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Triste sina de uma país contaminado pela impunidade

Outubro (45)

Essa imagem é de uma das mais fascinantes ancoragens da paradisíaca Baía de Camamu, o canal entre as ilhas de Sapinho e Goió. Jogar âncora nas águas desse canalzinho delicioso é um desejo de boa parte dos velejadores de cruzeiro, não somente brasileiros, mas principalmente estrangeiros, que se encantam pela vida vivida quase em estado bruto da encantadora baía que é o principal cenário da Costa do Dendê. Essa imagem é de 2015, última vez que passei por lá, a bordo do veleiro Compagna, do comandante Braz, em viagem que teve a carioca Paraty como destino final. Sou declaradamente apaixonado pela Baía de Camamu, um lugar mágico, e adentrar navegando aquela indecifrável paisagem, que o Criador se esmerou em desenhar, não tenho palavras para definir. – Quer que conte uma tristeza? – Conto! Segundo informações colhidas nos grupos de mídias sociais de velejadores, foi no canal do Goió que nesta quarta-feira, 24/07, aconteceu mais um criminoso caso de pirataria no Brasil, quando dois bandidos invadiram o veleiro carioca Guruçá, do comandante Fausto, e agrediram a Guta, esposa do Fausto, crime que ela mesma relatou e você lerá logo abaixo. – Dizer o que? Diante da tristeza e perversidade do acontecido, que felizmente Guta escapou apenas com hematomas, físicos e na alma, e gritando sua dor e impotência aos quatro ventos, não tenho muito a dizer, apenas que enquanto, como cidadãos, somos reféns do caos, nossos governantes brincam de ideologias baratas, de fazer  beicinhos, de discutir bairrismos e de mexer cordinhas de marionetes. – Nós? – Seremos eternamente palhaços!

Estamos fundeados em Camamú -BA e hoje, após Fausto sair com o Xerife para uma caminhada, fui surpreendida por dois homens. Um ficou na canoa e o outro subiu à bordo, com uma faca na mão.
Quando percebi o perigo, infelizmente não havia uma arma na mão, pois eu teria tempo de reagir.
Fui dominada, amordaçada, presa pelos pés em uma cadeira e as mãos nas costas.
Eles perguntavam por dinheiro, só dinheiro, que estava em uma mochila, mas amordaçada, eu não tinha como responder e por isso apanhei.
No rosto, nas pernas, nas costelas e estômago.
Quando encontraram a bolsa, levaram o dinheiro que tínhamos à bordo e mais nada.
O cara da canoa dizia: Rápido, só pegue dinheiro.
Minha pressão caiu e desmaiei.
Quando acordei, meus pés estava roxos pelo aperto da fita na cadeira.
Tive que me machucar mais ainda para conseguir pedir ajuda pelo rádio VHF.
Gostaria de agradecer ao Barba Negra que me desatou, e a todo pessoal: Caboges, Strega, Beijupirá que foram carinhosos e cuidadosos comigo.
Estou toda dolorida e com machucados bem feios que não vale a pena compartilhar.
Toda a comunidade está se esforçando para encontrarem os bandidos, um paraíso como esse não pode ser contaminado com a impunidade.

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