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O buraco do tatu

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O jornalista, escritor, romancista, teatrólogo, cronista e colecionador de mais um bocado de ocupações, Nelson Rodrigues, desnudou a cena urbana brasileira, em todas as suas cores, trejeitos e costumes, na série de crônicas A Vida como Ela é, que faz sucesso até os dias atuais, pois a vida é como é e por mais que a modernidade queira assumir o comando, jamais conseguirá alterar o mecanismo que move a cabeça do homem. O cenário pode até mudar, mas o roteiro jamais! Se vivo fosse, meu Xará estaria produzindo verdadeiras pérolas, pois o moído é grande!

Dia desses estava bem sentado sob a sombra da varandinha de minha cabaninha de praia, quando chegou a notícia que um amigo do alheio havia visitado uma casa da comunidade e levado, por engano, uma carteira recheada de cédulas de garoupas e onças-pintadas. Como sempre, a rádio-peão tratou do caso com as mais diferentes versões e o que sobrou foi uma boa cervejada para comemorar os dedos que ficaram. Porém, no rebojo da notícia veio o moído que da casa de um vizinho da cena da carteira, um tatu gordo, que estava sendo cevado para os festejos de fim de ano, havia sido afanado. – Como é? – Um tatu? – Isso mesmo, um tatu! – Mas num é pecado ambiental criar tatu em casa, ainda mais com o objetivo de comer o bichinho? – É, rapaz, mas se avexe não e me deixe continuar! – Pois vá!

Pois bem, o delegado foi chamado para tratar do desaparecimento das “garoupas” e das “onças”, e como não podia fazer mais nada, pois dinheiro na mão é vendaval, entrou no possante para retornar no rumo da vinda, quando apareceu o ex-dono do tatu – ou seja, o roubado -, prestando queixa do desaparecimento do bicho. O delegado ouviu a reclamação, se penalizou com o choro do homem, mas entre o sim e o não, balançou a cabeça, olhou para o Céu, a espera de um sinal de Nosso Senhor, e resolveu se fazer de surdo, porque assim a vida fica mais amena e se fosse para decifrar um crime com outro crime, era melhor que a conversa entrasse por um ouvido e saísse pelo outro e assim, todos seguiriam a vida em paz. E assim foi!

Aí, enquanto navego pelo mundão de sites do oceano internético, para me assuntar das coisas do tempo, bati o olho numa notícia, saída dos reservatórios das ciências, anunciando que comer tatu enche o sujeito com milacrias de doenças que dá até medo. O anuncio veio assinado embaixo pelos meninos do IBAMA e estes lembram que degustar a iguaria pode deixar a pessoa com uma bruta dor de cabeça, pois, se for pego com a boca na botija, a bronca é grande.

Diz a matéria do Portal Notícias, que tatu, animal silvestres muito consumido nos recantos do sertão nordestino, é um depósito de micróbios transmissor de hanseníase, doenças de chagas, micose pulmonar e outras verminoses. Porém, os apreciadores rebatem dizendo que uma cachacinha boa, pareia elementar da iguaria, cura todos os males por ventura existentes. – O que não duvido, porque palavra de sertanejo é sentença verdadeira, mas também jamais deixaria de acreditar nas certezas dos estudiosos, porque uma mão lava a outra e as crenças nascem do que se ouve dizer.

Segundo os meninos das ciências e das causas ambientais, os tatus se alimentam de insetos e contribuem para o equilíbrio de populações de formigas e cupins. Os estudos afirmam que apenas um tatu, da espécie mulita, é capaz de comer em uma noite quase 9 mil invertebrados. – Aí me pergunto: Se treinássemos dois tatus-mulita para se alimentarem de papangus e soltássemos num certo planalto central, será que os bichos dariam conta da tarefa?

Pois é, a cena urbana brasileira é rica, hilária e basta uma nesguinha de olhar meio de lado para deparamos com causos, contos, estórias e histórias que enchem folhas e linhas com a criatividade de cronistas como o impagável, amado, criticado e querido Nelson Rodrigues, que assim se definia: “Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico (desde menino). ”

Mas antes de findar a prosa, vale lembrar que, além das enfermidades relatadas pelos pesquisadores, dizem por aí que comer tatu dá dor nas costas, viu!

“…O cachorro quando late no buraco do tatu/Sai espuma pela boca e chocolate pela orelha…”

Nelson Mattos Filho

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A toca da tartaruga

2157d16ddb17c49Esse mundão de Nosso Senhor é cheio de moídos. Tem uns que nem vendo somos tentados a acreditar, avalie os que chegam pelas portas escancaradas da internet! Hoje, passando a vista nas trincheiras do facebook, me deparei com um babado acontecido nas terras espanholas, que vai dar munição para uma ruma de causos criativos e bem contados. Mas vou logo adiantando que posso até exagerar um tiquinho de nada, pois quem conta um conto aumenta um ponto, ou dois, porém, o babado está lá, bem explicadinho, no site Metrópoles. Pois bem, dizem que uma mulher deu entrada em um hospital de Arona, Tenerife/Espanha, depois de uma festa, com fortes dores na vagina – não se apressem nas acusações –, dor que não aliviava nem com reza braba, imagine com os remedinhos milagreiros da emergência! Diante do quadro estranho, os médicos foram “aprofundando” nos exames e ao chegar num ponto crucial, se espantaram com o que encontraram. Lá estava uma tartaruga já em elevado estado de decomposição e a partir daí o reboliço foi grande. Um doutor perguntou espantado: – Dê onde danado saiu isso? Outro arregalou os olhos e disparou:  – Valei-me Santo Inácio de Loyola! Teve até quem chamasse a Vigilância Sanitária, para avaliar o caso. Aqui chamariam o IBAMA? No centro da sala de exame, deitada sobre a maca, a paciente dizia: – Eu é que não sei, pois que me lembre, não tive nenhum amasso tão escalafobético! Agora resta saber se a tartaruguinha morreu asfixiada, empapada, exausta, de solavancos, de alegria ou de paulada! E quem quiser que conte outra.

Guaiamum entra na lista de extinção

guaiamim2Para quem é apreciador de uns gordos guaiamuns, acompanhado de cerveja gelada ou uma cachacinha, pode ir tratando de usar o leite de coco em outra receita, porque no Brasil o crustáceo entrou na lista de extinção, e não é de hoje, conforme portaria 445/2014 do Ministério do Meio Ambiente e com prego batido, ponta virada pela portaria 395/2016. O caranguejo guaiamum, que nos estados nordestinos é encontrado em diversos bares e restaurantes na beira do mar, tem seu habitat entre o manguezal e a mata, em terrenos geralmente arenosos e úmidos. O guaiamum pode ser encontrado desde a Flórida, EUA, até a região sudeste do Brasil. Pela portaria do MMA 395/2016, os bares e restaurantes, que tiverem estoque declarado, poderão comercializar o crustáceo até o dia 30 de abril de 2017. Fonte: G1 e Wikipédia     

O grande mar – IV

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A Baía do Iguape é um mundo de água cercado por um vasto manguezal. Em suas margens se debruçam o município de Maragojipe e os povoados de Nagé, São Francisco do Paraguaçu, São Tiago do Iguape e outras povoações menores, além de pequenas ilhas, entre elas a do Francês, que divide o rio ao meio, e do Coelho, que tem um fundeadouro maravilhoso. A baía é rica em várias espécies de peixes, moluscos e mariscos, entre eles se destaca o camarão.

Iguape é uma RESEX – Reserva Extrativista Federal, com 10.082,45 hectares, ligada ao ICMbio. Grande parcela da população vem de origem quilombola e sobrevive da pesca artesanal, cultura do fumo e agricultura familiar.

A navegação no Rio Paraguaçu não oferece grandes perigos, mas é indicado estudar bem a carta náutica e seguir com atenção os waypoints demarcados. O problema maior são as redes de pesca que não são poucas, mas nada que um bom comandante não resolva. Continuar lendo

Ibama embarga Caicó Iate Clube

Iate Clube de Caico

Uma operação do Ibama demoninada de Operação Rios Federais embargou o Caicó Iate Clube, na cidade de Caicó/RN. O iate clube fica localizado nas margens do açude Itans, um dos maiores do Rio Grande do Norte. Segundo informações o clube não teria licença ambiental para funcionar.

Um mundo real

viagem ao atol no borandá 026 Atol é uma ilha formada a partir do crescimento de recifes ao redor de cumes de vulcões submersos. A grande maioria se localiza nos oceanos Pacífico e Índico. O Atol das Rocas é o único existente no oceano Atlântico Sul, daí sua importância como reserva ecológica. O termo Rocas vem do espanhol e quer dizer rochas ou pedras.

O Atol das Rocas é um dos menores do mundo, abriga mais de 150 mil aves marinhas de 30 espécies diferentes que procuram sua área para reprodução e abrigo. É área de desova da tartaruga-verde e área de abrigo e alimentação da tartaruga-de-pente. Na verdade o Atol das Rocas é um grande berçário e condomínio natural de grande parte das espécies marinhas, sejam moluscos, crustáceos, peixes, algas e corais. Foi nesse pequeno ponto isolado do Brasil que ancoramos no catamarã Borandá e me vi cercado de natureza em seu estado mais puro e vivo.

Difícil chegar ali e não se apaixonar e não sentir o pulsar forte da natureza. Difícil chegar ali e não pedir perdão a natureza por tanta agressão e não querer fechar e abrir os olhos para ver se não é sonho. Difícil não querer pisar naquele paraíso. Eu não quis!

Se você não acredita, vou tentar justificar minha asneira em poucas palavras:

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MOREIAS MORREM NA COSTA DO RN

Mais de 1.000 moreias foram encontradas mortas nas areias das praias do litoral norte do Rio Grande do Norte. A morte ainda é um mistério para os órgãos ambientais. Técnicos do IBAMA recolheram amostras do animais mortos, das algas marinhas e das águas do mar das praias para tentar saber o que ocasionou a mortandade dos peixes. Tudo começo no final de semana e até hoje ainda aparece moreia morta nas praias. O superintendente do IBAMA afasta a possibilidade de ter ocorrido contaminação de óleo ou produtos químicos, pois o caso se deu em uma longa faixa do litoral.