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Aratu Iate Clube – 54 anos

7 Julho (375)7 Julho (457)

O aniversariante da semana é o Aratu Iate Clube, que dia 05 de outubro completa 54 anos de existência. O Aratu, como é carinhosamente chamado pelo povo do mar, é dos mais tradicionais clubes náuticos da Bahia, possui um fundeadouro maravilhosamente abrigado e é dotado de uma excelente estrutura de apoio ao navegante. No Aratu tudo é pensado para facilitar a vida do navegante, não somente dos sócios, mas também dos visitantes, que sempre são recebidos de braços abertos. Desejamos vida longa e bons ventos ao Aratu Iate Clube, que sempre recebeu o Avoante com muito carinho. No sábado, 03/10, aconteceu a Regata de Aniversário e em seguida a festa de confraternização com um grande churrasco e música ao vivo.

 

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Registros de bons momentos

8 Agosto (215)20150725_22043220150905_21452420150831_23285020150904_1948158 Agosto (1)8 Agosto (8)

Velejadores quando se encontram por ai é sempre festa. Reuni algumas imagens de encontros acontecidos a bordo do Aratu Iate Clube no mês de Agosto. Imagens que agora fazem parte dos arquivos em que registramos os bons momentos dessa vida encantadora.  

 

Sabe de uma coisa?

6 Junho (274)

Na página desse Diário que teve o título, O Grande Mar V, falei da situação de abandono que se encontram os rios brasileiros, que só em lembrar me deixa estarrecido. Escrevi o texto, que segue essa introdução, enquanto o Avoante navegava devagarinho as águas do Rio Paraguaçu e meus olhos procuravam vestígios de algum píer público. Não me queiram mal, porque foram palavras saídas do fundo do coração e que muitos podem até achar que são levianas.

Eu e todo navegante somos culpados, porque ficamos calados e inertes diante do descaso. Fazemos parte, junto às populações envolvidas, dos que seriam beneficiados e não estamos nem ai, pois fazemos de conta que não temos nada com isso. Um píer em boas condições de uso representa melhorias, atrai turismo, investimentos e desenvolvimento. Sem o píer todos perdem. É difícil entender isso? Acho que não!

Navegantes, clubes náuticos e população precisam levantar essa bandeira e partir para a luta. Cobrar ações, apresentar denuncias, mostrar para as pessoas o que elas estão perdendo, o quanto às cidades e povoados estão perdendo.

Sempre falei que o Brasil vive de costa para suas águas. Temos um litoral quase sem fim e dotado de infinita beleza. Do mar, o brasileiro curte apenas as praias e, assim mesmo, em dia de Sol. Dos rios, nem isso, pois nem conseguimos mantê-los limpos e despoluídos.

Temos um dos maiores e mais desejados rio do mundo, o Amazonas, e não sabemos e nem podemos aproveitá-lo livremente para a navegação amadora. Não existe apoio para isso, não existe segurança, não existem roteiros e nem guias náuticos confiáveis. Muito menos o interesse de alguma alma boa para fazer isso acontecer. Hoje navegando no baiano Paraguaçu, fico com esse grito preso na garganta. Quanto desperdício! Quanto descaso com a coisa pública! Quanta falta de visão das autoridades!

A Bahia tem sua história intrinsecamente ligada ao mar e das águas surgiram grandes personagens de sua história, navegando em belos saveiros e canoas de tronco. Tudo isso está sendo jogado no lixo como se não fosse nada. Como se não representasse nada. Parece até que querem apagar a história de um povo. O que é isso gente?

Não se comete uma desfeita sem que se pague um preço por ela. A história é inclemente com os malfeitores e usurpadores dos bens públicos. Como é também com quem se cala, se ajoelha, se acovarda e aplaude o descaso alheio.

O Paraguaçu ainda está vivo, porém, entristecido e com um jeitão de um velho abandonado. Não se abandona um velho a própria sorte, porque isso é um crime irreparável. O que vamos dizer as gerações futuras? Será que vamos deixar apenas que os livros contém como era? Que velhas e desbotadas fotografias denunciem o que deixamos para trás? Culpar a quem se os culpados somos nós mesmos.

Aqueles que têm a felicidade de viajar pelo velho continente, pelos EUA ou algum país que valoriza rios e mares, retornam contando maravilhas do que viram por lá. A França com seus canais sendo navegados por confortáveis embarcações. A Espanha com suas belas marinas e portos modernosos. A Croácia com suas águas cristalinas e apetitosas. Os EUA com sua instigante intracoastal waterway. A Turquia, a Grécia, Portugal, Itália, o Mediterrâneo. Tudo lindo, tudo preservado e acenando para o turista. No Brasil temos tudo isso embaixo de nosso nariz e viramos o rosto, porque não queremos cobrar, não sabemos exigir, não queremos enxergar.

Ficamos boquiabertos diante das manchetes dos jornais, quando estes flagram o descaso, a poluição, a destruição dos rios, a corrupção desvairada e no segundo seguinte, esquecemos tudo, pois ficamos conformamos, achando que sempre foi assim e assim será para o sempre.

Nós navegadores desse Brasil imenso, perdemos tempo em debater os últimos lançamentos da indústria eletrônica. Desperdiçamos sonhos em busca de barcos maiores. Confabulamos em intermináveis, e sem futuro, bate papos sob os palhoções dos clubes. Digladiamo-nos para alcançar o poder dentro das associações náuticas e esquecemos o que realmente precisamos. Será que perdemos o norte, ou será que a navegação pura e simples não é a nossa praia?

É com tristeza que olho hoje para as águas do velho Paraguaçu e vejo nelas o reflexo de todos os rios brasileiros. Todos mal amados e esquecidos. Todos precisando de apenas um afago para sair da lama em que se encontram metidos.

Somos todos culpados! Infelizmente!

Nelson Mattos Filho/Velejador

Um barco, uma paixão

Roberta Izabella 1

O texto hoje é da velejadora Roberta Izabella, almiranta do veleiro Argos, e reflete o poder da magia que existe a bordo de um veleiro. Obrigado Izabella por compartilhar esse fascínio com nossos leitores.

É ASSIM!

Eu realmente preciso parar de ler Freud… Quase um mês em terra e muitos quilos a mais. Quilos de comida boa e cabeça cheia de vento. Tenho 36 anos, dos quais, 35 e alguns meses muito bem vividos em terra firme. Brinquei, estudei, acumulei, planejei, viajei o mundo, voei alto… Ter um barco é incrível e torturante ao mesmo tempo. Vivi dez meses no mar e tudo foi mais intenso e real do que todo o resto da minha vida. Naveguei, velejei um pouco, descobri que o vento nunca está na direção e intensidade certa, passei fome – não de comida -, mas de vontade. Tinha tantos roxos na perna que se fizesse exame de corpo e delito prenderiam meu barco pela Lei Maria da Penha. Conseguia bater a cabeça sempre no mesmo lugar, escorreguei, caí, passei frio – porque a âncora só solta à noite e na chuva –, carreguei tantos galões de água doce que dava pra encher o Cantareira. Remei contra a corrente, bebi água do mar, tomei banhos de diesel, aprendi a odiar as bombas de porão, descobri que guinchos servem para quebrar na hora de recolher a âncora no perrengue, o rizo da vela nunca dá certo e sempre sobra um pedaço. Aprendi a sair com roupas saídas de uma garrafa e ir ao shopping sem ligar pra nada. Descobri que por mais que se compre parafusos e braçadeiras, nunca se tem o tamanho que se quer. Sangrei as mãos com os cabos das velas, aprendi que vazamentos são como o ar que respiramos e estão sempre lá, haja o que houver. Por mais que se tente arrumar o barco nunca se acha o que se quer na hora que quer, em suma, tudo quebra o tempo todo, é isso! Você passa dias arrumando, limpando, procurando, chorando, rezando e às vezes relaxa e se diverte. Daí estava pensando na famosa frase Navegar é Preciso, Viver não é Preciso. Pois é, não é que é isso mesmo!!! Devo ter sérios problemas, porque preciso dele, vivo por ele, sinto necessidade dele, ele é meu e eu sou dele, ainda morro por ele, não sou ninguém sem ele… Meu barco é um pedacinho de mim e acho que o melhor.

Roberta Isabella/Velejadora

Veleiro Argos

No coração dos amigos

Luciano Silva na ABVC

Não tivemos a oportunidade de participar do 13º Encontro Nacional da ABVC – Associação Brasileira de Velejadores de Cruzeiro, que aconteceu entre os dias 4 e 7 de Junho, em Angra dos Reis, mas o leitor e amigo virtual Luciano Silva estava lá e fez questão de posar para foto segurando um cartaz com o nosso nome. É muito gostoso ser lembrado pelos amigos. Obrigado Luciano!

Causos e surpresas

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Muitas vezes é difícil saber em que pé navega a verdade em uma história que tem o mar como pano de fundo. Isso acontece com pescadores, velhos e novos marinheiros e velejadores. Tudo fica enorme quando a emoção passa a valer mais do que a razão, ainda mais quando existe uma plateia avida a ouvir ou quando se quer apenas dar uma pequena valorizada na narrativa acrescentando algumas estrelas douradas de heroísmo.

Final de Outubro de 2014 estive no Iate Clube do Natal para pegar um veleiro e comandá-lo entre Natal e Salvador. Chegando lá fui convidado para fazer parte de um churrasco em que os tripulantes do veleiro Tranquilidade comemoravam, com um pouco de atraso, as participações nas regatas Recife/Fernando de Noronha e Fernando de Noronha/Natal, edições 2014. Para quem acompanha as páginas desse Diário deve lembrar que falei em como essas travessias foram duras para as embarcações e consequentemente deixando marcar profundas em muitos tripulantes. De norte a sul do país a cantilena é uma só: Foi uma viagem terrível!

Mas tudo passou e hoje todos festejam a vida ao sabor de grandes resenhas digeridas com cervejas, vinhos, outras bebidas e fartas lascas de carnes na brasa. E é nessas horas que tudo se transforma e os olhos dos interlocutores se enchem de espanto. Continuar lendo

O trimarã Nativo e a baía de Maiaú

Notícias circuladas a toque de caixa no dia de ontem, 12/11, dão conta que o trimarã Nativo, que havia naufragado na costa do Rio Grande do Norte, enquanto participava da Refeno 2014, foi encontrado no litoral do Pará. Os destroços do trimarã deram na Baía de Maiaú, no município de Bragança. A notícia do achado do que restou do Nativo deve ter causado o maior reboliço nos pequenos lugarejos nos arredores de Maiaú e até um professor da IFPA foi convocado para dar fim a peleja, pois corriam vários boatos cabeludos entre o mar e a floresta que deixou muita gente de orelha em pé. O professor Cristovam Diniz, quando viu os destroços tratou logo de desfazer o mistério e acalmar a galera.

Mas olhando para a imagem do satélite, que desenha parte da costa paraense, vejo o quanto o litoral norte brasileiro é lindo e totalmente desconhecido por parte dos velejadores. Até a flotilha de cruzeiristas, da qual faço parte há 10 anos, que adora ancorar em lugares encantados, se fecha em copas e só da conta do que acontece entre Angra dos Reis/RJ e Salvador/BA. Alguns quando saem em rota batida para circunavegar o mundo viram as costa para o litoral norte/nordeste brasileiro e tchau e benção. Naveguei um pouco nas águas digitais e pesquei algumas coisas sobre esse lugar encantado que tem a floresta amazônica como pano de fundo e fiquei maravilhado com o que li. Quem sabe um dia apareça algum fazedor de guia náutico interessado em desnudar os mares e enseadas do norte brasileiro. Quem sabe! A alma do trimarã Nativo, barco tem alma sim senhor, deve ter ouvido dos seres do mar que lá no Pará existia um bom lugar para o descanso eterno de um barco ferido e abatido. É foi justamente lá que ele aportou.