Furacão Florence

florenceEnquanto nas terras de pindorama nuvens negras e artificiais ameaçam o futuro de um povo, por outras bandas do mundo a ameaça vem em forma de violentos fenômenos naturais. No início de setembro, tufões e tremores de terra fizeram verdadeiro salseiro nas ilhas asiáticas deixando mortos e feridos por onde passou, agora mais uma vez os ferozes furacões do Atlântico Norte rugem e põem em alerta as forças da defesa civil das Bahamas, Bermudas e americanas do norte. O furacão Florence que vem mudando de cara a cada quilometro percorrido sobre o Atlântico, já foi tempestade tropical, já foi furacão, voltou a ser tempestade e agora, segundo  o Centro Nacional de Furacões dos EUA, na madrugada deste domingo, 09/09, voltará a se transformar em furacão e com força cinco. Os estudos indicam que a temporada de furacões 2018 será abaixo do normal e apenas um deles terá força destrutiva, como o Katrina e o Irma. Será essa a sina do Florence? Torcemos que não!   

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O artífice

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João Maria de Lima, o Joca, é um cara irrequieto, desses que quando pensamos que ele está indo, está indo mesmo, só que já voltou várias vezes e a gente nem viu. O conheci quando certa vez estava realizando uma obra no Avoante, no pátio do Iate Clube do Natal, e ao me ver enfrentando dificuldades para colocar o esticador de proa – que traciona o estai do mastro – sem pedir licença, subiu a bordo, tomou a peça de minha mão, fez o serviço e saiu rindo, como quem pergunta: – Aprendeu? Joca faz de tudo e mais um pouco, mas o que ele gosta mesmo é de marcenaria e navegação, duas áreas que domina como poucos. Nos últimos anos,  Joca tem se dividido entre Natal, Rio de Janeiro e Noruega. Natal, onde reside, Rio de Janeiro, onde cultiva amizades e faz trabalhos para grandes amigos, entre eles o medalhista olímpico, Kiko Pelicano, e a Noruega, como tripulante do lendário veleiro Saga. Coleciono boas histórias na companhia desse amigo e algumas estão registradas neste Diário, com os títulos, Receita de Peixe Ensopado e Peixe Ensopado – A Receita. Recentemente esteve em Enxu Queimado, nos fazendo uma visita para colocar o papo em dia e falar do veleiro que está construindo, em Natal, projeto e execução dele mesmo, batizado – por enquanto – de Nômade. No veleiro, que é um primor de construção e terá 26 pés de comprimento, ele pretende embarcar a família e dar um giro pelos mares do mundo. Para quem conhece Joca, essa é uma tarefa das mais fáceis. No primeiro retrato, ele posa ao lado do filho, não menos irrequieto, Erik, o “joquinha”.  

Cartas de Enxu 31

11 Novembro (291)

Enxu Queimado/RN, 04 de setembro de 2018

Caro amigo, Daniel, como é fácil gostar de você! Guardo com carinho aquele dia, na Federação Alagoana de Vela e Motor, em que fomos apresentados e, sem nenhum sequer, viramos fraternos e bons amigos. Não preciso falar da confiança que tenho em suas palavras e ações, pois se não fosse assim, não teria aproado o Avoante na esteira do Cahethel, para adentrar a fascinante e periculosa Barra do Rio Real, que separa Sergipe e Bahia. Aquele dia foi demais, não foi? O Cahethel sem motor, apenas na vela, e o Avoante coladinho em sua popa, encolhendo o casco para não ser colhido pelos ameaçadores bancos de areia.

Pois é meu amigo, desde aqueles dias, muitas luas e marés já se passaram, algumas tempestades cruzaram em nosso rumo e o Senhor do tempo, da razão e dos segredos fez rodar a roleta da vida várias vezes e aqui estamos nós, vivendo saudades e apostando que nas próximas rodadas, a roleta nos reserve boas novas.

Mas Daniel, não pense que essa carta é para falar de nuvens negras e tempestades, pois se assim fosse não o faria, porque são duas coisas que não combinam com você. Para mim você é um farol de alegria, conhecimento, apaziguamento, amizade, boas palavras, sorrisos e bom humor, se bem que Ângela afirma que seu humor e causticante. Será mesmo? Vou perguntar a Lucia! Ou melhor, vou perguntar não, pois já sei a resposta.

Rapaz, por falar em farol, você viu o farol que Lucia pintou e eu chantei no terreiro da nossa cabaninha de praia? O bicho ficou bonito que só vendo e por solicitação de Gil e Alípio, do veleiro Bar a Vento, fiz até a marcação do waypoint na Latitude S 05º 04.296’ / Longitude W 035º 50.956. Acho bom você anotar, para quando pegar o beco naquela Land Rover bala, em direção as terras frias do Alasca, dar uma passadinha por aqui. Garanto que Lucia prepara uma deliciosa moqueca de fruta-pão e umas saltenhas maravilhosas que vocês adoram.

E por falar em virem aqui, coisas que vocês já fizeram em 2016, vou contar um pouco das últimas desse povoado praieiro. Rapaz, os alísios do Nordeste este ano estão de vento em popa, com rajadas que chegam fácil aos 25 nós. É tanto assopro que está difícil os coqueiros manterem a carga lá no alto e o chão do meu terreiro amanhece coalhado. Ou seria encocado? Baiano aqui ia lavar a burra, pois nem precisaria esperar muito pelo coco de temperar a moqueca.

Não sei se você sabe, mas a água encanada deu as caras por aqui, mas do mesmo jeito que chegou, se foi e nem me pergunte o motivo, pois você já sabe de cor e salteado. Coisas das promessas dos homens. Promessas sem vida, sem alma e sem um futuro lógico e certo. Promessas jogadas sobre as tábuas frias de um palanque meia boca e atabalhoado de sorrisos falsos e largos. Mas tem nada não, pois dizem que a vida é assim e os homens do palanque sabem direitinho nos encantar com palavreado bonito. É tanto verbo largado ao vento, que quando damos por conta, estamos aplaudindo e gritando vivas. Eita povo cheio de lábia!

Você lembra do imenso parque eólico que estavam montando por aqui? Pois é, a parafernália está pronta e produzindo energia a todo vapor, mas a população anda num resmungo que dá o que pensar. Como em todo empreendimento de tal porte, enquanto a obra anda, os empregos caminham junto, porém, quando a obra termina, os empregos se esvaem e os que restam, restam apenas para tocar a coisa funcionando. E a população ganha o que? Ganha com os impostos gerados para o município que transforma em benefícios para a população. Com um pouquinho de boa vontade a regra é fácil de ser compreendida, porém, compreender é fácil, o difícil é fazer valer.

Daniel, nos últimos dias tenho andado pensativo com as coisas amalucadas que tem ditado as regras neste “planetinha errante”. Não sei se é coisa minha, que há muito tento levar a vida em um modo off, como disse certa vez meu amigo Afonso, ou realmente as coisas se bandearam de vez para tomar rumos ousados e extremos. Sob a sombra da varanda dessa cabaninha de praia, escuto ecoar o sussurro de decisões atabalhoadas sem o mínimo de praticidade e conforto para a humanidade. A regra das decisões atuais é confundir, chocar, tornar vazio, desmerecer. Estamos sob o signo da ditadura do “não devo nada a ninguém e muito menos a mim mesmo”. Nada é o que é! Nada é o que pode ser! Nada é nada e é tudo como cada um queira que tenha que ser e ponto final! Eh, meu amigo, acho que envelheci! Mas tem nada não, vou seguindo assim, driblando os solavancos e tentando me adaptar à nova ordem mundial.

Meu amigo, Daniel Cheloni, vou encerrando por aqui essa prosa meio sem rumo, mas antes de colocar o ponto: Como homem do mar, você bem sabe da crueza de se enfrentar as tempestades, porém, quando elas passam, deixam de presente os mais lindos e fascinantes mares a serem navegados e uma bela história para ser contada.

Anotou o waypoint do Farol? Pois bem, lhe espero aqui!

Nelson Mattos Filho

Espião do vento

satelite que mede o vento

Faz tempo que a ciência avança na leitura dos movimentos climáticos  e essa leitura tem nos livrado de algumas enrascadas, como também proporcionado grandes confortos. Neste finalzinho de agosto a Agência Espacial Europeia, lançou o Aeolus, satélite que tem como missão fazer um mapa global dos ventos que varrem a Terra, do solo à estratosfera. O equipamento lançará um poderoso laser na atmosfera para rastrear o movimento das partículas de ar e assim, os cientistas esperam obter informações precisas de quando ocorrerão eventos climáticos extremos e tentar desvendar mistérios e segredos existentes no reino de Éolo.   

De olho nas previsões do tempo

br3Para quem gosta de saber da previsão do tempo, os últimos dias de agosto serão assim sei lá, com temporais nos campos do Sul, sol entre nuvens nas pradarias e serrados do Sudeste e Centro-Oeste, uma chuvinha aqui, outra acolá pelas praias nordestinas e nuvens escuras e dissimuladas pelos aceiros da floresta amazônica. Sou vidrado nas previsões do tempo, mania que adquiri nos meus dias a bordo do Avoante, e hoje, a primeira coisa que faço ao abrir a janela de minha cabaninha de praia e observar a posição e a intensidade do vento e o jeitão das nuvens nas barras do nascente. Do mar também dou conta sim, pois da minha varandinha avisto um beicinho dos redutos de Netuno e por aí vou tirando as notas para animar o dia. E por falar em mar, a animação do gráfico do CPTEC/INPE está indicando que a Marinha deverá alertar os navegantes para mar grosso nos próximos dias. – Quer ver? -Pois veja! anima_altura A altura das ondas em mar aberto, em praticamente quase todo litoral, deve variar entre 2 e 3 metros, até o dia 2 de setembro, mas nada que assuste um bom homem do mar, apenas requer um pouco mais de atenção no comando e uma revisão mais apurada na embarcação e nos equipamentos de salvatagem. Bem, o que você leu até agora foram minhas considerações, agora saiba o que dizem os meninos do CPTEC sobre a previsão para a quarta-feira, 29/08:

Na quarta-feira (29/08), o dia será de pancadas de chuva acompanhadas de descargas elétricas e pontualmente intensas no RS e, isoladamente no sul e oeste de SC. Pancadas de chuva localmente intensas ocorrerão entre o AM, RR, PA e norte do MA. Entre o litoral do RN e o ES choverá de forma isolada ao longo do dia.

Vôti!

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– Ia navegar? – Ia, mas duas lanchas atrapalharam meu passeio!

Peixe raro é pescado em Noronha

peixe-ze-maria-2O Lamprogrammus brunswigi, espécie que habita as profundezas abissais dos oceanos, no meio científico é tido como um peixe raro, porém, um exemplar do feioso resolveu bisbilhotar o mar da ilha maravilha de Fernando de Noronha, e ficou tão embasbacado com as belezas naturais e com o requebrar das “peixas noronhense”, que quando deu por fé, havia metido a bocarra em um anzol, que estava por ali como quem não quer nada, e C’est fini.  O pescador da raridade foi o Zé Maria, proprietário de uma das mais famosas pousadas da Ilha, que depois dos devidos retratos para a posteridade, colocou o “troféu” em um freezer e prometeu entregar aos pesquisadores para os devidos estudos. O peixe capturado pelo Zé Maria mede um metro de comprimento e pesa dez quilos. Sei não, mas em se tratando de Noronha, essa pescaria ainda vai dar o que falar.