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Quadros da natureza

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Tem lugares que encantam pela beleza e outros pela poesia da paisagem. Terra Caída/SE é bela e poética.

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Coisas assim…

6 Junho  (126)

Sim, eu sei que você achou o barco muito bonito, apesar do jeitão esquisito de suas linhas meio sei lá, mas não é esse o motivo desse post. Já naveguei um bocado pelo litoral nordeste brasileiro e conheci muita coisa em minhas andanças de carro por ai, e tenho a consciência que não conheço quase nada, mas sou apaixonado por lugares como o da imagem acima e adoro quando o Avoante fica emoldurado por paisagens assim. Terra Caída/SE, um lugar onde a natureza esbanja fascínio.

Indiaroba, a Terra do Divino

6 Junho  (204)

Indiaroba em tupi-guarani significa “óleo amargo” (nhandi roba). A cidade de Indiaroba/SE é quem faz a divisa , para quem vagueia pelas estradas do litoral, entre os estados de Sergipe e Bahia. A cidade sergipana já passou um bocado de amargô ao longo de sua história meio mal contada, já que os historiadores não conseguem chegar a um acordo quanto a sua origem. Sobre seus campos e as águas do Rio Real que banham suas margens, ocorreram lutas monstruosas e uma montanha quase interminável de intrigas ao longo dos anos pós-descobrimento, mas ela sobreviveu ao óleo amargo das guerras patrocinadas por interesseiros capitães-mores e hoje podemos apreciar a bela estátua bronzeada de uma jovem índia encravada na praça central. Porém, a disputada Indiaroba não teve tanto sucesso quanto seus outrora enriquecidos “donos”, mas merece uma visita de quem viaja pela famosa Via Linha Verde.

6 Junho  (207)6 Junho  (209)6 Junho  (212)6 Junho  (215)A feira livre que acontece aos Domingos é um bom momento para o visitante saber um pouco mais sobre os costumes do município e saborear uma gastronomia que tem no camarão uma das suas delícias.

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A pequena orla banhada pelo Rio Real, famoso por banhar também a tietana Mangue Seco, é dona de muita beleza, iluminada por um festivo colorido exuberante de velas e canoas.

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A Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, de frente para a orla, demonstra imponência, irradia beleza e deixa fluir no ar uma gostosa sensação de paz.

indiaroba sergipe (18)E como cheguei até lá? Bem, já havia passado muitas vezes na porta de Indiaroba em minhas andanças rodoviárias, mas confesso que nunca me senti atraído para conhecê-la. Somente depois de ter adentrada a Barra de Estância com o Avoante em 2009, para ancorar em frente ao distrito de Terra Caída, fomos apresentados e gostei. Hoje, sempre que volto a Terra Caída, de carro ou de ônibus, dou uma entradinha nesse simpático município sergipano. E prometo que assim que a difícil Barra de Estância resolver sua pendenga com os bancos de areia, tentarei chegar e amarrar o Avoante no que restar do mal conservado e perigoso píer da cidade. 

Um paraíso entre a ponte e o descaso da falta de água

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Já perdi as contas das vezes que postei sobre a beleza alucinante do distrito de Terra Caída/SE. Desde 2008, quando chegamos por lá pela primeira vez, a bordo do Avoante, nos vimos fisgados pela magia da paisagem e pela vida mansa da cidadezinha que se debruça sobre o rio. Hoje, depois de cinco anos, sempre que temos oportunidades voltamos por lá. A bela paisagem ainda conserva o brilho e o encanto de um mundo que os habitantes das grandes cidades já não conhecem.

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Por lá ainda voam as mesmas aves em formação, navegam as mesmas canoas e o Sol homenageia o fim do dia com cores retiradas das aquarelas mais especiais. Mas a vida em Terra Caída mudou um pouquinho sim. A velha balsa que fazia a ligação entre as duas margens já não navega, e em seu lugar foi construída uma grande e modernosa ponte de concreto.

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A ponte em homenagem ao escritor, advogado, diplomata e político sergipano, natural de Estância, Gilberto Amado, está lá, imponente sobre as água do Rio Piauí e com as promessas encravadas em seus estais, de desenvolver o turismo e encurtar a distância entre Aracajú/SE e Salvador/BA. Como sou um eterno saudosista e romântico pelas coisas da natureza, preferiria ver aquela paisagem sem o ardor cinza do concreto. Mas o progresso é um ser caminhante, de pernas longas e apressado. Nada escapa de suas vontades e não serei eu, com meu saudosismo tupiniquim, a bater de cara com ele. Festejo sim o progresso, mas nada me impede de sonhar em reviver o passado.  

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O progresso cruzou o rio, deixando sua marca de novidade em um mundinho acostumado a rusticidade da beleza natural. A pequena Terra Caída sobreviveu a força do concreto e festejou sua ascensão ao mundo delirante do turismo, mas ficou com um nó apertado na garganta. Os restaurantes aumentaram o movimento, as empadinhas de Pascaziu continuam saborosas, novas e boas casas se incorporaram a paisagem, corretores anunciam eldorados, a tranquilidade ainda dita as normas, mas o abastecimento de água continua o mesmo de outrora. Resultado: Sobra progresso e falta água nas torneiras da grande maioria das residências.

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A pacata cidadezinha continua sendo abastecida por apenas duas pequenas caixas d’água que não tem folego para um pingo a mais nas torneiras. Terra Caída, quase embaixo da ponte, está há mais de três meses desabastecida e passa longe dos planos oficiais de emergência contra a seca. O que acontece por lá é descaso mesmo, mas tudo bem, no próximo ano tem eleições e quem sabe, promessas e mais promessas atravessem a ponte e transformem em realidade, com água nas torneiras, o instigante futuro imaginado pelo progresso.

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Mas mesmo sem água, a beleza da natureza que cerca Terra Caída continua lá, explosiva, esplendorosa e incrivelmente fantástica.

Um pedacinho de Brasil que poucos conhecem

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Uma vez me perguntaram o que tem para ver no povoado de Terra Caída/SE, além das belezas que eu faço questão de divulgar. Para mim apenas a natureza pulsante já é o bastante, mas se você quiser aproveitar muito mais, basta ter cinco minutos de bate-papo com os pescadores nativos que não vai faltar passeio em canoa e convites para degustar umas deliciosas sapecas no fogo de brasa. O melhor cicerone pelos caminhos navegáveis da região é o amigo Zé de Teca, ver post Uma boa Terra, e sua prosa alegre e pitoresca. Os amigos Ângela e Daniel, que quando não estão navegando pelo Canadá sabem o que tem de bonito no Brasil, são nossos anfitriões na bela casa as margens do rio. Acompanhados desse trio de amigos a nossa vida nessa bela região é cheia de boas lembranças. Se um dia você tiver a oportunidade de ir até lá, não esqueça de saborear as apetitosas sapecas e na hora do tira gosto, vá até o Restaurante do Pascaziu e encha a boca de água com umas empadinhas dos deuses. Mas, se você gosta de guaiamum ou caranguejo os melhores são servidos no Bar do Ninho. Pronto, já dei várias dicas deliciosas para sua próxima viagem pelo Brasil. Que tal deixar a Disney para outra oportunidade?

Coisas do reino dos homens

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A divisa entre Sergipe e Bahia, banhada pelo Rio Real e seus afluentes não menos belos, é um desses lugares que ainda podemos chamar de virgem. Para onde apontarmos os olhos aparecerá sempre uma paisagem espetacular de vida ainda em estado bruto. Mas a sede de progresso invertido que domina a mente dos homens, já cravou sua marca de insensatez com uma grande montanha de cimento serpenteando e atravessando as margens do Rio Piauí. Não adianta a revolução dos caranguejos, a revolta dos pássaros, a ira dos peixes, o choro das arvores e nem os olhos incrédulos de seres humanos conscientes, tudo já está fadado aos comandos brutais do agressor que dilacera entranhas e estupra a pureza silenciosa da natureza. Até quando veremos crianças caminhando descontraídas pelas praias? Até quando poderemos ver os coqueiros balançando ao vento? Até quando as conoas descansarão tranquilas em suas amarras? Até quando? Por enquanto, tudo está parado à espera de míseros milhões de Reais para finalizar a invasão. Isso não é uma denuncia, é apenas um grito solitário de um velejador amador que não consegue entender o valor do progresso anunciado pelos homens. 

Empada dos deuses

Terra Caída 021Estas deliciosas empadas que desmancham na boca são as mesmas que falei no texto sobre Terra Caída e que deixou muita gente com água na boca, mesmo sem ver essa foto. Elas são produzidas no restaurante do Sr.Pascaziu com uma receita que ele diz não guardar a sete chaves e até ensina a fazer. Pascaziu é descendente de italiano, boa praça e um excelente papo.  Há muitos anos se estabeleceu em Terra Caída e hoje comanda o principal restaurante da cidade, localizado ao lado da rampa de embarque para a balsa que faz a travessia do Rio Piauí.Terra Caída 026 Sentar numa mesa e escutar a conversa alegre e decidida de Pascaziu, que na foto acima esta ao lado do filho e da esposa, faz o tempo passar sem que ninguém perceba. Foi através de suas informações que fiquei sabendo de boa parte da história desse belo lugarejo sergipano. Terra Caída 027 Quem trafega na Linha Verde que liga Sergipe a Bahia, vale a pena dar uma entradinha em Terra Caída e provar as empadinhas do Pascaziu, mesmo que não pretenda pegar a balsa. Mas, se aceitar um bom conselho, é muito mais gostoso parar para comer as empadinhas, esperar a balsa e navegar pelo Rio Piuaí numa deliciosa travessia cercada de natureza.