Arquivo do mês: fevereiro 2018

De olho no tempo

mapservDados fornecidos pelo Governo do Rio Grande do Norte, dizem que a capacidade dos reservatórios de água do Estado estão beirando o caos. O número é alarmante, pois a capacidade total está em apenas 10,90%. Dos 167 municípios do RN, 15 estão em estado de calamidade e os demais recebem água sob as leis do racionamento. Todo esse quadro preocupante é pintado em cima de um período chuvoso que já dura mais de 15 dias. Mas quem pensa que é apenas o “mapa do elefante” que está nessa situação crítica, apresso em dizer que não, pois São Pedro, nos últimos anos, andou meio esquecido da região Nordeste e vai precisar de muita chuva para as coisas entrarem nos eixos. Porém, seguindo nas asas da esperança, as previsões meteorológicas para o início de março são animadoras e prometem chuvas intensas e pancadas isoladas e fortes em todo território nacional. A imagem do satélite mostra para amanhã, 01/03, muita chuva, principalmente no Sudeste, Centro-Oeste e Norte. Já o mar, vai crescer e vai crescer bonito, com previsão de agitação forte no litoral Nordeste e Norte, com anuncio de um poderoso swell para perturbar o juízo do povo da ilha de Fernando de Noronha. – Quem acha bom é a galera do surf! Pois bem, que venha a chuva, que venha a ressaca do mar, que venha o outono e suas cores mágicas, mas bem que poderia vir em fartas doses, porém, suportáveis para os pobres mortais esperançosos. – Quer saber o que dizem os homens do CPTEC/INPE, para esta quinta-feira, 01?Pois lá vai:

 Na quinta-feira (01/03), ocorrerão pancadas de chuva localmente fortes, em boa parte das Regiões Norte, Centro-Oeste, oeste, sul e sudeste de MG, RJ, SP, PR, SC, norte e leste do RS. Pancadas de chuva localizadas também ocorrerão no MA, PI, CE, centro-oeste do RN, da PB, de PE e oeste de AL. As pancadas de chuvas previstas para parte da porção centro-sul do país, ocorrerão principalmente a partir da tarde. O dia será instável entre o leste do RN ao leste da BA, com variação de nuvens e chuva a qualquer hora.

    

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Um comentário

mensagens ao mar

Voltando ao tema Mensagens lançadas ao mar”, a imagem acima é de um quadro com duas mensagens recolhidas nas areias da Ilha da Mangunça, em Cururupu/MA, e foram enviada anexadas ao comentário do leitor Jorge Dino. As “correntes enigmáticas” que cortam os mares maranhense tem histórias e causos.

Quando construí a Pousada Través’cia em Cururupu-MA recebi, de um amigo estas duas mensagens, que chegaram, anos antes à Ilha de Mangunça, litoral de Cururupu.
A Primeira é do Instituto Alfred-Wegener, Alemanha.
Lançada no Atlântico Sul na data de 27/março/1983.
A outra, jogada por um morador da Ilha de Santa Helena, Atlântico Sul em 30/outubro/2001.
Coloquei-as num quadro que está exposto na entrada da
Pousada Través’cia.

O parque e o mangue

P_20170914_112902Um mutirão coordenado pela administração do Parque das Dunas, um dos mais belos cartões postais de Natal/RN, que nas caminhadas da infância e adolescência, conheci boa parte, pretende retirar todas as plantas exóticas existentes na maravilhosa área de Mata Atlântica, e que, segundo os botânicos, estão ameaçando a fauna e flora. Plantas como Espada de São Jorge, Comigo Ninguém Pode, Dracena e outras, devem ser arrancadas e se possível, transferidas para outros locais. Olhando essa notícia nas páginas online do site Portal no Ar, lembrei de uma situação parecida e que virou tabu entre os defensores e instituições que cuidam do meio ambiente. Tempos atrás a Prefeitura do Natal esteve em contato com um grupo empresarial que pretendia construir uma marina, no Rio Potengi, próximo a fortaleza dos Reis Magos, na boca da Barra da capital potiguar, o que gerou gritaria, esperneio, afetação, discursões acaloradas e que culminou com a Câmara Municipal, erroneamente, botando uma par de cal sobre o assunto e a cidade perdeu uma excelente oportunidade de receber um grande portal turístico. Não defendo que o projeto daquela época fosse o mais correto e nem digo que aquele grupo fosse o que tinha melhores intenções, mas a discursão seguiu por uma rota totalmente adversa aos interesses da sociedade, a começar pela insistência dos militantes das coisas da ecologia em dizer que a marina iria destruir parte do mangue e coisa e tal. Ora, naquela época surgiram, e submergiram inexplicavelmente, estudos que afirmavam que o mangue em questão é composto de uma vegetação invasora e sendo assim, interfere na fauna e flora. – Será mesmo? Deve ser por isso que se diz, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Mas é assim!      

Mensagens lançadas ao mar

xGarrafa.jpg.pagespeed.ic.u8wkwILypaA garrafa da imagem, segundo a Associação Biologia Marinha – MBA, que promove e apoia pesquisas científicas sobre todos os aspectos da vida no mar, é a mais antiga do mundo e foi jogada ao mar em 1906, pelo biólogo George Parker Bidder, quando pesquisava o padrão das correntes marinhas. A garrafa de Bidder foi achada 108 anos depois, por uma funcionária dos correios da Alemanha, nas areias da ilha germânica Amrun, em 2014. Dentro da garrafa estava uma mensagem que pedia para quem encontrasse, quebrasse o recipiente e enviasse um cartão postal, que havia dentro, para a Associação Biológica Marinha, em Devon, no Reino Unido, onde George Parker foi um dos seus presidentes. A mensagem prometia “um xelim”, moeda comum em vários países, a quem encontrasse a garrafa. O valor prometido era significativo na época do envio, porém, os cientistas da Associação deram uma de desentendidos e não ariscaram fazer a conversão para valores atuais e com isso a pessoa que encontrou receberá, ou já recebeu, o “um xelim” antigo da promessa. Na história da navegação existem vários relatos do uso de garrafas para envio de mensagens e muitas jamais foram encontradas, ou quem encontrou não levou a sério a mensagem, ou descartou como lixo. Em minhas navegadas sempre desejei jogar alguma mensagem ao mar, mas fui deixando para depois, para depois e o desejo foi ficando esquecido e terminou jogado ao vento. Vi no site Globo.com, que um casal de adolescentes que caminhava na praia do Cassino, no Rio Grande do Sul, encontrou recentemente uma garrafa com uma mensagem escrita em inglês  e alemão, que foi jogada ao mar há mais de cinco anos pelo velejador alemão Martin Finkbeiner, durante uma volta ao mundo. O casal entrou em contato com o velejador, que de tão surpreso falou: “Uau, a carta chegou”. Martin disse que havia jogado a garrafa durante a passagem pela ilha de Santa Helena, território britânico ultramarino,  com o objetivo de mostrar as pessoas que tudo que é jogado nos oceanos chega em algum lugar e, segundo ele, usa o exemplo para dar palestras em escolas da Alemanha. Curiosidade: Na garrafa de Martin, além da mensagem para não jogar lixo no mar, existia uma declaração de amor para a namorada e essa declaração deveria ser enviada para ela. Mas como a vida dá voltas e nós, o namoro acabou e ele pediu aos meninos que não enviassem a carta para o endereço indicado. O alemão promete fazer outra volta ao mundo de veleiro e uma das paradas será em Rio Grande, onde pretende conhecer  casal. – Eita mundão cheio de moído!         

Minha primeira noite em mar aberto

IMG-20180222-WA0070A palavra hoje está com o velejador Anselmo Pereira, comandante em chefe do veleiro Solaris, contando um pouquinho – e deixando em mim uma imensa saudade – do que foi sua primeira navegada em mar aberto, nas águas abençoadas pelo Senhor do Bonfim, a bordo do veleiro Pappi. Vamos embarcar nessa aventura!

Nosso amigo, comandante Jorjão, veterano velejador, nos convidou a participar da regata Salvador/Ilhéus. Não nos sobrou muito tempo para os preparos, devido a semana muito corrida que tivemos, resolvendo alguns dos problemas no barco, mas aceitamos de imediato.

Sexta feira, 2 de fevereiro de 2018, a ansiedade transborda, para mim, uma experiência única, além de uma excelente aula prática. São quase sete horas da manhã, dia ensolarado a cara do verão da Bahia. Saímos de casa bem cedo, demos uma passada no mercadinho da ilha, para complementar umas coisas de cozinha. Chegamos ao Aratu Iate clube, antes das sete horas, o comandante Ferreira, já estava a bordo do seu veleiro PAPPI, um Delta 36. Eu e Sandra éramos seus convidados e sua tripulação.

Como de costume, fizemos as verificações dos equipamentos de navegação, maré, vento, cartas, condições meteorológicas e mantimentos. Nossa travessia era estimada em um dia, e uma noite até o destino. No retorno não tínhamos data preestabelecida, passaríamos alguns dias em Camamu, em Canavieirinhas, Morro de São Paulo, e arredores, os locais mais cobiçados da costa sul da Bahia.

Velas içadas, 07h20min saímos do Aratu com destino ao porto da barra. O mar estava calmo como uma lagoa, os barcos ainda dormiam imóveis agarrados as suas poitas e vagas, o silencio só era quebrado pelo barulho no nosso motor, e um bando de garças que passavam sobre os veleiros grasnando. As águas verdes esmeralda e cristalinas, o vento era apenas uma leve brisa fresca. Após atravessarmos o canal de Cotegipe deixando para trás, os gigantes navios atracados aos terminais, seguimos com a proa na barra. O grande espelho de água refletia a imagem dos morros dos subúrbios a nosso bombordo. Após cerca de três horas de navegação, chegamos ao ponto de partida, em frente ao Iate Clube da Bahia, próximo do farol da Barra, ali seria dada a largada. Após a chegada de todos, e informações necessárias, exatamente às 11h20minh foi dada a largada. Todos se apressaram em alinhar a proa, de acordo a sua rota e estratégia.

Coração a mil, avançamos em direção ao mar aberto, aos poucos, as águas mudam de volume e cor, mais intensas e intimidadoras. O vento aumentou a intensidade, tal qual a euforia da tripulação. Depois de muitos ajustes e reajustes nas velas, nos concentramos na rota. À medida que às horas passavam e nos afastávamos da costa, ficávamos mais rápidos. O moral da tripulação estava alto e animado com a aventura.

A cada instante que olhávamos para a cidade, era como se estivéssemos nos apegando ao último pedacinho de terra, sabíamos que em breve desapareceria completamente. Após umas cinco horas navegadas, olhei nostalgicamente para trás na esperança de ver algo entre as ondas, porém o que vi foi apenas um pontinho que aparecia e desaparecia no horizonte líquido. Agora em nossa volta, as águas do oceano, eram de um azul impressionante. Daí em diante começamos a relaxar e passamos a desfrutar da maravilhosa e suntuosa paisagem marítima. Os nossos concorrentes espalharam-se como patos na lagoa, cada um seguia para uma posição tentando ficar a frente. Para mim, participar já era bom, ganhar seria o máximo, mas, apesar do desejo, tinha consciência do degrau que aquela experiência me proporcionaria. O tempo passa como um filme em câmera lenta, o mar ficou maior, suas ondas se transformaram em gigantes azuis. Diante da majestosa força, me dei conta da nossa pequenez. O oceano é fascinante, mas, provoca certo frio na barriga. O valente PAPPI demonstra que é realmente um valoroso marinheiro, sua proa cortava as ondas como uma navalha, deixando para trás, uma trilha de espumas brancas sobre o profundo azul. Naquele momento, a confiança se torna um laço estreito entre o barco e sua tripulação. Antes do anoitecer, já no finalzinho da tarde, fomos premiados, uma família de golfinhos nos acompanhou durante um bom tempo, vieram nos dar as boas vindas. Tão rápido como apareceram, desapareceram na imensidão, e assim a noite abraçou o PAPPI, e sua audaz tripulação.

As tripulações eram compostas por três membros. No PAPPI, comandante Ferreira, eu e Sandra. No NABOA, comandante Jorjão, Kathia e Bené. As tripulantes femininas, além de nos ajudarem bastante em outras tarefas, nos proporcionaram saborear deliciosos pratos. Por exemplo, não sabemos como Sandra consegue fazer café, mesmo com veleiro em movimento ou adernado, certamente elas são marinizadas.

À noite a paisagem ficou surreal, céu e mar se confundem, dando a impressão que flutuávamos sobre as estrelas. Já navegávamos a cerca de dez horas. Na escuridão, tudo que enxergávamos eram as luzes de navegação dos outros barcos. O frio apertou, coloquei meu blusão, e assumi o comando dando um merecido descanso ao capitão Ferreira, muito embora, ele não arredasse o pé do cockpit nem por um segundo. Um verdadeiro Comandante! Por volta das 4 horas da madrugada, o mar se agitou um pouco, passamos pela retaguarda de uma pancada de chuva, mas foi muito rápido e o PAPI seguiu estável e incólume. Cerca das 04h30minh da matina, o dia se manifestava através da tênue luz solar. Nesse momento o vento simplesmente evadiu-se. O barco parou, são mil emoções. Tentamos diversas manobras possíveis, mas não conseguimos avançar… Será que o vento ficou chateado com alguma coisa? Literalmente ficamos à deriva. Já navegávamos por mais de dezessete horas, e os sinais da juventude acumulada já se manifestavam. A situação ficou bastante desagradável, e de certa forma um pouco arriscada. A agitação e os balanços desencontrados das ondas jogavam violentamente a retranca do mastro de um lado para outro.

Após cessarem todas as tentativas, chegamos ao nosso limite e precisávamos de uma saída, e a única alternativa naquele momento, seria ligar o motor, ou ficar, não se sabe por quanto tempo naquela situação. Em consenso com a tripulação, o comandante tomou a decisão: Ligar o motor e seguir em frente. Após uma hora navegando o cretino vento retornou, mas, já havíamos decidido. Com o motor ligado, cruzamos a comissão de regatas, e consequentemente fomos desclassificados como previsto, porém, com nossa honra intacta.

Ancorados e relaxados, mais tarde fomos recebidos pelos membros do Iate Clube de Ilhéus, onde saborearam uma bela feijoada, ao sabor de umas geladas, assistimos a entrega dos troféus aos vencedores. Entre eles, em primeiro lugar na sua categoria, como não poderia deixar de ser, o NABOA. Ao final das comemorações, o capitão Ferreira foi chamado pelos organizadores e lhe foi conferido o troféu honestidade. Ficamos felizes e cheirando as nuvens.

Após uma rápida visita a cidade, retornamos ao aconchego do PAPPI, e dormimos como anjos. Mas, nem tudo são flores… O dia ainda não havia amanhecido, acordamos sob uma tremenda borrasca, os sacolejos das agitadas águas do porto, quase me jogaram no assoalho. Firme e forte, o nosso otimista comandante Ferreira e seu guerreiro PAPPI, saímos em direção ao mar aberto, seguindo o NABOA. O comandante Ferreira, além de ser ponderado, tem uma característica que lhe é peculiar… Otimismo, isso mesmo, pra ele uma borrasca é uma garoa, uma ventania é uma brisa, ou seja, não tem tempo ruim. O comandante Jorjão possui outra característica também peculiar… Habilidade e conhecimento. Navegando em mar aberto, ou em rasos e estreitos canais, seu Delta 36, se torna uma extensão do seu corpo, é impressionante. Assim ambos provaram que, quem é do mar não enjoa. Assim, partimos para mais aventuras.

Anselmo Pereira 

Surf na Urca do Minhoto

29a90e2af71f8535d9aceb0733a9b021Em março de 2017 escrevi sobre as incríveis ondas de alto mar, no litoral entre Enxu Queimado e Guamaré, ondas que se formam sobre as picos das montanhas submersas dos oceanos, picos que no jargão náutico se chama “urca”, e que a galera do surf faz a festa. Ver Surf em alto mar no Rio Grande do Norte. Neste 2018, as ondas da Urca do Minhoto, localizada a 14 milhas da costa da praia de Galinhos,  estão enorme e faz a alegria de surfistas do Brasil e do mundo, que ao saberem da notícia, montam verdadeiras caravanas para Galinhos e para o munícipio de Guamaré, que servem de bases de apoio e porto onde embarcam em busca do surf radical das grandes ondas do meio do mar. – Quer ficar na crista da onda? – Pegue sua prancha e vá conferir, porque o período é curto!

Escritos de um dia de praia

1 Janeiro (7)

Caminhando sobre as areias da praia do Marco, litoral Norte do RN, que muitos jogam fichas e sou até tentado a apostar, que foi lá que os patrícios do Rei acharam as terras de além-mar, reflito o quanto somos indiferentes aos desmandos dos nossos governantes, de outrora, de hoje e pelo visto, de centenas de anos mais para frente. Gostamos mesmo é de um ruidoso “mimimi”, mas na hora “do pega para capar”, é um tal de deixe quieto, de coisa e tal, que sei não, viu!

O Marco, que existe no local, é uma réplica malcuidada, lambuzada na cor amarelo envergonhado e indicada por uma placa há muito precisando ser substituída. O local onde está chantado a réplica é dentro de um velho cemitério e em frente a capelinha, pintada com o mesmo amarelo envergonhado. Ora, em outros tempos os cemitérios eram locais sagrados e respeitados, onde imperava um silêncio sagrado, reflexivo e ensurdecedor. Hoje os cemitérios viraram espaços onde se praticam todo tipo de profanação e o velho espaço sagrado do Marco não foge à regra desdita. Sabe onde foram colocados os fogos para a virada do ano? Em cima de uma tumba! Acredita não? Vá conferir, porque as pistolas ainda estão lá.

A praia é linda e a natureza ainda tenta se manter paradisíaca e selvagem, mas está cansando da luta desigual entre ela e nós, os “sábios”. Toda ação do homem naquele local, denota desleixo e abandono. Nada ali é lógico e nem prestigia um passado que dizem histórico. Quem um dia tentou dar um rumo ao local, e sou testemunha da batalha por ela enfrentada, teve que sair devido a força da insegurança pública. E olhe que pagamos caro pela segurança, porém, ela praticamente inexiste. – Será que não seria o caso de acionar os direitos de defesa do consumidor? Dona Tânia, sei que a senhora anda meio angustiada em ver tanta luta ser desdenhada por aqueles que tinham o dever de juntar fileiras ao seu lado, mas sei que a senhora ainda respira e alimenta os sonhos de ver “o Marco” figurar no olimpo das maravilhas.

Tenho carinho e paixão pela praia do Marco, porque aquele cantinho de litoral me traz boas e felizes recordações, porém, ultimamente, sempre que tenho oportunidade de ir até lá, volto com o coração entristecido, em ver um lugar tão importante para a história brasileira, tão jogado ao léu.

Pulula nas mídias sociais uma mensagem do jornalista Alexandre Garcia, dando como certo que o descobrimento do Brasil ocorreu no Rio Grande do Norte, e completa dizendo que nenhum governante potiguar tem ou teve interesse em bisbilhotar e revirar a história contada nos registros oficiais. Ele diz até que o ex-governador Garibaldi Alves teve medo de trocar pernadas com o baiano apoquentado, Antônio Carlos Magalhães, cabra que gostava de briga. E assim vai a história do descobrimento, com pontos, linhas e traços que jamais se encontram.

Dia desses soube que o Governo do RN e as prefeituras dos dois municípios, que dividem o pedaço em que foi chantado o Marco, resolveram pegar carona nas palavras do jornalista global e pretendem fazer uma grande festa no dia 22 de abril 2018, com direito a palanque, discursos inflamados, shows musicais e apresentação teatral. Uma verdadeira encenação politiqueira. Diz o ditado que o povo gosta de “pão e circo”. Então, assim será! Que tristeza para um Estado praticamente falido e para dois municípios que tentam se equilibrar numa corda bamba financeira. Precisa disso não, autoridades, o que precisa é ação concreta e objetiva. Oba-oba e falácia são totalmente descartáveis e feio, viu!

Como santo de casa não faz milagre, há anos Dona Tânia Maria da Fonseca Teixeira, uma das maiores entusiastas da volta do Marco de Posse, original, ao local onde foi chantado pelos portugueses, em 1501, gasta saliva, tempo e paciência batendo nessa tecla, mas infelizmente só recebeu promessas e apertos de mão. O historiador Lenine Pinto é outro que conta uma história bem diferente da que existe no terreiro da baiana Porto Seguro. Vários estudos coordenados pela UFRN seguiram rumo pelo tema. O historiador maior do RN, Luís da Câmara Cascudo excursionou pela praia. Meia dezena de jornalista potiguares editaram matérias e até este blog está recheado com postagens sobre essa história tão mal contada.

Não sou partidária para que se faça birra e se bata o pé, para que se mude o rumo do descobrimento, ou achamento, sei lá o que foi ocorreu, e nem apostos minhas fichas que tudo começou na praia potiguar, mas advogo que aprofundemos no tema para que erros sejam corrigidos.

Nesse assunto o que não cabe, e nunca caberá, é a desfaçatez do oba-oba.

Nelson Mattos Filho