Arquivo da tag: icmbio

Guaiamum entra na lista de extinção

guaiamim2Para quem é apreciador de uns gordos guaiamuns, acompanhado de cerveja gelada ou uma cachacinha, pode ir tratando de usar o leite de coco em outra receita, porque no Brasil o crustáceo entrou na lista de extinção, e não é de hoje, conforme portaria 445/2014 do Ministério do Meio Ambiente e com prego batido, ponta virada pela portaria 395/2016. O caranguejo guaiamum, que nos estados nordestinos é encontrado em diversos bares e restaurantes na beira do mar, tem seu habitat entre o manguezal e a mata, em terrenos geralmente arenosos e úmidos. O guaiamum pode ser encontrado desde a Flórida, EUA, até a região sudeste do Brasil. Pela portaria do MMA 395/2016, os bares e restaurantes, que tiverem estoque declarado, poderão comercializar o crustáceo até o dia 30 de abril de 2017. Fonte: G1 e Wikipédia     

Anúncios

O grande mar – IV

IMG_0234

A Baía do Iguape é um mundo de água cercado por um vasto manguezal. Em suas margens se debruçam o município de Maragojipe e os povoados de Nagé, São Francisco do Paraguaçu, São Tiago do Iguape e outras povoações menores, além de pequenas ilhas, entre elas a do Francês, que divide o rio ao meio, e do Coelho, que tem um fundeadouro maravilhoso. A baía é rica em várias espécies de peixes, moluscos e mariscos, entre eles se destaca o camarão.

Iguape é uma RESEX – Reserva Extrativista Federal, com 10.082,45 hectares, ligada ao ICMbio. Grande parcela da população vem de origem quilombola e sobrevive da pesca artesanal, cultura do fumo e agricultura familiar.

A navegação no Rio Paraguaçu não oferece grandes perigos, mas é indicado estudar bem a carta náutica e seguir com atenção os waypoints demarcados. O problema maior são as redes de pesca que não são poucas, mas nada que um bom comandante não resolva. Continuar lendo

Um sonho no meio do oceano

arquivo de epaminondas - atol das rocas (1)arquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-7.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-6.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-5.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-3.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-4.jpgarquivo-de-epaminondas-atol-das-rocas-2.jpg

Existem algumas fronteiras náuticas no Brasil que alimentam o sonho de todo velejador. Algumas são mais fáceis de atingir, bastando apenas que o comandante alie o sonho com a vontade e cumpra algumas exigências, o que é o caso de Fernando de Noronha, Abrolhos e dos longínquos rochedos de São Pedro e São Paulo. Porém a joia náutica da coroa é mesmo o Atol das Rocas. O Atol fica localizado na costa do Rio Grande do Norte, numa distância de 144 milhas náuticas de Natal e a 80 milhas náuticas da Ilha de Fernando de Noronha. No passado, não muito distante, o Atol das Rocas era destino certo de muitos aventureiros do mar e também de barcos pesqueiros. Depois da criação da Reserva Biológica Atol das Rocas em 1979 e hoje comandada pelo ICMBio, se aventurar nas águas que cercam o belo recife natural passou a ser crime ambiental, já que a área da reserva é de 360 quilômetros quadrados, incluindo o atol e toda área marinha em volta, até a profundidade de mil metros. O Atol é um sonho na imensidão de mar que o cerca. Eu já tive a oportunidade de chegar próximo, mas infelizmente não tive permissão para desembarcar, e para ser sincero, não me abalei nem um pouco, pois tudo aquilo me pareceu um ambiente frágil demais para ser tocado pelo homem. Me perdoem os meus companheiros de mar, mas concordo fielmente com a proibição. Mas tudo bem, vou voltar ao tema principal dessa postagem e deixar as polêmicas para outra hora. Mesmo após a criação da Reserva Ambiental, em 1979, o Atol continuou sendo visitado por velejadores, pescadores e pesquisadores, sem o mínimo de interferência, até a fundação da Base Permanente de pesquisa que hoje é comandada pela competente Maurizélia de Brito Silva, mais conhecida como Zelinha. Ela vira uma fera quando o assunto é Atol das Rocas, pois aquele é o seu mundo e que ela conhece como ninguém. É emocionante vê-la falar do Atol e de tudo o que aquele fragilizado ecossistema representa para o nosso mundo. Lá vou eu fugindo novamente do assunto, mas agora vou em frente: Em 1989 aportou pelo Atol um veleirinho de 22 pés batizado de Shogun, no comando estava um pernambucano arretado e com ele uma tripulação de três amigos. Todos radioamadores que desejavam contato com o mundo. Contato com o mundo no Atol? Um lugar isolado como aquele? Isso mesmo. Epaminondas, mais conhecido como Epa, batizou a viagem como 1ª Expedição de Radioamadores do Atol das Rocas. Segundo me falou o Epa, nos quatro dias em que ficaram acampados no Atol conseguiram manter contato com mais de cinco mil radioamadores de todo o mundo. Levaram inclusive uma placa que colocaram no tronco de um coqueiro, que até gostaríamos de saber se ainda existe, onde fazia o registro da Expedição. Mas isso foi há vinte e cinco anos. O Atol das Rocas é mesmo um lugar enigmático e vai continuar alimentando sonhos e desejos de muita gente. Assim espero!

O mar e a ilha

Imagens 406O mar é um ser mágico, cheio de encantos, valente, observador, extremamente forte e um grande pregador de peças. Ninguém passa por ele sem levar pelo menos uma marca para o resto da vida.

A regata Recife – Fernando de Noronha 2010 foi marcado pelo mau humor de um mar bruto e, como disse um amigo velejador, “muito punk”. Foi um mar desafiante e que forçou os velejadores a refletirem e tomarem decisões que levam a fronteira de seus conhecimentos.

Se no mar as coisas não estavam boas, muito piores estavam na Ilha de Fernando de Noronha. Decisões alopradas de extremistas alarmantes do meio ambiente confundiam a todos e até eles mesmos. Todo velejador é um apaixonado pela natureza, a começar pelo uso dos ventos para se mover sobre os oceanos. Confundir proteção com abuso de autoridade, como vimos em Noronha, é querer navegar contra a razão. E querer criar o factóide da dificuldade para vender facilidades, esta totalmente fora dos padrões ambientais e éticos exigidos pela natureza.

Fernando de Noronha é um paraíso construído e elaborado nas profundezas da Terra. Veio à tona pelo fogo ardente de um vulcão detalhista e fascinado pela beleza. Suas formas foram esculpidas por mãos mágicas de labaredas incandescentes. Os homens poderiam agir de forma mais criativa e inteligente na proteção desse paraíso. Em Noronha sobra proibição para uns e permissão atrapalhada para outros.

Este ano tivemos a companhia dos golfinhos nadando junto aos veleiros na ancoragem do Porto. Foi uma alegria acordar todas as manhãs com aquelas criaturas brincalhonas fazendo exibição e mostrando seus dorsos cinza reluzente. Junto a eles, uma lancha do ICMBio monitorava tudo há nossa volta a procura de algum tripulante desavisado que estivesse na água. Era como se nós estivéssemos invadindo o espaço sagrado dos golfinhos, e eles, agentes fiscalizadores da natureza, fossem os juízes prontos a aplicar uma severa pena.

Alguns tripulantes foram obrigados a subir na lancha fiscalizadora e intimados a comparecer a sede do ICMBio para prestar depoimento e receber uma dura reprimenda, sob a acusação de crime ambiental inafiançável. Eles não nadavam com os golfinhos, como é proibido, apenas nadavam entre os barcos quando os bichinhos apareceram. Veleiros são proibidos de navegar e ancorar em belas praias sob o argumento de causar dano ao meio ambiente. Tudo é monitorado as escondidas por fiscais ocultos no alto das encostas, como se cada visitante fosse um agressor frio e calculista.

Enquanto isso, barcos a motor passeiam com turistas livremente sem serem incomodados. Um gerador eólico destruído por um raio enfeia a paisagem do Porto, dando vez a grandes geradores movidos a diesel abastecerem de energia a Ilha. Piscinas artificiais completam o portfólio de pousadas, enquanto na Ilha falta água para os moradores. Uma imensa frota de carros, que já beira o caos, trafega na pequena BR e nas pequenas trilhas que levam as praias. Uma superpopulação de mais de 5 mil pessoas, entre nativos e trabalhadores, se alarma com a falta de gás de cozinha. Esgotos correm a céu aberto e até um incrível e mal cheiroso aterro sanitário tempera o ar. Em Fernando de Noronha sobram Leis, normas e procedimentos, mas faltam bom senso, razão e ética. Essa é a Fernando de Noronha do vulcanismo ao capitalismo, que inclusive foi tema de palestra de um geólogo/velejador no auditório do IBAMA

Até a organização da REFENO que poderia dar mais apoio aos velejadores e contribuindo com a administração da Ilha, no atendimento aos anseios da regata, se abstém e faz ouvido de mercador. Basta ver o estado dos banheiros públicos destinados a regata: sujos, sem estrutura, sem limpeza e sem água. É uma vergonha o preço que se cobra de inscrição para tão pouco cuidado com o velejador e até com os patrocinadores, que associam seus nomes a regata.

Fernando de Noronha ainda é um paraíso elaborado pela natureza e encravado no meio do oceano, agora resta saber até quando. As normas de proteção precisam ser repensadas, inclusive a regata que este ano enfrentou um mar estranho e que vai deixar marcas. O mar é um grande observador e um feroz vigilante.

Nelson Mattos Filho

Velejador

As últimas da REFENO 2010

Imagens 190Imagens 191 Imagens 185Imagens 196Imagens 203 Imagens 218Imagens 217 As festividades da REFENO 2010, pelo menos as que ocorrem no Cabanga Iate Clube, estão chegando ao fim. Ontem a noite após  hasteamento das bandeiras do Brasil e de todos os estados e países participantes, aconteceu o jantar de confraternização com a presença de todos os tripulantes e convidados, no mais tradicional espírito velejador com a maioria usando trajes de gala, camiseta, bermuda e sandália tipo japonesa. A tarde teve uma reunião obrigatória para Mestres Amadores, que recebem uma autorização especial para navegar até Fernando de Noronha. Entre um evento e outro a gente acha tempo para dar uma organizada nos últimos detalhes a bordo, que no nosso caso tem sido até bem leve. Apenas arrumação e um problema mais sério na parte elétrica que foi resolvido ao custo de um pouco mais de estudo, observação e troca das três baterias de serviço. Hoje foi o dia da reunião de comandantes com a presença do Capitão dos Portos de Pernambuco e representante do ICMBio, que falaram sobre o apoio da Marinha do Brasil e das regras de preservação de Fernando de Noronha, respectivamente. A regata vai acontecer com previsão de vento sueste entre 16 e 20 nós, com rajadas de 25. No mar, deveremos encontrar ondas entre 2,5 metros e 3,5 metros com intervalos de 11 segundos, que quer dizer ondas longas, espaçadas e sem quebrar. Devido ao grande número de embarcações participantes, devem largar 102 veleiros, todos os barcos ao chegar na Ilha são obrigados a hastear uma bandeira,  que foi entregue na reunião de comandantes, no estai lateral para comprovar sua participação na regata.  Essas são as últimas informações da REFENO e que a gente se esforça bastante para conseguir. No mais é ficar a toa, rever amigos e colocar os assuntos em dia. Vidinha difícil!

Um mundo real

viagem ao atol no borandá 026 Atol é uma ilha formada a partir do crescimento de recifes ao redor de cumes de vulcões submersos. A grande maioria se localiza nos oceanos Pacífico e Índico. O Atol das Rocas é o único existente no oceano Atlântico Sul, daí sua importância como reserva ecológica. O termo Rocas vem do espanhol e quer dizer rochas ou pedras.

O Atol das Rocas é um dos menores do mundo, abriga mais de 150 mil aves marinhas de 30 espécies diferentes que procuram sua área para reprodução e abrigo. É área de desova da tartaruga-verde e área de abrigo e alimentação da tartaruga-de-pente. Na verdade o Atol das Rocas é um grande berçário e condomínio natural de grande parte das espécies marinhas, sejam moluscos, crustáceos, peixes, algas e corais. Foi nesse pequeno ponto isolado do Brasil que ancoramos no catamarã Borandá e me vi cercado de natureza em seu estado mais puro e vivo.

Difícil chegar ali e não se apaixonar e não sentir o pulsar forte da natureza. Difícil chegar ali e não pedir perdão a natureza por tanta agressão e não querer fechar e abrir os olhos para ver se não é sonho. Difícil não querer pisar naquele paraíso. Eu não quis!

Se você não acredita, vou tentar justificar minha asneira em poucas palavras:

Continuar lendo

UM ANO DO VELA NATAL – FOI A FESTA!

O 1º aniversário do VELA NATAL, Quarta-Feira 02/06, foi um evento que a muito tempo não se via no Iate Clube do Natal. Começou com uma palestra do casal que tem tantas milhas náuticas navegadas que, se somadas, da para realizar várias voltas ao mundo,  Zeca e Lucia,veleiro Borandá. O casal velejador chegou a Natal, 23 anos atrás, a bordo do veleiro Delícia e por aqui foram ficando, ficando e hoje já faz parte da história náutica do clube. Zeca é quem leva os pesquisadores e técnicos do ICMBIO  para o Atol das Rocas, numa frequência de viagem semanal. Logo após a palestra do casal velejador foi servido num farto e delicioso buffet que ficou a cargo do Restaurante Mar Sereno e que foi super elogiado pela qualidade gastronômica e serviço. Para animar a festa, entrou em cena o grande, e já famoso, DJ/Velejador Carlos Paçoca que botou fogo na galera com muita competência. A festa rolou solta até às 4 da matina numa demonstração da alegria reinante. VELA NATAL , uma ideia do velejador e mergulhador Afonso Melo, Mar e Sub, é um grupo de discussão noYahoo Grupos, onde os velejadores de Natal/RN trocam ideias e discutem regatas e outros assuntos ligados a vela. Hoje o VELA NATAL já conta com mais de 50 associados não somente de Natal, mas também de outros estados do Brasil. Nesse primeiro ano já foram mais de 1000 mensagens e muitas fotos e vídeos anexados na página. O grupo surgiu como ferramenta de comunicação para os encontros semanais de velejadores que acontecem toda Quarta-Feira no Iate Clube do Natal e que cresce a cada semana. Os encontros das Quartas-Feiras e o VELA NATAL podem ser considerados a forma motriz do ressurgimento e do sucesso da vela no Rio Grande do Norte. Parabéns a todos que fazem parte desse grande movimento em prol da vela de competição e de cruzeiro.