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Um pôr do sol

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Sou um apaixonado pelo pôr do sol e depois que vim morar a bordo do Avoante, raramente perco a oportunidade de poder observar e registrar um momento tão sublime da natureza. Tenho um imenso arquivo fotográfico do crepúsculo do sol visto do mar e não me canso de retratá-lo. Dia desses vi imagens maravilhosas do pôr do sol em Natal/RN, muitos com um espetacular arco-íris emoldurando o céu. A capital potiguar tem um dos mais belos entardecer do Brasil e até já serviu de tema para um belíssimo projeto intitulado Pôr do Sol do Potengi. Um espetáculo de música e poesia que durante três dias na semana encantava e emocionava uma plateia em extase nas varandas do Iate Clube do Natal. Infelizmente o projeto caiu no arquivo morto do já teve e hoje é apenas uma feliz lembrança em uma cidade que recebeu o carinhoso apelido de Noiva do Sol, saído da genialidaidade do grande mestre Luís da Câmara Cascudo. A imagem que abre esse post não é em Natal e sim do bairro da Ribeira, Salvador/BA. Um céu em chamas e um mar avermelhado que segundo a grande amiga Aurora Ventura, senhora por direito da Ilha de Campinho, Baía de Camamu, abrem as portas para a invernada. Que assim seja!

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Rampa. A história jogada no esgoto

Rampa

Tem coisas que vão passando despercebidas, apesar de estarem escancaradas em nossa frente, e quando em algum dia qualquer do futuro pretendemos resgatar o tempo, encontramos apenas desencontros de palavras, promessas vãs, dissimulações governamentais e o abandono nu e cru. A história é mesmo uma velha rabugenta que adora se mostrar rodeada de fantasmas. A Rampa, uma antiga base de hidroaviões em Natal/RN e por sua posição estratégia serviu de palco para a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, acordo selado entre os presidentes Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt, há tempos pede socorro e há tempos vem sendo esquartejada na tentativa, dos seus algozes, de esconder a vergonha causada pela falta de zelo com um patrimônio histórico. Juro que não sou tão velho assim, apesar dos meus cabelos brancos, mas frequentei a Rampa, na companhia dos meus pais, quando ali funcionava um dos melhores restaurantes de Natal. Foi dessa época que veio minha paixão por construções antigas e sempre tive o velho prédio debruçado nas águas do Rio Potengi como referência. O restaurante se desfez no tempo e o velho prédio, que na época era propriedade da Aeronáutica, foi sendo jogado aos cuidados dos ratos, baratas e toda milacria que adora reinar diante do descaso dos homens. Uma parte da massa esquartejada foi parar nas mãos do Iate Clube do Natal. Outra, depois de exalar mal cheiro, recentemente foi entregue aos cuidados da Marinha do Brasil que decidiu construir a sede do Terceiro Distrito Naval e ergue no local uma estranha construção tapando uma das mais belas paisagens do pôr do sol da capital potiguar e jogando uma boa quantidade de cal sobre um passado de glórias. O coração dilacerado da Rampa, que ainda pulsa fraquinho entre os escombros das paredes e arcos da velha construção, dia desses se animou com ecos de discursos zoados em torno de uma placa que anunciava a revitalização do espaço. Confesso que olhei para aquela placa e não senti bons fluídos nos seus escritos delirantes, mas mesmo assim pedi perdão pela minha falta de confiança nas intenções daqueles que se dizem autoridades. O caro leitor pode até achar que essa minha indignação não cabe nas páginas de um diário de bordo de um veleiro de oceano, mas é preciso dizer que a Rampa é parte importante no nascimento do esporte a vela potiguar. Sempre que navego no traves daquele belo prédio esquecido sinto vergonha, e mais vergonha ainda sinto em tentar responder o que não tem resposta, quando alguns tripulantes do Avoante indagam sobre a velha construção abandonada. A Rampa hoje representa apenas um troféu para coroar egos e o lixo que entope seus espaços, pano de fundo para o ringue de lutas demagógicas. O nosso Brasil é coalhado de histórias iguais a essa e a grande maioria são encontradas banhadas pelas águas dos nossos rios e mares. Mas não é nesses locais que jogamos os esgotos das cidades? Boa pergunta.

Esse assunto me veio machucar os pensamentos depois que li a matéria A guerra que Natal esqueceu, assinada pelo jornalista Itaercio Porpino, nas páginas do jornal Tribuna do Norte. Click no link sublinhado e veja a matéria completa.    

Risoto papa-jerimum – Eita bicho bom!

Risoto jerimum e carne de sol 004 Você sabe por quê quem nasce no Rio Grande do Norte é chamado de potiguar? Potiguaras era uma antiga tribo indígena que habitava as terras do Rio Grande do Norte. Em Tupi-Guarani, potiguar quer dizer comedor de camarão e a partir dai, chamar o norteriograndense de potiguar foi somente um pulo. Como quase todo mundo tem um apelido, o potiguar não podia deixar de ter o seu: Papa-Jerimum. Esse sim outro nome bem pitoresco para um povo que nem consome tanto Jerimum assim e nem o Rio Grande do Norte é o maior produtor de Jerimum, diferente do camarão que o RN é o segundo maior produtor. Mas, o apelido surgiu quando um antigo presidente da província resolveu plantar jerimum para pagar os salários atrasados do funcionalismo público. Bem! Potiguar ou Papa-Jerimum é assim que o norteriograndense é chamado e ninguém se incomoda muito com isso e até gosta. Agora que  já sabemos um pouco dessa história, vou traçar uma rota pelo mundo dos sabores para deixar você com água na boca com uma receita arretada: Risoto Papa-Jerimum. Mais uma iguaria dos deuses, saída das experiências gastronômicas de Lucia a bordo do Avoante. Continuar lendo