As pescadoras de Enxu Queimado

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– Hoje teve pescaria? – Teve sim, senhor, e da melhor qualidade! As pescadoras da praia de Enxu Queimado, acordaram cedo e foram lançar rede ao mar. Foi uma manhã de alegria que encheu de beleza e formosura as areias de uma das mais belas praias do Rio Grande do Norte. Foram três lances de arrastão e uma bela produção, com direito até a camarão bem nutrido! Viva e parabéns as pescadoras de Enxu!

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Para quem quer saber das coisas do tempo

anima_alturaO tempo anda meio esquisito pelas bandas do Nordeste e tenho dito aos amigos, em forma de brincadeira, que o longo período de seca enfrentado pela região, mexeu com a cabeça dos rapazes que regulam as torneiras e as coisas da meteorologia lá no Céu. O Nordeste anda bem chovido e as pastagens estão verdosas, mas ainda tem muitos municípios no calamitoso estado de seca. No RN, a região do Seridó e Alto-Oeste  dão boa dimensão do problema, onde municípios vizinhos e muitas vezes separados por menos de meia légua de beiço, se veem em condições inexplicavelmente distintas, parecendo até castigo dos céus. – Deus é mais!  O litoral e agreste, onde as chuvas já molharam um bocado nos últimos dois meses, a promessa é que ainda venha muita água, porque agora e que começa a estação chuvosa. – E os ventos? – Bem, escutando hoje, 14/05,  o assobio fantasmagórico que passa por entre as frestas das postas e janelas da casa de minha Mãe, fico imaginando o que teremos pela frente nos meses de agosto e setembro, meses tradicionais de ventos fortes. Os entendidos afirmam que tudo está dentro da normalidade e eu é que não me atrevo a duvidar, mas que está estranho, isso está. Pois bem, caminhando com um olho nas nuvens, outro no vento, com os ouvidos escutando o roncado do mar e perdidamente tateando pelas imagens dos gráficos do CPTEC/INPE, que são arretados de bons, me atrevo a dizer que a semana será assim sei lá entre chuvas esparsas e pancadas fortes e isoladas, aqui e ali, nos domínios, não dominados, de Seu Temer . O mar, como bem mostra a animação, estará mais para mar-e-guerra do que para almirante, porém, quem for a ele, se arroche, pois nesses tempos de indecisão climática a coisa muda, e muda bonito. Pronto, dei meu pitaco!      

Poetas do mundo

A canoa de Francisco Diniz

Navegar é Preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:

“Navegar é preciso; viver não é preciso”.

Quero para mim o espírito [d]esta frase,

transformada a forma para a casar como eu sou:

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.

Só quero torná-la grande,

ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

Só quero torná-la de toda a humanidade;

ainda que para isso tenha de a perder como minha.

Cada vez mais assim penso.

Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue

o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir

para a evolução da humanidade.

É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.

Fernando Pessoa

Cartas de Enxu 24

4 Abril (164)

Enxu Queimado/RN, 09 de maio de 2018

Lourdinha, fico aqui na maciota dos balanços da rede e de olhos vidrados no sacolejo delirante das palhas dos coqueirais, que a vida passa e nem vejo. Mas fique com inveja não, pois esse aparente desestresse é coisa de minha cabeça de vento, pois o que mais tem sob o teto dessa minha cabaninha de praia é trabalho, porque se assim não fosse, como danado você iria comer aquelas saltenhas deliciosas, os nhoques, os quiches, as pizzas, tudo feito com o mais refinado carinho do mundo, pelas mãos abençoadas de Lucia. Ceminha diz assim: – Tudo que Lucia faz eu acho bom! Pois se é bom mesmo, eu vou dizer o que, num é não?

Amiga, quando será que você vai dar o ar da graça por aqui? Se adiante e venha logo, para ver que nesse Rio Grande do Norte ainda tem uns lugarzinhos gostosos que nem os descritos nos livros que falam do paraíso. Claro que não tem aquela maça apetitosa e nem o casalzinho que deu início ao falatório do pecado, mas tem peixe que só vendo e prosa tão boa, que faz a gente esquecer as maldades do mundo. Para animar sua vontade, e sabendo que você aprecia história dos povos, vou contar um tiquinho sobre o lugar que estou vivendo.

O município de Pedra Grande, do qual faz parte Enxu Queimado, tem a minha idade, aliás, dizem que 1962 foi o ano que nasceu as lendas. – Se foi não sei, mas já que dizem, vou por aí cheio de pretensões. Mas amiga, se inteirar sobre a história dos municípios brasileiros, e nem sei se mundo afora é igual, é uma aventura desgastante e que nos deixa com aquela velha cara de sei lá. É tanta desinformação, tanto disse me disse, tanto chafurdo, tanto foi não foi, que no fim das contas é como se quer que seja e ponto final. Bem, o conto é que o povoamento daqui teve início em 1919, pela insistência do agricultor João Victor, que cercou umas terrinhas para montar um sítio em homenagem a São João. Vendo a fazendinha criar marra e querendo marcar terreno, vieram da localidade de Canto de Baixo, que pertencia ao município de Touros, os trabalhadores rurais Manoel Felix de Morais, Januário Pedro da Silva, Manoel Gabi, Januário Lucas e Manuel Pulu, daí se foi o tempo, o povoamento cresceu e de um pulo virou distrito de São Bento do Norte, até que em 1962, o governador Aluízio Alves, meu padrinho, fez correr os papeis e numa canetada só criou o município de Pedra Grande.

Aí você haverá de perguntar: – E de onde saiu o nome? Respondo, mas antes preciso dizer que pesquei a maioria das informações, aqui contidas, no blog Pedra Grande, assinado por Jota Maria, que não conheço e nem sabia que existisse o blog. Tentei me inteirar no site da prefeitura local, mas não existe nada sobre o assunto. Pois bem, Jota diz que antigamente existia uma grande pedra nos arredores do povoado e os moradores começaram a chamá-la de Pedra Grande e assim ficou, pois a voz do povo é a voz de Deus e não se fala mais nisso. O moído é bom, né não? E tem mais e o mais nos arremete de encontro a umas Naus e Caravelas que andaram errantes pelos mares de Netuno, mas aí é conto longo e que deixarei para outra carta, para não apoquentar seu juízo.

Lourdinha, o município cinquentão, bem novinho por sinal, tem, segundo o censo de 2010, polução de 3.521 habitantes e densidade demográfica de quase 16 habitantes por quilômetros quadrados, mas o que me chama atenção é que no gráfico do Índice de Desenvolvimento Humano, ele está no nível 0,559, baixíssimo para um município que ostenta, se você não sabia, um enorme parque de energia dos ventos e este está dentro da área que engloba, talvez, o maior parque eólico brasileiro. Viva o paquistanês Mahbub ul Haq, que acreditou e fez o mundo ver que o desenvolvimento não se mede apenas pelos avanços econômicos, mas também pelas melhorias do bem-estar humano. – Sabe o que me deixa abismado, amiga? – E que em pleno século XXI os administradores públicos não aprenderam, ou não querem aprender, uma lição tão simples.

Lourdes Gonçalves Oliveira, minha amiga pesquisadora e letrada, que tal debater esses assuntos sob a sombra da minha varandinha, debruçada diante do coqueiral e comendo peixe frito acompanhado de uma deliciosa tapioca com coco? Por aqui tem muita coisa para ser oferecida nos reclames turísticos do RN, apesar de muito se encontrar invisível ou camuflado entre os desejos dos homens. Venha aqui mulher de Deus! Traga seu caderninho de anotações para recheá-lo de causos e quem sabe consiga garimpar provérbios sertanejos e praieiros para um novo livro.

Lucia manda um beijo e promete ensinar-lhe a preparar os nhoques.

Nelson Mattos Filho

Aviso ao povo da terra e do mar

mapserv (1)A manhã deste domingo, 06/05, chegou com as notícias da chuva forte que desaba sobre Natal/RN, causando um verdadeiro reboliço na cidade, com ruas alagadas e desmoronamento de um túnel sob a Av. Prudente de Morais, um dos corredores mais movimentados da cidade. Dou por visto o nó que esse desmoronamento dará no  já caótico trânsito da capital dos Magos. Vixi! Quem apostar que a chuva continuará caindo, está bem próximo do sucesso, pois os satélites do CPTEC/INPE mostram tropas de nuvens carregadas em marcha batida. Aliás, a imagem do satélite retrata chuva em boa parte do território verde e amarelo, com maior incidência pelas bandas do Norte. Da minha cabaninha de praia observo o tempo se formando pelos aceiros do nascente e dou vivas, pois é assim que faz o povo do sertão já prevendo as boas safras. – E o mar? – Diante do quadro de chuvas, o mar está meio mal-assombrado, com ondas que variam de 1,5 a 3 metros em algumas regiões, principalmente a nordestina. Como bem disse um pescador dessa beira de praia: – Com essa tormenta aí, só vai para o mar quem tem negócio!     

Nas veredas das dunas – II

7 Julho (60)

Para quem não viu a primeira parte, ou viu e não lembra, click AQUI

Iniciei esse relato em agosto de 2017 e só agora dei fé que não conclui, ou foi simplesmente por achar que a cidade praia de Galinhos não merecia receber palavras tão críticas de minha parte, ou por receio de meter os pés pelas mãos e não ser compreendido pelos vigilantes internéticos da razão. Bem, foi por algum motivo justo, mas agora, com os miolos uns meses mais velhos e teoricamente mais apaziguadores, vou dar seguimento e darei graças se encontrar na cachola os arquivos sem um tiquinho de mofo. Contar relatos idos não é coisa tão boa assim, até porque as coisas mudam ligeiro e nesse mundão sem freio e sem memória, as pessoas se avexam a esquecer os problemas e tudo fica como foi ou como está. Mas vamos lá!

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Terminei a primeira parte envolvido em um turbilhão de reflexões enquanto observava a paisagem do portinho de Galinhos, mas digo que não me encontrei naquela paisagem e nem senti o pulsar da alma da antiga vilazinha peninsular. Mas deixe quieto! Afonso acelerou o possante e fomos saindo de fininho, porém, desejosos de saborear as famosas tapiocas de Dona Irene, no minúsculo distrito de Galos. O sabor daquela delícia, que tem receita cravada nos compêndios gastronômicos dos deuses, nunca me saiu da memória e nunca haverá de sair. Paramos em frente ao restaurante e encontramos a proprietária com a mesma fisionomia alegre a nos receber. Lucia perguntou se ela ainda lembrava da gente, mas já esperando o não como resposta, pois tantas pessoas passam diariamente naquele recanto que fica complicado puxar a fotografia nos arquivos da mente. Com aquele riso amarelo de quem passou despercebido, olhei em volta, mas também achei que havia algo estranho naquela casa de sabores. O que deveria de ser? Foi aí que Lucia deu a informação que custei a acreditar: – A tapioca não está mais sendo servida! – O que? – Como assim? – Acabou a goma por hoje? – Não, a tapioca saiu definitivamente do cardápio, porque os filhos de D. Irene, que agora administram o restaurante, não querem mais fazer, porque dizem que os clientes só vinham aqui para comer a tapioca e não pediam outros pratos. Portanto, não tem mais tapioca. – Danou-se!

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Procurei lembrar dos fundamentos que aprendi no meu curso de administração, nas ações de marketing que utilizei nos estabelecimentos empresarias em que trabalhei, tentei puxar das teorias dos livros técnicos que li e me arvorei até dos reclames do rapaz que vende o picolé de Caicó, mas não encontrei nada que desse guarida aquela decisão tão extremada. A única coisa que chegou mais perto foi a lembrança do conto de um senhor que vendia cachorro quente na beira da estrada e seus filhos, que conseguiram se formar, conseguiram acabar com um negócio alegando teorias estapafúrdias. – Rapaz, não é possível que tenha acontecido a morte daquela maravilha dos deuses! Para recuperar do susto, pedi uma cerveja para desanuviar as ideias e tomei numa golada só. – Pense numa viagem cheia de surpresas desagradáveis!

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Sem a tapioca de Dona Irene, mas com o bucho forrado por uma peixada, que não recomendo, fui para a beira do rio fotografar a bela paisagem que se amostrava faceira. – Eita lugar bonito e tão incompreendido! Meio sem graça, pegamos o beco de volta enquanto a luz do Sol alumiava a fantástica natureza das dunas e do mar, produzindo cenas de fascinante esplendor. Para aqui, para ali, sobe duna, desce duna, chegamos a Caiçara do Norte, com o astro rei já clareando a barra do outro lado do mundo. Para evitar novas surpresas e visando a segurança e tranquilidade do nosso passeio, preferimos seguir caminho pela RN 120, até a sede do município de Pedra Grande e de lá tomar o rumo de casa, onde chegamos com noite escura e um pouco cansados.

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Não se avexe em tirar conclusões precipitadas diante de tudo que escrevi nesse relato, pois ele é fruto de observações acontecidas há praticamente um ano e em um ano, tudo pode ter mudado, ou voltado a ser o que era. Pode até ser que seja um relato bem crítico, mas é sempre assim quando voltamos a um lugar que um dia nos encantou e não mais encontramos o encanto e nem a poesia ali desenhada. A praia de Galinho é um dos mais concorridos destinos turísticos do Rio Grande do Norte, tem um povo acolhedor, bons restaurantes e pousadas aconchegantes.

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A natureza que envolve a península continua encantadora, apesar da presença das invasoras torres dos geradores eólicos. Mas a invasão do exército eólico não é apenas em Galinhos, a intervenção se dá em praticamente todo litoral norte do RN. Não é o caso aqui de denegrir o progresso que representa o aproveitamento da energia dos ventos, mas bem que ele poderia trazer melhores resultados para as populações envolvidas e não enfeiar tanto a paisagem. Mas aí é outra história.

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– Valeu a viagem a Galinhos? – Valeu e qualquer dia eu volto!

Nelson Mattos Filho

 

A orla

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Dizem que as coincidências pegam a gente no contrapé e acho mesmo que a afirmação seja verdade, pois já perdi a conta das vezes em que comentei sobre um assunto e lá para as tantas, o assunto aparece na minha frente, vivinho da silva. – Ei, não precisa tirar onda, pois sei que isso acontece com todo mundo, viu! Pois bem, na tarde da quinta-feira, 26/04, ao passar de carro pelas praias do centro de Natal/RN, em direção a Enxu Queimado, comentei com Lucia que a repaginada que a prefeitura havia concluído recentemente tinha ficado bonita, porém, percebi que meu subconsciente fez cara de muxoxo, mas nem dei cabimento para os trejeitos dele, porque subconsciente tem mania de botar gosto ruim em angu. Segui em frente e ao acelerar para subir a Ponte Newton Navarro, dei uma olhada pelo retrovisor e pensei com meus botões: Eh, bem que a repaginada poderia ter ficado melhor, mas nem tudo é perfeito. O sub deu uma risadinha e fingi que nem ouvi. – Vai pra lá cabra besta!

A noitinha, chegando em Enxu, liguei o computador e fui me assuntar dos moídos do mundo e lá estava o prefeito de Natal, Álvaro Dias, declarando em alto e bom som, numa entrevista, que a orla de Natal é feia, mal arrumada e que precisa urgentemente ser modernizada para trazer novos investimentos. Rapaz, o sub quase caiu para trás de tanto dar risadas de minha cara de tacho amassado. Pronto, pedi arrego, joguei a toalha e concordei com o sub e com o prefeito, que acabou de assumir o posto, no lugar do principal que renunciou para tentar a sorte num andar um pouco mais acima. O sub dormiu em paz, com a alma lavada, e fui me avexar para escrevinhar estas mal traçadas linhas, pois me veio na memória um papo cabeça oceânico, ocorrido a bordo do Avoante, em 2013, enquanto navegávamos entre a Paraíba e Pernambuco, na companhia de Antônio Carpes, Wilson Chinali e Eduardo Aroldo, três cabocos bons que só vendo.

Ao deixar para trás a paisagem da cidade de João Pessoa, Antônio Carpes comentou que a orla da capital paraibana era bonita e que, segundo ele, a única capital do Nordeste que tinha orla feia era Natal e aliás, nem tinha. Lucia, se armou do bairrismo e disparou dizendo que Tonho estava ficando doido, pois a capital potiguar tinha orla e esta era muito bonita. Rapaz, o assunto rendeu milhas e milhas até dar uma dor e não teve quem fizesse eles entrarem num acordo. – Tem orla! – Não tem orla! – É feia! – É bonita! Quando os debatedores deram uma pausa para molhar a garganta, já estávamos próximo de Olinda e ao avistarmos o primeiro lampejo do farol da cidade do carnaval, Tonho disparou: – Pronto, Olinda é uma cidade que tem orla, mas Natal não. Rapaz, começou tudo novamente e ainda bem que o vento apertou o nó e fez o Avoante chegar mais rápido a barra do Recife. O Wilson Chinali que não deixa barato, até hoje, de vez em quando, bota lenha na fogueira e a peleja recomeça. Agora vem o prefeito para botar palha nesse braseiro. Danou-se!

Tirando os nove fora e deixando de lado o moído, todos têm razão em seus pontos de vista. A capital potiguar, apesar das maledicências administrativas de seus mandatários, é linda, tem praias belíssimas, mas merecia uma repaginada mais apurada em todos os quatro cantos. A cidade nos últimos anos perdeu o brilho do seu encanto e anda as tontas pelas vielas marginais do tempo. Até parece que caminha dentro de um enorme labirinto, com o minotauro pronto a lhe dar o bote. Natal não tem mais aquela áurea alegre que lhe dava um brilho intenso e precioso. Tomara que o novo prefeito encontre o fio da meada e destrua os muros do labirinto sem saída.

Como seria gostoso reviver os bons momentos da praia da Praia dos Artistas. Como seria bom ver novamente a juventude dourada de sol, mar e felicidade se estendendo despreocupada naquelas areias mornas e macias. Reviver os bate papos das tardes dos sábados, domingos e das noites iluminadas pela lua. Apreciar os quadros de Dunga expostos no paredão. Vibrar com a maestria do surf potiguar, que começou nos Artistas e hoje faz sucesso mundo afora. Pular ao som da Banda Gália festejando o nascer do sol de um novo ano. E as biritas nas mesas do Caravelas Bar? E as paqueras no calçadão? Eita que a Natal de hoje seria outra!

Prefeito, mostre a Tonho que Natal tem orla e que ela voltará a ser linda. Assuma o timão dessa Nau, quase naufragada, e a faça navegar em mares de paz e tranquilidade. Faça-nos reviver aqueles velhos anos dourados, que você também teve a sorte de vivenciar. – E sabe o que mais? – Não jogue promessas ao vento e não alimente utopias. Faça, apenas faça!

Natal merece mais, muito mais.

Nelson Mattos Filho