Arquivo do mês: agosto 2017

Os rumos escusos do iatismo

21271237_792053424300806_2368944388347526868_nO velejador brasileiro Lars Grael, um dos expoentes do iatismo mundial, põe o dedo numa ferida que há muito merece atenção. A declaração de Lars, clamando os velejadores a reflexão, vem a público depois que um velejador perdeu 4 dedos da mão em um acidente com um Nacra 17’, veleiro de competição que faz sucesso nas raias mundo afora. Quero aqui deixar minha solidariedade ao Lars e parabenizá-lo pela coragem de abordar o tema. 

A ISAF atual World Sailing tomou um rumo diverso na Vela. Acabaram com os barcos de quilha nas Olimpíadas e no Pan. Alegação? Custo? Eliminar os velejadores Master? Eliminar os pesados? Se o Finn sair, e deve sair. Quem tem mais de 85 kg não vai mais pra olimpíada. Mais de 50% dos velejadores no mundo navegam em barcos de quilha! Não são mais representados pela WS… A Vela de Oceano nunca teve tão forte internacionalmente. Classes de moda bombando como o J70′ (como foi antes com o J24′ e o Melges24′). Classes tradicionais fortes e pujantes como o Star; Dragon; Etchells e até mesmo as classes métricas. Os atletas pesados tem vez em todas modalidades de lutas olímpicas e até mesmo no Atletismo (3 arremessos). Os velejadores Master continuam mais ativos que nunca, com o fenômeno do envelhecimento da população mundial. Estão em peso nas classes de quilha; Finn e Laser por exemplo. A WS não é mais dominada por velejadores, classes e países. É dominada por juízes e fornecedores de barcos. Nos eventos oficiais da WS, a proporção de barcos é praticamente igual a de botes. Isto é caro e excludente. Um time de 49er com bote, custa muito mais caro que uma campanha de Star sem bote. Fora que o 49er dura 1 ano e o mercado de segunda mão é péssimo. O star dura muito e se vende bem. A Vela é o ÚNICO esporte olímpico, aonde o equipamento individual é fornecido por um fornecedor em regime de exclusividade (monopólio). Estes fornecedores comercializam os equipamentos pelo preço que bem entendem. O lucro é generoso e sobra dinheiro para ganhar votos nas assembleias. Nada muito diferente do que conhecemos no Brasil. A Vela tornou-se a modalidade esportiva mais ecologicamente incorreta de todas reconhecidas pelo COI. O gasto de combustível do Mundial da ISAF (técnicos; juízes; segurança; árbitros), é compatível a quase toda uma temporada da F-1 (sem contar os treinos). Torben foi eleito Vice-presidente da WS. Sei que ele concorda com pelo menos, parte dos meus (nossos?) argumentos. Sabemos que ele é minoria, mas é muito respeitado…Torcer que venham repensar a Vela após um acidente que exigirá a reflexão de todos. O que dizer das classes que entraram recentemente nas Olimpíadas e antes mesmo de serem testadas, foram excluídas? Cito o Yngling e o tragicômico Elliot. Como o Nacra 17′ virou olímpico antes até mesmo de um protótipo ser testado? Já sabiam que era “melhor ” que um Tornado, apenas vendo um simples prospecto? E o recall de mastros, problemas estruturais, quebras, problemas de fornecimento dos Nacra pra campanha da Rio2016? O que dizer dos velejadores de ponta que declararam terem adquirido 3 barcos; 1 dúzia de mastros e quase 20 jogos de Vela num único ciclo olímpico? Que tal saber que todos estes Nacras produzidos não servem para a versão 2017/2020?Que um Nacra usado vale menos que um Dingue?: Que o novo Nacra com foil foi uma adaptação tosca do antigo e que não tiveram tempo para testar? Os testes (e já convocaram recall de componentes) está sendo feito agora com o dinheiro e risco dos velejadores olímpicos. Ou a WS corrige seu rumo, ou a Vela real seguirá seu rumo próprio como a classe Star já faz. Surgirá o momento para os velejadores profissionais criarem sua associação e darem as costas à sua Federação International. É o que Tênis foi capaz de fazer ao criar a ATP e elevar seu esporte para um dos mais bem sucedidos! Alguém se lembra que existe a ITF?

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Sexta-feira tem asteroide

colisacc83o-terra-asteroide-20150923-042Os homens da NASA anunciam que amanhã, 01/09, um gigantesco asteroide passará tirando um “fino” sobre o planeta, mas nada que meta medo na cabeça de nenhum terráqueo, pois o fino em questão é uma distanciazinha de pouco mais de sete milhões de quilômetros. O pedregulho cósmico, apelidado de Florence, tem 4,4 quilômetros de diâmetro, foi descoberto em março de 1981 e é um primeiro dessa dimensão a passar próximo a Terra em mais de 100 anos. O Florence só voltará a tirar onda com o planetinha azul em 2024 e mesmo assim um pouco mais longe. Os cientistas chutam a bola e dizem que somente depois de mais de 6 mil Luas o gigante voltará a dar as caras tão próximo dos nossos descendentes. Taí um bom tema para animar a cervejada do fim de tarde da sexta-feira! Fonte: veja.com    

Nas veredas das dunas – I

7 Julho (29)As areias e dunas das praias do Rio Grande do Norte e Ceará e um atrativo para os proprietários de carros 4×4 e buggy e tem roteiros para todos os gostos e gastos. Não que isso seja visto com bons olhos pelos órgãos e ONGs ligados ao meio ambiente e também pelos banhistas, que perdem o sossego e a paz com tantos automóveis circulando sem nenhuma regulamentação adequada, muitas vezes em velocidades alucinantes e dirigidos por motoristas fazendo uso de bebidas alcoólicas. Antes que eu leve uma bordoada é preciso dizer que toda exceção tem uma regra.

7 Julho (38)Carro em beira de praia pode até parecer uma aberração nesses tempos de politicamente correto, onde o correto nem sempre está do lado do politicamente falando, mas é isso o que mais se vê nas praias ensolaradas de um Nordeste arretado de bonito. Que o passeio é maravilhoso, ninguém duvide, e de vez em quando embarco no carro de um amigo para aproveitar o que ainda pode ser feito, porém, embarco como um fiel e atento navegador no quesito segurança total no passeio e no que der para ser feito para não agredir tanto a natureza bela e indefesa. Nem sempre dá, mas a gente tenta!

6 Junho (123)Pois bem, hoje morando na paradisíaca praia de Enxu Queimado, litoral norte potiguar, em um pedaço quase virgem de praia – quase virgem é ótimo -, recebo a visita de alguns amigos e quando eles vêm aboletados em possantes 4×4, tentam nos levar pelas trilhas das dunas, que conheço bem, para um passeio até a Praia de Galinhos, uma das joias do turismo do RN. Tentam, tentam, atanazam e as vezes ganham a parada e lá vamos nós. Foi numa dessas que embarcamos no carro do casal Afonso e Fabiola Melo e pegamos o beco, ou melhor, o areal para a praia peninsular, onde teoricamente não deveria existir tráfego de automóveis, porém, como em tudo nesse nosso Brasil tem um senão, Galinhos tem carro sim, e muito senões para macular as teorias e normas.

7 Julho (34)Conheci Galinhos quando tudo era apenas uma brincadeira de aventureiros em meio a um amontado de cabaninhas de pescadores e uma ou duas ideias de pousadas em estado aconchegantemente bruto. Era show! Para chegar até lá o mais fácil era de carro pela BR 406 até o Pratagil, estacionamento público onde deixávamos o carro e embarcávamos num barco a vela para chegar a praia do outro lado do rio. Hoje ainda é assim, mas os barcos são a motor. De buggy pela beira mar, partindo de Caiçara do Norte, era um viajandão em todos os sentidos e existiam poucos carros fazendo o trajeto. Hoje, a beira mar entre Caiçara e Galinhos é uma via expressa e se vê todo tipo de modelo de carro e não apenas os 4×4 e buggys. É uma farra!

7 Julho (91)Será que estou muito crítico nessa prosa? Acho que sim e acho que não, mas é melhor dar bordo e seguir viagem no possante de Afonso.

7 Julho (40)Saímos de Enxu na manhã de um domingo feliz, com maré no começo da vazante, serpenteamos as dunas da Ponta dos Três Irmãos, um ponto notável e onde começa a Carta Náutica 800, desembocamos na Praia do Serafim, para mim umas das mais belas desse litoral, acionamos a tração total para cruzar as praias de São Bento do Norte até darmos de cara com o Farol de Santo Alberto, motivo de teima histórica entre os moradores de São Bento e Caiçara. Acho que o farol pertence ao Santo Bento, mas os pescadores batem o pé e afirmam com todas as letras que é de Caiçara. A peleja é grande! Do farol tomamos as ruas das cidades, isso mesmo, das cidades, pois são tão pegadas que não se definem. – E por que seguir pelas ruas e não pela beira mar? Porque foram construídos alguns espigões na beira mar, para tentar segurar a força da maré, e estes impedem a circulação de veículos. Cruzamos Caiçara por completo e novamente caímos na faixa de areia e dali para frente acessamos a via expressa. Lembra que falei nela?

7 Julho (49)7 Julho (48)7 Julho (50)7 Julho (52)7 Julho (53)7 Julho (62)Mais ou menos 20 quilômetros separam Caiçara do Norte de Galinhos, pela beira mar e depois de algumas teimas a bordo chegamos ao destino, onde paramos para registrar em fotografia a passagem da nossa trupe. Retrato batido, algumas considerações, alguns pormenores e fomos passear de carro pelas ruas de Galinhos. – De carro? Pois é, de carro! Tentei reviver a nossa primeira visita aquele outrora paraíso, mas não encontrei o fio da meada. O farol está lá, lindo como sempre foi, mas a áurea da cidade já não é a mesma. Pedra de calçamento em vez das escaldantes areias, que nos fazia apressar o passo. Visitantes por todos os lugares. Inúmeras casas. Várias pousadas. Muitos bares e restaurantes espalhados na praia da frente. O portinho desfigurado, porém, os Tele Burros continuam trafegando e tem até estacionamento e associação. – Quer saber? – Perdi o encanto daquela primeira vez, quando o silêncio imperava, a paz era sentida em cada passo que dávamos, o aceno e o aperto de mão era caloroso, tudo era magia, tudo era vento, mar, rio e barco a vela.

7 Julho (54)Paramos o carro em frente ao porto, fiz algumas fotos, tomei uma água, entrei novamente no carro e me recolhi em reflexões, enquanto esperava Lucia que tinha ido tentar reencontrar vestígios do passado.

7 Julho (57)O que fizeram com você Galinhos?

Nelson Mattos Filho

Sobre o naufrágio no Pará.

naufragio-pa-xinguTranscrevo o comentário do leitor Grazziano Picanço Guarany, na postagem sobre o naufrágio do barco Capitão Ribeiro, nas águas do Rio Xingu. Desde já agradeço ao caboclo pelas informações.

Amigos,
Sou caboclo amazônida e santareno, e ainda moro aqui em Santarém de onde partiu o barco que veio a naufragar em Porto de Moz. Também sou velejador tendo velejado em vários lugares de nosso Brasil assim como navegado em vários rios da Amazônia.

Gostaria de compartilhar com vocês alguns conhecimentos adquiridos durante a minha vida. Acredito que nesse blog a maioria tem uma noção de que aqui na Amazônia os barcos formam o meio de transporte mais importante para a população ribeirinha. Diariamente milhares de pessoas de deslocam em embarcações precárias que utilizam a mesma tecnologia e materiais de 300 anos atrás, exceto pelos motores rabeta que foram a elas anexados nos últimos 20 anos.

No caso específico do barco que naufragou devo esclarecer que a grande maioria das embarcações da região estão na mesma situação. Em cidades mais afastadas das capitais Belém e Manaus, muitas embarcações não tem nem coletes salva vidas muito menos registro nas capitanias fluviais dos portos.

Hoje assistindo o Bom Dia Brasil vi a repórter do tempo falar que a chuva não havia alterado o nível do rio Xingu, como se isso fosse fazer alguma diferença. Como se os rios amazônicos fossem como os rios do sul e ou sudeste com alguns metros de largura e profundidade. Nossos rios chegam em alguns locais a 20 km de largura, isso mesmo largura e não extensão. Em alguns pontos o rio Amazonas chega a mais de 100 metros de profundidade. Temos em alguns trechos, em dias normais de vento, ondas de 1,5 metros. Numa tempestade ou temporal os ventos chegam a 40 nós nas rajadas.

Outro dado é que a grande maioria das embarcações de madeira não tem projeto e foram construídos há mais de 20 anos, e tem como característica as obras mortas quase 3 vezes a altura das obras mortas e sem lastro muitas vezes. Os barcos com dois passadiços, ou mais, são comuns, sendo que os passageiros sempre preferem os passadiços mais altos desequilibrando mais ainda os barcos o que em condições de ventos fortes pode ser fatal.

Existem muitos outros fatores para se levantar para que possamos fazer uma análise mais precisa, quem sabe um dia tiro um tempo para escrever sobre isso.

Grande abraço a todos e Bons Ventos, Grazziano Picanço Guarany

Baixa mar desvenda naufrágio em Santos

g0024093A baixa mar em Santos/SP, desencavou os destroços de um barco que os pesquisadores apostam ser de um veleiro inglês que naufragou em 1895. A cena chamou atenção dos passantes, serviu de furo fotográfico nas redes sociais Brasil afora e acendeu a chama da curiosidade em arqueólogos e historiadores de além-mar. 

gloria O achado se deu na Praia do Embaré e segundo a prefeitura, o barco tinha 50 metros de comprimento e 12 de largura. Os pesquisadores reviraram bibliotecas e museus em busca de notícias achando se tratar do Vapor Glória, que naufragou em 1909, mas a hipótese foi descartada, pois o acidente se deu em outro local. Pela notícia de um periódico da época, acredita-se que os destroços seja do veleiro inglês Kestrel, que devido um mau tempo, arrastou a âncora e mesmo com a ajuda de um rebocador, não conseguiu escapar do encalhe. O mar e seus segredos!   

ECO, o veleiro de pesquisa

ECO1ECO Está em fase final de acabamento o veleiro ECO, projetado e construído pela Universidade Federal de Santa Catarina para servir de laboratório em expedições de pesquisas oceanográficas no Brasil. Construído em alumínio, com 60 pés de comprimento, 5,3 de boca, o barco terá capacidade para dez tripulantes e a viagem inaugural está programada para o mês de outubro de 2017, com destino às Ilha Trindade, no litoral do Espírito Santo, e aos rochedos de São Pedro e São Paulo, localizado em frente ao litoral do Rio Grande do Norte, mas pertence ao Estado de Pernambuco. Fonte: Revista Náutica    

 

 

Pesca com segurança

Pescar-en-Kayak-Seguridad-en-el-mar-2-1Confesso que não sou muito fã de pescaria, mas sempre jogava uma isca artificial quando navegando por aí e de vez em quando um peixinho esfomeado se iludia com minha armadilha e tinha como destino a frigideira com dendê. Peixe fresco é outra história! Pois bem, para aqueles que acham que para empreender uma boa pescaria embarcada é preciso possuir, ou alugar, uma super lancha, podem tirar a crença da cabeça. O site Nauti Spots apresenta uma matéria dando dicas para a pesca em caiaque, embarcação há muito utilizada por inúmeros amantes da pesca mundo afora, com informações sobre segurança, forma de navegar, estabilidade e tudo mais para a brincadeira acontecer em brancas nuvens.  Gostei da matéria e divido com vocês através do link, A pesca de caiaque com segurança.