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A ponte que caiu e o descaso

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Sábado, 06/04, uma balsa abalroou um pilar de uma ponte no Rio Moju, na Pará, e com o impacto parte da estrutura veio abaixo. Esse é mais um acidente que poderia ter sido evitado, se as coisas nesse país maravilha funcionassem como deveriam, se os órgãos fiscalizadores fizessem seu papel, se as autoridades não fossem autoridades apenas para receber gordos salários e tirar fotos, se os poderes públicos tivessem um mínimo de atenção com a segurança das pessoas, enfim, se todo aquele que prevaricasse fosse punido exemplarmente, sem choro e nem vela. – Sim, e o que tem haver o retrato da Ponte Newton Navarro, Rio Potengi, com a ponte que caiu – sem trocadilho – no Pará? – Tudo! Porque desde que foi inaugurada que as autoridades prometem, prometem, prometem, a colocação dos dolfins de proteção dos pilares e até agora a estrutura conta apenas com a proteção de Nossa Senhora da Apresentação. Mas basta a Santa tirar um cochilo, no instante em que um navio derivar sobre um pilar,  que a desgraça está feita. Oremos!    

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O parque e o mangue

P_20170914_112902Um mutirão coordenado pela administração do Parque das Dunas, um dos mais belos cartões postais de Natal/RN, que nas caminhadas da infância e adolescência, conheci boa parte, pretende retirar todas as plantas exóticas existentes na maravilhosa área de Mata Atlântica, e que, segundo os botânicos, estão ameaçando a fauna e flora. Plantas como Espada de São Jorge, Comigo Ninguém Pode, Dracena e outras, devem ser arrancadas e se possível, transferidas para outros locais. Olhando essa notícia nas páginas online do site Portal no Ar, lembrei de uma situação parecida e que virou tabu entre os defensores e instituições que cuidam do meio ambiente. Tempos atrás a Prefeitura do Natal esteve em contato com um grupo empresarial que pretendia construir uma marina, no Rio Potengi, próximo a fortaleza dos Reis Magos, na boca da Barra da capital potiguar, o que gerou gritaria, esperneio, afetação, discursões acaloradas e que culminou com a Câmara Municipal, erroneamente, botando uma par de cal sobre o assunto e a cidade perdeu uma excelente oportunidade de receber um grande portal turístico. Não defendo que o projeto daquela época fosse o mais correto e nem digo que aquele grupo fosse o que tinha melhores intenções, mas a discursão seguiu por uma rota totalmente adversa aos interesses da sociedade, a começar pela insistência dos militantes das coisas da ecologia em dizer que a marina iria destruir parte do mangue e coisa e tal. Ora, naquela época surgiram, e submergiram inexplicavelmente, estudos que afirmavam que o mangue em questão é composto de uma vegetação invasora e sendo assim, interfere na fauna e flora. – Será mesmo? Deve ser por isso que se diz, que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Mas é assim!      

hipocrisia ambiental

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Desde que enveredei pelos rumos da navegação não consigo olhar para essa paisagem sem vê-la emoldurando uma bela e movimentada marina, porém, a palavra “marina” é sinônimo do “coisa ruim” para a turma que cuida das regulamentações ambientais e dos pseudos dublês de ecologistas. – O que? – Marina? – Sai pra lá satanás!  É assim que agem os “defensores” das coisas da natureza, sem nem sequer dá uma passada de vista no projeto. Pois bem, essa paisagem é talvez um dos pontos turísticos mais fotografados do Rio Grande do Norte e um dos mais afamados portais do turismo potiguar, se bem que nos dias de hoje a fama anda meio cabisbaixa. A bela e mágica Ponta Negra, praia cantada em verso e prosa, hoje é apenas uma sombra desfigurada de um passado brilhante. Da antiga e tranquila praia de veraneio, das pescas de arrastão, das jangadas, das ciobas, dos caícos, das serenatas ao luar e da velha e boa vila dos pescadores, só sobraram as lembranças. Ambientalmente Ponta Negra é um caos!  E olhem que a praia é berço e parque de diversão de quase todos os movimentos ecológicos que atuam em Natal. No nariz dos “fiscais da natureza” – os mesmos que um dia gritaram, espernearam e fizeram birra, contra a construção de edifícios que impediriam a vista que eles tinham da praia – construíram um calçadão, mais agressor impossível. Fincaram hotéis e  restaurantes praticamente na areia. Esgotos escorrem a céu aberto e desaguam no mar. E para fincar a estaca no coração, despejaram toneladas de pedra sobre a faixa de areia para preservar o mais cruel agressor, o calçadão. Agora vejo nas folhas de notícias que o Idema – Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, vários órgãos e ONGs que “fiscalizam” o meio ambiente, se reuniram para discutir propostas – cada uma mais estapafúrdia do que a outra – que visem conter o avanço do mar e consequentemente preservar o calçadão invasor. Hipócritas! Netuno, mostre a eles sua força e exija respeito! – E quanto a marina? – Vixe, deixe quieto, pode não senhor!      

Ainda sobre a ponte

IMG_0386A postagem A ponte redeu um comentário bem recheado, enviado pelo velejador e professor paulista João Peralta, cabra bom indo e voltando, e acharia bom você dar uma lida para se inteirar das considerações do João. Ele alerta e me corrige, com razão, quanto ao nome oficial da ponte atirantada, que faz o pórtico de entrada de Natal, para que vem do mar. A obra está batizada e registrada como Ponte de Todos – Newton Navarro. O De Todos, João deduz, mas o Newton Navarro, que ele diz desconhecer, foi um dramaturgo, poeta, desenhista e pintor potiguar, que imortalizou paisagens de Natal e do Rio Grande do Norte em suas obras. A praia da Redinha, hoje embaixo da ponte, foi cenário de várias de suas telas. Para saber mais sobre o homenageado, o Newton, passe a vista no texto da professora Elizete  Vasconcelos Arantes Filha, publicado em 2007, no blog Overmundo.  

“…A terra que é o meu viver…”

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Estas imagens retiradas do tempo contam um pedacinho da história de Natal, capital do Rio Grande do Norte, minha querida terra do Sol. Claro que não alcancei nada do que está mostrado nas imagens, mas me reconheço na beleza desse pequeno acervo e me encho de saudade de uma cidade outrora feliz. Os retratos foram enviados pelo meu irmão, Iranilson, que recebeu de um amigo, aos quais agradeço. Um dia o compositor Pedro Mendes cantou assim “… Essa é uma terra de um deus mar/De um deus mar que vive para o sol…”

Diário de Julho, nas palavras de uma alma boa

03 - março (417)

– Meu caro amigo e jornalista Flávio Rezende, domingo é um dia de alegria e não de choro, mas nesse domingo, 24/07, você me fez chorar e por isso estou alegre. Alegre por receber a surpresa dessa homenagem. Alegre pela sua amizade e das amizades verdadeiras que cultivamos nas ruas de um Tirol tão amado e que produzem adocicados frutos até os dias de hoje. Obrigado e receba um grande beijo nesse seu coração do Bem.

Diário de Julho

BERIS, um amigo avoante & aventureiro

Caminhar, observar e escrever é quase uma rotina. Vício? Pode ser se indicar algo positivo, repetição prazerosa.
E hoje o olhar foi a esquerda do caminho. A visão fixou no mar e a mente se enfronhou nas velas do passado embalada por doces recordações.
Vendo as ondas que chegam a beira mar, resultantes de correntes marinhas, ventos, topografias e temperaturas, avoei ao passado no Tirol onde jogava biloca com Tutu, Lucrécio, Beris, Mingo, Mário e Hermane, entre outros, pelas ruas Conselheiro Brito Guerra, Teotônio de Carvalho, Ipanguaçu e Ângelo Varela, além de puxar latas de leite cheias de areia, curtir 31 Alerta e colecionar embalagens de cigarro com destaque para Hilton, sempre brilhante e rara.
Beris é o apelido de Nelson Mattos Filho e ele é o homenageado por ter protagonismo em várias áreas.
De todos os amigos foi Beris o primeiro a nos mostrar o universo dos negócios. Enquanto tínhamos pais bancários, juízes e profissionais liberais, seu Nelson era empresário. Tinha padaria. Aquilo era muito interessante e Beris desde cedo navegou naquele mister.
Seu pai também tocava trompete e reunia amigos em sua casa com escadaria acentuada para baixo, onde saxofones e demais instrumentos nos brindavam com melodias diferentes.
Sua mãe, uma dama nata, irmãos e irmãs maravilhosas com esses diferenciais, emolduravam os Mattos com esta aura de peculiares atividades.
O tempo passou, a morte precoce do pai tornou Beris um emergente padeiro e supermercadista e eis que surge a bomba: ele largou tudo, comprou uma embarcação e vive agora para cima e para baixo navegando, cozinhando, escrevendo para jornais, blog, publicando livros e mais feliz que pinto em beira de cerca nos brinda com suas pérolas cotidianas.
Depois de avoar por estas ondas do passado voltei a observar o mar.
Faz bilhões de anos que as ondas vem e vão, incansáveis, assim como nossas almas imortais, indo e vindo, aprendendo, empreendendo, ensinando, errando, acertando, ao sabor de ventos, topografias, correntes, influências, permanentemente pensando de onde vem e para onde vão…
Um homem que amassou o pão, nasceu entre trompetes e trombones, vive singrando os mares, certamente deve ter respostas mais alísias destes bravos ventos que nos aliviam o calor dos tempos que atravessamos.
Admiro você Beris. Seja sempre feliz.

Ps – ” Indagado sobre que tipo de mensagem ele pretende passar com Diário do Avoante, Mattos é enfático: “Que nunca devemos deixar para trás nossos sonhos para não cairmos no vazio da lembrança que nunca houve. Hoje eu vivo um sonho que muitos já sonharam, mas que não tiveram coragem de realizar”.

g1.globo.com/…/ex-empresario-larga-empregos-para-viver-em-b…

Sobre seu pai:
https://diariodoavoante.wordpress.com/tag/dia-dos-pais/

Flávio Rezende, em Ponta Negra aos 24 dias do mês sete no ano de 2016. 10h10

Ps: O jornalista, escritor, ativista das causas humanitárias Flavio Rezende é a verdadeira essência do que podemos chamar de uma alma boa. Idealizador e fundador da Casa do Bem Dr. Fernando de Rezende, uma organização não governamental, localizada no bairro de Mãe Luiza, em Natal/RN, que tem como objetivo, não somente ocupar jovens em situações de risco com atividades culturais, esportivas, educacionais e sociais, mas desenvolver inúmeros projetos que ajudem idosos e comunidades carentes. Com o lema “Fazer o bem sem olhar a quem” a Casa do Bem virou sinônimo de boas ideais sociais e é reconhecida como entidade de utilidade pública a nível estadual e municipal.

Essa é uma terra de um deus mar…

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A praia de Ponta Negra, em Natal/RN, sempre mereceu a estatueta da fama por fazer parte do seleto grupo dos mais belos cartões postais do litoral brasileiro. Sempre! Eu sou fã de carteirinha de suas águas mornas e de suas areias apetitosas para uma deliciosa caminhada despreocupada a beira mar, ou mesmo para sentar e deixar o tempo passar a vontade. Porém, nos últimos anos a bela praia potiguar cantada em verso, prosa e poesia parece que só tem merecido castigo por dispor de tanta beleza. Tudo começou há mais de vinte anos com a construção de uma pequena e extravagante rua a beira mar que trouxe toneladas de problemas em ritmo de atacado. Ponta Negra que era bela por natureza, passou a ter rugas de preocupação em sua paisagem exuberante. Saíram os refrescantes coqueiros  que traziam sombra e aconchego e entraram em cena maliciosos e ultrajantes guardas sol, plantados nas areias por comerciantes e barraqueiros de olho na falta de vergonha e incapacidade de governantes atarantados. Tudo foi multiplicado pela ganância humana por mais espaço e o dinheiro fácil da implacável fúria imobiliária. Sem ter a quem recorrer, o mar resolveu retomar seu território e em simplórios arroubos de força, de vez em quando destruía um pedaço da extravagância dos humanos. Vieram os ambientalistas travestidos de boas intenções e logo o circo se transformou em uma imensa torre de babel. Todos querem. Todos mandam. Todos dão palpites. Todos querem o máximo. Todos se fazem de durões, mas ninguém quer realmente resolver coisa nenhuma, pois o negócio bom é reclamar e protestar. As imagens que ilustram esse post não mostram nada do assassinato visual que a bela Ponta Negra está sofrendo, preferi assim. Queria mostrar uma praia bonita e dona de uma personalidade somente sua, por isso aparece em primeiro plano a fantástica baía de águas apetitosas, e segue com a visão da larga passarela de areias molhadas e, por fim, o belíssimo conjunto de rochas marinhas que margeiam o Morro do Careca. A natureza dotou Ponta Negra com o mais belo e nunca imaginou que um dia a cidade dos Reis Magos lhe virasse as costas. Hoje os incapazes estão construindo um incrível muro da vergonha com montanhas de pedras soltas e achando que encontraram a fórmula para reinventar a roda. A cada pedra colocada a praia se enfeia um pouco mais, mas é assim que querem os homens. Os comerciantes, que se acham únicos donos do pedaço, continuam mandando, dando ordem a torto e a direito e intimidando a quem fizer cara feia. No calçadão que está recendendo mais uns metros de incredulidade, os ambulantes já estiram suas bancas mini shoppings e em breve devem ganham o título de usucapião. É triste, mas é assim!