Shì guànjūn

m122598_13-11-180624-pma-5008-7165E foi no pipocar dos fogos e no calor das fogueiras em homenagem a São João, o santo forrozeiro, que o mundo náutico conheceu o grande campeão da edição 2017/2018 da regata volta ao mundo, Volvo Ocean Race, e o campeão tem sangue chinês. Após uma briga acirrada, um vai não vai da mulesta dos cachorros, muitos anarriês, alavantús e balancês, entre os barcos Dongfeng, Mapfre e Brunel, a fita foi colocada no pescoço da tripulação do Dongfeng, para alegria do francês Charles Caudrelier, comandante em chefe da nau chinesa, que cravou seu nome panteão do olimpo.  A prova é a mais importante do iatismo mundial e leva barcos e tripulantes ao extremo da engenharia, da competência e da razão, ao desafiar os mais enigmáticos e perigosos recantos do oceanos. E viva os campeões! VIVA!!!!! 

 

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Ecoturismo na terra do capim dourado – 2018

Screenshot_2018-06-26-22-51-01_1Fazia tempo que o geólogo, velejador, prosador, professor, viageiro, tomador de whisky e mais uma ruma de bons adjetivos, Sergio Netto, Pinauna, não mandava notícias, mas eu tinha certeza que ele andava cascaviando por algum lugar desse planetinha azul, pois o homem é irrequieto que só vendo. Ele já passeou em várias páginas deste blog, contando aventuras na companhia de sua musa Mila. Dessa vez ele manda notícias de suas batidas de pernas pelas bandas do Jalapão e mais uma vez nós presenteia com uma aula.


As férias de inverno de Mila costumamos passar no verão do hemisfério norte, mas este ano resolvemos fazer um programa diferente: viajar de carro para o cerrado. Escolhemos uma área sem chuva e adequada para usarmos os SUV de tração nas 4 rodas. O Suzuki Jimny de Mila anda em qualquer terreno, mas é um cabrito brabo para uma viagem mais longa. E a minha TR4 ia fazer 10 anos, estava com 70 mil km, precisava trocar os pneus e era uma beberrona desta gasolina de R$5/l. Dai que, com saudades, troquei a Mitsubishi por um jeep Renegade com motor diesel, por influência de Kandum. Há 25 anos que eu só usava carro japonês, e relutei em passar para um projeto americano montado na plataforma de um Fiat italiano (FCA). Mas deu certo.  Baixamos os bancos traseiros (o porta malas é pequeno) e colocamos pá/enxada de cabo dobrável, cabo de reboque, compressor para reencher os pneus após passar nos areais, barraca de camping para a eventualidade de não acharmos acomodação, computador com o track que Kandum fez das estradas de fazenda cheias de bifurcações e tocamos para o Jalapão do Tocantins. Rodamos 3500 km em duas semanas e o carrinho se comportou bem, sem pedir uso dos equipamentos de emergência.

Screenshot_2018-06-26-22-51-01_2No primeiro dia saímos cedo (7:30h) e tocamos até Ibotirama (600km),pernoitando no hotel Velho Chico, de propriedade do Estado e arrendado a um gaúcho, bem na beira do rio São Francisco (R$28 cada dose de Old Parr!). Dia seguinte deixamos a BR-242 em Barreiras e tocamos para norte na direção do Piauí, virando para oeste em Formosa do Rio Preto, onde almoçamos. Dai seguimos pela BA-225 até o ultimo posto de combustível, o Posto Fumaça, em Coaceral. Ai começou a navegação de 200 km pelas trilhas até Mateiros, bem na entrada do parque estadual.

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Curiosidades náuticas

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Cartas de Enxu 27

10 Outubro (151)

Enxu Queimado/RN, 24 de junho de 2018

Sabe, Lucrécio, o tempo bem que poderia, de vez em quando, dá um retornê em vez ficar ligado direto no alavantú, pois seria bom demais. Na verdade, o “bom demais” é um desejo, até porque acho que tiraria um pouco do encanto dos momentos de ouro que um dia vivemos na infância e adolescência, fases mágicas da vida e que a mocidade de hoje tem feito de tudo para pular essas casas. – O que você acha?

Estava eu aqui curtindo as estrelas da noite, que nessa Enxu mais bela fazem um espetáculo à parte, quando recebo mensagem de minha irmã Bebete falando da saudade dos ensaios das quadrilhas de Dona Iaponira e Zé Carvalho, o casal baluarte daquele pedacinho do céu, formado pelas ruas Almirante Teotônio de Carvalho, Conselheiro Brito Guerra e Hemetério Fernandes. Claro que aquele céu se estendia por outras ruas, mas essas três formavam uma trinca quase perfeita. – Quase? – Sim, quase, pois a perfeição não é coisa do nosso mundinho metido a besta. Rapaz, as quadrilhas de D. Iaponira fizeram história e duvido que algum daqueles felizes brincantes tenha esquecido. Pois bem, bateu saudade em Bebete, que estava no forte apache de Ceminha, e mais do que depressa ela tratou desencadear o turbilhão através das ondas ligeiras do “zapzap”. E num é que conseguiu! Eita tempo bom da mulesta!

Queço, era ela falando e minha cabeça de vento se danando em vasculhar nos arquivos da memória em busca das velhas e vivas imagens, os sons, os cheiros, as cores, os sorrisos, as alegrias, os choros, os sabores e mais uma danação de coisas que espero jamais se desbotem. E você sabe o que pedi a ela, já que estava no pedaço? Pedi que tirasse um retrato da Rua Teotônio de Carvalho naquele momento e ela o fez, com receio mas fez! – Receio? – Sim, meu amigo, receio, pois os tempos de hoje, naquele outrora céu, já não permitem que fiquemos marcando bobeira no meio da rua. E ainda vem “zé bonitinho” abrir a boca para declarar que está tudo normal. Pense num caba de peia!

Pois é meu amigo, o retrato veio e veio também, além da saudade, o silêncio, a tristeza e a melancolia que realçavam em cada pedacinho da imagem. O que fizeram daquele nosso céu? Quem deletou a alegria que pairava sobre aquele pedacinho de paraíso? Por onde andam o Cego, Trimegisto, Barriga, Curumim, Sarará, Jorge Pilha, Gambéu, Berís, Bolinha, Ci, Beta, as Jacks, Lila, Paulinho, Juninho, Seu Murilo, Ana, Maninho, Tiana, Mingo, Tutu, Ieié, personagens da turma menor? Esqueci alguém? Claro que sim, pois se assim não fosse, não era assim! E os maiores, Maninha, Dodora, Zé Filho, Ricardo, Nanã, Bebete, Rose, o Bárbaro, Fernandinho, Jussara, Raíssa e mais os que me faltam na memória? Lucrécio, no retrato não tem fogueira, não tem bandeirinhas, não tem balão, não tem fogos, não tem sanfoneiro, não tem milho assado, não tem pamonha, canjica, bolo pé de moleque, bolo de milho, de carimã, de macaxeira, não tem nem fumaça, meu amigo! Cadê Dona Iaponira? Porque será que ela não veio lá do Céu de Nosso Senhor para botar fogo na festança? É triste, Queço, mas o tempo é cruel, deixa marcas e o pior, não tem anarriê, se muito um balancê.

Mas meu amigo, não fique triste por causa das minhas saudades, pois as saudades daqueles dias levarei com alegria ao longo de minha caminhada. Aqui acolá largarei umas pedrinhas, que é para não perder o rumo da volta. – Volta? Sim, homi, volta aos arquivos! – Ei, Nelsinho, está cartinha não é de Enxu, porque danado você tá falando tanto das bandas do Tirol? – Eita, num é mesmo! Vou mudar o rumo da prosa, porém, tem um negócio que sempre me encasquetou: Quem foi o Almirante Teotônio de Carvalho? Alguém dá de conta? Será que o homem era almirante de Marinha ou de marujada? – Pronto, agora mudo o rumo!

Lucrécio, não sei como andam as coisas pela sua praia da Pipa, mas por aqui vai tudo bem e até bem demais. Tem umas faltinhas aqui, ali, porém, nada que desagrade um observador do cotidiano da vida. Meu amigo, só em ter a bendita paz já vale um mundo, e aqui tem, viu! Claro que não é aquela paz que tanto sonhamos, mas é paz. Para você ver, o “delegado” Marcelo passa prá lá, passa prá cá e volta para o quartel feliz da vida, pois aqui a tal da violência desenfreada que assola o Brasil, ainda não deu as caras. Tem uns gaiatinhos que se metem a besta, mas não passam de bestas e tudo se resolve com um aceno de mão ou com um olhar travante por parte do delegado.

Meu querido amigo, Lucrécio Siminea de Araújo, ouvi dizer que você continua nas ondas do surf e digo que aqui também tem uns surfistas. Não temos aquelas ondas de campeonato, mas dá para matar a tara da garotada. – Ei e o futebol? – Você era bom de bola e todos gostavam de jogar no seu time. – Você ainda dá uma botinadas na pelota? A turma aqui bate um bolão e tem gente que se quisesse teria futuro em time profissional. Mas o tempo voa, a bola sai pela lateral e se perde no vazio da vida.

Lucrécio, poderia muito bem falar dos festejos juninos daqui e até da Copa, porém, vou deixar para comentar com outro amigo, pois já ocupei demais seu tempo.

Ei, venha aqui homem de Deus, precisamos emendar os bigodes nos bate papos, pois faz tempo que a gente não se vê e adoro sua alegria contagiante.

Grande abraço.

Nelson Mattos Filho

Poesia de uma paixão

 

5 Maio (24)

E por falar na coluna do Woden Madruga, deste domingo 24/06, lá tem a poesia de Zila Mamede, poetisa paraibana, que fincou raízes profundas no solo do Rio Grande do Norte. Zila, escritora indo e voltando, tinha verdadeira paixão pelo mar e no poema Partida, escrito em 1958 no livro Salinas, premonizou sua passagem para o andar dos encantados. A poetisa morreu afogada, em 1985, enquanto se banhava nas águas da Praia dos Artistas, em Natal/RN.

PARTIDA  

Quero abraçar, na fuga, o
pensamento

da brisa, das areias, dos
sargaços;

quero partir levando nos meus
braços

a paisagem que bebo no
momento.

 

 Quero que os céus me levem; meu
intento

é ganhar novas rotas; mas os
traços

do virgem mar molhando-me de
abraços

serão brancas tristezas, meu
tormento.

 

 

Legando-te meus mares e
rochedos,

serei tranquila. Rumarei sem
medos

de arrancar dessas praias meu
carinho.

 

 

Amando-as me verás nas puras
vagas.

Eu te verei nos ventos de outras
plagas:

juntos – o mar em nós será
caminho.

 

 

 

Agradecimento

IMG-20180624-WA0004_1Pois num é que a Carta de Enxu 12, escrita em 25 de março de 2017, foi parar nas mãos do destinatário e o mesmo sapecou os escritos na coluna de WM, no jornal Tribuna do Norte. Pois foi e está lá bem bonitinha neste  domingo, 24/06. E para agradece a deferência, me avexei assim no “imeio” de Seu Woden: Caro jornalista, você não sabe como foi bom para a alma, e para curar a ressaca brava das fartas doses de Papary, tomadas na beira da fogueira em homenagem a Seu João, ver a Carta de Enxu 12 fazendo fita na coluna do WM. Obrigado pelas palavras iniciais e fico aqui na esperança de um dia vê-lo sob as sombras da cabaninha de praia que tomo conta.

Anarriê, Balancê,….olha a chuva…olha o mar…

anima_altura O leitor Leonardo Bezerra, faz alerta  aos navegantes dos mares das tribos dos potiguares, para os ventos fortes que sopram desde a noite de ontem no litoral do Rio Grande Norte. É muito vento, sim senhor, e segundo dados dos site meteorológicos, os alísios estão soprando na casa dos 13 nós, algo em tornos dos 25 km/h. Porém, olhando o bailar das palhas dos coqueirais de Enxu Queimado e sentindo  na pele o frescor das lufadas, dá para apostar que Éolo está abanando o braseiro das fogueiras a bem mais de 20 nós. Quanto as chuvas, essa semana já caiu umas gotinhas aqui, outra acolá, a terra está bem molhada e a promessa de São João é de chuva, para botar animação no forró. E quem vai ao mar é bom se avexar, pois os gráficos indicam que a sanfona vai tocar rock pesado por esses dias. – Fala aí, Seu Luiz: “Aproveita gente que o pagode é quente/É forró pra toda essa gente se espalhar/Êita, coisa boa!/Êita, pessoá!/Hoje aqui a páia voa vamo gente aproveitar/O resfunlengo desse fole não é mole/Todo mundo aqui se bole/Com o seu resfunlengar/E o sanfoneiro que não só faz resfunlengo/Quando sai do lengo-lengo bota pra improvisar”