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Cartas de Enxu 47

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Enxu Queimado/RN, 15 de agosto de 2019

Eh, Pai, domingo, 11/08, foi dia de saudades, mas não aquela saudade que corrói a alma e sai por aí espalhando dor e sorrisos amarelos, mas a saudade do bem querer, das boas lembranças, dos felizes ensinamentos, do amor incondicional e da precisão de ensinamentos, quase cirúrgicos, que trançam os passos e os caminhos dos filhos pela vida afora. Pois é, sempre festejo com alegria esse dia, mesmo sem ter a alegria de vê-lo sentado na mesa. Aliás, nunca entendi os motivos daqueles que declaram não ter motivos para celebrar o Dia dos Pais pela justificativa de que os deles já se foram para os braços do Pai. Eu tenho motivos sim e se assim for permitido, comemorarei por muitos anos, porque o senhor merece e nós, seus filhos, temos mil e um motivos para festejar. O senhor era demais!

Pai, como vão suas tocatas pelos bailes do Céu? Acredito que a orquestra daí está cada dia mais afinada e se esmerando em maravilhosas partituras, pois o que tem subido de gente boa para estrelar o palco do paraíso, não é brincadeira. Dou por visto a alegria da plateia e o rosto de encantamento de Nosso Senhor, diante dos shows. Já por aqui a coisa está cada dia mais feia, pois está ficando só a catrevagem e ainda inventaram um tão de paredão, saído das ideias malignas do tinhoso, que tem pareia não. Aliás, estou planejando entrar no mercado de produzir pen drives para tocar nos paredões, porque achei uma fórmula arretada de gravação e que vai fazer sucesso: Gravarei apenas a introdução das “músicas”, ou no máximo dois minutos de cada, e assim, em um pen drive de 4Gb gravarei umas 8 mil “músicas”. Pai, nunca ouvi um dono de paredão deixar tocar uma faixa – graças aos anjos do Céu – inteira. É só o comecinho e pula para a próxima.

Nessa prainha linda que me dá guarida e carinho, o Dia dos Pais foi comemorado com uma regata que se tornou famosa na região e neste 2019 comemorou a décima terceira edição. É a regata dos Navegantes da Praia de Enxu Queimado, um evento arretado, idealizado e organizado por Pedrinho e Lucinha, casal bom do “carvalho”, e que colore o lugar com as cores da alegria e do companheirismo, qualidades tão peculiares aos pescadores. É gostoso ver o moído do preparo das embarcações nos dias que antecedem a festa e mais gostoso ainda é presenciar a faina e a labuta dos últimos detalhes minutos antes da largada. Pai, o sistema é bruto e aí daquele mastro, vela ou corda que não aguentar o tranco dos puxos e repuxos! Eu, velejador de barcos de plástico, cheios de salamaleques e prá que isso, dou risadas e fico imaginando a cena de um desses iatistas juramentados participando de um preparo de paquete para correr uma “corrida”.

Circulando entre os barcos, abraçando os amigos e batendo retratos a torto e direito, no dia da largada, parei para ver a vela do paquete Brasil 1 – isso mesmo, Brasil 1 – sendo esticada por seis homens sobre o mastro e a retranca e apostei comigo mesmo que aquele sistema não aguentaria e não sei se por força do meu olho grande, ou praga de apostador, a corda partiu e lá se foi a mesa que acomoda o mastro partida em bandas. O reboliço foi grande, porque o tiro de largada se aproximava, e entre palpites e pitacos, inclusive meus, apareceu uma furadeira, com eixo do mandril mais empenado do que o “gato da zinebra”, mas acho que a broca era mais torta, uma extensão com fio desencapado, um martelo, duas chaves de boca, bitola 14, porém, as porcas eram 13, umas latinhas de Itaipava escumando e entre pelejas, gritos e gozações, o armengue ficou pronto e lá foi a “nova estrutura” ser forçada novamente. E num é que aguentou! Tanto aguentou que o barco foi para a competição e não fez feio e nem os tripulantes andaram no burro. – No burro? – Isso mesmo! Os caras enfeitam um burrico e quem faz a pior lambança durante a prova, na chegada tem que passear em meio ao povo sobre o burro. Eita que a gozação é boa!

Pois é, Pai, a vida por aqui vai indo assim e bem diferente dos azedumes e mal costumes das grandes cidades. Por aqui basta pouco para a felicidade aflorar e por mais que os reclames insistam em dizer que babado não é bico e que o caldo vai entornar, ninguém liga muito para as armadilhas e subterfúgios produzidos nos caldeirões das redações. Aliás, os aprendizes de feiticeiros que mexem a colher nas redações dos jornais, precisam pegar a vassoura para dar pelo menos um voozinho por aí. A vida tem andado bem diferente do que eles alegam.

Nelson Mattos, meu querido e amado Pai, pensei em escrever essa cartinha para enviar-lhe no Dia dos Pais, mas dei um bordo, porque não queria que a emoção enuviasse minha cabeça de vento e como bem disse um colega: “O coração das pessoas já não aguenta tanto repuxo”. Pai, por aqui vai tudo bem, tudo indo e bem-vindo. Nelsinho e Amanda continuam me dando alegrias e Ceminha dia desses deu o ar da graça sob essa varandinha, na companhia de Tia Cecília, Grace e Jailson. Saborearam uma das deliciosas moquecas da Lucia, que eu e Jailson degustamos com umas doses da marvada, para não perder a vez, e se foram prometendo voltar em breve. Estou aguardando!

Para encerrar, confirmo que o senhor continua muito vivo e lindo em meus sonhos e tomara que permaneça assim por longos anos, viu! Beijos!

Nelson Mattos Filho

Imagens que trazem saudades

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Estas imagens foram retiradas do tempo pelo velejador, fotografo e geólogo potiguar Joaquim Amorim, que possui um maravilhoso arquivo fotográfico contando um pouco da história das regatas REFENO, Regata Recife/Fernando de Noronha, e FENAT, Regata Fernando de Noronha/Natal, como também momentos que marcaram época no Iate Clube do Natal.

 

Abertas inscrições para a XXVII REFENO

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O Cabanga Iate Clube de Pernambuco, deu início no último dia 16 as inscrições para a 27ª REFENO, Regata Recife Fernando de Noronha, uma das mais tradicionais e concorridas provas do iatismo brasileiro. Onze veleiros já estão pré-inscritos para a prova que larga dia 26 de Setembro do Marco Zero, Porto do Recife, para percorrer as 300 milhas náuticas até a ilha maravilha. Saiba mais acessando o site XXVII REFENO, que faz parte do nosso BlogRoll.

Jogos Olímpicos Rio 2016 e uma boa pergunta

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Em um gostoso bate papo de cockpit, regado com bons goles de cerveja gelada, enquanto estávamos ancorado no belo mar da Ilha de Itaparica/BA, alguém puxou o assunto dos Jogos Olímpicos Rio 2016 e num pulo mergulhamos no esgoto em que se transformou a Baía da Guanabara, palco olímpico das competições náuticas e que tem recebido críticas furiosas dos competidores. Daí surgiu a pergunta: Por que não transferem as competições náuticas para a Baía de Todos os Santos? Por quê?      

Iate Clube Barra do Cunhaú tem novo comodoro

iate clube barra do cunhau . A Praia de Barra do Cunhaú, uma das mais belas praias do litoral sul do Rio Grande do Norte, estará em festa no próximo Sábado, 17/01, com a posse do novo comodoro do Iate Clube Barra do Cunhaú, o comandante Érico Amorim das Virgens.

erico e izabelÉrico, que aparece na foto de camisa listada ao lado da velejadora solitária Izabel Pimentel, que recentemente encerrou uma volta ao mundo, da esposa Renata e do velejador cearense Raul Carneiro, é sócio número um, fundador do clube nos idos anos 80 e hoje mora na Barra. O novo comodoro, que não teve como recusar o convite dos seus inúmeros amigos e vai substituir o comodoro Neto Melo, promete refazer a navegação e recolocar o clube no rumo da vela. Com o seu retorno ao timão poderemos esperar a volta da famosa regata Dr. Getúlio Sales, que outrora triunfou entre as melhores do calendário náutico potiguar, e muitos outro eventos envolvendo a vela. A posse do novo comodoro será comemorada com um grande churrasco regado com muita cerveja gelada. Desejamos bons ventos e mares tranquilos ao comandante Érico.           

Campeonato Baiano de Vela de Oceano

image A Ilha de Itaparica recebe nesse final de semana, 06 e 08 de Dezembro, o Campeonato Baiano de Vela de Oceano, uma promoção da FVOBA Flotilha de Veleiros de Oceano da Bahia e da FENEBFederação de Esportes Náuticos do Estado da Bahia. As inscrições podem ser feitas nas secretárias do: Aratu Iate Clube, Angra dos Veleiros, Marina Aratu e ou através de email para cbvo.feneb@gmail.com, até as 21 horas do dia 05/12/14. No Yacht Clube da Bahia dia 04/12 durante a reunião de comandantes.

A vela pede socorro

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Nas minhas navegadas por ai tenho acompanhado os altos e baixos em que vive o mundo da vela no Brasil. São situações que passam despercebidas até mesmo pelos mais habituais frequentadores dos clubes náuticos, devido à sutileza da brisa que sopra contrário.

A grande maioria dos grandes clubes náuticos no Brasil, assim como no mundo, tem origem na coragem de abnegados velejadores que vislumbraram um legado de glórias e ideais mais humanos para as gerações futuras. Eles sabiam da capacidade dos bons ensinamentos que existe no mar, da imensidão diversa do litoral brasileiro e por isso enfunaram as velas para dar vida ao sonho.

Os clubes cresceram, modernizaram-se e chegou o tempo de rever conceitos, regras e normas. O mundo é outro, os ventos são outros e a vela, com suas lerdezas e dependendo do sopro da natureza, foi sendo empurrada para um cantinho qualquer de um pátio. E as regatas? – Quando der a gente faz, quando não der, empurra com a barriga e deixa para a próxima!

O mundo pede velocidade, dinamismo, agressividade. As pessoas se veem cada vez mais absorvidas pela necessidade da urgência, mesmo sem saber qual, e nada disso parece combinar com um barco que para se movimentar precisa de uma coisa tão simples que é o vento. Continuar lendo