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Cartas de Enxu 33

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Enxu Queimado/RN, 07 de novembro de 2018

Caro amigo, Beto, hoje ao olhar o coqueiral, me peguei pensando em você e naqueles dias, já bem distantes, que parece que foi ontem, dos veraneios da velha e boa praia da Redinha, na casa do seus pais, Bianor e Terezinha Medeiros. Eita tempos bons que não voltam mais. Mas pensando bem: O que seria da vida se conseguíssemos retornar no tempo? Será que meteríamos os pés pelas mãos e poríamos tudo a perder? E o que faríamos com as lembranças, as boas e as ruins? E os aprendizados? Será que avançaríamos como pessoa ou ficaríamos insistindo nos mesmos erros e acertos? Eh, meu amigo, acho melhor parar com essas interrogações utópicas pois a vida é um caminho sem volta e é bom demais cascaviar a memória em busca dos arquivos da saudade.

Os antigos veraneios da Redinha com suas festas do caju no Redinha clube, com a procissão dos navegantes, com as charangas de carnaval, com o Pé do Gavião, com a areia branquinha dos seus becos e vielas, com as estórias assombradas, com os balaios carregados de tainhas, com o cheiro da maresia inebriado de dendê, peixe frito e tapioca, com as jangadas indo e voltando do mar, com as rodas de viola, com a travessia nos toque-toque, com o encanto da igrejinha de pedra, com a alegria que parecia não ter fim, marcaram a vida de gerações, porque aquele recantinho de litoral era mágico, ou melhor, é mágico. Aí você me pergunta: – Nelsinho, você quer falar de Enxu ao da Redinha? – Quero falar da vida, meu irmão, da vida vivida e da vida de agora, porém, o bailar das palhas do coqueiral me fizeram viajar em um mar de lembranças. E assim vou eu, dando pulos no tempo!

Beto, rapaz, faz dias que você não vem por aqui e olhe que prometesse voltar ligeiro, aliás, você, Bruno Barros, violeiro arretado da mulesta, e Clif, tirador de prosa e tocador de causos musicados, e as respectivas consortes. Com sorte mesmo, pois aquelas moças bonitas tiraram sorte grande em pegar cabocos bons que nem vocês. A vidinha por aqui continua indo tranquila e tomara que Nosso Senhor e Nossa Senhora dos Navegantes, conserve assim por anos a fio. O mar nesse comecinho de novembro tem andado meio no reboliço e os alísios estão soprando avexado, mas tem caído uns peixinhos nas redes e os paquetes estão chegado carregados, para alegria de todos. Aquela floresta de eólicos que você viu fazendo, já está pronta e mandando carga para o meio do mundo. Dizem que tem outro parque prometido por aqui e assim a esperança se renova e tomara que a promessa seja paga logo, pois a meninada está desocupada e cabeça ociosa é ninho de coisa ruim.

E por falar nos moinhos de vento e olhando de minha varandinha as pás que não param de girar: Você sabia que a produção de energia eólica no Brasil atingiu níveis de gente grande e em setembro se igualou ao gigantismo da hidrelétrica de Itaipu, com 14,34 gigawatts (GW)? Pois foi! E o Rio Grande do Norte, assoprado pela bondade do deus Éolo, se mantém na frente do processo com 146 parques e 3.949,3 megawatts (MW) de potência, seguindo de perto pela Bahia, do Senhor do Bonfim, com 133 parques que produzem 3.525 MW e o Ceará, com 80 parques produzindo 2.050 MW. A disputa é boa, o progresso é salutar, mas sempre que observo o salseiro que os homens estão fazendo sobre as dunas e matas, ponho minha barba de molho quanto a real pureza dessa fonte energética.

Amigo, estamos no meio das comemorações da padroeira, Nossa Senhora dos Navegantes, e a igrejinha da Santa desde a semana passada se mantém em festa, com missas, novenas e procissões. Gosto de ver a fé de um povo, porque é nela que são derramadas as esperanças em um mundo melhor e as angustias que atormentam a alma. Fico encantado ao ver os passos lentos, os cânticos e a levada suada do andor das procissões. Me absorvo pelos dogmas das religiões, mesmo sem alcançar seus mistérios. Visito meu interior, no interior dos templos, porque é lá que converso com meu eu e sou observado por olhos atentos e um coração que a tudo compreende. Não questiono os princípios religiosos, mas sim os princípios dos homens que as comandam. E lá vai passando a procissão, são quatro horas da manhã!

Pois é, caro amigo Beto, Humberto Jefferson de Medeiros, as lembranças são mágicas e os ventos trazem o antidoto para curar saudades. Não procuro nas religiões o fio da meada dos meus fins, pois acho o povo do Céu ocupado demais para se ocupar com um errante como eu. Dos amigos quero o afago e a verdade do abraço. E assim, hoje vou levando a vida nessa Enxu mais bela, assim naveguei os mares do país de Pindorama e assim aprendi com meus pais, porque a memória ainda não me deixa esquecer.

Rapaz, já ia esquecendo de dizer que em Enxu Queimado não existe Praça do Cruzeiro, na Redinha ainda tem, talvez um pouco esquecida, mas se mantém como Norte de sua história!

Abraços!

Nelson Mattos Filho

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Ainda sobre a ponte

IMG_0386A postagem A ponte redeu um comentário bem recheado, enviado pelo velejador e professor paulista João Peralta, cabra bom indo e voltando, e acharia bom você dar uma lida para se inteirar das considerações do João. Ele alerta e me corrige, com razão, quanto ao nome oficial da ponte atirantada, que faz o pórtico de entrada de Natal, para que vem do mar. A obra está batizada e registrada como Ponte de Todos – Newton Navarro. O De Todos, João deduz, mas o Newton Navarro, que ele diz desconhecer, foi um dramaturgo, poeta, desenhista e pintor potiguar, que imortalizou paisagens de Natal e do Rio Grande do Norte em suas obras. A praia da Redinha, hoje embaixo da ponte, foi cenário de várias de suas telas. Para saber mais sobre o homenageado, o Newton, passe a vista no texto da professora Elizete  Vasconcelos Arantes Filha, publicado em 2007, no blog Overmundo.  

Sabores do Rio Grande do Norte

172418Ginga com tapioca é uma das mais saborosas iguarias da cozinha potiguar e ganharia disparado qualquer concurso brasileiro, tipo, comida de barzinho. O prato é típico dos bares do Mercado Público da Redinha e a Redinha e uma praia do litoral norte do RN, famosa pelos antigos e bons tempos de veraneio. A velha e boa prainha hoje anda meio esquecida embaixo de uma ponte monumental, mas tem muito a oferecer aos que procuram suas belezas banhadas pelas águas do rio e do mar.  Quem já foi a Redinha e teve o prazer de se deliciar com o inigualável sabor da Ginga com tapioca sabe que é coisa dos deuses e quem ainda não provou, não sabe o que está perdendo. Pois bem, vejo nos portais de notícias que o Mercado da Redinha irá receber assessoria dos alunos de uma universidade potiguar, em parceria com a Secretaria Municipal de Turismo, para preparar os proprietários e funcionários dos bares e restaurantes, em cursos de qualificação no atendimento e manuseio de alimentos, com o objetivo de preparar o ambiente para um Festival de Ginga que deverá acontecer em breve. Fico matutando com meus botões: – Será que vão repaginar a Ginga com o modismo das comidas de chef? Valei-me Iemanjá!     

Na margem esquerda do Potengi tem uma linda praia

Praia da Redinha

“Do cais, você olha a boca-da-barra. Do lado de cá, o pontal escuro, com um farol sinaleiro. Braço de pedra, mar a dentro, ajudando navios e barcos maiores nas aperturas do canal. Do lado de lá, o dorso branco de praias e morros, manchas vermelho-azuis do casario irregular. Uma torre humilde de igreja. Os cocares impacientes do coqueiral. O território livre da Redinha”, escreveu em crônica o poeta e pintor Newton Navarro. Era a década de 1970 e a Redinha começava a mudar.

A Praia da Redinha é sinônimo de reino encantado – encravado nas dunas que circundam a cidade do Natal – das paixões, dos seresteiros, poetas, pintores, boêmios, praieiros, pescadores e amantes de uma vida plena de alegria, tudo temperado com o sabor de deliciosos cajus, cachaça, peixe frito e tapioca. Sob a sombra dos seus alpendres a cidade dos Reis Magos foi sendo forjada nas rimas, prosas, letras e melodias maravilhosas que embalaram sonhos de vida e vida de sonhos. A Redinha de hoje perdeu muito dos seus encantos, mas sobrevive na lembrança de seus velhos moradores e veranistas que enchem os olhos de lágrimas ao lembrar de um tempo que se foi na maciez dos alísios nordestinos. A velha Redinha é poesia bruta embalada por melodias entristecidas carregadas de magia. O poeta e pintor Newton Navarro, o mesmo que cedeu o nome para batizar a modernosa ponte que atravessa o Potengi, era um apaixonado pela velha praia. No veraneio do pé na areia e da simplicidade espantosa da Redinha, aprendi que a vida tinha outros horizontes e a humanidade outro sentido. Da convivência com personagens históricos da velha praia, pessoas do naipe de um Bianor e Terezinha Medeiros, Candinho, Seu Humberto e tantos outros, hoje trago na memoria momentos felizes de uma vida em que a alegria era a ordem geral e unida. Hoje, ao ler a matéria, Redinha e margem esquerda do Potengi, publicada no jornal Tribuna do Norte, bateu saudade e passearam em minha frente cenas de um passado que jamais esquecerei. Tudo isso eu não poderia deixar de dividir com você leitor.“…Praieira dos meus amores/Encanto do meu olhar…”

Serenata do Pescador – Ode a uma linda praiera

Serenata do Pescador, ou simplesmente Praeira, e uma poesia de Othoniel Menezes com letra de Eduardo Medeiros, e que aqui está imortalizada na voz melodiosa do cantor potiguar Fernando Tovar. Cresci ouvindo essa maravilha poética sendo entoada nas varandas da casa de praia do Dr. Bianor Medeiros, grande amigo do meu Pai, e sempre fui envolvido pela emoção. A velha Praia da Redinha já se foi de mãos dadas com os bons tempos de outrora, para não sofrer nas garras de uma modernidade enraivecida. Restaram as lembranças de uma época e a poesia desnuda e apaixonada para uma linda Praeira.

La Belle respira aliviada

Draga La Belle encalhada (6) A Draga La Belle que há mais de 1 mês se encontrava encalhada em cima de pedras na entrada da Barra de Natal, conseguiu sair essa madrugada aproveitando a maré mais alta. Veja as fotos e mais detalhes no Jornal Tribuna do Norte.

Draga continua encalhada em Natal

A Draga La Belle que fazia dragagem no rio Potengi, continua encalhada na entrada da barra de Natal. A uma semana a embarcação montou em cima das pedras por fora do canal de acesso ao porto e até momento nenhum esforço foi suficiente para desencalhar a La Belle. Ainda não se sabe o que ocasionou o encalhe. A Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte abriu inquérito e esta tomando todas as medidas para tentar retirar a Draga. Um amigo que esteve no local e viu a situação em que se encontra a La Belle, comentou que foi a melhor encaixada que ele já viu. Se depender dos vendedores ambulantes que fazem comercio em cima do molhe da praia da Redinha, a La Belle não sai de lá tão cedo.