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Cruzeirando pelas águas da Bahia – II

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Quando me perguntam por que Ilha da Cal, confesso que não sei nem um centavo o motivo, mas tem quem a chame de Ilha do Cal e é assim que a Carta Náutica batiza esse pequeno paraíso bem baiano. Mas prefiro chamá-la no feminino, pois assim aprendi nas minhas primeiras andanças pelo mar do Senhor do Bonfim. Essa ilhazinha que irradia paz e tranquilidade em quem navegar pelo Canal Interno de Itaparica oferece um delicioso fundeadouro para os amantes do silêncio. Alguns velejadores baianos e outros tantos cruzeiristas brasileiros contam que em outras épocas a Ilha serviu de base para churrascos e festas da vela, porém, nos dias atuais o proprietário não é muito afeito a quem pise em suas areias brancas e limpas. Uma pena mas tudo bem, ancoramos ali assim mesmo apenas para apreciar a beleza, a natureza e a noite que é uma maravilha.

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Foi lá que jogamos âncora quando saímos da Fonte do Tororó com o casal Elson e Fabiane Mucuripe. O banho por ali é muito gostoso, onde mergulhamos em uma água morna  e convidativa. Foi lá que Lucia serviu uma incrível moqueca de Banana com Camarão, acompanhado de pirão dos deuses. Essa moqueca é especialidade de Lucia e dificilmente você irá degustar em outro local que não seja o Avoante. O nascer da Lua cheia foi a senha para Elson dedilhar o violão e assim encerramos a noite. Quando o dia clareou, tomamos café, levantamos âncora, subimos as velas e voltamos para a Ilha de Itaparica onde tínhamos um convite do amigo Webber, veleiro Acauã, para um churrasco a bordo.

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Com essa imagem do Avoante ancorado ao largo da Fonte do Tororó vou deixar você com água na boca, mas espere um pouquinho mais pela terceira parte.

 

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Cruzeirando pelas águas da Bahia.

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Como falei na postagem anterior, fiquei uns dias sem dar o ar da graça por aqui, mas foi por um motivo justo, estávamos navegando na companhia do casal Elson Mucuripe e Fabiane, que saíram do oceano endiabrado do Lago Paranoá, em Brasília, para uns bordos mais tranquilos pelas águas do Senhor do Bonfim. A primeira ancoragem foi diante dessa Lua maravilhosa que iluminou de poesia a Baía de Tinharé, onde se localiza o badalado Morro de São Paulo.

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Iluminado pela magia lunar, o violeiro Mucuripe deixou fluir sua veia musical e tocou e cantou até fazer calos nos dedos. Lucia, para não deixar barato, nos presenteou com maravilhoso jantar, servindo costela de porco ao molho agridoce, acompanhado de risoto de jerimum. Jurei que ninguém no mundo, naquele instante, estava saboreando uma comida tão deliciosa como aquela e com um fundo musical tão perfeito.

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Apos duas noites ancorados em frente a Gamboa do Morro, um fundeadouro gostoso, mas que merece um pouquinho de atenção, pegamos o beco de volta para a Baía de Todos os Santos, onde adentramos no começo da tarde de um dia de verão. Para festejar a velejada, um través de ida, outro de volta, Elson e Fabiane nos convidou para jantar em um dos restaurantes da Marina de Itaparica.

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O dia seguinte tiramos para navegar o canal interno da Ilha de Itaparica, com parada na Fonte do Tororó, para um delicioso banho de mar e terminamos o dia jogando ancora ao largo da Ilha da Cal, onde passamos a noite diante de mais um cenário dos deuses. Não se avexe, mas na próxima postagem eu continuo.

Catu. Mais uma delícia baiana

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Muito bem, vamos voltar a falar de velejadas, ancoragens gostosas, comidas e de tudo que a vela de cruzeiro pode nos proporcionar. Nos últimos posteres falei muito sobre o livro Diário do Avoante, o lançamento em Natal/RN e naveguei nas águas suaves que molham de alegria a alma de um escritor, como também daqueles metidos a escritor, que é o meu caso. O assunto hoje é sobre um lugarzinho fascinante lá pras bandas de Cacha Prego, no final, ou começo, sei lá, da Ilha de Itaparica. Esse lugar é Catu, uma prainha sossegada e, dependendo do vento, um ancoragem perfeita para uns dias de ócio a bordo de um veleiro. Chegar em Catu é fácil, o difícil é querer levantar âncora e ir embora. A navegada até lá é pelo canal interno de Itaparica, partindo da marina, num trajeto gostoso e emoldurado por uma paisagem espetacular, em que cada metro das margens é um convite para uma parada e um banho de mar em uma água morna e apetitosa. O canal é profundo, largo e sem sustos, onde o velejador pode, e deve, aproveitar a força da maré de enchente ou de vazante para navegar. Mais tem um detalhe: A partir da Ponte do Funil, que cruza o canal, a correnteza se inverte. A Ponte, para a navegação de barco a vela, faz o papel de uma peneira, pois barcos com mastreação acima de 16 metros ficam impedidos de passar e assim essa parte do canal, que vai até Cacha Prego, fica mais seletiva. Para os velejadores mais afoitos, existe a opção de adentrar a Barra Falsa, vindo do mar, porém, devesse fazer somente com bom conhecimento da região ou com ajuda de um prático local, já que a Barra é sobre um imenso banco de areia que se move a cada estação do ano. Catu é uma pequena vila ribeirinha que ainda tira boa parte de seu sustento das águas e fica olhando de frente para a foz do Rio Jaguaripe. Durante o dia, é uma alegria sentar embaixo de uma arvore, que se esparrama sobre as águas, para um bate papo com nativos, uma turma animada que tem na ponta da língua um monte de causos engraçados. Durante a noite, um silêncio tranquilizador cerca a ancoragem e um vento fresquinho espanta o calor do dia deixando a cabine do veleiro super arejada. Esse é o momento de abrir um bom vinho e brindar a delícia de uma ancoragem mais do que perfeita. O mar da Bahia é simplesmente fantástico! 

Eita mundo pequeno – Parte 2

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A cada hora que passa as lembranças vão clareando um tempo que imaginávamos distante, mas que basta um pingo de lampejo para vir a tona a alegria de uma boa saudade. Vai sendo assim a estadia dos amigos Mauricio e Simone a bordo do Avoante: Um verdadeiro mar de lembranças de uma rua batizada de Ângelo Varela, no belo bairro do Tirol, lá na capital Papa Jerimum do Rio Grande do Norte. Eita mundo pequeno! Depois de bons passeios por uma Itaparica cheia de encantos, a nossa velejada segue pelo canal interno de Itaparica até algum lugar onde possamos jogar âncora para pernoitar. Alias, lugar para ancorar é que não falta nessa Baía de Todos os Santos. Na verdade, Mauricio e Simone vieram a bordo não apenas para passear, mas também para uma pequena aula de navegação e se iniciarem no mundo da vela de cruzeiro, vivendo em loco o cotidiano da vida em um veleiro de oceano. Como se diz no mundo náutico: Vieram se marinizar. Sempre que recebemos amigos a bordo não mudamos em nada nossa rotina, pois queremos que eles vejam que viver a bordo de um veleiro não tem nada de anormal e nem de loucura. Bem, seguimos agora pelo canal interno da Ilha de Itaparica no rumo da marinização de Mauricio e Simone.