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Cartas de Enxu 06

Agosto (12)

Enxu Queimado, 21 de Janeiro de 2017

Comandante Érico, como vai essa vida dividida entre as barras do Potengi e do Cunhaú? Por aqui a vidinha é levada ao sabor dos alísios e do balançar das palhas do coqueiral, que por sinal estão bem sofridos diante dessa seca que já vai entrando para história, de mala, cuia e tristeza. Da varanda assisto o tempo passar e ouço o eco surdo dos reclames do nosso povo que há muito deixou de espanto diante das desgraceiras desse mundo sem freio e sem dó. De vez em quando, mais de vez do que de quando, me abasteço de uma cervejinha abençoada ou de um whiskinho básico e vou sonhar com o mar. Como é gostoso sonhar com o mar! E por falar em mar: Como vai a Musa, das poesias e regalos velejáveis etílicos?

Sabe comandante, tenho sentido falta do mar, mas também não é para menos, pois essa danação chamada cidade está cada dia mais esquisita e indecifrável. A vontade é de definir essa zona com um longo palavrão, mas o que seria um PQP diante do caos? Nada né!

Não sei você, mas estou me escondendo das últimas notícias vindas das dunas de Pium, aliás, escondendo não seria a palavra certa, porque fica difícil sair na rua e não dar de cara com essa falta de pulso das ditas autoridades, pois em cada recantinho, embaixo de qualquer sombra de árvore, por trás de qualquer muro assombreado, no pé de balcão de qualquer bar de esquina, sempre tem alguém louco para anunciar a barbárie. Aliás, nesse mundo amalucado em que estamos vivendo fica difícil manter uma agenda positiva. Mas veja bem: Não precisa concordar comigo, pois nem sei prumode me danei a assuntar sobre esse assunto.

Sim homem, e o ministro Teori? O que você acha? Por aqui, nessa lonjura de lugar, fica complicado opinar e nem quero mesmo meter o bedelho nessa seara, pois nas nuvens internéticas já tem tantas teorias e certezas que mais uma seria repetição. Mas que foi, foi, só não sei o que.

Sabe de uma coisa comandante, acho melhor falar de cachaça, pois esse é um assunto bom de assuntar e mesmo sem ser expert nesse líquido dos deuses, gosto de dar umas bicadas das boas, e se for na companhia de um caju, vixi! Pense numa pareia arretada! Por falar em caju e cachaça, dia desse fui visitar o amigo Eugênio Vilar, que veraneava na praia de Cajueiro, localizada no lado de lá da esquina do Brasil, e depois de uma recepção cinco estrelas, lá pras tantas o Eugênio pai perguntou se eu gostaria de provar uma cachaça da boa – agora diga aí se isso é pergunta que se faça? – e sem pestanejar respondi que adoraria. Rapaz, o homem trouxe uma garrafa de uma tal cachaça Doministro que de boa não tem nada, porque a danada é para se lascar de deliciosa. E para terminar de completar ainda fui presenteado com uma garrafa e saí todo faceiro com o troféu. Como diria Dona Laurinha, amiga de minha Mãe: Pronto, não faltou mais nada!

Claro que você deve estar doidinho para tomar um trago, mas digo que Doministro só resta um pezinho de garrafa e se você não vier logo, fazer a visita que prometeu faz tempo, vai passar batido. Mas tem nada não, pois tenho umas garrafas da paraibana Rainha, aliás, uma ganhei de presente do amigo Zé Maria, que estava fazendo umas trilhas entre Canoa Quebrada e Natal, montado em uma motoca que mais parece um trator, e passou por aqui só para me presentear. Sinceramente comandante, não sei porque danado os amigos acham que gosto de cachaça? Ainda bem que Ceminha não sabe desses presentes!

Meu amigo, tenho uma confissão a fazer, pois tenho andado meio escalafobético com as coisas desse mundo velho. Não estou conseguindo me situar em meio a esse desajustamento de conduta das nossas autoridades constituídas. Que bixiga é isso meu amigo? Não aparece um filho de Deus para colocar ordem nesse cabaré. Só aparece cabra para tocar fogo no palheiro e ainda tirar o dele da reta. Pense num magote de covarde! Me diga aí comandante: Será besteira minha? E se for, qual será a minha penitência? Mas não se avexe não que vou dar um bordo nessa prosa.

Rapaz, por aqui tem dado uma correção de bicudas e galos do alto que dá gosto ver. Os bichos são gordos que só filho de fazendeiro e tem dado cada moqueca de fazer inveja a panela de baiano. Dia desses estive em Caiçara do Norte e me avexei em comprar uns pares de avoadores. Entrei em beco, sai de beco e me indicaram um frigorífico que tinha acabado de receber um carregamento de avoador. Comprei uma ruma e lógico que lembrei de você, mas chegado em Enxu pedi para uma amiga tratar, acendi a churrasqueira, abri umas cervejas e nem lembrei mais de levar uns para seu agrado. Isso não se faz, né não?

Pois é comandante Érico Amorim das Virgens, navegador, poeta, boêmio, apaixonado, festejador e semeador das boas amizades, por enquanto é isso e a Lua é minguante.

Nelson Mattos Filho

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Do mundo dos canaviais

20151128_133216Bebo num sinhô, di veis im quanto dô umas bicadinhas qui ninguém é di ferro! I muto menus essa matéra é prumode de jabá, pois sim um comentarim di uma mardita boa da bixiga.”

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Pois é, acho que já falei por aqui que de vez em quando pego o carro de apoio do Avoante e dou uma passeadas pelas bandas de Natal/RN, meu rincão abençoado e onde mora minha Ceminha. Nessas viagens, muitas vezes sem eira nem beira, vou parando aqui e acolá e tentando entender os segredos e me encantando com as belezuras que margeiam as estradas desse Brasil de meu Deus. Vejo muita coisa que até duvido que ainda esteja existindo nos dias modernosos de hoje, mas sobre isso garanto que depois falarei, mas apenas no dia que me der na telha. Hoje o assunto é cachaça e cachaça da boa. Nas minhas últimas idas e vindas estradeiras, sempre que cruzava o município alagoano de Campo Alegre, terra de canaviais a perder de vista, ficava encantado com a construção em estilo rústico e que se denunciava como uma futura destilaria. Fui e vim várias vezes, a construção ficou pronta, porém, o tempo, a hora e a estrada não me deixavam parar para espiar com mais zelo e degustar o que ali era produzido. Em outubro, depois de retornar de uma viagem a Pernambuco e com o tempo sobrando, decidi parar de uma vez por todas para conhecer o que já devia ter conhecido há muito tempo.

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O Engenho Caraçuípe merece sim ser visitado e tem muito a mostrar, inclusive para quem deseja apenas fazer boas fotografias. No espaço foi montado uma lojinha onde são vendidos os produtos da casa, de artesões da região e ainda pode-se degustar a cachaça. Como eu estava dirigindo, a tarefa da degustação foi encarada com muito “sacrifício” por Lucia, que aprovou e reaprovou. A cachaça Caraçuipe é vendida na versão prata e ouro em garrafas de muito bom gosto e que destaca o produto. Como eu estava dirigindo e não pude degustar na hora da visita, comprei as duas versões para enriquecer a adega do Avoante e de vez em quando tiro um traguinho para alegrar o paladar. 

Vamos brindar o verão

almoço na granja de noronha (3)

Amigos, hoje é mais um Sábado de verão e eu ainda não estou fazendo propaganda de cachaça, mas essa Maria Boa, a começar pelo nome, produzida no Rio Grande do Norte é boa mesmo. Aliás,  Maria Boa foi o nome do mais famoso Cabaré da capital potiguar e entre as festejadas paredes de suas dependências saíram boas histórias e lembranças de um tempo que não volta mais. Mas, vamos deixar essa dama que já foi uma das mais poderosas nos idos tempos da Segunda Guerra em paz e vamos voltar para o objetivo desse post, porque o verão já avança a passos largos e a safra de caju já não suporta tantos desejos. O objetivo aqui é esse mesmo que você está pensando: Deixar você com água na boca e lambendo os beiços. Foi assim que eu fiquei quando o amigo Joaquim Noronha, comandante do veleiro Malaika, colocou essa pareia da alegria em cima da mesa de sua granja. Os cajus foram colhidos na hora e estavam mesmo de fazer inveja de tão doces e suculentos, mas se você perguntar pelo tradicional ranço do caju eu vou responder assim: Segundo minha vó, “caju é igual a homem, por melhor que seja sempre tem um rancinho”. Agora que tal pegar a sua melhor garrafa da deliciosa cachacinha brasileira e fazer um brinde a esse verão? A vida agradece!