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Cartas de Enxu 12

2 Fevereiro (165)

Enxu Queimado, 25 de março de 2017

Sabe meu caro Woden, não o conheço pessoalmente, mas admiro seu trabalho, sua resistência jornalística e leio assiduamente a Coluna do WM nas páginas do jornal papa jerimum Tribuna do Norte, sei que isso não me credencia a sua amizade, porém, me sinto seu amigo pela via do seu filho, Woden Junior, parceiro “derna” dos bons tempos de uma Natal apaixonante e que deixou saudades em quem a viveu. Como dizia o personagem Lilico, o “Homem do Bumbo”, do programa A praça é Nossa: “Tempo bom, não volta mais, saudade… de outros tempos iguais! ”. Depois dessa breve e simplória apresentação, sigo em frente no rastro da chuva que acompanho de minha cabaninha de praia.

O texto de sua coluna do dia 24 de março, depois de discorrer sobre os meandros e segredos do tempo, coisa que os meteorologistas andam mais perdidos do que cego em tiroteio, você fechou o firo com a frase “O Nordeste é mesmo uma Academia”. Pois digo que é mesmo e os estudiosos do clima precisam tirar um tiquinho a atenção dos satélites e computadores para dar um passeio pelas Academias das feiras livres e bancos de praça do interior, pois é ali que se passam as verdades verdadeiras e as esperanças tomam ciência do sim ou do não. E tem mais, esse negócio de “normal” e “abaixo da média” e palavreado de arrodeio.

Seu Woden, não sou do campo, gosto mesmo é das diabruras do mar, pois é nos verdes campos de Netuno e Iemanjá que a vida conta léguas para tirar a prova dos nove daqueles que dizem saber das coisas das navegações. Já vi muito valente acabrunhado diante de uns torinhos de mar, mas também já vi muitos grumetes de alma lavada, pois na lei dos oceanos o que vale mais é o reconhecimento do medo e a vontade do constante aprendizado. Porém, digo que no terreiro dessa cabaninha de praia, que vim ficar debaixo depois que desembarquei do Avoante, me arvorei a espalhar umas sementinhas pelo chão e não me canso de procurar nuvens de chuva nos quadrantes do céu. O feijão já tá bota, não bota. O milho, que plantei um dia desse, já apontou, o inhame está bonito que só vendo e as fruteiras estão faceiras e botando safra. Para quem até uns dias passados estava balançando num veleirinho no meio do mar, até que estou indo bem.

Fico vendo suas notícias de volume de chuva pelo Rio Grande do Norte afora e fico imaginando onde danado você consegue esses números tão milimétricos. Por aqui, nessa Enxu Queimado de uma pequena Pedra Grande, essas informações estão mais raras do que onça brava. E por falar em onça, de vez em quando algumas davam as caras por aqui, mas depois que os parques de energia dos ventos tomaram conta da caatinga, passando o trator em tudo que é pé de jurema, os bichanos se escafederam. Jornalista, se fosse só na mata nativa do sertão estava até bom, mas o trator passou raspando tudo que é duna e daqui uns dias vamos saber apenas que existiu umas tais areias andantes que engoliam cidades.

Mas voltando a frase que fechou sua coluna do dia 24 de março, comentei com Lucia, a dona do meu ser, e como ela pergunta tudo ao pé da letra, tratou logo de interrogar: – Academia de que? Respondi que era Academia de ensino e que seu artigo falava dos erros e acertos dos homens que estudam o tempo. Ela deu um gole no café e disparou: – Eles erram porque não se apegam nos ventos, se prestassem atenção no que dizem os ventos não errariam tanto. Eu ainda quis argumentar falando nos “meninos” dos Andes, mas fiquei quieto. Em nosso tempo de vida a bordo eu nunca acertei uma quando o assunto era se iria chover ou não. Quando eu dizia que vinha chuva, Lucia botava a cabeça fora da gaiuta, olhava para o poente e sentenciava: – Vem não! Aí eu dizia: – Mas amor, o vento está vindo de lá e vem trazendo muitas nuvens escuras. – Mas não vai e pode tratar de terminar o serviço que começou ontem, viu! Pronto, acabava o assunto e a chuva.

Meu caro jornalista Woden Madruga, não sei onde fica Queimada de Baixo, recantinho de terra que você tem tanto carinho e que acolhe uns rebanhos de bodes manhosos, mas um dia vou dar um passeio por lá. Agora, se quiser comer umas postas de bicuda gorda e uns galos do alto mimosos, apareça em Enxu Queimado que garanto que Dona Lucia prepara um pirão de fazer pareia com o da Comadre. Minha casa é fácil de achar, basta chegar e perguntar, porém, se ninguém souber é porque você não está em Enxu.

Eita que já ia esquecendo de assuntar que o tempo hoje, 25 de março, sábado de quaresma, foi de Sol forte e poucas nuvens, porém, o chão está bem chovido. Anote no seu caderninho da chuva, viu!

Nelson Mattos Filho

Notícias da chuva e do tempo

mapservA chuva é boa, sim senhor, pelas terras do Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba e em quase todo nordeste. É tanta chuva que faz gosto de ver a meninada fazendo algazarra pelas ruas em gostosos banhos de bica. A trovoada faz festa, coriscos riscam o Céu o os relâmpagos não param de alumiar o mundo. É coisa bonita ver o sertão enchuvarado, a criação rindo a toa diante do pasto molhado e a açudagem ajuntando água. Quem cortou terra para a plantação está com a esperança nas alturas e quem ainda não o fez, está num pé e noutro para espalhar sementes pelo chão. Se São Pedro não der para trás, a coisa vinga, vinga com força e será decretado para sempre o final de uma seca de mais de meia década. E por falar em seca, dia desses vi num periódico que o Rio Grande do Norte é o estado onde a seca fez mais estragos, aí eu pergunto: A culpa só cabe a mãe natureza ou será que tem algum DNA de cristão nessa secura desumana e secular? Bem, a previsão do CPTEC/Inpe, aponta chuva arroxada até o final do mês e a imagem do satélite mostra que vem muita água por aí. Quem quer se aventurar mar afora, é bom ficar atento e repassar os ensinamentos que aprendeu sobre segurança na navegação, pois num é coisa boa estar no mar sob as ordens de um temporal.      

Cartas de Enxu 11

3 Março (7)

Enxu Queimado, 19 de março de 2017

Fernando meu amigo, como vão as coisas por aí nesse dia de São José? Por aqui estou com um olhar que beira o pessimismo, porque sempre ouvi falar que quando não cai chuva boa no dia do Santo anunciador de esperança, a vida tende a ser difícil para os lados do sertanejo, como se já não fosse sempre, pois sertanejo é povo sofrido, mas trabalhador que só vendo. Quando eu andava pelo meio do mundo aboletado em um veleiro, as esperançosas chuvas de 19 de março passavam meio que despercebidas, apesar de ser uma data em que os ventos vindos do Sul começam a tomar gosto e era chegada a hora de rever rotas e aprimorar as regras de navegação, pois vento do quadrante das terras geladas são malcriados que só vendo, pelo menos para quem navega pelos maravilhosos mares nordestinos é assim.

Mas continuando na mesma linha da esperança, continuo apostando pesado que o inverno será mais invernoso do que o dos últimos cinco anos, e tem que ser, porque faz tempo que São Pedro não lembrava do Nordeste e nesse 2017 ele de vez em quando abre uma torneirinha mais à vontade. Só espero que ele não venha com a aquela normalidade tão anunciada pelos homens que estudam o tempo, pois sendo assim o milho de São João não vinga. E por falar em milho, pois num é que me arvorei a espalhar uns leirões pelo terreno da nossa cabaninha de praia e lá plantei feijão, inhame, batata doce e milho. Lucia pegou gosto e ainda fez uma horta com coentro, cebolinha, alface, espinafre, tomate e mais um bocado de coisa boa. A fartura vai ser grande e já estou preocupado com o tamanho do caminhão para carregar a produção. Se for pequeno, não dá! Não ria que a coisa é séria!

Meu amigo, estou curtindo essa nova vida meio praieira, meio do campo, porém, juro que a saudade do veleiro é grande e tomara um dia voltar para o seio de Iemanjá e seu reinado acolhedor. Tem quem diga que em terra a vida é mais segura, mas eu os perdoo, pois eles não sabem o que dizem.

Sim, diga aí como vai Dona Marta, espero que tudo esteja nas mil maravilhas e até prometemos tomar um vinho ao sabor de um gostoso bate papo. E por falar em bate papo, você tem visto como anda as coisas pelas terras da ordem e do progresso? De ordem eu não tenho visto muita coisa e de progresso, ainda estão nos devendo, é com juros. Ei a conta é grande! Estamos caminhando igualmente aqueles jogos que mandam pular uma casa e na jogada seguinte os dados mandam retornar três. Rapaz, está complicado. Você já viu o cara soltar uma ruma de caranguejo na calçada, para tanger? Meu amigo, num é serviço bom não, viu! Pois assim está sendo escrita as recentes páginas de nossa história. Porém, os intelectuais apostam que é assim, e assim será! E por falar em intelectual: Você viu quantos tem espalhados por esse Brasil de meu Deus? Dia desses vi uma lista que fiquei espantado com as figuras que colocaram o jamegão. Bordo!!!

Meu doutor, o que você me diz dessa minha mania de fazer um churrasquinho básico? Será que ainda dará quórum para aquelas picanhas suculentas? Homi, colocaram até a cervejinha gelada na fritura. Agora condenou tudo! A carne é podre e já inventaram que colocam tanta milacria na cerveja que sei não, viu! Até pombo moído! Vots! Mas também, o que danado aqueles pombinhos vão fazer na boca de um sugador de cereais? Será brincadeira de roleta russa? Sei lá, cada pombo com sua mania, né! Sim meu amigo, e as águas do Velho Chico? No começo todo mundo protestava diante do projeto e até um bispo quase morre de fome, agora cada um que queira assumir a paternidade da criança. Como diz o velho sábio: Casamento quando é novo tudo é bom, o problema é quando surgem os arranhões. E eu ainda estou para ver uma obra nas terras dos pindoramas que não esteja corroída nas estruturas. Quando surgir o primeiro processo de “pensão alimentícia” aí sim, veremos quem é o pai dessa transposição. Por enquanto é só festa, falatório e banho de rio.

Rapaz, ontem à noite fizemos mais uma rodada de escaldaréu, na beira da praia, e o bicho estava bom que só a peste. Era para o comandante Flávio, mas ele mordeu a corda e não apareceu, sendo assim, e já que estava programado, metemos o sarrafo na panela e fomos dormir de bucho cheio.

Caro amigo Fernando Luiz, estamos sentindo a falta de vocês por aqui e é sempre uma alegria tê-los sob o teto de nossa cabaninha. Apareçam mais vezes que prometo servir, além dos deliciosos pescados saídos das águas de Enxu, umas deliciosas saltenhas produzidas por Lucia, que por sinal são divinas. As encomendas não param e estou até ensaiando pedir um salário de degustador e um auxíliozinho extra para justificar e reparar o aumento da protuberância na barriga.

Até mais ver.

Nelson Mattos Filho

De olho no tempo

mapservOs relatórios dos institutos meteorológicos estaduais indicam inverno normal para o nordeste do Brasil, que sinceramente não sei o que eles querem dizer com esse normal, mas pelas plagas de Pedra Grande/RN, o que observo são nuvens carregadas, relâmpagos pelo poente e chuvas que bem que poderiam ser mais anormais. A terra continua seca, o gado sofrido que só vendo e as plantações pedindo aos céus para que as deixem vingar. As notícias que chegam do lado de lá, é que tem caído muito chuva pelo sertão do Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e estados da região Norte, porém, na Bahia do maravilhoso sincretismo religioso, São Pedro está com uma dívida quase impagável. Pelo Sul e Sudeste a natureza como sempre vai de um extremo a outro num piscar de olhos e, neste domingo, 12/03, até um tornado apareceu para tocar o terror na gaúcha São Francisco de Paula, munícipio de pouco mais de 20 mil habitantes, com ventos acima de 100 quilômetros por hora. No Paraná, notícias que chegam do mar dão conta de ventos acima de 40 nós o que deixou alguns velejadores com a careca brilhando de suor. No Centro-Oeste, tirando a “tempestade” que não deixa Brasília sossegar, o cerrado anda bem chovido. E a previsão do CPTEC/INPE para abrir a semana é assim:     

Pancadas fortes de chuva no MA, SP e em grande parte das Regiões Norte e Centro-Oeste
Nesta segunda-feira (13/03), a frente fria se deslocará de forma oceânica e deverá deixar o tempo com muitas nuvens e chuva com caráter mais constante, mesmo que de fraca intensidade, desde o leste de SC ao leste de SP. Áreas de instabilidade contribuirão para ocorrência de pancadas de chuva localmente fortes em grande parte da Região Norte, no centro-norte do MA e do PI no MS, extremo norte do PR e centro-oeste de SP.

  

É chuva, seu menino

mapservPara uma região que há mais de cinco anos sofre com a diabrura da seca, o que já  choveu nos últimos dias e principalmente de ontem, 01/03, quarta-feira de cinzas, até a noite desta quinta-feira, 02, já deu para encher de esperança a alma do povo. Pelos rincões do Rio Grande do Norte já tem muito açude com a lâmina d’água triscando na beirada do sangrador e se a chuva persistir, e São Pedro concordar, daqui para o final da semana vai ter Carnaval novamente. O nordeste com chuva é uma felicidade só! Eu até já espalhei pelo quintal umas covinhas de feijão, uns leirões de inhame e daqui uns dias digo o resultado da safra, mas como o mar é mesmo ali, espero traçar tudo com umas boas postas de cioba fresca.      

Imagens que movem o mundo

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A Nasa e o Departamento de Comércio dos Estados Unidos acabam de divulgar a foto mais detalhada do planeta Terra até o momento e que foi capturada pelo satélite de monitoramento climático GOES-16, dia 15 de janeiro. O satélite foi lançado em novembro de 2016 e envia fotos da Terra a cada 15 minutos. “Essa imagem é muito mais do que uma bela foto, é o futuro da previsão e observação do clima”, frase dita pelo diretor do Serviço Nacional de Clima da National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), Louis W. Uccellini. A foto foi tirada de uma altura de 35.900 quilômetros e em órbita geoestacionária sobre da linha do Equador. Fonte: Veja.ciência 

É verão, é chuva, é o show da natureza!

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O Verão, estação de cores e alegria teve início, oficialmente no Brasil, às 07h44min desse dia 21/12, mas o sertanejo olha para o céu e se anima como se inverno fosse, porque trovões e nuvens carregadas trazem a velha esperança de dias melhores para o Nordeste sofrido com mais de cinco anos de uma seca violentíssima. Hoje, na beira do mar do litoral norte do Rio Grande do Norte, escutei gritos de vivas e vi o sorriso estampado no rosto da população. A noite promete ser de chuva e as plantinhas de meu quintal dançam faceiras na espera do bem maior da vida que é a água de uma boa chuvarada durante a madrugada. Que venha esse Verão mais querido, mas que venha com muita chuva para a festança ser mais animada e mesas fartas.

mapserv Os satélites do Cptec/INPE mostram muitas nuvens sobre o Brasil e principalmente sobre as regiões Norte e Nordeste. Os homens das previsões meteorológicas anunciam, e a Marinha do Brasil já deu o alerta, para situação de mar de ressaca entre o Rio Grande do Norte e Amazonas, com ondas que podem chegar aos 3 metros na data de hoje, 21/12, porém, o aviso deverá ser renovado por mais uns dias. Viva o Verão! Viva a chuva sobre o Nordeste!