Ponta Negra – Uma praia entregue as ratazanas

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A praia de Ponta Negra tem talvez o conjunto de paisagem mais retratado da capital potiguar. Outrora uma das mais belas praias do Brasil e recanto disputado por visitantes de várias partes do mundo, basta ver o festival de idiomas, Ponta Negra está se acabando no vácuo dos erros e descasos dos homens que tinham por dever mantê-la viva e linda para sempre, pois a natureza caprichou no traçado e a cada dia cobra a parte que lhe foi tomada de assalto. Ponta Negra era dotada de uma beleza ímpar, com coqueiros a beira mar, uma larga e vasta faixa de areia, uma vegetação de praia fora do comum e fascinantes desenhos recortados em uma conjunto de falésias que tinha até areias coloridas. Quando criança e adolescente fui veranista da bela praia dos arrastões de rede antes do nascer do Sol, das caminhadas sobre o Morro do Careca, do banho de mar em águas mornas, dos cajus e mangabas da enorme mata onde hoje está aboletado o conjunto Ponta Negra, da velha e boa vila dos pescadores e da paz silenciosa das tardes sobre as areias frias se deliciando com uma bacia de mangas.  Eita Ponta Negra velha de guerras, o que fizeram com você? Quem foi o covarde que assinou a sentença para assassinar sua linda faixa de areia e lhe condenou a ostentar uma monstruosa passarela de concreto e pedregulho? Minha cara Ponta Negra, peça encarecidamente ao mar, que lhe acaricia a alma, que aumente a força de suas ondas e mostre aos homens que eles não passam de grandes bestas quadradas. Levante-se Ponta Negra, enxugue suas lágrimas de tristeza e assuma novamente a  magnânima beleza que um dia encantou o mundo, mas antes, expulse os algozes e os crápulas de suas areias. As imagens acima podem até encantar, mas para mim, são provas de um crime sem perdão.         

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Japão encontra mais um barco fantasma

xCORRECTION-JAPAN-NKOREA-TRANSPORT-ACCIDENT-FISHING.jpg.pagespeed.ic.1tn1CbwMFLNotícias sobre o aparecimento de barco fantasma é um prato cheio para roteiristas e escritores do gênero suspense ou terror, como também para pessoas que gostam de criar fantasias mirabolantes para seus pesadelos. Perdi as contas de quantas vezes me perguntaram se já tinha visto alguma assombração vagando pelos mares e em todas as vezes, preferi fazer ar de riso do que ter que tentar responder o que não tem resposta, pois se dissesse que sim, teria que criar uma fantasia e se dissesse que não, poderia ser que o interlocutor achasse que eu estaria desdenhando dos “fantasmas”. Porém, deve ser um deus nos acuda dar de cara com o espectro de um barco a deriva vagando pelos oceanos e no momento da aproximação, perceber que a bordo tem alguns corpos sem vida ou apenas ossadas. Já me basta a série de filmes, que adoro, Piratas do Caribe. Registros de embarcações a deriva com os tripulantes mortos é comum no noticiário mundo afora e as autoridades navais não cansam de alertar os navegantes sobre a ocorrência de embarcações perdidas e algumas jamais foram encontradas, apesar de alguns informações desencontradas de que foram avistadas, só não não se sabe onde e nem quando. O ditado diz que, o mar é um mundo e eu completo dizendo que, é um mundo estranho. Pois bem, o Japão anuncia que mais um “barco fantasma” foi dar em uma de suas praias e a bordo foram encontrados os esqueletos de 8 pessoas. As autoridades acreditam que são pescadores da Coreia do Norte, porque a praia onde se deu o achado macabro está virada para as terras do “reino” de Kim Jong-un. Somente em 2017 foram encontrados 43 barcos de madeira, mesmo modelo do encontrado está semana, e pelos pertences e inscrições nos costados, tudo leva a crer que sejam norte coreanos, mas como nas terras do “baixinho invocado” nem tudo é permitido comentar, fica o dito pelo não dito. No ano passado a conta chegou a 66. 

ARA San Juan

SUBMARINOHá nove dias do desaparecimento do submarino argentino ARA San Juan, com 44 tripulantes a bordo, o que sobra na imprensa é um festival de desinformações e pitacos dos mais variados. O que mais me intriga, diante do grande trauma para a nação argentina, são as declarações oficiais e vindas do mais alto comando naval argentino, ou sei lá de onde, que irresponsavelmente, depois de transcorridos vários dias, trazem marcar profundas para a integridade neurológica dos familiares dos oficiais desaparecidos. Qualquer pessoa com um mínimo de conhecimento das coisas do mar, sabe que não é fácil encontrar uma embarcação, por maior que ela seja, sobre as águas de um oceano tempestuoso e amuado, como é o caso do Atlântico Sul, local onde o ARA San Juan informou sua última posição, como também que não é baseado nas certezas das teorias que se resolvem os enigmas marítimos, ainda mais quando a embarcação navegada sob as águas, como é o caso de um submarino. O que houve ninguém sabe, talvez jamais saberemos e não é o caso de acusar ninguém pelo ocorrido, mas as primeiras informações repassadas a imprensa, que já fala pelos cotovelos e põe pontos, vírgulas, exclamações e interrogações onde bem deseja, deveriam ter se mantido na mais fiel linha de veracidade, clareza e passando a confiança de que todos os esforços foram aplicados e assim serão mantidos. O desespero dos familiares nas dependências da Base Naval é de cortar o coração de um homem do mar. Desespero de quem, além de não saber de nada, perdeu a confiança nos informantes e está vendo a esperança se esvair como poeira diante de palavras como, explosão, falência de equipamentos e asfixia, palavras que deveriam ter aparecido nos primeiros comunicados. Que os deuses dos oceanos tenham compaixão! 

          

Magias da natureza

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“Umbuzeiro é a árvore sagrada do sertão”

frase do livro Os Sertões

Correção

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Na postagem “O homem do mar” comentei, seguindo informações do site argentino Gaceta Mercantil e G1, que o submarino ARA San Juan havia sido localizado. A informação foi desmentida pela Marinha Argentina e as buscas continuam. Vários países, inclusive o Brasil, ofereceram ajuda e já enviaram equipes para a área em que o ARA San Juan fez contato peça última vez. O submarino está com 44 tripulantes a bordo.  

O homem do mar

marinheiroTexto maravilhoso copiado da página Seafarers Journey. A tradução pode não ser lá essas coisas, mas a essência é pura. Ofereço aos 44 marujos do submarino argentino que estava desaparecido no Atlântico Sul. O submarino ARA San Juan, foi localizado a 300 km ao Leste de Puerto Madryn, a 70 metros de profundidade. Segundo as primeiras informações, uma explosão em um painel de baterias, teria deixado a embarcação sem propulsão e sem comunicação. As equipes de buscas e salvamento já iniciaram a operação para resgatar os tripulantes.

Este é o homem que eu sou. A minha vida move-se numa direção circular. Eu volto para casa para ir embora e ir-me embora para voltar.
Não tenho morada, exceto o nome do navio, o meu passaporte mostra um, a minha casa está noutro lugar, onde o meu coração pertence.
Eu não sou como qualquer outro homem, mas, no entanto, sou a pessoa mais comum no coração. Não posso passar pela rotina diária do homem comum, mas o homem comum não pode aguentar a dor que eu passo. Ele não pode viver longe da sua casa, do amor e da vida durante meses. Ele não pode ser o filho indefeso, o marido solitário ou o pai carente. Ele nunca saberá as frustrações de ficar acordado durante dias e não descansar, trabalhando continuamente. Não há zonas de tempo constante que nos nós. O homem comum não conhece as cabanas solitárias que eu venho depois do trabalho, enquanto ele vem a uma casa cheia de pessoas. Ele pode comer o que a mãe cozinha e ser abraçado pelos seus filhos diariamente. Só os vejo em fotos. Ele consegue ouvi-los e vê-los todos os dias, enquanto eu tenho de ser forte e cumprir as minhas obrigações.
A minha mulher deve estar a limpar as lágrimas e a aguentar a dor que eu passo quando não a consigo ver, quando não a vejo também. As mãos dela devem estar a querer segurar as minhas mãos, o coração dela deve estar a desejar amar-me, os lábios dela devem estar ansiosos para me dizer todas as coisas que acontecem durante o dia, os olhos dela devem estar ansiosos para olhar para o meu. Sempre que ela olha para casais a caminho do super mercado, ela deve estar a desviar os olhos e a consolar-se só mais alguns dias. Eu sou um homem comum e estou fora a fazer o meu trabalho. Eu digo a toda a gente para entender isso. Preciso de estar longe.
Eu não sou um casanova, eu vou para a costa para pisar em terra, porque eu não senti isso debaixo das minhas solas por muito tempo. Posso ter segredos sujos, mas posso não ser perfeito às vezes. Sou um homem muito solitário. Tenho amigos sempre comigo, mas sem família quando estou fora. Eu nem sei o que eles fazem ou como eles são. O maior medo que me aperta o coração é quando a minha família precisa de mim desesperadamente, posso não estar à sua volta. Luto diariamente, luto com estes pensamentos a, digo a mim mesmo que não agora, o nosso dever chama.
Estou à espera do dia em que me encontro com os meus pais em casa, rezo pela sua segurança e bem estar aqui e espero que estejam felizes. Eu só quero que eles saibam, que enquanto eu estiver alto na ponte ou trabalhando duro no motor, eu amo minha família e eu estou orgulhoso de quem eu sou e o que eu faço.. O homem comum que eu estou dentro, eu vou Sê sempre. Mas o homem que sou hoje, nenhum homem comum será.
Créditos: Marinheiros diário

Cadê a chuva?

800px-usina_hidreletrica_de_sobradinho-ba“O nordestino é antes de tudo um forte”. Já dizia o escritor Euclides da Cunha, em 1902, no livro Os Sertões. Não é fácil a vida no Nordeste, mais incompreendido impossível, mas é uma vida onde a alegria, a fé, a perseverança e a certeza de povoar um mundo de magias, faz do nordestino um povo de inestimável valor. Não existe Nordeste sem as agruras da seca e é daí que brota a força que move essa terra de valentes. É um olho no Céu de Nosso Senhor e outro na terra de todos os santos, sob o comando do Padim Cíço Romão Batista. É assim a vida no sertão. Os relâmpagos já alumiam as barras do poente e os meteorologistas se esforçam para retirar a melhor leitura das lentes dos satélites, mas não é fácil convencer um povo acostumado a ler os sinais da natureza. Estamos vivendo talvez uma das mais severas secas sobre as paragens nordestinas e os açudes e barragens estão aí para provar a verdade. A população cresceu, as cidades ficaram enormes e cadê a água? A velha promessa das águas do Velho Chico tropeça na interminável briga de egos e o que era para ser, não passa da mais barata demagogia, arrotada sobre um palanque enfeitado de bandeirolas, cordão de luz, meia dúzia de babões e aplausos orquestrados. Que venha logo as águas das torneiras de São Pedro, porque a coisa está periclitante e, segundo dados oficiais, os reservatórios do Nordeste estão com os níveis mais baixos de toda a história e juntando tudo chega a míseros 4,7% de capacidade e a Usina Hidrelétrica de Sobradinho, que gera mais de 60% da energia da região, está com apenas 1,98% de reserva. Valei-me Menino Jesus!