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Sergipe – Um litoral que merece muito mais

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Foi com uma pontada de alegria que li uma manchete no blog e-Turismo, editado pelo jornalista Antonio Roberto Rocha, no jornal potiguar Tribuna do Norte, periódico que acolhe todos os domingos a coluna Diário do Avoante. A manchete diz assim: Sergipe quer apoio do Ministério do Turismo para píer, atracadouro e esculturas no rio que banha Aracaju. No corpo da matéria, que inicia falando de um encontro entre o governador sergipano e o ministro do turismo para tratar dos festejos juninos e manifestações culturais, entrou o tema náutico como fonte de incentivo aos anseios do progresso. Foi ai que minha alegria se transformou na velha certeza de que nossos governantes realmente desconhecem o poder que tem o mar como fonte de riquezas turísticas. O píer pretendido pelo governo, as margens do Rio Sergipe,  é para criar um novo cartão postal para a cidade. Diante dele, no meio do rio, serão plantadas oito esculturas de personagens do folclore sergipano. A ideia é louvável e acho mesmo que o Rio Sergipe merece essa repagina. As imagens que abrem essa postagem foram feitas no povoado de Pontal, as margens do Rio Real, e do alto da ponte Gilberto Amado, que cruza o Rio Piauí. Do alto da ponte retratei a Barra de Estância, uma barra larga, instigante e que deixa muitos velejadores de cruzeiro com água na boca. Já adentrei essa barra em duas oportunidade com o Avoante e me declaro um apaixonado pelas belezas que compõem aquelas pairagens que denomino de Explosão de Beleza. Não consigo uma definição melhor!

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Pois bem, o Governo de Sergipe deve mesmo apostar no píer do cartão postal, mas poderia também estender suas apostas para transformar o litoral de Sergipe em um novo ponto de atracação para veleiros de todo o mundo. Todos que navegam a costa brasileira olham com olhos de pidão para a costa sergipana, mas infelizmente suas barras são rasas, difíceis, desaconselháveis, porém, incrivelmente desejáveis. Não precisaria muito além de dragagem e balizamento, pois a divulgação seria feita no boca a boca entre os velejadores e tenho certeza do sucesso. Os rios que compõem o estuário do Rio Real são todos navegáveis e isso pude comprovar nas vezes em que estive por lá com o Avoante. Naveguei por mais de 7 milhas entre os rios Real, Piauí e Priapu até jogar ferro em frente ao povoado de Terra Caída. Quando os amigos do mar sabem que adentrei ali – muitos conhecem como Mangue Seco – me procuram em busca de mais informações e até dos waypoints de entrada, porém, toda a rota que fiz em 2009 passou a ser desautorizada pela natureza, que a cada período do ano modifica o formato e o local dos bancos de areia. Sergipe, com um litoral tão belo e dotado de rios encantadores, é o único estado do litoral brasileiro que não recebe regularmente veleiros de oceano. Taí um bom tema para a próximo encontro do governador com o ministro do turismo. As duas últimas imagens são de canoas do município de Indiaroba, as margens do Rio Real, e coberturas para pequenas embarcações no povoado de Terra Caída.      

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Um paraíso entre a ponte e o descaso da falta de água

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Já perdi as contas das vezes que postei sobre a beleza alucinante do distrito de Terra Caída/SE. Desde 2008, quando chegamos por lá pela primeira vez, a bordo do Avoante, nos vimos fisgados pela magia da paisagem e pela vida mansa da cidadezinha que se debruça sobre o rio. Hoje, depois de cinco anos, sempre que temos oportunidades voltamos por lá. A bela paisagem ainda conserva o brilho e o encanto de um mundo que os habitantes das grandes cidades já não conhecem.

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Por lá ainda voam as mesmas aves em formação, navegam as mesmas canoas e o Sol homenageia o fim do dia com cores retiradas das aquarelas mais especiais. Mas a vida em Terra Caída mudou um pouquinho sim. A velha balsa que fazia a ligação entre as duas margens já não navega, e em seu lugar foi construída uma grande e modernosa ponte de concreto.

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A ponte em homenagem ao escritor, advogado, diplomata e político sergipano, natural de Estância, Gilberto Amado, está lá, imponente sobre as água do Rio Piauí e com as promessas encravadas em seus estais, de desenvolver o turismo e encurtar a distância entre Aracajú/SE e Salvador/BA. Como sou um eterno saudosista e romântico pelas coisas da natureza, preferiria ver aquela paisagem sem o ardor cinza do concreto. Mas o progresso é um ser caminhante, de pernas longas e apressado. Nada escapa de suas vontades e não serei eu, com meu saudosismo tupiniquim, a bater de cara com ele. Festejo sim o progresso, mas nada me impede de sonhar em reviver o passado.  

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O progresso cruzou o rio, deixando sua marca de novidade em um mundinho acostumado a rusticidade da beleza natural. A pequena Terra Caída sobreviveu a força do concreto e festejou sua ascensão ao mundo delirante do turismo, mas ficou com um nó apertado na garganta. Os restaurantes aumentaram o movimento, as empadinhas de Pascaziu continuam saborosas, novas e boas casas se incorporaram a paisagem, corretores anunciam eldorados, a tranquilidade ainda dita as normas, mas o abastecimento de água continua o mesmo de outrora. Resultado: Sobra progresso e falta água nas torneiras da grande maioria das residências.

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A pacata cidadezinha continua sendo abastecida por apenas duas pequenas caixas d’água que não tem folego para um pingo a mais nas torneiras. Terra Caída, quase embaixo da ponte, está há mais de três meses desabastecida e passa longe dos planos oficiais de emergência contra a seca. O que acontece por lá é descaso mesmo, mas tudo bem, no próximo ano tem eleições e quem sabe, promessas e mais promessas atravessem a ponte e transformem em realidade, com água nas torneiras, o instigante futuro imaginado pelo progresso.

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Mas mesmo sem água, a beleza da natureza que cerca Terra Caída continua lá, explosiva, esplendorosa e incrivelmente fantástica.