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Serenata do Pescador – Ode a uma linda praiera

Serenata do Pescador, ou simplesmente Praeira, e uma poesia de Othoniel Menezes com letra de Eduardo Medeiros, e que aqui está imortalizada na voz melodiosa do cantor potiguar Fernando Tovar. Cresci ouvindo essa maravilha poética sendo entoada nas varandas da casa de praia do Dr. Bianor Medeiros, grande amigo do meu Pai, e sempre fui envolvido pela emoção. A velha Praia da Redinha já se foi de mãos dadas com os bons tempos de outrora, para não sofrer nas garras de uma modernidade enraivecida. Restaram as lembranças de uma época e a poesia desnuda e apaixonada para uma linda Praeira.

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Uma Musa a venda

musa a vendaJá ouvi muita gente dizer que um barco tem dois momentos de alegria: um quando se compra e outro quando se vende. Ouvi essa teoria quando compramos o primeiro veleiro e sempre volto a escutá-la no conforto das sombras dos palhoções dos clubes náuticos e fico a imaginar o quanto aquele interlocutor já navegou na vida e se realmente navegou. As palavras traem a alma e quando ditas no rastro de um sonho nunca alcançado, ou desfeito antes que sejam dados os primeiros passos, trazem tons de rancor e inveja. Vejo assim, mas não é um ponto final, afinal somos humanos e humano é um bicho esquisito e cheio de alternativas escamoteáveis quando o assunto requer apenas uma simples decisão. Para mim, e para um sem número de pessoas, um veleiro trás alegrias, poesia, romantismo, boas aventuras, amores, paixão, mais sonhos, muitos horizontes a serem descortinados e vida, isso mesmo, vida. Não vou dizer mais nada, vou deixar vocês com as palavras do velejador Erico Amorim na Ode de despedida de sua Musa, que está a venda e anunciado na página de Barcos a Venda desse blog. 

Uma ode à minha Musa
Já sei que anunciastes a partida. Parece que no mundo da internet é
impossível guardar segredo. Até não achei tanta surpresa, pois alguma
coisa estava todo tempo me dizendo que isto iria acontecer. Era
iminente nossa separação.
Quando essas vozes se faziam presente, meus pensamentos ficavam
viajando entre os motivos que a levaria para longe de mim e os que
martelavam as lembranças de nossas agradáveis viagens: aventuras e
felicidade. Pouco a pouco em noites insones fui descobrindo os
motivos de tua partida, concordando com uns e discordando de outros.
Mesmo que partas, deixarás lembranças indeléveis, quer em Fernando de
Noronha, onde fomos 5 vezes, na REFENO de outrora, quando havia muita
camaradagem que o vento levou, quer em Camamu, onde ficamos 15 dias em
lua de mel.
E as regatas Maragogi-Maceió, dez anos ininterruptos, lembras?
Quando ouvíamos ?o bolero? de Jurandir no por do sol de João Pessoa
ficávamos a conversar sobre amenidades, falávamos até das musas do
Tejo (?e vós Tágides minhas, pois criado tendes em mim um novo
engenho ardente?)*, da musa Euterpe,(**) aquela grega do globo e do
compasso, lembras? Em muitas noites ficávamos a olhar estrelas; teve
até uma navegada em noite de lua cheia de Recife para João Pessoa na
companhia do amigo Godoy, que já nos deixou.
Fernando Pessoa disse na sua famosa Ode Marítima que quando o barco se
vai forma-se aquele vazio e uma névoa de sentimentos de tristeza nos
invade. Fui.
(*) Lusíadas, Camões.
(**)Euterpe, Musa da poesia, dos astros e da astronomia.
P.S. Texto pela venda do barco Musa, Delta 26 que está anunciada no
Blog Diário do Avoante, do Comandante Nelson Mattos
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