Arquivo da tag: câmara municipal de pedra grande

Cartas de Enxu 28

1 Janeiro (182)

Enxu Queimado/RN, 03 de julho de 2018

Sabe, Doutor Virgílio, estava aqui pensando, enquanto me espicho na rede armada na varanda, que até hoje não consegui definir o que o senhor representa para mim e meus irmãos, pois amigo é pouco para o tanto que você é. Quem sabe tio, mas há quem diga que tio é parente! – O que? – Pronto, achei a palavra certa: Tio. Tio Virgílio, porque sua amizade com meu Pai e Tio Emídio, meu segundo pai, se dava numa fronteira onde parentesco e amizade é retórica. Mas nem pense que vou me avexar a lhe chamar de tio no decorrer dessa missiva, viu! E vou tratar de entrar nos detalhes dos ocorridos nessa Enxu mais bela, pois a noite já vai longa. E tem moído que nem presta!

Antes que esqueça: Quando vem por aqui para saborear uma cioba gorda? Dr. Liu, o mar aqui é bom de peixe e dá de tudo. Lagosta tem também, mas os tempos estão cruéis para aqueles pescadores que se aventuram a mergulhar em busca das bichinhas. A pesca abriu no começo de junho, porém, até agora, o que foi pego não deu nem para o gasto. Lembro de quando pisei pela primeira vez os pés nessas areias, coisa de mais de 29 anos, que na época da lagosta era festa muita. Tinha caboco que tomava banho de cerveja e depois tirava o excesso com água mineral. Era um tal de chegar caminhão carregado de móveis e utensílios novos para casa, que era bonito de se ver. Carro zero quilômetro, então, vixi! Eram tempos de fartura e sabe o que se dava? No ano seguinte recomeçava o reboliço. Cansei de sentar na calçada da casa de Dona Tita e Seu Nilo, durante a noite, para saborear caldeirões de lagostas no bafo, acompanhado de cerveja, como diria o rei do baião, escumando. Nessa peleja virávamos a noite e ainda sobrava para o dia que vinha. – E acabou porquê? – Vai saber! É tanto disse me disse que é melhor deixar quieto.

Dr. Liu, sabe o que eu queria ver? Queria ver Nelson Mattos e Emídio Mattos batendo pernas por esse paraíso praia. Papai munido com o trombone de vara e Tio Emídio com aquela vasilha de sorvete que ele levava para a casa de Ponta Negra. Eita que a meninada ia adorar!

Liu, venha aqui, homem de Deus, que garanto um estoque novinho de piadas, causos e afins para sua enorme coleção de moídos. Venha sentar sobre uma jangada, na beira mar, para jogar conversa fora com Seu Neném Correia e a galera que não perde um bom bate papo. Durante o falatório você vai alegrar a turma com aqueles causos que só você sabe contar. Eita que vai ser bom! Mas, peraí, esqueça a história daquele “bicho” que Moquinho matou no banheiro, viu!

Dr. Liu, mudando de pau para cacete, tenho achado um bocado de graça com as coisas que me chegam pelas ondas da internet. Por aqui o sinal da internet é bom, apesar de alguns pormenores básicos, e basta piscar o olho para a tela se encher de novidades. Tem umas coisas cabeludas que bem cabiam nas atrações dos velhos trens fantasmas, mas dessa eu tiro de letra, pois danado e quem se mete a discutir os pormenores dessa politicalha barata, aliada aos destrambelhos de uma justiça sem freio. Pois bem, já que pulo essa casa, vou me arvorar da seguinte que é bem mais engraçada. Tempos atrás ouvimos ecos, vindos do planalto central, que afirmava que iriamos estocar ventos e o eco rendeu boas piadas e charges. Agora vejo que um general iraniano está acusando Israel de roubar nuvens. – Como assim? O militar ajuntou a impressa e declarou em alto e bom som, como assim fazem os generais quando querem mandar recado, que os meninos de Netanyahu estão “manipulando as condições meteorológicas” com o intuito de evitar que caia chuva no Irã. – Pode isso, Arnaldo?

Segundo o soldado do aiatolá, as mudanças climáticas no Irã são suspeitas e Israel e outro país da região, trabalham juntos para que as nuvens que entrem no território dos antigos reis aquemênidas não produzam chuvas. Diante dessa conversa mole do general, fico matutando: Quem danado está manipulando as nuvens desse Nordeste velho de guerras? E desse sertão sofrido do Rio Grande do Norte? Será que foi praga de Lampião e seus cabras da peste? Pense num povo amalucado! Deus é mais!

Dr. Liu, e por falar em água, pois num é que amanhã, 04/07, dia do israelita São Tomé, aquele que só acreditava vendo e por isso tomou uma reprimenda do Senhor, chega por essa prainha linda, o Excelentíssimo Governador do Estado, Robinson Faria, para inaugurar e dar vasão ao bem da vida nas torneiras de Enxu. Doutor, dizem que o povo está se manifestando para dar nó em pingo de água diante da presença do homem. Vamos ver, mas tomara que ele saia daqui com boa impressão, pois esse paraíso merece muito mais e o povo é ordeiro.

Doutor Virgílio Alexandrino Neto, Liu, meu tio por querença, pegue Dona Nair pelo braço e venha tomar uns banhos de praia no mar daqui, pois é bom demais da conta. Venha deitar o esqueleto numa rede armada embaixo da varanda dessa cabaninha de praia e ver o mundo de um jeito encantador.

Grande abraço,

Nelson Mattos Filho

Anúncios

Cartas de Enxu 25

IMG_0002

Enxu Queimado/RN, 03 de junho de 2018

Caro amigo Peralta, que danado de mundo é esse tão cheio de peraltices? Pois é, meu amigo, a coisa está esquisita, como bem disse um amigo, morador dessa Enxu mais bela. E por falar nisso: Quando você dará o ar da graça por aqui? Já se foi tempo que botasse os pés nessas areias, viu! Tá bom de se achegar novamente para ver como as coisas mudaram e nem as dunas são mais as mesma, pois deram um chega para lá nos montes de areia e plantaram uma colossal floresta de cata-ventos. Ficou uma paisagem surreal, que enche os olhos do povo que adora falar em progresso, mas para um saudosista inveterado como eu, restou apenas lembranças e interrogações sem respostas.

Velejador, você bem sabe que esse negócio de deitar o esqueleto numa rede para ver o tempo passar e coisa medonha de boa, mas deixa o caboco cheinho de confabulança, porém, assim mesmo que é bom, ainda mais quando a redinha, macia e cheirosa, está esparramada numa varandinha ventilada e perfumada pelas palhas verdes de um coqueiral. Pois é nessas horas que me avexo em curiar os noticiados deste planetinha azul e foi daí que li na coluna do jornalista Woden Madruga, assentada no jornal Tribuna do Norte, periódico que em tempos idos rabisquei páginas e páginas do Diário do Avoante, de que o mercado de livros no Brasil está caminhando avexado para o volume morto e no período entre 2006 e 2017 encolheu 21%, com os escritos de obras de ficção e não ficção liderando a queda com 42%. O povo num lê mais não, meu amigo! Só quer saber de zap zap e, como diz Woden, “faicebuqui”, e mesmo assim se for texto com, no máximo, duas linhas e com fundo colorido.

E por falar em livros, nas calmarias dessa prainha gostosa tenho lido um bocado e até dei por fim o primeiro volume da biografia do inglês Winston Churchill, caboco bem colocado nos anais da história do século XX. O inglês era bom e assinou o jamegão em uma ruma de passagens históricas do mundo em meio ao reboliço de duas grandes guerras. Agora estou pegado com os pecados e mistérios de Pilar, uma maranhense arretada e personagem principal do livro, A mãe, a filha e o espírito da santa, do autor PJ Pereira. Sei não, viu meu amigo, mas esse mundo da fé é meio desvairado!

A rede deu um balanço e dei de cara com notícias estelares insinuando que o mundo das estrelas tem, por baixo, uns 100 planetas habitáveis. – Será verdade, professor? Se assim for, o futuro será o céu e as estrelas. O problema vai ser fazer os homenzinhos verdes acostumar com nossas maruagens. Os estudiosos terráqueos apostam que em menos de 15 anos teremos a resposta se os orelhudos verdes existem de verdade ou tudo não passa da nossa fértil imaginação. – Será que tem funk? – E batidão? – Vixe, se não tiver eu pego o primeiro foguete!

A rede foi, voltou, a página virou e as notícias continuaram nas estrelas e dessa vez anunciando que a lixeira espacial está de vento em popa, com mais de 500 mil detritos vagando sem rumo sobre nosso quengo. O problema é sério, pois não tem ninguém na Terra com vontade de resolver a bronca. Os sabidos só sabem jogar as gerigonças para cima, mas nenhum tem o discernimento de saber quando, como e se um dia o rebolo volta. Ainda bem que Enxu fica num pedacinho quase invisível do mapa do mundo e acertar um alvo tão pequeno, só mesmo se for por azar.

Peralta, e a greve dos caminhoneiros? Seu menino, até aqui nessa vilazinha de pecadores a coisa deu ruim e até hoje, 03/05, dias depois que os polícias engrossaram a voz, ainda tem prateleira vazia. A padaria já anunciou que vai parar por falta de farinha, a batata inglesa virou pepita de ouro e assim vai a reza. A gasolina nem se fala, pois para falar tem que pagar. E o diesel, motivo maior da greve, ninguém sabe, ninguém viu e ninguém aposta que vá baixar de vera. As más línguas dizem que baixa e o governo vai pagar a conta inteirando o valor que faltar, e como ele é nós, quem paga é nós. Dizem que a Petrobras é nossa. – Como nossa, cara pálida? – Minha parte é só para pagar pelo prejuízo, é? – Vots, pode me tirar dessa sociedade!

João Jorge Peralta, velejador e professor arretado, desculpe encher seus miolos com esses moídos sem pé, nem cabeça, mas é, como disse no início dessa missiva, confabulações criadas enquanto balanço nessa redinha aconchegante e observo o balé do coqueiral. Venha aqui meu amigo, venha ver a vida por uma visão mais humana, mais simples e sem os cacoetes das grandes cidades. Venha espichar o corpo numa rede para esperar as respostas da alma. Venha saber com quantos paus se faz uma jangada e se inteirar dos segredos existentes na trama das costuras das redes de pesca. Venha, meu amigo, e venha logo, pois estamos na abertura da temporada da pesca da lagosta e por aqui a produção é decente. Quem sabe sobra algumas para enfeitar a churrasqueira!

Abraços.

Nelson Mattos Filho

Cartas de Enxu 24

4 Abril (164)

Enxu Queimado/RN, 09 de maio de 2018

Lourdinha, fico aqui na maciota dos balanços da rede e de olhos vidrados no sacolejo delirante das palhas dos coqueirais, que a vida passa e nem vejo. Mas fique com inveja não, pois esse aparente desestresse é coisa de minha cabeça de vento, pois o que mais tem sob o teto dessa minha cabaninha de praia é trabalho, porque se assim não fosse, como danado você iria comer aquelas saltenhas deliciosas, os nhoques, os quiches, as pizzas, tudo feito com o mais refinado carinho do mundo, pelas mãos abençoadas de Lucia. Ceminha diz assim: – Tudo que Lucia faz eu acho bom! Pois se é bom mesmo, eu vou dizer o que, num é não?

Amiga, quando será que você vai dar o ar da graça por aqui? Se adiante e venha logo, para ver que nesse Rio Grande do Norte ainda tem uns lugarzinhos gostosos que nem os descritos nos livros que falam do paraíso. Claro que não tem aquela maça apetitosa e nem o casalzinho que deu início ao falatório do pecado, mas tem peixe que só vendo e prosa tão boa, que faz a gente esquecer as maldades do mundo. Para animar sua vontade, e sabendo que você aprecia história dos povos, vou contar um tiquinho sobre o lugar que estou vivendo.

O município de Pedra Grande, do qual faz parte Enxu Queimado, tem a minha idade, aliás, dizem que 1962 foi o ano que nasceu as lendas. – Se foi não sei, mas já que dizem, vou por aí cheio de pretensões. Mas amiga, se inteirar sobre a história dos municípios brasileiros, e nem sei se mundo afora é igual, é uma aventura desgastante e que nos deixa com aquela velha cara de sei lá. É tanta desinformação, tanto disse me disse, tanto chafurdo, tanto foi não foi, que no fim das contas é como se quer que seja e ponto final. Bem, o conto é que o povoamento daqui teve início em 1919, pela insistência do agricultor João Victor, que cercou umas terrinhas para montar um sítio em homenagem a São João. Vendo a fazendinha criar marra e querendo marcar terreno, vieram da localidade de Canto de Baixo, que pertencia ao município de Touros, os trabalhadores rurais Manoel Felix de Morais, Januário Pedro da Silva, Manoel Gabi, Januário Lucas e Manuel Pulu, daí se foi o tempo, o povoamento cresceu e de um pulo virou distrito de São Bento do Norte, até que em 1962, o governador Aluízio Alves, meu padrinho, fez correr os papeis e numa canetada só criou o município de Pedra Grande.

Aí você haverá de perguntar: – E de onde saiu o nome? Respondo, mas antes preciso dizer que pesquei a maioria das informações, aqui contidas, no blog Pedra Grande, assinado por Jota Maria, que não conheço e nem sabia que existisse o blog. Tentei me inteirar no site da prefeitura local, mas não existe nada sobre o assunto. Pois bem, Jota diz que antigamente existia uma grande pedra nos arredores do povoado e os moradores começaram a chamá-la de Pedra Grande e assim ficou, pois a voz do povo é a voz de Deus e não se fala mais nisso. O moído é bom, né não? E tem mais e o mais nos arremete de encontro a umas Naus e Caravelas que andaram errantes pelos mares de Netuno, mas aí é conto longo e que deixarei para outra carta, para não apoquentar seu juízo.

Lourdinha, o município cinquentão, bem novinho por sinal, tem, segundo o censo de 2010, polução de 3.521 habitantes e densidade demográfica de quase 16 habitantes por quilômetros quadrados, mas o que me chama atenção é que no gráfico do Índice de Desenvolvimento Humano, ele está no nível 0,559, baixíssimo para um município que ostenta, se você não sabia, um enorme parque de energia dos ventos e este está dentro da área que engloba, talvez, o maior parque eólico brasileiro. Viva o paquistanês Mahbub ul Haq, que acreditou e fez o mundo ver que o desenvolvimento não se mede apenas pelos avanços econômicos, mas também pelas melhorias do bem-estar humano. – Sabe o que me deixa abismado, amiga? – E que em pleno século XXI os administradores públicos não aprenderam, ou não querem aprender, uma lição tão simples.

Lourdes Gonçalves Oliveira, minha amiga pesquisadora e letrada, que tal debater esses assuntos sob a sombra da minha varandinha, debruçada diante do coqueiral e comendo peixe frito acompanhado de uma deliciosa tapioca com coco? Por aqui tem muita coisa para ser oferecida nos reclames turísticos do RN, apesar de muito se encontrar invisível ou camuflado entre os desejos dos homens. Venha aqui mulher de Deus! Traga seu caderninho de anotações para recheá-lo de causos e quem sabe consiga garimpar provérbios sertanejos e praieiros para um novo livro.

Lucia manda um beijo e promete ensinar-lhe a preparar os nhoques.

Nelson Mattos Filho

Cartas de Enxu 15

4 Abril (145)

Enxu Queimado/RN, 14 de maio de 2017

Sabe Ceminha, se Deus me concedeu uma graça, essa foi ser seu filho e de todas as alegrias que já tive na vida, a mais maravilhosa é poder continuar te abraçando, acariciando seus cabelos e beijando seu rosto. Sei que não sou aquele filho tão presente, como a senhora queria, porque minha sede de aventura sempre me leva a apostar em rumos que transbordam em dolorosos lamentos em seu coração, mas sei que mesmo assim sigo abençoado, porque sinto a força de sua presença em cada passo que dou.

Ceminha, sei que poderia passar horas e horas escrevendo palavras de ternura e carinho e mesmo assim não falaria tudo o que sinto pela Senhora, justamente porque são palavras vindas de um poço de amor sem fim, mas não vou, pois preciso lhe contar coisas dessa vidinha que escolhi, sob as sombras dos coqueirais de uma Enxu mais bela.

Sabe Mãe, não é difícil e nem complicado optar pelas coisas simples da vida e isso eu aprendi quando aproei pela primeira vez meu Avoante para as águas da Baía de Camamu. Aquela entrada de barra meio enigmática, meio mágica, meio assustadora e bastante interrogativa, foi como a abertura das cortinas de um teatro encantado em que luzes, cores e cenário nos leva a um fascinante delírio de emoções. Aquele momento me transformou e nunca mais consegui ver o mundo através de outras lentes, outras cores, outros cenários e outras certezas, pois aquilo era a vida em seu mais lindo e fiel esplendor. Mas Camamu ficou para trás e um dia voltarei a navegar sobre os segredos de suas águas e com o sonho sonhado de por lá permanecer para sempre. Mas não se avexe minha Ceminha, pois isso são planos de um sonho de vida.

Hoje estou aqui, sobre as sombras da varandinha de uma cabaninha de praia, olhando o mundo pelas lentes com que vi pela primeira vez a linda baía mágica da costa do dendê e sabendo que, apesar dos pesares e das vontades dos homens, a simplicidade, a humildade, o bem querer e o amor, fazem parte de uma só força. – Sabe onde aprendi isso, minha Mãe? – Com a Senhora, com os seus atos, com seus princípios, com a sua ética, com a sua força de Mãe, com a sua determinação, com a sua amizade explicita pelos amigos, com a sua fé em Jesus Cristo e na Virgem Santíssima, com as honras com que recebes os que a procuram, com o carinho de seu olhar para com todos que a cercam, com seus ensinamentos, com a paixão com que abraça suas causas e com todos os doces e saudáveis frutos que a Senhora espalha ao seu redor.

Está vendo Cema, como é fácil deixar que palavras e emoções fluam quando queremos falar de Mãe? Basta deixar os dedos sobre o teclado que eles sabem direitinho juntar as letrinhas, sem esforço algum. O que eu queria mesmo contar era sobre a homenagem que recebi da vereadora Lucia de Pedrinho, assinada em baixo por todos os vereadores que compõem a Câmara de Vereadores de Pedra Grande, na gestão 2017 – 2020, me indicando para receber o Título de Cidadão Pedragrandense. Foi emoção sim, foi uma festa inesquecível, desejo participar de outras com o mesmo fim e queria muito que a Senhora e Tia Cecília estivessem ao meu lado naquela noite. Mas tudo bem, nem tudo que a gente quer a gente pode, recebi o Título, fiz meu agradecimento e voltei para minha cadeira para presenciar a glória e o reconhecimento de uma dama do amor ao próximo.

Cema, foi com lágrimas nos olhos que vi Dona Nerize, com seu andar vacilante, caminhar para receber seu título de cidadã. Ela é um anjo que foi indicada para servir e morar em Enxu Queimado e durante décadas faz a vida florescer sobre a comunidade. Mulher simples, de fala mansa, de mãos abençoadas e que estava, e está, sempre pronta para trazer ao mundo os bebes que ali nascem, unicamente com o propósito de fazer valer sua missão na terra. Basta vê-la caminhando pelas ruas e recebendo os pedidos de bênçãos de adultos e crianças e ela com a voz mais carinhosa abençoado a todos. Seu agradecimento na tribuna da Câmara deixou no ar a leveza e a grandeza de um coração de luz e paz. Foi difícil segurar as lágrimas, e não consegui.

Ceminha, como é gostoso viver em um mundo onde a realidade está ali nua e crua em nossa frente. Como é gostoso abrir os olhos e ver que o a vida continua linda, a paz continua a reinar, os pássaros voam soltos e as pessoas caminham despreocupadas nas ruas e a velha e linda parteira é a personalidade mais importante do lugar. Mas não era assim que deveria ser sempre?

Iracema Lopes Mattos, minha Mãe, minha Rainha, hoje, Dia das Mães, peço sua benção e lhe desejo muito amor, mas peço que me deixe também render homenagens a essa senhora que é Mãe de quase uma cidade inteira, Dona Nerize.

Nelson Mattos Filho

Convite e agradecimento

18193724_1387492927980433_6395781896972259496_n

Tem coisas que nos deixa envaidecidos, até mesmo quando a vaidade não se faz presente em nossas vidas, porém, é aquele envaidecimento de quem caminha na estrada da ética, das boas causas, do comprometimento, traça rumos em busca do panteão onde são forjadas as amizades e recebe por isso o reconhecimento. Conheci a praia de Enxu Queimado, distrito do município de Pedra Grande/RN, há mais de 26 anos, e digo que foi amor a primeira visita e faço questão de divulgar esse amor por todos os lugares por onde andei e naveguei, vibrando com suas histórias, com o progresso que chega a passos lentos, mas é um progresso salutar, porque mantém Pedra Grande, e seu paraíso praia, com aquela áurea de lugares mágicos, onde a paz e a tranquilidade reinam absolutos por entre belos coqueirais. Hoje sou Enxu Queimado/Pedra Grande de corpo e alma, pois foi lá que passei a morar, depois que deixei o meu Avoante nas águas do Senhor Bonfim e voltei para o mundo urbano. Foi com surpresa, alegria e emoção que recebi da vereadora Lucia de Pedrinho, amiga/irmã que há 26 anos, com um sorriso de criança, nos deu as boas vindas em Enxu Queimado, que eu seria um dos homenageados pela Câmara Municipal de Pedra Grande, com o título de Cidadão Pedragrandense, durante solenidade neste sábado, 06 de maio de 2017, nos festejos em comemoração dos 55 anos de Emancipação Política do Município. Muito obrigado vereadora Lucia de Pedrinho! Muito obrigado vereador Pedro Henrique de Souza Silva, presidente da Câmara Municipal! Muito obrigado Pedra Grande! Esse título será para sempre honrado.