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Um litoral em frangalhos

IlhabelaO site Mar Sem Fim, no Estadão, trás matéria sobre o descaso sofrido pelo litoral brasileiro em pleno Verão 2019, porém, a notícia pode muito bem servir de denuncia para verões passados e futuros, pois desde que um certo Cabral atolou suas botas nas areias da nossa tribo a coisa enlameou e não tem homem no mundo que limpe. O jornalista e navegador João Lara Mesquita, que assina a matéria, começa a puxar o fio da porcaria a partir da afamada  e bela Ilha Bela/SP e fecha o firo na estonteante  e incompreendida Ilha de Fernando de Noronha/PE. Segundo o Mar Sem Fim, o número de praias impróprias para banho cresceu mais de 20% em um ano, o que acredito piamente e sem pestanejar. E João começa assim: “…Ao juntarmos os dados, percebe-se que o drama é nacional, fruto do egoísmo, da omissão, do crime de lesa-pátria, e também da mais pura ignorância…”.

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Litoral, energia limpa, paisagem e a ilusão do progresso

10 Outubro (39)

O site Mar Sem Fim, do jornalista João Lara Mesquita, na matéria Litoral, energia eólica e paisagem: Você precisa saber, de dezembro de 2015, alertou para o gigantesco crime ambiental que estava sendo cometido para implantação dos parques eólicos no Brasil e o incrível descaso das autoridades. Em agosto de 2016, na postagem Energia Limpa?, cutuquei a mesma ferida. A paisagem do litoral nordestino mudou, dunas praticamente foram dizimadas e a caatinga, mata nativa do sertão brasileiro, está virando uma triste e cruel lembrança. Muito em breve, se já não foi, até o estonteante parque dos Lençóis Maranhense será cravejado de torres. Dizem que será um parque de grandes dimensões. Georges Braque, pintor e escultor francês: “As aspirações de cada época são limitadas: daí a ilusão do progresso”

A jangada, o coqueiral e o mar

20160906_115028Isso é Brasil bem brasileiro. País de sol, mar, dunas e praias bonitas. Praias de um nordeste bem Brasil. Isso é Enxu Queimado, litoral do Rio Grande do Norte.

Notícias do tempo, do mar e de nós

Dia 16 de abril saímos de Natal/RN a bordo do catamarã Tranquilidade com destino a Salvador/BA, numa viagem que planejamos em 10 dias de mar, porque programamos paradas na Barrinha dos Marcos – no canal de Santa Cruz/PE, praia dos Carneiros/PE e Barra de São Miguel/AL. A bordo, além de mim e Lucia, o comandante Flávio Alcides, Myltson Assunção e Geraldo Dantas. Para os navegadores e aqueles que estão familiarizados com os ditames do tempo, essa não é a melhor época para descer a costa brasileira, partindo de Natal, mas no mundo do mar nem tudo são flores. Bem, diante de um mar de faroeste e vento sul, demos início a nossa navegada no meio da tarde e confiantes que cumpriríamos nossa programação, mas na madrugada do dia 17/04, com a chegada da chuva, começamos a pensar em entrar em Cabedelo/PB e foi isso que fizemos no começo da manhã, porque o tempo fechou e prosseguir viagem, ignorando um porto apetitoso como o da praia do Jacaré, seria apenas uma forma de masoquismo de nossa parte e as previsões não prometem boa vida a quem insiste em navegar. As ondas devem ficar em torno de 1,5 a 3 metros entre Alagoas e Rio Grande Norte e muita chuva entre o RN e PE. Por enquanto vamos curtindo a chuva que cai lá fora nessa Paraíba aconchegante e amanhã voltaremos ao mar para prosseguir nossa navegada até a Barrinha dos Marcos. Tomará que o tempo e o mar assinem em baixio da nossa vontade. Quem quiser acompanhar a viagem e saber nossa posição, basta acessar o SPOT DO TRANQUILIDADE, que faz parte do BlogRoll do Diário do Avoante.

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Pancadas de chuva em parte do Brasil
No domingo (17/04), ocorrerão pancadas de chuva que podem ser localmente fortes, em grande parte da Região Norte, no MA, centro-norte do PI, CE, centro-oeste do RN e da PB e extremo sul do RS. O dia será bastante instável e podem ocorrer acumulados expressivos de chuva na faixa leste dos estados de PE, da PB e do RN. Nas demais áreas do país o dia será com predomínio de sol e as temperaturas permanecem elevadas.
Obs: Texto referente ao dia 17/04/2016-11h58 – Cptec/Inpe

Previsões provisórias e imprevisíveis

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Dizem que as mudanças de estações são sempre cheias de pegadinhas, mas o que temos observado durante os últimos anos e principalmente nesse ano de 2015 – que já descambou para o lado do estou indo embora agora – deixa a gente meio cético em relação as imagens dos satélites e as promessas dos gurus do tempo. Espero que a estação das flores, que se inicia às 5 horas e 20 minutos do dia 23 de setembro, chegue com aquele velho ar primaveril que faz a alegria dos pomares e espalhe o odor das rosas no meio do mundo, porque o cheiro azedo das estripulias corrosivas e corrompidas dos humanos tem perturbado um bocado nossa vã filosofia e jogado no chorume do lixo biografias meia boca. Será que a nuvem esquisita que assustou a Costa Rica é um aviso das catacumbas em que estão guardadas as profecias apocalípticas? Vá saber! Depois de alguns dias de sol e céu azul, Salvador/BA amanheceu chuvosa com vento leste e, por incrível que pareça, fazendo um friozinho gostoso de fim de um inverno invernoso, pelo menos para os lados do litoral, porque para as bandas do sertão a vida continua ao sabor das promessas de uma chuvarada que ainda não deu o ar da graça. E como falta uma semana para a largada da maior regata brasileira de oceano, a charmosíssima Refeno, e ainda tem alguns comandantes atrasados subindo a costa em direção a capital do frevo, fica aqui o registro do que dizem os satélites do Cptec/Inpe. Os gráficos anunciam ventos leste e nordeste para toda a costa nordestina, o que representa um belo de um nó nos planos de quem deixou para última hora a navegada até Recife, mas como no mar nem tudo são flores, e o litoral de Sergipe fica no meio do caminho entre o vou e o não vou, veja abaixo o que dizem os doutores do tempo.  

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Sabe de uma coisa?

6 Junho (274)

Na página desse Diário que teve o título, O Grande Mar V, falei da situação de abandono que se encontram os rios brasileiros, que só em lembrar me deixa estarrecido. Escrevi o texto, que segue essa introdução, enquanto o Avoante navegava devagarinho as águas do Rio Paraguaçu e meus olhos procuravam vestígios de algum píer público. Não me queiram mal, porque foram palavras saídas do fundo do coração e que muitos podem até achar que são levianas.

Eu e todo navegante somos culpados, porque ficamos calados e inertes diante do descaso. Fazemos parte, junto às populações envolvidas, dos que seriam beneficiados e não estamos nem ai, pois fazemos de conta que não temos nada com isso. Um píer em boas condições de uso representa melhorias, atrai turismo, investimentos e desenvolvimento. Sem o píer todos perdem. É difícil entender isso? Acho que não!

Navegantes, clubes náuticos e população precisam levantar essa bandeira e partir para a luta. Cobrar ações, apresentar denuncias, mostrar para as pessoas o que elas estão perdendo, o quanto às cidades e povoados estão perdendo.

Sempre falei que o Brasil vive de costa para suas águas. Temos um litoral quase sem fim e dotado de infinita beleza. Do mar, o brasileiro curte apenas as praias e, assim mesmo, em dia de Sol. Dos rios, nem isso, pois nem conseguimos mantê-los limpos e despoluídos.

Temos um dos maiores e mais desejados rio do mundo, o Amazonas, e não sabemos e nem podemos aproveitá-lo livremente para a navegação amadora. Não existe apoio para isso, não existe segurança, não existem roteiros e nem guias náuticos confiáveis. Muito menos o interesse de alguma alma boa para fazer isso acontecer. Hoje navegando no baiano Paraguaçu, fico com esse grito preso na garganta. Quanto desperdício! Quanto descaso com a coisa pública! Quanta falta de visão das autoridades!

A Bahia tem sua história intrinsecamente ligada ao mar e das águas surgiram grandes personagens de sua história, navegando em belos saveiros e canoas de tronco. Tudo isso está sendo jogado no lixo como se não fosse nada. Como se não representasse nada. Parece até que querem apagar a história de um povo. O que é isso gente?

Não se comete uma desfeita sem que se pague um preço por ela. A história é inclemente com os malfeitores e usurpadores dos bens públicos. Como é também com quem se cala, se ajoelha, se acovarda e aplaude o descaso alheio.

O Paraguaçu ainda está vivo, porém, entristecido e com um jeitão de um velho abandonado. Não se abandona um velho a própria sorte, porque isso é um crime irreparável. O que vamos dizer as gerações futuras? Será que vamos deixar apenas que os livros contém como era? Que velhas e desbotadas fotografias denunciem o que deixamos para trás? Culpar a quem se os culpados somos nós mesmos.

Aqueles que têm a felicidade de viajar pelo velho continente, pelos EUA ou algum país que valoriza rios e mares, retornam contando maravilhas do que viram por lá. A França com seus canais sendo navegados por confortáveis embarcações. A Espanha com suas belas marinas e portos modernosos. A Croácia com suas águas cristalinas e apetitosas. Os EUA com sua instigante intracoastal waterway. A Turquia, a Grécia, Portugal, Itália, o Mediterrâneo. Tudo lindo, tudo preservado e acenando para o turista. No Brasil temos tudo isso embaixo de nosso nariz e viramos o rosto, porque não queremos cobrar, não sabemos exigir, não queremos enxergar.

Ficamos boquiabertos diante das manchetes dos jornais, quando estes flagram o descaso, a poluição, a destruição dos rios, a corrupção desvairada e no segundo seguinte, esquecemos tudo, pois ficamos conformamos, achando que sempre foi assim e assim será para o sempre.

Nós navegadores desse Brasil imenso, perdemos tempo em debater os últimos lançamentos da indústria eletrônica. Desperdiçamos sonhos em busca de barcos maiores. Confabulamos em intermináveis, e sem futuro, bate papos sob os palhoções dos clubes. Digladiamo-nos para alcançar o poder dentro das associações náuticas e esquecemos o que realmente precisamos. Será que perdemos o norte, ou será que a navegação pura e simples não é a nossa praia?

É com tristeza que olho hoje para as águas do velho Paraguaçu e vejo nelas o reflexo de todos os rios brasileiros. Todos mal amados e esquecidos. Todos precisando de apenas um afago para sair da lama em que se encontram metidos.

Somos todos culpados! Infelizmente!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Observações sobre o litoral do Rio Grande do Norte

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Claro que não é nenhuma novidade a informação de que navegar a partir de Natal/RN em direção ao Sul é uma tremenda trabalheira, principalmente para quem está a bordo de um veleiro. A costa potiguar é riscada no sentido Noroeste – Sudeste e como a predominância dos ventos nessa região em grande parte do ano é sul e sudeste, a fama faz jus a razão. 

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Na semana passada estive em dois pontos do litoral Sul do Rio Grande do Norte, visitando amigos que curtem os dias de verão, e fotografei duas pontas de terra que trazem dores de cabeça para muita gente. Eu mesmo já sofri um bocado. A primeira imagem é a Ponta Negra, olhada da enseada da praia de Cotovelo. A segunda é da Ponta de Tabatinga, olhada do alto do mirante dos golfinhos. A enseada que se forma entre essas duas pontas acolhe as praias de Cotovelo, Pirangi do Norte, Pirangi do Sul, Búzios e a própria Tabatinga. Todas com suas peculiaridades e com um visual de encher os olhos, mas querer se aventurar nesse miolo de oceano é o mesmo que trocar seis por meia dúzia e ainda arranjar motivos para se complicar mais a frente, no Cabo Bacoparí. Sair de Natal em busca dos mares do sul não é tarefa das mais fáceis em certas épocas do ano. Mas é preciso lembrar aqueles velejadores que vivem procurando desculpas esfarrapadas para não colocar o barco na água, que o verão puxa os ventos do quadrante norte e por isso mesmo tanto é gostoso subir, quanto descer a costa, ainda mais navegando em mar de almirante. Portanto, vamos velejar que o litoral brasileiro é simplesmente lindo!