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Ponta Negra – Uma praia entregue as ratazanas

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A praia de Ponta Negra tem talvez o conjunto de paisagem mais retratado da capital potiguar. Outrora uma das mais belas praias do Brasil e recanto disputado por visitantes de várias partes do mundo, basta ver o festival de idiomas, Ponta Negra está se acabando no vácuo dos erros e descasos dos homens que tinham por dever mantê-la viva e linda para sempre, pois a natureza caprichou no traçado e a cada dia cobra a parte que lhe foi tomada de assalto. Ponta Negra era dotada de uma beleza ímpar, com coqueiros a beira mar, uma larga e vasta faixa de areia, uma vegetação de praia fora do comum e fascinantes desenhos recortados em uma conjunto de falésias que tinha até areias coloridas. Quando criança e adolescente fui veranista da bela praia dos arrastões de rede antes do nascer do Sol, das caminhadas sobre o Morro do Careca, do banho de mar em águas mornas, dos cajus e mangabas da enorme mata onde hoje está aboletado o conjunto Ponta Negra, da velha e boa vila dos pescadores e da paz silenciosa das tardes sobre as areias frias se deliciando com uma bacia de mangas.  Eita Ponta Negra velha de guerras, o que fizeram com você? Quem foi o covarde que assinou a sentença para assassinar sua linda faixa de areia e lhe condenou a ostentar uma monstruosa passarela de concreto e pedregulho? Minha cara Ponta Negra, peça encarecidamente ao mar, que lhe acaricia a alma, que aumente a força de suas ondas e mostre aos homens que eles não passam de grandes bestas quadradas. Levante-se Ponta Negra, enxugue suas lágrimas de tristeza e assuma novamente a  magnânima beleza que um dia encantou o mundo, mas antes, expulse os algozes e os crápulas de suas areias. As imagens acima podem até encantar, mas para mim, são provas de um crime sem perdão.         

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Um túnel para o futuro

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Até aonde vai a ousadia humana é difícil de avaliar, porque o sonho e a inteligência do homem são infinitos e quando imaginamos que já vimos de tudo, o dia seguinte nos apresenta novas paisagens. Tempos atrás um candidato a prefeito de Natal/RN ganhou as manchetes e uma penca de votos com a promessa de que faria uma ponte ligando a capital potiguar com Ilha de Fernando de Noronha, uma extensão de 300 milhas náuticas. Pois bem, Miguel Mossoró, o candidato visionário, segundo ele, lançou a promessa como uma crítica a um antigo projeto da prefeitura de fazer uma nova ponte ligando a zona sul com a zona norte, que tempos depois foi concluída e batizada oficialmente de Ponte Newton Navarro, mas no popular é famosa como Ponte de Todos, e que passou a ser o novo cartão postal de Natal. O candidato da ponte perdeu a eleição, porém, cravou seu nome nos arquivos dos casos hilários e políticos da capital dos Reis Magos. O projeto visionário do candidato Mossoró, já falecido, até hoje é tema de discussão nas rodadas de bate papo e na época do anuncio, alguns engenheiros, arquitetos e construtoras se arvoraram em assinar embaixo da proposta, atestando que não somente seria possível, como não teria tantas dificuldades. – Eu é que não duvido de nada! Agora vejo nos noticiários que a Noruega pretende despejar UU$ 25 bilhões – dinheiro para juntar com rodo – no projeto e construção de dois túneis suspensos sob a água para ligar as cidades de Kristiansand, no extremo sul, e Trondheim, extremo norte, uma distância de 800 quilômetros. Pelo projeto, os túneis ficarão a 20 metros de profundidade e serão suspensos por flutuadores colocados na superfície. Esse será o primeiro projeto dessa natureza, mas os noruegueses apostam no sucesso da empreitada que deve ficar pronta em 2035. – Isso vai dar certo? – Quem viver verá! Fonte: site IstoÉ   

Na margem esquerda do Potengi tem uma linda praia

Praia da Redinha

“Do cais, você olha a boca-da-barra. Do lado de cá, o pontal escuro, com um farol sinaleiro. Braço de pedra, mar a dentro, ajudando navios e barcos maiores nas aperturas do canal. Do lado de lá, o dorso branco de praias e morros, manchas vermelho-azuis do casario irregular. Uma torre humilde de igreja. Os cocares impacientes do coqueiral. O território livre da Redinha”, escreveu em crônica o poeta e pintor Newton Navarro. Era a década de 1970 e a Redinha começava a mudar.

A Praia da Redinha é sinônimo de reino encantado – encravado nas dunas que circundam a cidade do Natal – das paixões, dos seresteiros, poetas, pintores, boêmios, praieiros, pescadores e amantes de uma vida plena de alegria, tudo temperado com o sabor de deliciosos cajus, cachaça, peixe frito e tapioca. Sob a sombra dos seus alpendres a cidade dos Reis Magos foi sendo forjada nas rimas, prosas, letras e melodias maravilhosas que embalaram sonhos de vida e vida de sonhos. A Redinha de hoje perdeu muito dos seus encantos, mas sobrevive na lembrança de seus velhos moradores e veranistas que enchem os olhos de lágrimas ao lembrar de um tempo que se foi na maciez dos alísios nordestinos. A velha Redinha é poesia bruta embalada por melodias entristecidas carregadas de magia. O poeta e pintor Newton Navarro, o mesmo que cedeu o nome para batizar a modernosa ponte que atravessa o Potengi, era um apaixonado pela velha praia. No veraneio do pé na areia e da simplicidade espantosa da Redinha, aprendi que a vida tinha outros horizontes e a humanidade outro sentido. Da convivência com personagens históricos da velha praia, pessoas do naipe de um Bianor e Terezinha Medeiros, Candinho, Seu Humberto e tantos outros, hoje trago na memoria momentos felizes de uma vida em que a alegria era a ordem geral e unida. Hoje, ao ler a matéria, Redinha e margem esquerda do Potengi, publicada no jornal Tribuna do Norte, bateu saudade e passearam em minha frente cenas de um passado que jamais esquecerei. Tudo isso eu não poderia deixar de dividir com você leitor.“…Praieira dos meus amores/Encanto do meu olhar…”

A Fortaleza dos Reis Magos e a incompetência

FORTE DOS REIS MAGOS

Nas postagens – divididas nos cinco capítulos de O Grande Mar – sobre o Rio Paraguaçu e sua bela Baía do Iguape, falei sobre o abandono de monumentos históricos e todos eles sobre a guarda da Lei do IPHAN, que deveria protegê-los. Infelizmente a Lei parece ser apenas coisa – como diz o ditado – para inglês ver, porque o que mais se ver por ai são prédios jogados a própria sorte diante das agruras do tempo. Infelizmente o abandono não se restringe apenas as antigas construções, pois a nossa cultura popular, dotada de tanta beleza e também “acobertada” pelo IPHAN, está dilacerada e sendo disputada na tapa, aos berros e nos chiliques dos fantasiosos e emplumados gestores. Tomem ciência cambada de incompetentes deslumbrados! Hoje lendo uma matéria do jornalista Yuno Silva, nas páginas do jornal potiguar Tribuna do Norte, vejo com tristeza que uma das mais belas construções militares do Brasil colônia, marco da cidade do Natal, cartão postal mais retratado de uma cidade que foi berço do grande Luís da Câmara Cascudo, está jogado aos ratos. Ratos no sentido amplo e irrestrito. O que é isso gente! Botem suas barbas de molho e a ideologia no saco e vão procurar uma lavagem de roupa, porque de cultura e patrimônio público vocês não entendem nada.

Um pôr do sol

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Sou um apaixonado pelo pôr do sol e depois que vim morar a bordo do Avoante, raramente perco a oportunidade de poder observar e registrar um momento tão sublime da natureza. Tenho um imenso arquivo fotográfico do crepúsculo do sol visto do mar e não me canso de retratá-lo. Dia desses vi imagens maravilhosas do pôr do sol em Natal/RN, muitos com um espetacular arco-íris emoldurando o céu. A capital potiguar tem um dos mais belos entardecer do Brasil e até já serviu de tema para um belíssimo projeto intitulado Pôr do Sol do Potengi. Um espetáculo de música e poesia que durante três dias na semana encantava e emocionava uma plateia em extase nas varandas do Iate Clube do Natal. Infelizmente o projeto caiu no arquivo morto do já teve e hoje é apenas uma feliz lembrança em uma cidade que recebeu o carinhoso apelido de Noiva do Sol, saído da genialidaidade do grande mestre Luís da Câmara Cascudo. A imagem que abre esse post não é em Natal e sim do bairro da Ribeira, Salvador/BA. Um céu em chamas e um mar avermelhado que segundo a grande amiga Aurora Ventura, senhora por direito da Ilha de Campinho, Baía de Camamu, abrem as portas para a invernada. Que assim seja!

Serenata do Pescador – Ode a uma linda praiera

Serenata do Pescador, ou simplesmente Praeira, e uma poesia de Othoniel Menezes com letra de Eduardo Medeiros, e que aqui está imortalizada na voz melodiosa do cantor potiguar Fernando Tovar. Cresci ouvindo essa maravilha poética sendo entoada nas varandas da casa de praia do Dr. Bianor Medeiros, grande amigo do meu Pai, e sempre fui envolvido pela emoção. A velha Praia da Redinha já se foi de mãos dadas com os bons tempos de outrora, para não sofrer nas garras de uma modernidade enraivecida. Restaram as lembranças de uma época e a poesia desnuda e apaixonada para uma linda Praeira.

De quem ama o mar

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Olhando essa imagem que copiei de um grupo do facebook, me veio a lembrança de um casal espanhol, que esteve em Natal/RN em 2009. Carlos e Magdalena, chegaram vindo de Fernando de Noronha/PE a bordo catamarã Prati, com pretensões de permanecer na capital potiguar por uma semana. Nesse ínterim, tomaram conhecimento que o navio-veleiro Cisne Branco, da Marinha do Brasil, estava para chegar e resolveram estender por mais uns dias a permanência sobre as águas do Rio Potengi. Fizemos amizade e um certo dia Carlos nos convidou para jantar a bordo do Prati, um estiloso e belo catamarã Catana de 50 pés. No jantar ele comentou sobre o Cisne Branco e disse que se houvesse visitação eles seriam os primeiros da fila. No dia seguinte liguei para o capitão dos portos, na época o CMG Francisco Vasconcelos, um grande amigo, e falei das pretensões do casal espanhol. O comandante Vasconcelos confirmou a chegada do navio-veleiro, porém, não haveria visitação aberta ao público, mas ficou de ver o que poderia fazer. Dois dias depois o Cisne Branco entra imponente no Porto de Natal e ao passar na popa do Prati foi saudado com buzina, bandeiras e acenos pelo casal que estava em grande emoção. A noite o Carlos me perguntou: Nelson, o que aconteceu para não haver nenhum barco e nenhum velejador a esperar o Cisne Branco? Na verdade não soube o que responder e apenas disse que o brasileiro não dava muita importância a essas coisas. Ai ele disse ser uma pena, pois na Espanha, a chegada de um navio belo como aquele era motivo de festa e centenas de embarcações se fariam ao mar para navegar em flotilha. Sem mais o que responder: Apenas balancei a cabeça afirmativamente. O comandante Vasconcelos conseguiu liberar a visitação para o casal e eu e Lucia fomos junto. Juro que nunca vi um homem tão feliz e quando subiu a bordo, os olhos dele se encheram de lágrimas. Por que temos que ser assim tão indiferentes?