Arquivo do mês: abril 2014

Um olho no tempo outro no mar

mapserv O feriadão de 1º de maio vem ai, mas o povo do mar precisa colocar as barbas de molho, pois o vento e o mar andam meio amuado com o reino dos homens. Pelo menos é o que diz o site do Cptec/Inpe. Aqui pela Bahia do Senhor do Bonfim os tambores estão batendo forte e o que mais se observa é velejador olhando para o céu cheio de interrogação. E assim diz o homens do tempo:

Chove forte em áreas do Norte, Nordeste e Sul do Brasil
Nesta quarta-feira (30/04) haverá condições para temporais, com chance de queda de granizo e rajadas de vento em áreas do RS, de SC e do PR. Em algumas áreas haverá, inclusive, condições para acumulado significativo de chuva, condições que poderão provocar impactos à população das áreas atingidas. Pancadas de chuvas fortes, também, atingem os Estados do norte e áreas do Nordeste, principalmente em PE, MA, PI, CE , RN e PB com chance de acumulados em algumas localidades.
Obs: Texto referente ao dia 30/04/2014-11h28

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A arca de Noé

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Taí um assunto interessante e que ao longo dos tempos desperta curiosidades e estudos nos mais diversos setores. Com a nova super produção cinematográfica contando a história de Noé a arca voltou com força a povoar as discursões entre navegadores, engenheiros, arquitetos, religiosos, palpiteiros e se brincar, em breve vai aparecer um alguém para vistoriar a embarcação bíblica. A arca de Noé poderia flutuar? Fui pescar esse assunto no site gaúcho Popa.com.br e sem pedir licença ao Danilo, tomara que ele não fique bravo, copiei o texto e colei abaixo:

 

A embarcação descrita na Bíblia teria as medidas semelhantes às de um navio de carga atual. Em teoria, ela poderia flutuar sim — mas com ressalvas
Na história bíblica de Noé, recém-adaptada para o cinema, uma arca gigantesca é construída para abrigar dois animais de cada uma das espécies existentes no planeta e salvá-los de um dilúvio. Do ponto de vista científico, essa proeza seria possível? A resposta é sim — mas com ressalvas.

As especificações bíblicas para o tamanho da arca — respeitadas no filme Noé — são precisas: 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura. O côvado é uma unidade de medida arcaica que se baseia no comprimento do antebraço, da ponta do dedo médio até o cotovelo, e cada uma das civilizações antigas adotava uma medida diferente para representá-la.

Um grupo de estudantes da Universidade de Leicester, na Inglaterra, que realizou um estudo sobre a arca de Noé, estabeleceu um padrão ao fazer uma média entre o menor valor (44,5 centímetros, adotado pelos hebreus) e o maior (52,3 centímetros, dos egípcios), chegando a 48,2 centímetros.

Com base nessa medida, a arca teria 144,6 metros de comprimento (o equivalente a cerca de um quarteirão e meio), 24,1 metros de largura (aproximadamente dez carros, lado a lado) e 14,4 metros de altura (um prédio de quase cinco andares). Curiosamente, as medidas são parecidas com as de um navio de carga atual, e as dimensões ainda correspondem à proporção adotada no presente. “O fato de a arca ter essas dimensões é surpreendente, porque são os parâmetros de um navio da atualidade”, afirma Ricardo Pinto, professor de engenharia naval da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Para saber se a arca flutuaria, é preciso analisar também o material usado na sua fabricação. O texto bíblico menciona a “madeira de gofer”, que, hoje, seria semelhante ao pinheiro ou ao cipreste. Como a densidade dos dois materiais é parecida, os estudiosos ingleses escolheram o cipreste como exemplo.

Com essas informações, e assumindo que Noé teria seguido as instruções o mais literalmente possível, construindo uma embarcação retangular, em forma de caixa, é possível concluir que a arca não afundaria na água. “Qualquer objeto, ao ser colocado na água, provoca o deslocamento de certo volume. Para flutuar, o peso do volume da água deslocada pelo corpo deve ser igual ao peso do próprio corpo”, explica Pinto. “Esse tipo de madeira leve faria com que a embarcação flutuasse facilmente.”

Contando ovelhas — Essas estimativas referem-se à arca vazia. Para descobrir o peso que a embarcação teria de suportar, é preciso saber quantos animais seriam colocados dentro. Pesquisadores que estudaram a história de Noé, como John C. Whitcomb e Henry M. Morris, autores do livro The Genesis Flood (O dilúvio de gêneses, em tradução livre), chegaram à conclusão de que cerca de 35 000 animais precisariam entrar na arca para que o Reino Animal fosse salvo. Existe uma discussão sobre o fato de que a expressão “dois animais de cada tipo”, contida da Bíblia, pode não significar exatamente cada espécie, o que reduziria ainda mais o número de eleitos. Whitcomb e Morris estimaram, também, que a ovelha representaria a média de tamanho dos animais.

A partir desses números, os cientistas da Universidade de Leicester calcularam que a arca suportaria o peso correspondente a 2,15 milhões de ovelhas. “Nós observamos que a arca aguentaria o peso, não como os animais caberiam dentro dela, ou como seriam armazenados alimentos e água fresca”, diz o estudante de física Oliver Youle, principal autor do estudo, publicado em 2013 no periódico Journal of Physics Special Topics, da Universidade de Leicester.

Além da capacidade do barco de suportar o peso, mais fatores precisam ser levados em consideração. “Podemos até assumir que a arca teria flutuabilidade, mas não sabemos sobre sua estabilidade”, afirma Pinto. A estabilidade depende da geometria, ou seja, do formato da embarcação, e da condição em que a carga foi dividida nela. “Se todos os animais pesados, como elefantes e leões, fossem colocados de um lado só, ela provavelmente ficaria desequilibrada.”

Seria necessária uma distribuição de peso cuidadosa para manter a embarcação estável, principalmente devido a seu tamanho. “Quanto mais comprida uma viga, mais fraca ela é. Um navio funciona como uma viga em termos técnicos, então quanto mais comprido, mais bem-estruturado precisa ser”, explica o professor. Para ele, a arca seria um navio “muito arrojado” para os padrões da época — uma construção tão surpreendente quanto as pirâmides do Egito.
Fonte: Veja

Velejando com amigos

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Com essa imagem do crepúsculo embelezando a ancoragem em Loreto, entre as ilhas do Frade e Bom Jesus, marcamos a volta ao batente para contar como foi a semana que tivemos a alegria de ter a bordo do Avoante o casal Chiquinho e Lucienne, nossos amigos de longas datas e que vieram tirar a prova dos nove das belezas navegáveis da Baía de Todos os Santos (BTS). O roteiro escolhido foi: Ilha do Bom Jesus, Madre de Deus, Loreto, Salinas da Margarida, Itaparica, Ilha da Cal, Fonte do Tororó e retornando para o Aratu Iate Clube. 

IMG_0054Para começar, quero reafirmar a alegria de ter recebido a bordo pessoas tão queridas. Posso dizer que fui criado junto com Cienne, pois fomos vizinhos até o final da adolescência, no bairro do Tirol, em Natal/RN, durante a época em que amigos tinham a liberdade de sentar no meio fio de uma calçada e conversar despreocupadamente até altas horas. Aquele sim era o Brasil que merecíamos viver até os dias de hoje, mas que em algum subterfugio da história deixamos escapar para mais nunca. Mas deixa estar, pois quem sabe um dia nossos descendentes possam reescrever essa história.

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Foi uma semana inteira de belas navegadas e boas ancoragens onde o casal, que já havia realizado outras velejadas, mas nunca em tempo tão estendido, ainda mais vivendo intensamente a vida a bordo de um veleiro de oceano, ficou encantado. A empatia foi tanta que quase não quiseram desembarcar nos lugares por onde passamos.

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Dizem que sete dias demora a passar, mas os sete dias de Chiquinho e Cienne no Avoante passou como um raio e deixou saudades. Eles viveram tudo com naturalidade, companheirismo e consciente de que a vida a bordo de um veleiro requer uma extrema parcela de boa vontade e desprendimento.

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Onde está o Avoante?

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Mais uma vez venho com minhas desculpas esfarrapadas por deixar o blog tanto tempo abandonado a própria sorte. Mas também nove dias não é tanto assim, pois navegando pelas páginas digitais mais antigas o leitor encontra muita coisa interessante, basta direcionar o cursor e dar um click. Um amigo certa vez falou que eu não precisava usar todo o meu cabedal de desculpas, pois essa vida de blogueiro é assim mesmo cheia de altos e baixos. Mas me sinto nessa obrigação e não sei pensar diferente.

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Bem, quem acompanha o SPOT, através do link ONDE ESTÁ O AVOANTE, deve saber que estamos navegando e muito pela Baía de Todos os Santos, na companhia do casal potiguar Chiquinho e Lucienne, que veio passar sete dias a bordo do Avoante para conhecer o mar por onde navegamos. O passeio tem sido uma alegria só e eles tem aproveitado o máximo, num roteiro que enche os olhos de qualquer mortal. Vamos em frente que ainda temos muito para aproveitar e assim que internet permitir trarei notícias.  

Saudades de casa

3 Março (224)

Quinze dias é uma eternidade! Esse é o sentimento que temos depois de estar longe do nosso Avoante tanto tempo. Espere mais um pouquinho querido veleirinho que estamos chegando. 

A Copa e a Ponte

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Nada como colocar o rosto no vento e escutar os sussurros que chegam como uma grande algazarra festejando o infortúnio que vem no rastro das grandes decisões equivocadas dos homens. Somos mesmo uma raça orgulhosa e cheia de vaidade tola quando temos a nosso favor a caneta da decisão. Mais vaidosos ficamos quando somos convidados para aplaudir em primeira mão as benesses que algum poderoso de plantão arma para nos iludir.

Sempre falamos mal dos famosos dribles governamentais apelidados de pão e circo, mas basta um afago qualquer que escancaramos a cara em um largo sorriso de aprovação, enquanto brindamos a cada copo servido com o líquido dos melhores rótulos. Somos bons nisso e aposto uma boa dose de cachaça Rainha se alguém me provar que nunca enveredou nessa seara.

Com a chuva caindo lá fora e o Avoante ancorado há muitas milhas de distância, numa breve férias de outono, passo horas do meu ócio voluntário a futucar notícias pela internet e me espanto a cada segundo com a ligeireza do mundo digital. É tudo num piscar de olhos e quem quiser que se meta a besta de tentar por um cabresto na fera.

Se um esquimó pula a cerca e entra numa fria lá no fim do mundo, no segundo seguinte um piauiense, de um Piauí mais quente, fica sabendo da fofoca gelada. Eita mundinho que ficou pequeno!

Mas com tanta ligeireza e com tanta informação rodando o mundo e se cruzando nas vias imaginárias da informática, ainda me abestalho com algumas notícias estampadas nas capas dos jornais como se fosse a maior das novidades do mundo. Tem mais novidade não homem de Deus, o que falta é uma boa investigação jornalista para se chegar aos fatos sem paixão ou ideologia.

Em uma dessas minhas navegadas pelas páginas da web me deparei com a história de um belo transatlântico mexicano que pretendia ancorar em Natal para desembarcar torcedores desejosos em assistir a Copa do Mundo. Pretendia, pois a altura da Ponte Newton Navarro não permite. Alias, não permite e todo mundo que flutua nas águas governamentais e turísticas já estão cansados de saber que não permite. Só não entendi o porquê do espanto!

Certa vez fui taxado de opositor e reacionário por dizer que a Ponte estava sendo construída em local errado. Para não perder a alegria apenas sorri e deixei o assunto morrer em cima da mesa. Novamente fui rebatido quando falei que a Ponte não estava concluída e não entendia o porquê da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte liberar a navegação sob ela. Dessa vez foi um Deus nos acuda e meu interlocutor ainda me fez duas perguntas instigantes: “Não está pronta?” “E aqueles carros passando ali em cima é miragem?”.

Como gosto de cutucar o cão com vara curta emendei: Não está pronta e ainda limitou o acesso ao Porto. Pronto, fechou o tempo!

Bem, a Copa do Mundo já está dando seus dribles pelas arenas construídas Brasil afora, mesmo sem a bola estar rolando, e a cada dia vamos assistindo o festival de faltas e penalidades máximas se esparramando pelos gramados dos noticiários. Se são fatos verídicos ou simples imaginação da mente fértil de opositores eu não sei, mas que tem muito lance merecendo um tira teima isso tem.

O lance do navio mexicano em Natal não vai precisar de tira teima, pois acho que não aparecerá nenhuma viva alma, nem mesmo os deuses da FIFA, para autorizar o teste. Os mexicanos vão rumar direto para a capital pernambucana e depois de dançar frevo e maracatu, os chapelões pegaram um buzão pelas estradas da vida.

Mas o problema maior da Ponte de Todos não é sua altura, já que no Brasil nunca se ligou mesmo para a altura das pontes e isso vem dos tempos do Império. Quem tiver seus vasos flutuantes que se lixe. O problema são as defensas de proteção dos pilares, que até hoje ninguém se interessou em resolver. Acho que nem o capeta queria estar na pele de um Capitão dos Portos se por um descuido qualquer um navio triscar na estrutura das pilastras.

Numa hora dessas vai ser tanta frase começando com “eu não sabia de nada” e tantos “vamos averiguar” que no final vai sobrar mesmo para quem tiver a infelicidade de estar passando no momento de um acidente.

No mês de Março uma balsa carregada de óleo de dendê se chocou com um pilar de uma ponte no estado do Pará e tudo veio abaixo. E olhem que por lá a FIFA não apita nada.

Eh, até a bola da Copa receber o primeiro ponta pé, muita água ainda vai passar por baixo da ponte.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Aprendizados

3 Março (203)

“…ando navegando sobre as águas da sabedoria. Ela tem remanso diferente do da inteligência. O rio dos intelectuais é mais claro e sem muitas curvas. Já o rio dos sábios é turvo e sinuoso. Requer habilidade para uma navegação segura. Eu vou aprendendo.” Fragmentos do livro Tempo de Esperas, do Padre Fábio de Melo.