta ocasião é batizado por sua madrinha e recebe o nome oficial. O lançamento antigamente era feito de proa; mas os portugueses introduziram o hábito de lançá-lo de popa, existindo também carreiras onde o lançamento é feito de lado, de través; e hoje, devido ao gigantismo dos navios, muitos deles são construídos dentro de diques, que se abrem no momento de fazê-los flutuar.

Os navios de guerra, geralmente, são construídos em Arsenais. Arsenal é uma palavra de origem árabe. Vem da expressão “ars sina” e significa o local onde são guardados petrechos de guerra ou onde os navios atracam para recebê-los. A expressão “ars sina” deu origem ao termo arsenal, em português, e ao termo arsenal, em português, e ao termo “darsena” que, em espanhol, quer dizer doca. Construído e pronto, o navio é, então, incorporado a uma esquadra, força naval, companhia de navegação ou a quem vá ser responsável pelo seu funcionamento. A cerimônia correspondente é a incorporação, da qual faz parte a mostra de armamento. Armamento nada tem a ver com armas e sim com armação. Essa mostra, feita pelos construtores e recebedores, se constitui em uma inspeção do navio para ver se está tudo em ordem, de acordo com a encomenda. Na ocasião, é lavrado um termo, onde se faz constar a entrega, a incorporação e tudo o que há a bordo. A vida do navio passa, então, a ser registrada em um livro: o Livro do Navio, que somente será fechado quando ele for desincorporado.
A armação (ou armamento) corresponde à expressão armar um navio, provê-lo do necessário à sua utilização; e quem o faz é o armador. Em tempos idos, armar tinha a ver com a armação dos mastros e vergas, com suas vestiduras, ou seja, os cabos fixos de sustentação e os cabos de laborar dos mastros, das vergas e do velame (velas). Podia-se armar um navio em galera, em barca, em brigue… A inspeção era rigorosa, garantindo, assim, o uso, com segurança, da mastreação.
Um dos mais conhecidos armadores do mundo foi o provedor de navios, proprietário e mesmo navegador Américo Vespúcio. Tão importante é a armação de navios e o comércio marítimo das nações, que a influência de Américo Vespúcio foi maior que a do próprio descobridor do novo continente e que passou a ser conhecido como América, em vez de Colúmbia, como seria de maior justiça ao navegador Cristóvão Colombo. Assim, Américo, como armador, teve maior influência para denominar o continente, com o qual se estabelecera o novo comércio marítimo, do que Colombo.
Terminada a vida de um navio, ele é desincorporado por baixa, da esquadra, da força naval, da companhia de navegação a que pertencia, ou do serviço que prestava. Há, então, uma cerimônia de desincorporação, com mostra de desarmamento. Diz-se que o navio foi desarmado. As companhias de navegação conservam os livros, registros históricos de seus navios. Na Marinha do Brasil, os livros são arquivados no Serviço de Documentação da Marinha (SDM) e servem de fonte de informações a historiadores e outros fins. Copiado do 
site da Marinha do Brasil 

Recordar é viver

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Em 2013 aconteceu o II Cruzeiro Costa Nordeste (CCN), uma ideia de membros da flotilha VELANATAL, e naquela edição foi comandado pelo capitão de longo curso, poeta e cabra arretado que só vendo, Érico Amorim. O II CCN teve paradas em Cabedelo, Recife, Maceió, Praia do Francês e Salvador. Que bom recordar alegres momentos da vela do Rio Grande do Norte.

Estamos no vermelho

pegadaecologica2016Há muito escuto sobre o mal que nossas extravagancias contra os elementos da natureza produzem e até presenciei inúmeros crimes, muitos deles cometidos com as devidas assinaturas oficiais, durante minhas navegadas a bordo do Avoante, mas confesso que nunca havia me deparado com a planilha onde está lançada nossa divida com o planeta, e o pior, soube que estamos vivendo no vermelho desde 8 de agosto, segundo relatório do Global Footprint Network (GFN), organização que mede a pegada ecológica das atividades humanas no mundo, onde diz que quando terminar 2016 teremos consumido 1,6 planetas Terra. O relatório foi divulgado em agosto, mas somente hoje, cascaviando sites ambientais, tive notícia. A matéria está no site Planeta Sustentável e precisa ser vista, revista e divulgada a exaustão, mesmo que poucos se deem ao trabalho de ler.

20161101_120415Pelos estudos do GFN, em menos de oito meses consumimos todos os recursos sustentáveis que a Terra pode nos oferecer em um ano e a planilha que abre essa postagem mostra os países mais gulosos e consequentemente mais endividados ecologicamente. A diferença entre o que o planeta pode nós oferecer e o nosso consumo entrou no vermelho nos anos 80 e de lá para cá o débito não para de crescer. O Brasil ainda não entrou na listagem do SPC ecológico, porque é credor juntamente com Indonésia e Suécia, porém, o saldo positivo está menor a cada ano. Como bem diz a jornalista Vanessa Barbosa, que assina a matéria no site Planeta Sustentável: “Está na hora de organizar as contas e rever os gastos”.