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Promessas e pecados

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As páginas de notícias do Rio Grande do Norte, dão conta que uma promessa feita a Nossa Senhora da Apresentação, padroeira de Natal, marca a data de 20 de novembro de 2020 para a abertura do Museu da Rampa, espaço cultural que deverá iluminar a importância de Natal para os primórdios da aviação e sua participação na história da Segunda Guerra Mundial, sediando a maior base militar americana fora dos EUA. Tomara que a Santa padroeira bote fé na promessa, pois sabe Ela, que lá na boca da barra, os três Reis Magos, protetores da cidade, já cansaram de levar calote dos pecadores. Se bem que, na proteção da redoma, a “santinha” enxerga com tristeza a fraqueza da promessa dos homens, pois em tempos idos e esquecidos, escutou o foguetório e assistiu, abismada, a alegria reinante na boca livre da inauguração do mesmo museu. 

Um retrato triste de um lindo vale

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Os que apostam que o Rio Grande do Norte não tem história interessante a ser contada podem jogar mais fichas sobre a mesa e sair contando vitória, porque o que se fez e o que se faz, com fatos, monumentos e personagens históricos, não permite outra leitura. – Duvida? – Pois então bote um par de alpercatas nos pés e saia batendo pernas pelas veredas potiguares e tire a prova dos nove. Se quiser traçar um rumo comece pelo começo, indo até a Praia do Marco, onde foi chantado o Marco de Posse, em 1501. Em seguida vá até o Cabo de São Roque, litoral do munícipio de Barra do Maxaranguape e de lá pegue descendo até se deparar com as grossas paredes do Forte dos Reis Magos, na foz do Rio Potengi, em plena capital potiguar. – E depois? – Depois, se você não ficar entristecido com o que viu, passe em qualquer banca de revista e compre um roteiro turístico de bolso e vá em frente com muita fé, pois se tiver fé de menos você desiste no meio do caminho. Os acostamentos dos caminhos que tentam contar a história das terras de Poti são lastimosos.

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Dia desses fui a praia de Muriú, litoral Norte, e após uma noitada de bons papos e vinhos, na casa de um amigo, pela manhã retornei a Enxu Queimado, porém, em vez de pegar a BR 101 até o município de Touros, seguir para São Miguel do Gostoso e de lá trafegar no arremedo de estrada vicinal até Enxu, decidi seguir pela antiga estrada que liga Muriú a sede do município de Ceará Mirim, pegar a BR 406 até João Câmara, e de lá seguir pela RN 120 até Pedra Grande e daí mais uma vez me indignar nos 11 quilômetros de descaso que é a estrada entre Pedra Grande e Enxu. Aliás, se a estradinha de Enxu recebesse apenas uma lasquinha das verbas públicas que ultimamente vem sendo gasto com festas e shows, se não desse para asfaltar, chegaria bem perto disso.

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Pois bem, voltemos ao Vale do Ceará Mirim. Havia anos que não andava naquela estrada que outrora serviu de único acesso a bela praia de Muriú e que sempre me encantou, devido a beleza dos engenhos e pelo magistral casario que engendrava a cena canavieira em um mundo emoldurado por uma áurea de fascínio e lamentos de uma riqueza histórica que, já naquele tempo, pedia socorro para não ser esquecida em algum recanto do futuro, e foi.

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Dos grandes engenhos praticamente nada restou e a história agoniza em meio ao abandono e escombros fantasmagóricos. Placas enferrujadas indicam a existência de um certo Caminho dos Engenhos, roteiro turístico do Governo do Estado, mas diante do que está posto, duvido muito que ainda exista algum documento da criação ou mesmo que normatize o tal programa. Ora, se o Marco de Touros, o Cabo de São Roque, a Fortaleza dos Reis Magos, pedra fundamental da capital potiguar, estão jogados ao deus dará, imagine uns engenhos de cana de açúcar, símbolos da aristocracia, localizados em um município interiorano de médio porte!

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Com muita justeza e propriedade alguém ira alegar que não foi apenas o Rio Grande do Norte que jogou a história na lata do lixo. Claro que não, porque isso é um mal que sempre se viu em toda parte desse Brasil desvairado e eternamente mergulhado no caos, mas apesar de tudo fiquei feliz, mesmo diante da desilusão, em voltar a trafegar pela velha estrada de Muriú, que pelo estado em que se encontra, parece ter recebido recentemente uma fina camada de lama asfáltica, porém, esqueceram os acostamentos e a sinalização, e indicarei o caminho para todos que queiram saber um pouco mais sobre o esquecido Rio Grande do Norte, um Estado lindo, mas tão cruelmente maltratado e dilacerado pelos seus governantes.

Nelson Mattos Filho

Natal 420 anos

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Ah, Natal, sempre me pergunto qual terá sido o mal que você fez para receber tanto castigo. Logo você, uma cidade outrora tão linda, tão mágica, tão tranquila, tão fascinante, tão hospitaleira, tão bucólica, iluminada por uma áurea que bem lembrava a brilhante estrela do oriente que marcou época e mudou a história do mundo. Logo você, fundada em um belo dia de Natal e por bem foi batizada. Que tristeza vê-la assim tão maltratada, sobrevivendo as custa de migalhas, caminhando cambaleante em meio ao caos, assustada e sem ao menos ter um porto seguro que lhe dê guarida. Quando nos seus primórdios, foi guardada e resguardada por uma enorme e segura fortaleza com nome de Reis, fortaleza essa que hoje só resiste por obra e graça de uma engenharia que os bancos de universidade não ensinam mais, porque se fosse pela vontade dos homens, há muito estaria riscada do mapa sem restar pedra sobre pedra.

Sabe, Natal, fico pensando no que diriam seus fundadores, seus defensores e todos aqueles que deram sangue e suor para lhe ver altaneira e próspera. O que diriam os invasores se a visse assim tão cruelmente abandonada e malcuidada? Será que fariam como os amantes que se separam e quando se reencontram no futuro sentenciam em pensamentos: Me livrei de uma boa! Não, Natal, você não merecia isso!

Sinceramente, minha cidade querida, ultimamente não gosto de caminhar pelas suas ruas, pois não a reconheço em nenhuma esquina. Alguns cronistas, saudosistas e historiadores ainda tentam elevar sua estima em textos lindos e poéticos, mas sua alma lê, sorri pelo canto da boca e se fecha na solidão da sua tristeza. Aliás, vou confessar-lhe uma coisa: Para mim, o único potiguar a honrar sua história e elevá-la ao alto, mesmo dizendo ele que você “…não consagra nem desconsagra ninguém”, foi Luís da Câmara Cascudo, os demais, são apenas os demais. Cascudo lhe amava e você amava Cascudo. Era uma paixão sem poréns, encantadora, de olho no olho, de coração entrelaçados, de mãos unidas em um fascinante passeio de namorados. Você era a alma de Cascudo e ele era a sua essência! O que diria o grande mestre ao vê-la hoje? Acho até que sei a resposta, porque o mestre, de tão apaixonado por ti, relevaria os desmandos colocando tudo em brancas nuvens.

Querida cidade, não sei se me viste, mas dia desses tentei passear despercebido pelas ruas do centro para tentar sentir seus cheiros, sua respiração, as batidas do seu coração, o calor do seu abraço, o eco dos seus risos, o olhar acolhedor de seus habitantes, porém, minha indignação me denunciou. E olhe que era bem próximo desse seu aniversário e os mandatários haviam armado palanque para shows e criado uma passarela iluminada em parte da Rua João Pessoa. O que presenciei foi uma maledicente decadência e me veio a saudosa lembrança de quando o centro da cidade, nos períodos natalinos, era uma alegre reunião de transeuntes em cada pedacinho de calçada e o comércio rindo do tempo. Pois é, Natal, você era sinônimo de alegria!

O retorno para a casa de Ceminha foi penoso, ainda mais quando me deparei com a pobreza da decoração no canteiro central da Av. Hermes da Fonseca. Um sino aqui, outro acolá, poucas estrelas que mais parecem cruzes sobre as árvores, tudo compondo um cenário desfigurado e desbotado. Se era para demonstrar tristeza e desencanto, era mais salutar que a prefeitura mantivesse o dinheiro nos cofres para gastar em frentes mais necessitadas. Aliás, a prefeitura gastou uma nota preta na contratação de grandes artistas nacionais que foram distribuídos em vários – como diz o modismo tosco – polos, mas não dou conta, pois não assisti nenhum, como também não cheguei a ver – quem sabe hoje – a árvore iluminada, que dizem ser a maior do Brasil, ao lado do viaduto de Ponta Negra. E por falar em Ponta Negra, acho melhor nem falar!

Eh, Natal, desculpe esse meu mal humor e essa visão tão cruel sobre você, ainda mais no dia de seu aniversário e acho até que você não merecia palavras tão duras vindas de um apaixonado, mas tinha que desatar o nó que estava em minha garganta. O ditado diz que quem ama fala mesmo e por isso me atrevi. Desejo que os ventos alísios que acariciam seu litoral e as águas do Atlântico que te banham, levem para longe essa tristeza e tragam de volta a alegria, o aconchego e o calor humano que em outros tempos fizeram de você a linda Cidade do Natal, Natal de nascimento, de esperança, de renovação, de boas novas, de renascimento, da maravilhosa luminosidade da Estrela do Oriente que foi seguida com muita fé pelos Reis Magos, sabendo eles que aquela estrela era o farol de uma nova história para o mundo. Natal, a cidade dos Reis Magos!!!

Parabéns, Natal, e mais uma vez peço desculpas pelas palavras. Te amo!!!

Nelson Mattos Filho

Curta metragem

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Necessitando bater, sem trocadilho, uma chapa periapical dos dentes superiores 14 e 15, a pedidos do Dr. Jorge Rezende, cabra bom indo e voltando, deixei os encantos de minha Enxu mais bela e me danei nas estradas do Mato Grande, portal de entrada do sertão, para sentar pouso na casa de Ceminha, situada no pezinho dos morros do Tirol, cinturão verde oliva que ainda resiste ao tempo, as incertezas dos desmandos dos homens e que dá beleza a uma cidade linda, porém, incompreendida. Ah, Natal, em qual quadrante dos riscados de Palumbo se escondeu, envergonhada, sua alma outrora tão alegre e tão ricamente cheia de vida?

Acordei cedo, mas não tão cedo assim, deixei o possante no lava jato, para jogar por terra a poeira avermelhada das paragens de Enxu Queimado e sob um sol de lascar moleira de caboco descuidado, pois o Sol que dá quentura a Noiva cascudiana, não é manso, não senhor, peguei descendo a bater pernas até o local da clínica, situada nos terreiros da antiga fazenda Solidão, sítio esquecido de uma cidade que já foi tudo, inclusive nada.

Juro que não consigo entender o funcionamento desse cérebro que caminha a passos largos para abrir a porta enigmática dos sessenta, porque nunca consegui definir a sequência dos pensamentos e das lembranças da saudade. No caminho de ida até a clínica, a mente teimava em se ocupar a observar a nova cidade que se forma entre traços estrambólicos de uma arquitetura sem brilho, sem alma e sem sentido lógico e logo me vi assobiando a música Bienal, do Zeca Baleiro. Aliás, sempre me pego cantarolando Bienal quando cruzo as ruas de algum condomínio bacana, “… Pra entender um trabalho tão moderno/É preciso ler o segundo caderno/Calcular o produto bruto interno/Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone/Rodopiando na fúria do ciclone/Reinvento o céu e o inferno…”.

Já no caminho da volta, o cérebro se danou a cascavear lembranças e aí nem me avexei com os castigos dos raios solares, pois me meti em um turbilhão do tempo e assim a caminhada foi toda assistindo um breve filme da minha vida. Ao passar em frente ao portão da Escola Doméstica, que agora perdeu a identidade, lá estava Lucrécio, numa noite de sexta-feira, se aliviando da água No joelho no para-lama de um fusca, e de repente surge a figura crescente de um fuzileiro naval, saído da guarita do 3º Distrito Naval, que dá uma rasteira no Cego, que cai estatelado no chão e diante do sangue que escorre de sua boca, o fuzileiro o solta e lá vai nós, uma ruma de meninos, resolver a bronca na urgência do Walfredo Gurgel. O pior não foi o fuzileiro, não foi a rasteira e muito menos a ida às pressas ao hospital. O pior foi ter que inventar uma história que caísse bem nas graças de Dona Ivone e Seu Artur. Pois num é que deu certo!

Os passos seguiam e lá estava eu diante da AABB lembrando do cheiro e do sabor do filé com fritas que era servido no restaurante do clube. Era bom demais e quase sempre a iguaria era patrocinada por Seu Chico Araújo, pai de Mário. Mais alguns passos me encontrei com a turma do Posto Patotas, Iran, Zé zuada, Cortez Júnior, Brote seco, Gagau, Táta, Tisso, Dudu barbudo, Dadá, Porcino, Prefeito, Junior Gurgel e mais um bocado. Me vi comendo um hot dog, no trailer de lanche na esquina, e até senti o sabor da maionese caseira ali servida. Olhei para o lado direito e lá estava a turma do STOP, bar comandando por Joaquim Amorim, que servia umas coxinhas dos deuses. O bar STOP que durante as noites de quinta, sexta e sábado recebia tanta gente que a rua Ângelo Varela era literalmente fechada, mas na esquina com a rua Ipanguassu ainda sobrava uma brechinha de espaço para Júnior Jaeci dar seus famosos cavalos de pau.

Subi a Rua Brito Guerra, vendo a imagem do Galaxie de Marcelão, ouvindo as estórias de Bolinha, ouvindo o ronco do Gordini de Álvaro Gordo, rindo da alegria que vinha da calçada de Willame Boy, do aconchego do sobrado de Dr. Fernando Rezende, vendo a sisudez no rosto do Dr. Aldo, vi seu Wiliam me acenando do batente da calçada, vibrei com a boa energia que exalava pelos poros da casa de Dona Iaponira e Zé Carvalho, vi Eugênio descendo a ladeira, escutei a buzina da DKW de Dr. Gilvan Trigueiro, que apitava desde que entrava na rua Teotônio de Carvalho. Cruzei a calçada de Seu Artur e juro que escutei ele falar: – Bom dia, Nelsinho! Dei um sorriso, olhei para trás e vi que estava sozinho naquele grande cinema ao ar livre, mas ao me voltar, a fita havia soltado do carretel e as luzes do cinema estavam acesas, porém, ainda deu tempo de ver, em uma pontinha dos créditos, o velho campo de peladas sobre o terreno em frente à casa de Dona Dazinha.

Parei em frente à casa de Ceminha, novamente olhei para trás e senti o coração bater mais forte diante da felicidade de ter assistido cenas tão mágicas de um mundo real tão distante, mas ainda tão vibrante. Juro que ainda relutei em entrar, mas quando apertei a cigarra vi que o mundo era outro, pois lá de dentro Lucia apertou o botão do portão automático e olhei para cima para observar os fios da armação da cerca elétrica e falei baixinho: Estou na vida moderna!

Poderia até chorar de emoção, mas não o fiz, porque foi alegria demais!

Nelson Mattos Filho

Ponta Negra – Uma praia entregue as ratazanas

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A praia de Ponta Negra tem talvez o conjunto de paisagem mais retratado da capital potiguar. Outrora uma das mais belas praias do Brasil e recanto disputado por visitantes de várias partes do mundo, basta ver o festival de idiomas, Ponta Negra está se acabando no vácuo dos erros e descasos dos homens que tinham por dever mantê-la viva e linda para sempre, pois a natureza caprichou no traçado e a cada dia cobra a parte que lhe foi tomada de assalto. Ponta Negra era dotada de uma beleza ímpar, com coqueiros a beira mar, uma larga e vasta faixa de areia, uma vegetação de praia fora do comum e fascinantes desenhos recortados em uma conjunto de falésias que tinha até areias coloridas. Quando criança e adolescente fui veranista da bela praia dos arrastões de rede antes do nascer do Sol, das caminhadas sobre o Morro do Careca, do banho de mar em águas mornas, dos cajus e mangabas da enorme mata onde hoje está aboletado o conjunto Ponta Negra, da velha e boa vila dos pescadores e da paz silenciosa das tardes sobre as areias frias se deliciando com uma bacia de mangas.  Eita Ponta Negra velha de guerras, o que fizeram com você? Quem foi o covarde que assinou a sentença para assassinar sua linda faixa de areia e lhe condenou a ostentar uma monstruosa passarela de concreto e pedregulho? Minha cara Ponta Negra, peça encarecidamente ao mar, que lhe acaricia a alma, que aumente a força de suas ondas e mostre aos homens que eles não passam de grandes bestas quadradas. Levante-se Ponta Negra, enxugue suas lágrimas de tristeza e assuma novamente a  magnânima beleza que um dia encantou o mundo, mas antes, expulse os algozes e os crápulas de suas areias. As imagens acima podem até encantar, mas para mim, são provas de um crime sem perdão.         

Um túnel para o futuro

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Até aonde vai a ousadia humana é difícil de avaliar, porque o sonho e a inteligência do homem são infinitos e quando imaginamos que já vimos de tudo, o dia seguinte nos apresenta novas paisagens. Tempos atrás um candidato a prefeito de Natal/RN ganhou as manchetes e uma penca de votos com a promessa de que faria uma ponte ligando a capital potiguar com Ilha de Fernando de Noronha, uma extensão de 300 milhas náuticas. Pois bem, Miguel Mossoró, o candidato visionário, segundo ele, lançou a promessa como uma crítica a um antigo projeto da prefeitura de fazer uma nova ponte ligando a zona sul com a zona norte, que tempos depois foi concluída e batizada oficialmente de Ponte Newton Navarro, mas no popular é famosa como Ponte de Todos, e que passou a ser o novo cartão postal de Natal. O candidato da ponte perdeu a eleição, porém, cravou seu nome nos arquivos dos casos hilários e políticos da capital dos Reis Magos. O projeto visionário do candidato Mossoró, já falecido, até hoje é tema de discussão nas rodadas de bate papo e na época do anuncio, alguns engenheiros, arquitetos e construtoras se arvoraram em assinar embaixo da proposta, atestando que não somente seria possível, como não teria tantas dificuldades. – Eu é que não duvido de nada! Agora vejo nos noticiários que a Noruega pretende despejar UU$ 25 bilhões – dinheiro para juntar com rodo – no projeto e construção de dois túneis suspensos sob a água para ligar as cidades de Kristiansand, no extremo sul, e Trondheim, extremo norte, uma distância de 800 quilômetros. Pelo projeto, os túneis ficarão a 20 metros de profundidade e serão suspensos por flutuadores colocados na superfície. Esse será o primeiro projeto dessa natureza, mas os noruegueses apostam no sucesso da empreitada que deve ficar pronta em 2035. – Isso vai dar certo? – Quem viver verá! Fonte: site IstoÉ   

Na margem esquerda do Potengi tem uma linda praia

Praia da Redinha

“Do cais, você olha a boca-da-barra. Do lado de cá, o pontal escuro, com um farol sinaleiro. Braço de pedra, mar a dentro, ajudando navios e barcos maiores nas aperturas do canal. Do lado de lá, o dorso branco de praias e morros, manchas vermelho-azuis do casario irregular. Uma torre humilde de igreja. Os cocares impacientes do coqueiral. O território livre da Redinha”, escreveu em crônica o poeta e pintor Newton Navarro. Era a década de 1970 e a Redinha começava a mudar.

A Praia da Redinha é sinônimo de reino encantado – encravado nas dunas que circundam a cidade do Natal – das paixões, dos seresteiros, poetas, pintores, boêmios, praieiros, pescadores e amantes de uma vida plena de alegria, tudo temperado com o sabor de deliciosos cajus, cachaça, peixe frito e tapioca. Sob a sombra dos seus alpendres a cidade dos Reis Magos foi sendo forjada nas rimas, prosas, letras e melodias maravilhosas que embalaram sonhos de vida e vida de sonhos. A Redinha de hoje perdeu muito dos seus encantos, mas sobrevive na lembrança de seus velhos moradores e veranistas que enchem os olhos de lágrimas ao lembrar de um tempo que se foi na maciez dos alísios nordestinos. A velha Redinha é poesia bruta embalada por melodias entristecidas carregadas de magia. O poeta e pintor Newton Navarro, o mesmo que cedeu o nome para batizar a modernosa ponte que atravessa o Potengi, era um apaixonado pela velha praia. No veraneio do pé na areia e da simplicidade espantosa da Redinha, aprendi que a vida tinha outros horizontes e a humanidade outro sentido. Da convivência com personagens históricos da velha praia, pessoas do naipe de um Bianor e Terezinha Medeiros, Candinho, Seu Humberto e tantos outros, hoje trago na memoria momentos felizes de uma vida em que a alegria era a ordem geral e unida. Hoje, ao ler a matéria, Redinha e margem esquerda do Potengi, publicada no jornal Tribuna do Norte, bateu saudade e passearam em minha frente cenas de um passado que jamais esquecerei. Tudo isso eu não poderia deixar de dividir com você leitor.“…Praieira dos meus amores/Encanto do meu olhar…”

A Fortaleza dos Reis Magos e a incompetência

FORTE DOS REIS MAGOS

Nas postagens – divididas nos cinco capítulos de O Grande Mar – sobre o Rio Paraguaçu e sua bela Baía do Iguape, falei sobre o abandono de monumentos históricos e todos eles sobre a guarda da Lei do IPHAN, que deveria protegê-los. Infelizmente a Lei parece ser apenas coisa – como diz o ditado – para inglês ver, porque o que mais se ver por ai são prédios jogados a própria sorte diante das agruras do tempo. Infelizmente o abandono não se restringe apenas as antigas construções, pois a nossa cultura popular, dotada de tanta beleza e também “acobertada” pelo IPHAN, está dilacerada e sendo disputada na tapa, aos berros e nos chiliques dos fantasiosos e emplumados gestores. Tomem ciência cambada de incompetentes deslumbrados! Hoje lendo uma matéria do jornalista Yuno Silva, nas páginas do jornal potiguar Tribuna do Norte, vejo com tristeza que uma das mais belas construções militares do Brasil colônia, marco da cidade do Natal, cartão postal mais retratado de uma cidade que foi berço do grande Luís da Câmara Cascudo, está jogado aos ratos. Ratos no sentido amplo e irrestrito. O que é isso gente! Botem suas barbas de molho e a ideologia no saco e vão procurar uma lavagem de roupa, porque de cultura e patrimônio público vocês não entendem nada.

Um pôr do sol

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Sou um apaixonado pelo pôr do sol e depois que vim morar a bordo do Avoante, raramente perco a oportunidade de poder observar e registrar um momento tão sublime da natureza. Tenho um imenso arquivo fotográfico do crepúsculo do sol visto do mar e não me canso de retratá-lo. Dia desses vi imagens maravilhosas do pôr do sol em Natal/RN, muitos com um espetacular arco-íris emoldurando o céu. A capital potiguar tem um dos mais belos entardecer do Brasil e até já serviu de tema para um belíssimo projeto intitulado Pôr do Sol do Potengi. Um espetáculo de música e poesia que durante três dias na semana encantava e emocionava uma plateia em extase nas varandas do Iate Clube do Natal. Infelizmente o projeto caiu no arquivo morto do já teve e hoje é apenas uma feliz lembrança em uma cidade que recebeu o carinhoso apelido de Noiva do Sol, saído da genialidaidade do grande mestre Luís da Câmara Cascudo. A imagem que abre esse post não é em Natal e sim do bairro da Ribeira, Salvador/BA. Um céu em chamas e um mar avermelhado que segundo a grande amiga Aurora Ventura, senhora por direito da Ilha de Campinho, Baía de Camamu, abrem as portas para a invernada. Que assim seja!

Serenata do Pescador – Ode a uma linda praiera

Serenata do Pescador, ou simplesmente Praeira, e uma poesia de Othoniel Menezes com letra de Eduardo Medeiros, e que aqui está imortalizada na voz melodiosa do cantor potiguar Fernando Tovar. Cresci ouvindo essa maravilha poética sendo entoada nas varandas da casa de praia do Dr. Bianor Medeiros, grande amigo do meu Pai, e sempre fui envolvido pela emoção. A velha Praia da Redinha já se foi de mãos dadas com os bons tempos de outrora, para não sofrer nas garras de uma modernidade enraivecida. Restaram as lembranças de uma época e a poesia desnuda e apaixonada para uma linda Praeira.