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Das utopias

01 - Janeiro (1)

“Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!”

Mario Quintana

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O catamarã de velocidade – VI

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Depois da noite bem dormida na ancoragem em frente à cidade de Cairu/BA, acordamos cedinho para aproveitar a maré de enchente e seguir até o distrito de Canavieirinhas. Navegar até o povoado das famosas ostras criadas em cativeiro era uma vontade que alimentávamos há anos, mas o alinhamento dos astros não permitia que acontecesse. Quando o comandante Flávio me delegou a tarefa de montar o roteiro do catamarã Tranquilidade entre Natal/RN e o litoral baiano, inclui o destino sem pestanejar. Até porque, o comandante queria conhecer lugarejos pitorescos e que fugisse dos roteiros tradicionais.

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No começo da viagem, quando ainda estávamos na Barrinha dos Marcos/PE, meu computador queimou a placa e fiquei sem poder acessar o planejamento e consequentemente conferir a rota e os waypoints marcados. Algumas rotas já estavam inseridas no chart plotter do barco e também em meu GPS portátil. Mas como sabia que muita coisa seria alterada, como foi, em várias oportunidades, preferi incluir a cada parada a rota seguinte. Por precaução, costumo anotar em uma agenda os roteiros, mas infelizmente o percurso entre Cairu e Canavieirinhas não anotei.

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Quando da nossa ancoragem em Itaparica, remexendo papeis do barco, encontrei o guia náutico produzido pelo antigo Centro Náutico da Bahia e que teve a mão do navegador Davi Perroni. Entrei em contato com ele sobre a rota, pois confio cegamente em suas informações, e ele alertou que eu prestasse atenção no datum do GPS, porque as rotas do Guia estavam em Córrego Alegre. Datum é o modelo matemático utilizado para produzir mapas e cartas náuticas. Datums diferentes podem provocar erros de até mil metros de distância. No momento em que eu estava fazendo as correções o Davi telefonou dizendo que havia enviado um email já com tudo pronto. Amigo faz assim!

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O canal entre as duas cidadezinhas é estreito, raso em algumas partes e merece atenção redobrada até para quem tem um pouquinho de experiência. Como diz um amigo: “Não aceita desaforos e muito menos egos inflados”. Seguindo a rota que me foi enviada, observei que a profundidade média gira em torno de 5 metros, porém, na parte mais larga do rio, além de sinuoso, o traçado passa por profundidades de 3,5 metros na maré cheia. Deve ser navegado com o GPS em zoom elevado e com confiança no que foi traçado. Ao menor sinal de indecisão o barco pode ser jogado sobre um banco de areia.

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A ancoragem em Canavieirinhas é outro ponto crítico e já fez muita gente boa ficar em maus lençóis. Em frente à cidadezinha existe um enorme banco de areia, que descobre na maré baixa, e a ancoragem é feita em pouco mais de 2 metros de profundidade. Apesar de toda essa dificuldade, navegar cercado pelo vasto e vibrante manguezal é de uma beleza sem tamanho. E foi envolvido nesse clima de êxtase que cruzamos aquelas águas com segurança e alegria. O nosso comandante, que desejava um passeio assim, ria de orelha a orelha e não parava de lembrar a frase dita por nosso amigo de que “praia é tudo igual”. Lembramos também de Geraldo e Myltson que desembarcaram em Itaparica e perderam o melhor da viagem. São navegadas assim que fazem o diferencial da vela de cruzeiro e precisamos estar com o espírito em paz para vivenciá-las em toda plenitude.

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Navegar em pequenos canais e ancorar em pequenos povoados ribeirinhos, interagindo com os habitantes do lugar é um prêmio para a alma do cruzeirista. Eu mesmo não troco por nada. Falei sobre isso no texto que dá início a essa série que termina aqui e que dei o título de “Um sonho a mais”, mas acrescento que sonhos, vontades e interesses são diversos. Por isso, quando me perguntam qual o número de tripulantes ideal para uma viagem de cruzeiro, respondo que não existe número e sim afinamento. Um cavaquinho tem quatro cordas e nem por isso é mais fácil de ser tocado, ainda mais se alguma estiver desafinada.

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Canavieirinha foi o prêmio maior dessa nossa velejada a bordo do Tranquilidade e que aqui está relatado com o título O catamarã de velocidade. O título pode não corresponder com tudo o que aqui foi dito e não corresponde mesmo, porém, é uma pequena alusão aqueles que entram a bordo de um veleiro e em vez de curtirem a velejada, se preocupam apenas em correr regatas contra eles mesmos e não apreciam o sabor de uma gostosa e despreocupada navegada.

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Essa foi sim uma velejada maravilhosa e mais uma vez agradeço ao comandante Flávio Alcides pelo convite, aos companheiros de tripulação Geraldo Dantas, Myltson Assunção e Paulo Guedes, pela amizade e a minha esposa Lucia, pelo astral sempre elevado e que me enche de coragem para enfrentar os mares navegados.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Segredos que o mar não conta

01 - Janeiro (1)

“…que liberdade é essa que aprisiona a alma?”

Marçal Ceccon

Notícias do tempo, do mar e de nós

Dia 16 de abril saímos de Natal/RN a bordo do catamarã Tranquilidade com destino a Salvador/BA, numa viagem que planejamos em 10 dias de mar, porque programamos paradas na Barrinha dos Marcos – no canal de Santa Cruz/PE, praia dos Carneiros/PE e Barra de São Miguel/AL. A bordo, além de mim e Lucia, o comandante Flávio Alcides, Myltson Assunção e Geraldo Dantas. Para os navegadores e aqueles que estão familiarizados com os ditames do tempo, essa não é a melhor época para descer a costa brasileira, partindo de Natal, mas no mundo do mar nem tudo são flores. Bem, diante de um mar de faroeste e vento sul, demos início a nossa navegada no meio da tarde e confiantes que cumpriríamos nossa programação, mas na madrugada do dia 17/04, com a chegada da chuva, começamos a pensar em entrar em Cabedelo/PB e foi isso que fizemos no começo da manhã, porque o tempo fechou e prosseguir viagem, ignorando um porto apetitoso como o da praia do Jacaré, seria apenas uma forma de masoquismo de nossa parte e as previsões não prometem boa vida a quem insiste em navegar. As ondas devem ficar em torno de 1,5 a 3 metros entre Alagoas e Rio Grande Norte e muita chuva entre o RN e PE. Por enquanto vamos curtindo a chuva que cai lá fora nessa Paraíba aconchegante e amanhã voltaremos ao mar para prosseguir nossa navegada até a Barrinha dos Marcos. Tomará que o tempo e o mar assinem em baixio da nossa vontade. Quem quiser acompanhar a viagem e saber nossa posição, basta acessar o SPOT DO TRANQUILIDADE, que faz parte do BlogRoll do Diário do Avoante.

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Pancadas de chuva em parte do Brasil
No domingo (17/04), ocorrerão pancadas de chuva que podem ser localmente fortes, em grande parte da Região Norte, no MA, centro-norte do PI, CE, centro-oeste do RN e da PB e extremo sul do RS. O dia será bastante instável e podem ocorrer acumulados expressivos de chuva na faixa leste dos estados de PE, da PB e do RN. Nas demais áreas do país o dia será com predomínio de sol e as temperaturas permanecem elevadas.
Obs: Texto referente ao dia 17/04/2016-11h58 – Cptec/Inpe

Onde está o Avoante?

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Mais uma vez venho com minhas desculpas esfarrapadas por deixar o blog tanto tempo abandonado a própria sorte. Mas também nove dias não é tanto assim, pois navegando pelas páginas digitais mais antigas o leitor encontra muita coisa interessante, basta direcionar o cursor e dar um click. Um amigo certa vez falou que eu não precisava usar todo o meu cabedal de desculpas, pois essa vida de blogueiro é assim mesmo cheia de altos e baixos. Mas me sinto nessa obrigação e não sei pensar diferente.

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Bem, quem acompanha o SPOT, através do link ONDE ESTÁ O AVOANTE, deve saber que estamos navegando e muito pela Baía de Todos os Santos, na companhia do casal potiguar Chiquinho e Lucienne, que veio passar sete dias a bordo do Avoante para conhecer o mar por onde navegamos. O passeio tem sido uma alegria só e eles tem aproveitado o máximo, num roteiro que enche os olhos de qualquer mortal. Vamos em frente que ainda temos muito para aproveitar e assim que internet permitir trarei notícias.  

Para que a pressa?

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Ontem, 23/03, navegávamos de Salinas da Margarida/BA até o Aratu Iate Clube, numa velejada gostosa de vento Leste/Sueste com o Avoante voando baixo a 4 nós de velocidade, quando no través da Ilha de Maré Éolo cismou e resolveu cruzar os braços. O resultado está ai na imagem da tela do GPS, velocidade 0,9. Fazer o que? Lucia botou a mesa e fomos almoçar. 

Uma bela imagem do mar

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Pode até ser que você não goste de navegar assim adernadão. Pode até ser que sua praia seja um belo catamarã com os copos e pratos sempre sobre a mesa. Pode até ser que você nem goste de nada disso. Mas uma coisa acho que você não pode negar: Que essa foto de Marcelinho Barreto, registrando o nascer do Sol, a bordo do Avoante, em algum pedaço de mar entre Natal e Recife ficou muito bonita.