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Combate a pirataria

03 - março (47)

Elogiável e pertinente a atitude da diretoria do Aratu Iate Clube, timoneada pelo comodoro Wilder Gouveia, assumindo a bandeira para proteger os associados depois de alguns assaltos a embarcações ocorridos nas águas da Baía de Todos os Santos e que deixou em polvorosa a comunidade náutica baiana. Após algumas reuniões com os órgãos de segurança pública e Capitania dos Portos, uma lancha da Polícia Militar que estava parada por falta de manutenção, na marina de Itaparica, foi recuperada e realiza patrulhamento nos principais destinos de ancoragem. Claro que isso não é suficiente para barrar a bandidagem diante de uma baía tão grande, mas é um começo e a ideia deveria ser seguida por outros clubes. A regata Aratu/Maragojipe, que será realizada no fim de agosto, terá segurança durante o percurso e também na ancoragem em Maragojipe, tudo para manter o brilho de uma das maiores regatas do Brasil e a de maior tradição na Bahia. Um clube náutico tem como missão principal desenvolver os esportes aquáticos e dar apoio incondicional ao navegante. Aquele que se furta dessa missão perde o rumo. Parabéns Aratu Iate Clube!     

Um jornal arretado de bom

capinha-29A 29ª edição do Jornal Almanáutica já está nas ruas e sendo distribuídos nos principais polos náuticos do Brasil, como também via online. O Almanáutica é uma iniciativa do velejador e jornalista Ricardo Amatucci e tem como Missão: Informar, instruir e valorizar atividades relacionadas à vela, seus protagonistas e colaboradores. Se o seu clube náutico ainda não recebe o Jornal, entre em contato com a redação por email ou através do WhatsApp/Voz (011) 9-99578214.

Do muro das lamentações

1 janeiro (76)

Em todos esses anos morando a bordo do Avoante, onze anos, tenho acompanhado os traumas e incertezas dos companheiros do mar quanto ao quesito manutenção da embarcação. Este é um tema que requer atenção e que leva o navegante a enfrentar terríveis dilemas existenciais. A coisa é tão complicada que cada vez que tentamos conversar sobre o assunto em uma gostosa roda de bate papo, sob a sombra de um palhoção de clube náutico, o máximo que conseguimos é uma interminável série de interrogações e discursões acaloradas. Já nos grupos de mídia social, o moído vira um legítimo samba do crioulo doido e no final sobram mais dúvidas do que certezas. No afã de demonstrar conhecimentos, o interlocutor virtual se transforma numa monumental enciclopédia tipo Delta Larousse e saí detalhando ensinamentos a torto e a direito.

Nos grupos sociais o tema manutenção é tão complexo e animado que até quem nunca teve um barco, nunca navegou e nem sabe para que lado se localiza a popa ou a proa de uma embarcação, discursa de cor e salteado manuais técnicos e práticos. Alguns ainda se arvoram em garantir que assina embaixo da afirmação, porque sabe que funciona, pois ele soube por um amigo da prima do vizinho, que tal teoria funcionou no barco de um colega distante do namorado da tia torta de um sobrinho da cunhada de um conhecido da época de ginásio. Bem pertinho!

Sou declaradamente cético quando escuto ou leio sobre manutenções infalíveis e que todos deveriam seguir. Se um barco nunca é igual a outro, navega em condições diferentes, estão baseados em climas totalmente adversos e recebem dos proprietários atenções distintas, como pode uma mesma receita servir para doentes tão diferentes.

Claro que orientações são sempre bem vindas e não devemos descartá-las, por mais que achemos que sejam bobagens, porém, muita dor de cabeça e prejuízo pode ser evitado se seguirmos a lógica dos fatos e observamos o que causou o problema. Muitos nem se dão ao trabalho de pensar na solução e prefere pagar valores absurdos aos prestadores de serviço maledicentes e sem nenhuma ética profissional.

Fico abismado quando as soluções indicadas descambam para o mundo da carestia, como se tudo para ser bom e funcional precisasse ser acrescido de valor monetário elevado. Como se o mar e suas intempéries soubessem avaliar as coisas pelo tamanho da conta bancária do navegante.

Um barco para dar o prazer que o navegante necessita, requer simplicidade nos detalhes e nenhuma dose extra de extravagância, principalmente na parte elétrica e eletrônica, que são os maiores causadores dos problemas a bordo. Dotar uma embarcação com os últimos lançamentos do mundo das bruxarias náuticas nunca trouxe alegria e nem satisfação ao navegante, a não ser a satisfação de empostar a voz para anunciar e mostrar aos amigos os brinquedinhos disponíveis. Quando sou eu o apresentado as incríveis parafernálias eletrônicas que equipam alguns barcos, dou os parabéns e digo que tudo aquilo é arretado. E fico a me perguntar: – Será que tudo isso terá uso realmente? E se der uma pane elétrica, será que o barco navega?

Uma das grandes fontes de defeitos, e que ninguém afirma que seja verdade, é a geladeira. Certa feita um amigo chegou até mim para anunciar que havia a comprado uma geladeira para o veleiro e que a partir da instalação a vida dele no mar seria outra, pois teria mais conforto, água gelada, cerveja fiofó de foca e mais uma série de coisas maravilhosas. Fiquei a matutar na alegria do meu amigo e imaginando que eu bem que poderia ter a mesma alegria e empolgação se comprasse um refrigerador para o Avoante. Eita ia ser o céu! Perguntei quanto havia custado o equipamento e ele respondeu que foi coisa de pouco mais de mil reais. Beleza! Segui meu caminho tentando entabular umas contas para adquirir uma geladeira e ele seguiu o dele, feliz e sonhando com sua nova vida de conforto no mar.

Meses depois encontrei novamente o amigo e perguntei como estava a geladeira. Ele fez cara de muxoxo e respondeu: Rapaz, ainda não funcionou a contento, porque é preciso refazer a vedação da caixa, necessito comprar mais uma placa solar, duas baterias, se brincar um gerador eólico e continuo levando uma caixa de isopor com minhas cervejinhas. Já estou achando que não foi boa ideia, pois tenho navegado tão pouco ultimamente. Além de que, a turma da manutenção é um pé no saco. Apenas assenti e mudei de assunto.

Sempre que vejo barcos super equipados me vem na lembrança às palavras do velejador Fábio Constantino, em uma palestra no Iate Clube do Natal: – Quer se deleitar com a vida a bordo de um veleiro? Mantenha isso estupidamente simples!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Meu Clube no Diário do Avoante

aratu iate clube

Aratu Iate Clube em uma tarde de inverno. Se quiser ver o seu clube no Diário do Avoante, envie uma foto para o email, avoante1@gmail.com com o título: Meu Clube.

A vela pede socorro

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Nas minhas navegadas por ai tenho acompanhado os altos e baixos em que vive o mundo da vela no Brasil. São situações que passam despercebidas até mesmo pelos mais habituais frequentadores dos clubes náuticos, devido à sutileza da brisa que sopra contrário.

A grande maioria dos grandes clubes náuticos no Brasil, assim como no mundo, tem origem na coragem de abnegados velejadores que vislumbraram um legado de glórias e ideais mais humanos para as gerações futuras. Eles sabiam da capacidade dos bons ensinamentos que existe no mar, da imensidão diversa do litoral brasileiro e por isso enfunaram as velas para dar vida ao sonho.

Os clubes cresceram, modernizaram-se e chegou o tempo de rever conceitos, regras e normas. O mundo é outro, os ventos são outros e a vela, com suas lerdezas e dependendo do sopro da natureza, foi sendo empurrada para um cantinho qualquer de um pátio. E as regatas? – Quando der a gente faz, quando não der, empurra com a barriga e deixa para a próxima!

O mundo pede velocidade, dinamismo, agressividade. As pessoas se veem cada vez mais absorvidas pela necessidade da urgência, mesmo sem saber qual, e nada disso parece combinar com um barco que para se movimentar precisa de uma coisa tão simples que é o vento. Continuar lendo

Vivas a um grande velejador

Regata Batalha Naval do Riachuelo 162

Não sei se vocês sabem, mas assino há mais de sete anos uma coluna dominical no Jornal Tribuna do Norte, com o título Diário do Avoante e foi de lá que  surgiram os títulos do blog e do livro. São textos que falam da vida, do mar, de sonhos, aventuras, alimentação, cotidiano das cidades e alguns deles, de vez em quando, aparecem por aqui. O texto Vivas a Um Grande Velejador, foi publicado em 25 de Maio na Tribuna do Norte e até já deveria ter sido postado aqui, mas tudo tem seu tempo.  

Dizem que tem coisas que surgem quase do nada, basta uma raspada de olhar, um esbarrão casual ou simplesmente um nada de nada para que haja acontecência. E foi assim que aconteceu comigo quando avistei um barquinho chegando lá para as bandas de numa ilha pernambucana chamada de Santo Aleixo.

Foi lá o meu primeiro contato com um barco a vela e vale dizer que foi mais do que casual, pois estávamos ali atendendo um convite de um amigo para um passeio em sua lancha e já estávamos nos conformes para zarpar de volta a praia de Tamandaré, local de nossa estadia.

O veleirinho era tripulado por dois velejadores e eles vinham com o rosto mais chamuscado de sol do que orelha de pescador. A coisa só não estava mais feia, porque uma esbranquiçada pasta branca dava ao rosto dos velejadores um ar meio fantasmagórico, porém aliviando o queimor. De uma coisa eu lembro bem: Os caras estavam cansados, mas felizes.

Trocamos algumas palavras, mais por curiosidade minha do que a vontade deles responderem. Ajudei a empurrar o veleiro sobre a areia da praia e demos adeus aos dois, sem antes não deixar de desejar sucesso na empreitada, pois os caras tinham planos de encerrar o passeio em Maceió/AL. E assim foi feito, pois tempos depois soube de todo o ocorrido, tintim por tintim.

Os dois aventureiros eram Cláudio Almeida e Eder, que faziam parte da flotilha de vela do Iate Clube do Natal e aquela já era a segunda viagem da dupla. O barco, um Tornado, veleiro multicasco muito rápido, mas sem nenhum conforto aos tripulantes numa empreitada tão longa. Façanhas assim que marcam a bravura dos verdadeiros homens do mar.

Sei que outros velejadores já fizeram viagens maiores em barcos semelhantes e pode ser que muitos achem que isso hoje em dia nem seja uma novidade tão aventuresca como possa parecer, mas até aquela época eles foram os únicos norte-rio-grandenses a realizar e obtendo sucesso na ida, quanto de volta.

É difícil o reconhecimento quando não existe a presteza de querer fazer. Cláudio e Eder, naqueles longínquos anos 90, elevaram o nome da vela potiguar a um patamar merecedor, pois o clube de onde eles eram crias nasceu, cresceu e venceu com as velas enfunadas pelas águas do velho Potengi.

Até hoje a aventura da dupla é festejada e comemorada nos alpendres da Federação Alagoana de Vela e Motor e isso qualquer um pode comprovar, basta apenas que tenha a alegria de sentar para um gostoso bate papo, regado à cerveja gelada servida por Seu Zezé, com a turma boa que faz o mundo da vela das alagoas. Fotos da dupla e da festa da chegada fazem parte do acervo histórico da vela alagoana, pois assim faz o povo do mar diante das conquistas. Reconhecimento e divulgação como incentivo para as gerações futuras!

Cláudio foi o guru que me iniciou na vela e me ensinou muito do que sei hoje. Foi através da imagem daquele barquinho chegando na Ilha de Santo Aleixo que o mundo náutico se abriu em mil horizontes em minha frente.

Em 1998, ano em que passei a fazer parte do quadro de sócios do Iate Clube do Natal, por indicação dele, Cláudio era a vela mestra que movimentava o iatismo potiguar. Incentivador voraz e incansável para transformar as regatas em uma festa de alegria e competitividade, não media esforços para tal.

Brigador, agitador, brabo como um siri numa lata, mas quando o assunto era vela e regata lá estava ele, com sua verve bruta e inconfundível e com grande capacidade de transformar qualquer veleirinho ronceiro em uma bala.

Hoje ele é egresso do quadro social do Iate Clube do Natal, mas, vez por outra, aparece no clube como convidado, e não mais, para servir como tripulante em algum veleiro. Mas ao chegar ao clube sua alegria não é a mesma de outrora, pois no fundo de sua alma lateja a dor da tristeza que marcam aqueles que foram atraiçoados por força de alguma ordem modernosa. Como se a história pudesse ser apagada.

Uma sociedade se faz com história, reconhecimento, honradez, conquistas e vitorias de seus guerreiros. Homens que deram o sangue e a alma para elevar a bandeira e cravar no olimpo a espada da luta vitoriosa.

Cláudio Almeida, meu amigo e extraordinário velejador, a vela potiguar sem a sua garra navega com as adriças folgadas e velas rizadas. Saiba, e sei que você sabe, que para o sempre seu nome estará talhado na história do Iate Clube do Natal, que lhe deve um eterno e merecido reconhecimento.

Caro amigo, a página desse Diário hoje é sua. Parabéns e muito obrigado pelo mundo maravilhoso que você me fez enxergar.

Nelson Mattos Filho/Velejador

O VHF e a desatenção

2 fevereiro (113)

Dia desses estava atravessando a Baía de Todos os Santos, em direção a Ilha de Itaparica, quando escutei uma insistente chamada pelo rádio VHF em que o navegante pedia ajuda a marina em que é associado. Ele estava a bordo de uma lancha, com o motor avariado, mas infelizmente, ou negligentemente, a marina não o atendia. Sem mais a quem apelar, o navegador pediu ajuda a Capitania dos Portos da Bahia e foi prontamente atendido pelo operador de rádio, que imediatamente deu início aos procedimentos de socorro.

Não consigo deixar de ficar angustiado quando escuto dramas como esse, em que o rádio, irresponsavelmente, deixa de ser atendido. No meu compromisso ético de sempre ajudar a quem está no mar, me vi ainda mais angustiado por saber que a lancha avariada estava a várias milhas de minha localização e somente estava ouvido à chamada devido o VHF do Avoante ter um bom alcance, que não era assim anos atrás, mas que consegui resolver com a ajuda de João do Rádio, um excelente técnico em comunicações em Natal/RN.

Com o apoio da Capitania dos Portos da Bahia, que acionou uma rede de ajuda envolvendo marinas e iates clubes de Salvador, vale salientar que a marina onde o navegante é sócio ficava a menos de 3 milhas do problema, o navegante enfim pôde ser socorrido já bem próximo do anoitecer. Ufa! Continuar lendo