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Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim…

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Ouvindo a música “Trocando em Miúdos” do compositor Chico Buarque, Lucia perguntou o que quer dizer a medida do Bonfim que Chico fala na letra. Em minhas andanças pelos mares da curiosidade até já havia me interessado pelo assunto e encontrei o que queria saber, porém, antes de chegar nos finalmentes vou dar uns bordos pelos caminhos da história, que é de lá que conseguimos compreender o porquê das coisas.

10 Outubro (191)

A partir de 1809, data da sua criação, até 1950, quando deixou de ser utilizada e não me pergunte o porquê, a fita era chamada de medida do Bonfim e tinha exatamente 47 centímetros, que é a medida do braço direito da imagem do Senhor do Bonfim, postada no altar-mor da Igreja do Bonfim. A imagem foi esculpida em Setúbal, Portugal, no século XVIII, e a medida era confeccionada em seda, com o desenho e o nome do santo bordados a mão e com acabamento em tinta dourada e prateada. Contam que a medida foi uma criação do português Manuel Antônio da Silva Serva, livreiro, editor e tipografo, que fundou a primeira tipografia da Bahia. Seu Manuel foi também o tesoureiro da irmandade da Devoção ao Senhor do Bonfim e por isso creditam a ele a ideia. A medida, com a imagem do santo e uma pequena escultura de cera com a parte do corpo curada, era usada no pescoço depois que o fiel alcançasse a graça pagando assim sua promessa.  As fitinhas coloridas apareceram na década de 60 e, diferente da medida, são presas ao pulso – em duas voltas, com três nós – e antes da graça ser alcançada. O pedido deve ser mantido em segredo, mesmo nesses tempos de whatsapp, até que a fitinha se rompa por desgaste natural. O que significa que os pedidos foram atendidos. A fitinha tem em suas cores um lado que poucos conhecem, mas que expõe todo o sincretismo religioso que paira sobre a Bahia. Cada cor simboliza um Orixá: Verde é Oxóssi; Azul claro, Iemanjá; Amarelo, Oxum; Azul escuro, Ogum; Rosa, Ibeji e Oxumaré; Branco, Oxalá; Roxo, Nanã; Preta com letras vermelhas, Exu e Pomba gira; Preta com letras brancas, Omulu e Obaluaê; Vermelha, Iansã; Vermelha com letras brancas, Xangô; Verde com letras brancas, Ossain. Bem, agora quando você ouvir Chico entoar Trocando em Miúdos você já sabe o que quer dizer um tiquinho da letra. Fontes: Instituto Memória e Wikipédia.

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Capital baiana em alerta máximo por causa das chuvas

20150427_093103br1 A capital baiana está literalmente debaixo de chuva desde a madrugada desta Segunda-Feira, 27/04, e novamente o caos toma conta das ruas. Alagamentos em vários pontos com carros abandonados, deslizamentos de barrancos, casas destruídas e as equipes de socorro já anunciam mortes, feridos e pessoas soterradas. Além desse cenário trágico, ainda chegam notícias de manifestações populares em alguns bairros e avenidas. Segundo as forças de segurança, muitas dessas manifestações são causadas por marginais que se aproveitam do caos para praticar arrastões e assaltos. Informações de ouvintes nas rádios dão conta que espertalhões montaram barricadas nas avenidas com o intuito de dar informações de como sair do alagamento. A coisa está feia e o governo estadual e municipal aconselha que as pessoas fiquem em casa.

mapservOs sites meteorológicos anunciam que as chuvas devem prosseguir durante todo o dia e se estenderão ao longo da semana.

27/04/2015:No leste da BA: muitas nuvens e chuva. No nordeste da região: variação de nuvens. No litoral sul da BA, e em SE: possibilidade de chuva. Nas demais áreas da região e litoral norte: variação de nuvens e pancadas de chuva localizadas. Temperatura estável. Temperatura máxima: 35°C no PI. Temperatura mínima: 19°C no interior da BA.
Tendência:No leste da BA: muitas nuvens e chuva. No nordeste da região: variação de nuvens. Nas demais áreas da região e litoral norte: variação de nuvens e pancadas de chuva localizadas. Temperatura estável.
CPTEC/INPE.

Dois potiguchos a bordo do Avoante

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No finzinho de Outubro tivemos a alegria de receber a bordo Antônio Carpes e Rosângela, um casal arretado de bom e que temos o maior carinho. Tônho e Rosângela vieram a Salvador para assistir ao casamento de minha filha e ficaram por uma semana para sentir como é gostoso navegar nas águas da Baía de Todos os Santos. Continuar lendo

Uma regata bem baiana

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A Regata Aratu Maragojipe é realmente uma grande festa embarcada navegando nas águas abençoadas pelo Senhor do Bonfim. Mais uma vez participamos dessa que é a maior regata da Bahia e dessa vez fomos a bordo do catamarã Tranquilidade, BV 43, atendendo o convite do comandante Flávio Alcides e tripulação. Nessa edição, a 45ª, mais de 80 veleiros estavam alinhados em frente a Ilha de Maré para a largada e foi bonito ver o bailado de velas a espera da abertura das cortinas que aconteceu em três atos. Às 10 horas largou o primeiro grupo e às 10 horas e 40 minutos todos já estavam no rumo de Maragojipe, impulsionados pelos ventos da viração que trazem alegria ao iatismo soteropolitano.

Mas como ninguém é de ferro, a festança começou mesmo na noite anterior a largada com uma grande confraternização nas dependências do Aratu Iate Clube, anfitrião do evento, que se estendeu madrugada adentro e sem hora para terminar. O problema foi arranjar disposição para logo cedo levantar velas, aproar a raia da regata e ainda esquecer a ressaca. Mas como todo ano a pisadinha é essa, a turma já calejou e a ressaca que se exploda.

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O Tranquilidade não teve a sua melhor performance, para tristeza de parte da tripulação, mas em compensação a cozinha de bordo funcionou a todo vapor e em plena competição Lucia estendeu na mesa uma deliciosa moqueca de fruta pão, acompanhada de carne de fumeiro e salada, que fez os regateiros de bordo esquecerem os percalços do esporte.

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A tarde já estava avançada quando cruzamos a linha de chegada em frente a histórica Maragojipe, Aliás, nas margens do Rio Paraguaçu tudo é carregado de história, mas ainda deu tempo de jogar âncora e com muita tranquilidade e paz apreciar a beleza de mais um pôr do sol.

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Foi assim que vi a 45ª Regata Aratu Maragojipe. Uma regata bem baiana!

Educação no mar

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O clube náutico baiano Angra dos Veleiros, localizado na Baía de Itapagipe, continua na luta quase inglória para tentar domar os proprietários de lanchas e jet skis, que jogam para o alto os ensinamentos dos cursos náuticos e navegam a todo gás próximo aos locais de ancoragens. O Angra dos Veleiros reeditou a campanha, TRATE NOSSAS MARINAS COMO SE FOSSE SUA, na esperança de conscientizar os mal educados. 

Entre a força e a beleza

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O Outono resolveu mostrar cara feia sobre a Bahia dos Santos e Orixás. Chuvas e ventos, mais vento do que chuva, fazem as águas baianas se agitarem e deixam o mar com jeito de poucos amigos e todo aquele que resolver medir forças com a natureza deve ir preparado para levar lapada. As ondas em mar aberto atingem fácil os 2 metros de altura e dentro da Baía de Todos os Santos a coisa não está menos feia. No último final de semana um Ferry Boat que fazia a linha Salvador/Itaparica passou sufoco, com ondas lavando os carros, muito medo e mal estar entre os passageiros. Barcos que fazem a travessia Salvador/Morro de São Paulo estão deixando os passageiros em Itaparica, que seguem de ônibus o restante da viagem até Valença. A levadia, remanso forte de mar provocado pelas ondas, tem provocado alguns prejuízos nos barcos atracados nas marinas do centro e forçou a interrupção, nesta Terça-Feira 13/05, da travessia das barcas que fazem a linha Terminal Marítimo/Itaparica. Segundo os centros meteorológicos os ventos soltos sopram a mais de 30 nós nas rajadas.IMG_0038 Mas nem tudo é peleja e sempre a natureza descortina um clima de paisagem exuberante para dar um refresco a vida. E foi nessa pintura de beleza que o Sol se despediu.    

Uma pintura

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Foi assim o Pôr do Sol que assisti hoje, 15/07, do píer do Angra dos Veleiros, na Península de Itapagipe em Salvador/BA. Magia que não existe tradução. Demonstração do esplendor da natureza. Pintura com as cores de uma aquarela inacessível ao homem. Sempre me rendi a esses momentos.