Arquivo do mês: janeiro 2017

Era uma vez um tubarão…

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O filme Tubarão e aquela musiquinha angustiante e fantasmagórica se tornou um marco na vida de muitos amantes do mar, porque quem tinha medo ficou com mais medo ainda e quem não tinha, passou a olhar para os lados e observar atentamente na cata de uma barbatanazinha antes de dar um mergulhinho despreocupado, mas com certeza o Steven Spielberg, diretor do filme, queria mesmo amedrontar os desavisados e quando criou o monstro cinematográfico estava pensando no  megalodon, o maior tubarão que já existiu nos mares, e segundo os últimos estudos científicos, dono de uma mordida com força superior ao dinossauro Tiranossauro Rex, outro mostro impiedoso. O megalodon tinha em média 18 metros de comprimento e reinou nos oceanos por mais de 14 milhões de anos, porém, desapareceram repentinamente há aproximadamente 2,6 milhões anos, e, novamente, segundo os estudiosos, a espécie morreu de fome. Os monstros se alimentavam de baleias anãs, que viviam em região de águas mais aquecidas, mas devido o resfriamento dos oceanos os baleotes não se adaptaram e morreram. Os megalodons, então, migraram para os oceanos gelados, mas não conseguiam caçar baleias maiores e assim sucumbiram diante da fome. Porém, tudo ainda são teorias, os estudos avançam nesse sentido e a ciência não para. – Taí um assunto para uma boa dose de bate papo diante do mar de verão! Fonte: Exame.com/ciência   

Tourinho, uma praia linda e maltratada

Janeiro (28)

A Praia de Tourinho é uma das belas praias de um Brasil mais lindo e esta localizada no município praia de São Miguel do Gostoso, hoje um dos mais procurados destinos turísticos do Rio Grande do Norte. Conheço Tourinho há muito anos quando lá só existia a casa principal de uma fazenda diante de uma praia virgem, bela, preservada e bem arborizada. A falta de tato de sucessivos governos municipal, aliado a uma Lei ambiental atrapalhada e com fiscalização ineficiente relegou o outrora desejoso recantinho de litoral a um avançado processo de desfiguração, ainda que a natureza demonstre traços que enchem a vista dos visitantes. Bares e restaurantes montados em barracas e funcionando em condições precaríssima de higiene, inexistência total de sanitários, sujeira e a paulatina destruição das antigas algarobas cuidadosamente plantadas a beira mar, espalham no ar uma enorme tristeza e desesperança. –  Por que será que temos que ser assim?     

Dos deuses

Dezembro (184)

O manjar é dos deuses, mas com essa calda de pitanga ficou demais da conta. Lucia adora fazer experiências com sabores e quando bateu o olho na produção da pitangueira do nosso quintal, ficou a matutar e pediu a Tia Cecília a receita do manjar, que ela faz como ninguém, e o resultado esta aí nessa imagem. – Se ficou bom? – Vixi! 

Rio 40 graus

Rio

Dizem que o Rio continua lindo e ainda entorpecido pelo clima das Olimpíadas 2016, porém, o que mais chama atenção são alguns detalhezinhos escusos de certos senhores decentes e umas trocas de balas entre uma gurizada travessa. Agora chegam notícias nas ondas do rádio que no mar da Baía da Guanabara, assim como na Baía de Todos os Santos, lá na Bahia de Amado, a pirataria tomou forma para fazer valer um salve geral e tem guri montado em bote inflável e armado até os dentes, com fuzil e tudo mais, parando lanchas para fazer uma limpezinha básica nos pobres cidadãos desavisado que querem apenas tirar um sossego no mar. Um dia a Fernanda Abreu cantou assim:  O Rio é uma cidade/De cidades misturadas/O Rio é uma cidade/De cidades camufladas/Com governos misturados/Camuflados, paralelos/Sorrateiros/Ocultando comandos…/ Rio 40 graus…. Está ficando difícil e dizem que nem piorou ainda.

Notícia triste e angustiante

IMG-20170111-WA0002Infelizmente tenho que dar a triste notícia, apesar de ter renovado a esperança a cada segundo que passava. O ITEP/RN confirmou que o corpo encontrado no mar, na manhã desta quarta-feira, 11/01, entre Enxu Queimado e Caiçara do Norte, a mais de 70 milhas de Natal, é do Coronel da Aeronáutica Max Carvalho Dias. As buscas continuam e hoje, seis dias após ele ter saído para realizar pesca esportiva na companhia do pescador profissional Toinho, um avião da FAB e embarcações da Marinha do Brasil passaram o dia vasculhando o litoral norte potiguar na tentativa de encontrar Toinho. O Cel. Max servia em Brasília e sempre se deslocava até Natal para realizar um dos seus maiores hobby. Fique em paz grande pescador e que Deus o receba e alivie suas dores. Fonte: AgoraRN    

De Salvador a Mangue Seco com o Pinauna

O velejador baiano Sergio Netto, Pinauna, que já nos presentou com excelentes relatos de suas viagens pelos mares do mundo, envia mais um diário de bordo e dessa vez da velejada que fez até a tietana Mangue Seco, onde a Bahia e Sergipe dividem meio a meio o Rio Real.

A RESTINGA MANGUE-SECO – PRAIA DO SACO – ABAIS

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A restinga é este cordão litorâneo na imagem acima,que se estende da costa norte da Bahia para a costa sul de Sergipe, interrompido pela saída dos rios Real e Piauí. O complexo litorâneo inclui a barreira da restinga, as dunas e a laguna interna com o mangue. A laguna é o corpo d”água alongado paralelo à restinga por dentro, e a migração das dunas pelo vento de fora recobre o mangue lamacento, dai o nome Mangue Sêco. Como as águas dos rios tem que sair, elas interrompem a restinga com um canal de maré que tem profundidade suficiente para que se acesse a laguna com um veleiro.

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O mangue na laguna O farol sobre a duna que recobre o mangue

Dito assim é simples, mas o efeito das ondas que atingem a costa modificam continuamente o acesso, transportando a areia ao longo da passagem, criando e removendo barras arenosas, de forma que quem pretenda entrar na laguna deve ir lá por terra, e sair a barra com uma canoa local (bianas com espelho de popa) para verificar onde está o canal de acesso antes de investir com um barco de quilha.

O mapa abaixo é a carta CCDGold de 2015, mostrando na linha branca beirando a costa da Praia do Saco o canal de acesso, que agora em 2016 mudou para o track em preto

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com os pontos brancos de forma que o canal agora passa onde era uma barra emersa no ano passado!

Tomadas estas providências, vela em cima e vamos lá. São 145 milhas a partir do Aratu Iate Clube, no verão sempre no contra-vento e contra-corrente.

Saímos às 15 horas de 25 de dezembro 2016, vento SE 13 nós, no início da vazante, Mila Rainha, Karine, Carlos Kakali e eu. Às 17 h, passamos o farol da Barra, vento E, dai que fomos orçando por cima do Banco Sto. Antonio até às 18:30 h, quando descemos da plataforma continental para o talude; às 19 h fizemos a primeira cambada que nos levou orçando no rumo 50V; o vento rondou um pouco para NE às 21 h e o anemômetro começou a dar sinais de cansaço, descontrolando o piloto automático que estava interfaceado em ‘vane’. Desliga instrumentos e torna a ligar, funcionou. À meia noite estávamos de novo sobre a plataforma continental em frente ao rio Jacuipe, onde a correnteza contra era mais forte, e demos um bordo para fora de 1,5h, no rumo 140V que nos levou às águas profundas, permitindo retornar ao rumo 20-30V até às 9 da manhã do

clip_image008clip_image010dia 26, quando o vento diminuiu de intensidade e rondou ligeiramente para SE, defronte à Praia do Forte. Já estávamos de novo sobre a plataforma, motorando por 3 horas na companhia de barcos de pesca, mas era dia claro e mantivemos o rumo até às 15 h, quando demos outro bordo para fora defronte ao rio Subauma, com vento NE força 4. Neste meio tempo Carlos Kakali embarcou um bonito de 1 kg. Às 17 h do dia 26 perdemos o fundo na sonda e demos o bordo de dentro que nos levou até a entrada de Mangue Seco, com o piloto interfaceado com o fluxgate (‘comp’) porque o anemômetro deixou de registrar a velocidade do vento. O vento cresceu e rondou para E, baixamos a mestra para o primeiro rizo e seguimos em bordo direto, chegando defronte à entrada da barra de Mangue Seco às 3 h da manhã, tudo escuro, lua nova, no turno de Carlos Kakali.

Quando acordei às 3:30 ele disse que estava indo para Aracaju para esperar o dia clarear.

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Enrolamos a genoa e ficamos por ali até que o sol saiu no horizonte. Como era lua quase nova, ela estava pertinho do sol e quando a lua sai no horizonte, em qualquer fase, a maré está sempre vazando, o que com vento E levanta mar na entrada da barra. Descemos a mestra e fomos motorando ver se dava para passar na arrebentação. Dava para ver áreas mais calmas e decidimos investir surfando nas ondas. Karine achava que ‘entraríamos com a ajuda de deus’, mas o bandido resolveu sacanear e no meio de uma surfada o motor de boreste tocou o alarme de temperatura. Sem dar bola pra vontade do carinha, entramos com o motor de bombordo e às 6:30 estávamos ancorados na praia do Saco, em Sergipe. A menor profundidade com 1,2m de maré foi de 3,5m. Ai Mila Rainha providenciou um lauto desjejum com champanhe. O problema do motor foi que folgou a correia da bomba d’água; apertei e funcionou. Removi o anemômetro no painel e apliquei abundante limpa-contato nas conexões, e quando reinstalado, funcionou. Mas Karine já tinha instalado birutas de lã nos estais para ver a direção do vento. Encontramos sobre o convés um parafuso de fixação do pino do batten-car no ponto de apoio da tala, que caiu durante a noite, mas fiz um ATE (armengue técnico emergencial, nomenclatura de Nogueirão) com um parafuso de 10cmx8mm da caixa de sucata.

Aproveitamos a maré vazia para passar debaixo da ponte na entrada de Terra Caída. Nem precisava, ainda sobraram uns 5m acima do tope do mastro para a base da ponte no vão mais alto. Me pareceu que a amplitude da maré aqui é semelhante à de Salvador, uma hora mais tarde. Ancoramos defronte à casa de Gileno e Cássia às 11:30 do dia 27, em 2,5m d’água, que logo começou a subir até 4,5m.

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Eles tem um píer e dá para abastecer de água na maré cheia. Chegaram no dia 28 e nos receberam de maneira fidalga. Esta recepção foi o ponto alto da viagem. Gileno é conhecido em Terra Caída como ‘Catalão’, e Cássia é ‘A Mulher’. Vá lá que ela lhe conta a história. No dia 27 jantamos no Frutos do Mar em Terra Caída, e no dia 28 desembarcamos às 11:30 e ficamos com Gileno, Cássia, e a família dela, inclusive D. Lidôca, a mãe de 90 anos até a noite, quando fomos experimentar os famosos caldinhos do Lene’s Bar. Dia 29 acordamos com um canoeiro batendo no barco: veio trazer pencas de lindas bananas que o Catalão mandou. Carlos diagnosticou e consertou um vazamento no sistema de pressurização de água. Zerei o odômetro parcial que desde o AIC registrou 194 milhas, e às 9:30 zarpamos no final da vazante. Dentro da laguna até Mangue Seco tem muita rede de pesca que exige atenção. Ancoramos às 10:40 em 3,5m de água logo no final do píer de contenção pouco além da pousada Algas Marinhas, junto ao parque onde os buggies pegam os turistas para visitar as dunas. Dormimos ai de 29 para 30. Saímos no buggy azul de Manuel, que também é prático da entrada da barra

clip_image024As dunas migram em muito pouco tempo, e alguns coqueiros e até postes ficam  clip_image026soterrados até o gogó, A areia fina que escapa, junto com a erosão da barranca do rio vai se acumular na Ilha da Sogra, entre a laguna e a restinga. Esta praia da Ilha da Sogra, de areia quartzosa fina e compactada na superfície, com piscinas de água quente, foi a mais encantadora que já vi no mundo todo. Daí esperamos a maré estar à meia enchente e zarpamos após o descanso do almoço, às 14:30.

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O porão de bombordo estava cheio de água salgada, que Carlos diagnosticou como um vazamento possivelmente no retentor da bomba d’água do motor de bombordo. Drenamos e saímos a barra com vento e corrente de enchente na cara, mas sem arrebentar na rota de saída. Às 15h estávamos fora, vela em cima. Observamos um rasgão no segundo painel da mestra, que aguentou bem até o AIC, quando Mila colocou um tampão de reforço. Vento e corrente favoráveis, a volta foi tranquila. Antes de escurecer estávamos além da isóbata de 1000m, saindo mais até 2000m. Durante a noite dois navios passaram próximo, mas foram identificados no AIS , e ao chamá-los ambos confirmaram que nos viam no radar. Às 13h do dia 31 passamos o farol da Barra, e achamos que era esperar muito tempo para assistir a queima de fogos à meia noite. Os Kakali desembarcaram no AIC às 15h, e Mila e eu após limparmos o barco e um jantar de fim de ano a bordo, celebramos a virada do ano ‘comme Il faut’ à meia noite…de Paris.

Na viagem de ida, as 145 milhas programadas cresceram 25% devido aos quatro bordos de contra-vento e à correnteza, tornando-se 181 milhas em 37 h. A volta foi um presente de ano novo, completada em 24h da Ilha da Sogra ao Aratu Iate Clube. Recomendo!

Fiz um registro do track em .gdb com as profundidades do acesso e da laguna que enviei para Cláudio, do veleiro Anni, Gerson, veleiro Tô Indo e Michael da CCD-Gold, e que está disponível para quem se interessar em estudá-lo no MapSource.

Esse passou raspando

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A natureza é assim, quando os terráqueos acham que seus estudos, satélites, telescópios, foguetes e mais um monte de parafernália estrambólica  vasculham o espaço na vã esperança de nos livrar de uma pedrada bem no meio do quengo, os duendes espaciais aprontam das suas só para ficarem dando gargalhadas interplanetárias e tirando onda com nossa cara de tonto. Foi assim que aconteceu na última segunda-feira, 09/01/2017, quando um tijolão batizado de asteroide 2017 AG13, cruzou faceiro pelas orbitas da Terra e de Vênus, numa distancia correspondente a metade da distância entre nosso planetinha azul e a Lua. E sabe quando o pedregulho de pouco mais de 34 metros de largura foi descoberto? Quando já estava no meio de seu despreocupado e ameaçador passeio. Alguns cientistas dizem que o asteroide não representava risco e que se desintegraria assim que estrasse em nosso reino encantado, porém, como tudo na vida tem dois lados, ou mais, outro grupo de cientistas afirmam que o bicho traria sim um risco bem considerável e a força de seu impacto liberaria energia dezenas de vezes maior do que a bomba de Hiroshima, mas que tudo seria ouvido por nós com mesmo incomodo que temos diante do barulho de nossas ruas, porque o pipoco se daria a uma altura de mais de 16 quilômetros. – Agora cá pra nós: Os caras nem viram o asteroide chegar, avalie acreditar nessas teorias amalucadas. Fonte: Veja e Hypercience 

Cadê você homem do mar?

toinho-doido-4_thumbA segunda-feira amanheceu com uma notícia apreensiva e que demonstra mais uma vez a grandeza e as incertezas que rondam o homem do mar. O SALVAMAR NORDESTE está a procura dos tripulantes e uma lancha que saiu do Iate Clube do Natal na última quinta-feira, 05/01, com dois tripulantes a bordo, o comandante Max e o seu mais fiel escudeiro no mar, o pescador Toinho Doido. Torço que mais uma vez Iemanjá dê a mão a esses homens e os traga de volta ao convívio dos seus. Em 2012, Toinho e Max já tiveram frente a frente com a Janaína, escutaram seu canto encantado e retornaram para contar o conto, o que fez aumentar ainda mais minha estima e respeito pelo grande Toinho Doido, e que, na época, escrevi o texto abaixo e que foi publicado aqui e no Jornal Tribuna do Norte, na coluna Diário do Avoante. Grandes Toinho e Max, espero revê-los para mais uma vez escutar os relatos de mais uma peleja.

O HOMEM DO MAR

Não sei se é o mar que muda as pessoas ou se são as pessoas que mudam quando vão para o mar.

A bordo já vi homens rudes e com a experiência de mil marinheiros, com a cabeça baixa e o ego ferido, a espera de uma simples palavra de incentivo ou uma mão estendida. Logo em seguida, já em terra e com a moral restabelecida, saírem contando gloriosas histórias de heroísmo. Pessoas assim nada mudam e dificilmente um dia mudaram.

O homem do mar é humilde, reconhece suas deficiências e sabe estender a mão a quem precisa. Para ele nada é mais importante do que a alegria de ajudar o próximo, principalmente àqueles que vêm do mar.

Toinho, que a gente aprendeu a chamar de Toinho doido, mas que na verdade não tem nada de doido, é um desses homens do mar que tem a humildade acima de tudo e que tem a vida náutica tão cheia de casos que fica até difícil saber qual a melhor para contar.

Uma boa de Toinho doido, apesar de ter sido um grande susto, foi quando ele, numa Sexta-Feira Santa, saiu para pescar com um amigo, num barquinho de borracha e fora da barra, e o barco afundou.

No dia da pescaria ele falou para a Mãe que iria pescar e ela alertou: “Logo hoje, Sexta-Feira Santa?” Ele não deu ouvido e foi para o clube. O barco realmente não era apropriado para a tal pescaria e ainda tinha um agravante que eles tentaram resolver com uma gambiarra. O bicho estava descolando!

Resolvido o “pequeno” problema eles colocaram os apetrechos a bordo e se mandaram para o mar. Ao chegar ao ponto programado notaram que o barco estava afundando. – E agora? Só deu tempo de juntar as varas, os coletes, uma caixa de isopor e cair na água. E lá foram tentar a sorte da vida diante da imensidão do mar e com a noite já se aproximando.

A cidade do Natal foi ficando para trás e as luzes da praia de Santa Rita e Genipabu começaram a aparecer. A correnteza forçou a deriva deles para o banco de pedras da costa, o que seria o fim, e num respingo de sorte, o mar os levou de volta. Nesse momento o amigo de Toinho falou: “Acho que vamos morrer!” Ele respondeu: “Também acho!”

Peixes, que segundo Toinho eram tubarões, roçavam suas pernas. O frio, a fome e a sede apertavam o cerco, e em terra, os amigos do clube estavam em pavorosa, já que o barco tinha sido encontrado boiando submerso e sem nenhum sinal dos ocupantes.

Na longa noite escura, novas luzes foram avistadas, e pela experiência do nosso amigo, eram da praia de Barra do Rio. Novamente o mar empurrava para a praia e novamente as pedras surgiram como uma grande ameaça a vida. Sem forças e sem esperanças eles relaxaram e deixaram o mar decidir. Depois de onze horas de sufoco eles conseguiram chegar à praia totalmente desidratados.

A partir daí começou a resenha que a cada dia ele foi acrescentando mais contos e pontos, mas nunca com aquele ar de quem sabe tudo, ou de quem escapou pelo simples motivo que ele é o cara. Toinho chegou em terra com a mesma humildade de sempre e reconhecendo que o mar é grande e merece respeito.

Seu relato vem envolvido no manto da inocência dos homens de bem e que reconhece a vida como um presente de Deus. Afrontar o mar numa Sexta-Feira da Paixão para ele foi um erro que nunca mais pretende repetir. No seu relato não encontramos nenhum sinal de heroísmo e muito menos de egos envaidecidos. Encontramos sim, sensatez e a certeza de estar diante de um homem do mar, conhecedor dos seus mistérios, mas também um eterno aprendiz. Gosto muito de conversar com esse homem franzino e forjado nas águas salgadas do oceano, apenas para ter a certeza de que não sei quase nada do mar.

Uma vez estávamos conversando e ele perguntou se eu achava que um certo senhor era um homem do mar. Eu perguntei o porque daquela pergunta e ele disse: “Homem do mar não age como ele, pois o verdadeiro homem do mar é humilde”.

A partir daquele dia sempre que converso com alguém que se diz do mar, me lembro das palavras de Toinho Doido e vejo o quanto ele tem razão.

Nelson Mattos Filho/Velejador – Set/2012

Meu Pôr do Sol no Diário do Avoante

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Mais uma sequência de fotos que concorreram ao segundo concurso de fotografia Meu Pôr do Sol no Diário do Avoante e mais uma vez agradecemos a todos que aceitaram o desafio e nos bridaram com belíssimas imagens.

Tomada de cena

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RETRATO DE UM FILME TRISTE