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O pequeno príncipe e a princesa do Campinho

O Príncipe de Maraú, que chamo de “príncipe de Onília”, é uma das muitas e boas histórias da enigmática Ilha do Campinho, recantinho apaixonante da poética Baía de Camamu. Este pequeno e belo documentário, publicado no YouTube, em março de 2010, carregou-me nas asas da saudades para relembrar o maravilhoso, mágico e encantado mundo que tive a alegria de viver por fascinantes cinco meses quando embarquei para morar a bordo do veleiro Avoante.  Tive a alegria de escutar dezenas de vezes, e gostaria muito de continuar ouvindo, a história do namorico da “baianinha” com o aviador, escritor, Antonie de Saint-Exupéry, contada pela própria Dona Onília sob a sombra da varandinha da casinha amarela debruçada sobre as águas macias do rio Maraú. Quanta saudade, querida e boa amiga. Agora me diga: Por acaso, a senhora já encontrou seu “pé de fumaça” aí no Céu? 

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Expedição Tranquilidade – V

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No post IV da Expedição Tranquilidade prometi que na postagem seguinte navegaríamos pelas veredas aquáticas que levam a um dos mais belos recantos navegáveis da costa brasileira, mas resolvi dar um bordo para ir até a cidade de Camamu. A imagem que abre essa postagem é da ponta sul da ilha do Goió e que dá uma pequena mostra da beleza reinante naquele santuário natural da costa baiana.

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Poderíamos ter ido a cidade de Camamu a bordo do Tranquilidade, numa navegação pontilhada de waypoints, mas nem por isso terrivelmente complicada. É apenas uma navegação que exige atenção e um pouco de conhecimento em rios e igarapés. O canal de acesso a cidade de Camamu tem sim seus segredos e eu até conheço boa parte deles, mas a prudência sempre fala mais alto e nada melhor do que embarcar em um dos muitos barcos, toque-toque, que fazem a linha, num passeio de interação com os nativos, vivendo suas histórias, escutando seus causos, dando boas gargalhadas e observando a paisagem que passa como em um filme em câmara lenta de um mundo encantado. Foi assim que deixamos o Tranquilidade ancorado entre as ilhas de Sapinho e Goió e embarcamos no barco Camponesa, do amigo boa praça Joaquim. Porém, com um pequeno detalhe: Temos que acordar às 5 horas da manhã, pois a Camponesa passa impreterivelmente às 5 horas e 45 minutos. Quem não estiver pronto e esperando fica!

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Coroas de pedras como essas é que trazem má fama ao canal. Elas foram plantadas há mais de 450 anos, por índios, colonizadores e outros defensores da terra descoberta, para impedir que esquadras de invasores tomassem conta do pedaço. Diz a história, que os barcos invasores ao encalharem sobre os bancos de pedras, eram atacados por flechas, pedras, balas, impropérios e tudo mais que estivesse ao alcance dos defensores. Deve ter sido uma farra das boas! O resultado é que as pedras continuam lá e até hoje não teve uma viva alma com coragem para retirá-las. Ainda bem!

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E o que será que fomos fazer na cidade histórica de Camamu e que já foi considerada uma das joias da coroa? Fomos a feira que acontece aos Sábados e é a maior da região. Enfeitei as imagens acima com muita pimenta e azeite de dendê, pois representam toda a cultura de um povo. O dendê de Camamu tem fama de ser o melhor do mundo e as pimentas ardem como qualquer outra pimenta baiana. É melhor ir com muita parcimônia quando for pedir uma moqueca por aquelas bandas. O negócio não é para brincadeira! E a cidade? Bem, a cidade não é mais essa joia toda, mas merece uma boa visita para podermos observar o quanto nossos administradores públicos estão desnorteados.

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Depois de cinco horas perambulando pela feira e ruas da cidade baixa de Camamu, chegou a hora de retornar. A Camponesa veio carregada e a gente disputando espaço com sacolas e caixas de compras, mas com muita alegria em estar vivenciando aquele momento. Alguns, apesar do barulho do motor, não conseguiram segurar o cansaço e o sono, que bateu pesado diante da malemolência do percurso. Eu preferi, como sempre, vir na parte de cima e aproveitar um pouco mais do bálsamo que exala daquela paisagem maravilhosa.

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Não posso, não nego e não me canso de falar: A Baía de Camamu é mágica e nenhum lugar no mundo consegue ser tão fascinante. Mas, isso é apenas a minha opinião.