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O enjoo

sup0040Quando me perguntam sobre o que fazer para evitar o enjoo no mar, costumo responder que Lucia tem PHD na causa e por isso acho melhor a pergunta ser feita diretamente a ela, porque nos cinco primeiros anos de nossa vida a bordo do Avoante ela enfrentou o problema corajosamente e apesar de enjoar horrores, nunca desistiu de velejar. Nas nossas primeiras navegadas até a ilha de Fernando de Noronha, participando da Refeno, Lucia só enjoava duas vezes: Uma para ir, outra para voltar. O problema foi sendo contornado, porém, nunca exterminado, e assim vivemos 11 anos e 5 meses a bordo. – E se eu também enjoo? – Claro que sim! Pois bem, tempos atrás li um artigo no site Popa.com.br, assinado pela Dra. Claudia Barth, que até hoje vejo como o mais completo e realista sobre o tema. Sem pedir licença ao Danilo Chagas Ribeiro, copiei e colei aqui. Tomará ser perdoado!

Enjoo não tem cura. Previna-se!

Claudia Barth*

07 Jul 2005
O enjoo marítimo, também conhecido como cinetose, doença do movimento ou náusea do mar é uma situação muito frequente a bordo e acomete até os mais experientes navegadores. É um fenômeno fisiológico, uma reação natural do organismo às variações rápidas e constantes de posição. Caracteriza-se por sintomas como sudorese, palidez, salivação, náuseas, tonturas, cefaleia (dor de cabeça), fadiga e vômitos. Até o momento, não existe tratamento definitivo para este problema.

Causas do Enjoo Marítimo
As variações de posição do corpo, quando navegando, estimulam receptores sensoriais localizados no labirinto vestibular (localiza-se no ouvido interno e dá a noção de movimento linear e angular e de orientação no espaço), nas retinas dos olhos e nos músculos e articulações (sensibilidade proprioceptiva). Estes dados sensoriais misturados são enviados ao cerebelo, tronco cerebral e cérebro, que tentam coordená-los. Estas estruturas procuram fazer os ajustamentos posturais e provocam a sensação de vertigem.

A conexão destes impulsos nervosos com o nervo vago é a responsável pelos sintomas característicos do enjoo marítimo: palidez, sudorese, salivação, náuseas e vômitos.
Descobriu-se que o medo ou a ansiedade podem baixar o limiar para o desenvolvimento destes sintomas. Este limiar também pode aumentar, como, por exemplo, nas situações em que há poucos tripulantes a bordo. Nestes casos, não há tempo para enjoar, mesmo com mar agitado, o que reforça o componente psicológico. Entretanto, alguns indivíduos parecem ser predispostos ao enjoo desde a infância.

Classificação
Podemos classificar os indivíduos que sofrem de enjoo marítimo de acordo com o limiar de sensibilidade:

-Indivíduos altamente suscetíveis ao problema: são os “mareados”. O mareado pede para morrer, fica jogado no chão e, se alguém pisar em cima, ele nem reclama.
Certa vez, numa travessia de Rio Grande a Florianópolis, um tripulante do veleiro Orion II ficou mareado por dois dias consecutivos, sem alívio dos sintomas por um só momento. O infeliz não aguentava mais aquela tortura, pedia para morrer, queria se jogar no mar. O Comandante Egon, vendo a gravidade da situação, não teve dúvidas. Mandou a tripulação amarrá-lo no mastro da mezena, já que ele era grande e forte. Ficou ali por um bom tempo, até se acalmar.

-Indivíduos que apresentam sintomas em condições especiais: são os “nauseados” ou “enjoados”. O nauseado continua trabalhando e em pouco tempo está bom.

-Indivíduos que apresentam sintomas somente em situações extremas: são os “resistentes”.

O Comandante Ferrugem conta uma situação tragicômica em que um tripulante mareado levou um balde para o beliche, para o caso de alguma emergência. Não deu outra, teve de usar o balde. O detalhe é que esse balde não tinha fundo. Era o balde de passar balão, utilizado como se fosse um cano, para colocar os atilhos que prendem o balão.

Como Prevenir o Enjoo:
A prevenção deve ser feita na véspera do passeio:
-Tentar dormir as horas de sono de que o organismo necessita.
-Não fazer uso de bebidas alcoólicas.
-Evitar gorduras, cafeína e excessos alimentares.
-Nunca embarcar de estômago vazio.

O enjoo deve ser prevenido antes do aparecimento dos primeiros sintomas. Quando eles aparecem, pouco pode ser feito. Estes podem ser atenuados com as seguintes “dicas”:
-Evitar o interior do barco (cabine). Permanecer no convés, em local arejado.
-Não deixar a cabeça acompanhar o movimento do barco. Tentar mantê-la fixa, olhando o horizonte ou outro ponto de referência que esteja fixo (objeto na costa, outro barco ao longe, etc.).
-Manter-se preferencialmente na popa do barco e longe do cheiro de combustível. Numa embarcação maior, procurar uma área de menor movimento, geralmente no meio do barco e permanecer no nível mais baixo possível.
-Evitar esforçar-se exageradamente quando estiver navegando. Procurar ocupar-se com atividades leves e conversas de bordo.
-Evitar ler as cartas náuticas ou olhar o GPS.
-Evitar o fumo e manter-se longe de quem está fumando.
-Respirar fundo e lentamente.
-Evitar sentir frio.
-Comer bolachas de água e sal e beber água ou coca-cola.
-Aplicar compressas geladas sobre os olhos e no pescoço.

Medicação Contra Enjoo
A principal ação das drogas usadas na profilaxia e tratamento do enjoo marítimo é, basicamente, a sedação. Elas diminuem a atividade do sistema nervoso central (SNC), agindo diretamente sobre ele, ou diminuindo os impulsos nervosos que chegam até ele.

As drogas de escolha são os anti-histamínicos, sendo o Dramin o mais usado, na forma de comprimidos ou injetável. Normalmente é receitado meia a uma hora antes de entrar no barco e repetido uma hora depois do início da viagem. Seus efeitos colaterais são sonolência, boca seca, e, em alguns casos, alterações visuais (visão turva, diplopia), dentre outros. Seus efeitos variam de indivíduo para indivíduo e duram de seis a oito horas. A sonolência em certos casos pode ser benéfica. Em outros, pode provocar acidentes, pois prejudica a atividade do paciente, tornando sua mente embotada e diminuindo a atividade reflexa.

Atualmente, está sendo comercializada livremente na Europa, Estados Unidos, Canadá e Austrália a meclizina (Meclin), um anti-histamínico que promove menor grau de sonolência porque atua mais especificamente no labirinto, diminuindo sua irritabilidade. Seu efeito dura vinte e quatro horas e tem sido a droga de escolha das grandes companhias de cruzeiros marítimos internacionais.

Outros medicamentos usados contra o enjoo são os anticolinérgicos (escopolamina), a metoclopramida (Plasil) e a ondansetrona (Setronax, Nausedron, Zofran). O uso da escopolamina é pouco frequente atualmente, já a metoclopramida é bastante utilizada. Além de agir diretamente no SNC, ela relaxa o piloro, acelerando o esvaziamento gástrico. Sua dose é de 10 mg de seis em seis horas. A ondansetrona diminui a atividade vagal e também atua a nível de SNC, sendo mais usada no controle dos enjoos provocados pela quimioterapia e pós-operatório. A dose usual é de 4 a 8mg de oito em oito horas. A metoclopramida e a ondansetrona também são usadas na forma injetável.

IMPORTANTE: Todo medicamento possui efeitos colaterais. As informações contidas nas bulas dos medicamentos devem ser lidas com atenção antes da sua administração. Consulte seu médico sobre os medicamentos aqui citados.

Curiosidade:
-Tapar um dos olhos pode ser útil. Antigamente, os piratas usavam este recurso, não por falta de um dos olhos, mas sim para evitar o enjoo.

Conclusão:
Andar de barco, na maioria das vezes, é um grande prazer, mas não para quem enjoa. Apesar de todos os progressos da ciência, ainda não foi encontrado um tratamento verdadeiramente eficaz contra este mal. Prevenir é ainda o melhor remédio. Para quem é altamente suscetível ao problema, aqui vai o conselho do Mestre Geraldo Knippling: “Existe um remédio infalível e 100% eficaz: basta sentar-se embaixo de uma árvore”.

Agradecimentos:
Meus agradecimentos aos Doutores Remo Farina Júnior (Cirurgião Plástico e Professor de Anatomia da Faculdade de Medicina da PUCRS) e José Antônio Trindade (Anestesista) e aos Comandantes Geraldo Knippling, Eduardo Hofmeister “Ferrugem” e Danilo Chagas Ribeiro, que, com suas contribuições, ajudaram na elaboração deste trabalho.
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(*) A Dra. Claudia Barth, cirurgiã plástica, é Capitã Amadora. De família com tradição marinheira, é associada ao Veleiros do Sul, Porto Alegre.

A Tempestade – Epílogo

Michael Gruchalski (1)Depois de longos, tenebrosos e quase intermináveis dias de angústias, avexamento e desesperança dos leitores, chega ao fim a série A Tempestade, escrita pelo velejador de longo curso Michael Gruchalski. Do mesmo modo que começou, o final deixa na gente um gostinho de quero mais, pois o Michael é um exímio contador de histórias e causos tendo o mar como pano de fundo. Não preciso me estender em mais delongas, porque tudo já foi dito nos 20 capítulos que se seguiram, porém, é preciso sim agradecer ao autor por ter brindado nossos leitores com tão fascinante história.

A TEMPESTADE

EPÍLOGO

A história é verdadeira e foi contada em forma de crônicas, por partes, cada uma objetivando realçar um aspecto da aventura. Dei destaque à beleza e a magia das cores, sons e sentidos quando a força da natureza desnuda e põe à mostra a pequenez do homem. Procurei dar destaque também àqueles elementos incontroláveis, o medo, o terror e a desesperança que surgem durante uma aventura quando ela sai do controle e desanda rumo ao grande desconhecido.

A perda do leme de um barco é, de longe, a pior, a mais funesta coisa que pode acontecer. Por ser um problema sem solução, nada é comparável com o tamanho e a natureza das dificuldades encontradas. Para todos os outros acidentes, exceto ao do naufrágio repentino, há soluções que levam o barco avariado e sua tripulação a algum lugar. Sem leme, não se vai a lugar algum. E ponto final.

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Com um erro de uma a duas milhas de raio, as duas bandas do leme de fibra do veleiro Panoramix estão hoje enterradas na areia, no fundo do oceano, a uma profundidade de 50 metros. Bem na costa norte de Sergipe. Bem lá, na posição S 10º 42’, W 36º 26’, onde, navegando no rumo 60º, a proa aponta para o Nordeste, visando o waypoint Rio São Francisco a 23 milhas a leste da foz do velho Chico. Nossa rota, até Maceió, fecharia o rumo em 40º a partir dali, seguindo mais 65 milhas para o norte com o waypoint Coruripe no meio do caminho.

Duas placas enormes, abauladas, com um metro e setenta de comprimento, de fibra de vidro e resina poliéster com oito a dez milímetros de espessura, literalmente indestrutíveis naquele ambiente de água salgada. Ficarão lá por muitos séculos ainda, zombando da passagem do tempo, das correntes marítimas e gerações e gerações de peixes e crustáceos. Chegaram lá depois de se separarem do eixo do leme do nosso veleiro, mergulhando naquelas aguas turvas da costa sergipana para nunca mais voltar, no início da madrugada de sábado da última semana de setembro de 1997. Portanto, há quase vinte anos. Em linha reta, a 34 milhas da foz do rio Sergipe, 19 milhas da costa, e a 18 milhas do waypoint rio São Francisco.

Julgamos hoje que foram duas placas mal coladas uma à outra durante o processo de fabricação e que, por isso, quase tiraram a vida de três velejadores experientes durante a subida para Recife com a intenção de participar da Refeno. É evidente que a perda do leme por si só não representou perigo de vida à tripulação, mas sim a combinação do acidente com a ocorrência da tempestade na noite seguinte.

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Nosso CAL 9,2, fabricado doze anos antes pela Mariner de Porto Alegre, havia sofrido, no verão de 1995, um acidente ficando preso por um bom tempo nas pedras da ilha de Maré. Fazendo água, foi trazido às pressas para o clube onde verificou-se que o eixo do leme havia entortado. As batidas constantes nas pedras também haviam inutilizado a bucha inferior do eixo além de fazer um furo bem na junção do telescópio com o casco, motivo da grande entrada de água.

Nada mais fácil de consertar do que isso. Um bom torno e um bom torneiro para aproveitar o mesmo eixo. Uma boa resina e um bom fibrador para aproveitar o mesmo leme. Vinte dias depois, o barco já estava navegando de novo. E, diga-se de passagem, à venda, pelo antigo dono.

O comprador foi meu amigo Marcos Marcellino, na época, morador de Feira de Santana, que passou de um Ranger 22 para um poderoso veleiro de 30 pés. Acho que sem saber que o barco tinha sofrido aquele acidente. Após muitas velejadas pela baia com a família e amigos, um ano depois, o desejo de ampliar seus conhecimentos náuticos partindo para novos horizontes falou mais alto. Recebi o convite para acompanha-lo na Refeno de 1997 em agosto e não me fiz de rogado. Estivera lá, pela primeira vez, em 1995 com um Samoa 29 numa viagem dura e cheia de problemas. Esperava agora, sombra e água fresca como compensação e tudo indicava que seria assim com aquele barco quase novo, quase em perfeito estado de conservação. Seu filho, Ildefonso, o Ildé, de 16 anos que, apesar da escola, encontrou uma maneira de nos acompanhar, pelo menos ajudando-nos a levar o barco até Recife.

E, lá fomos nós.

Largamos as amarras as quatro da tarde de uma quinta-feira de sol e vento leste/nordeste do píer do Aratu Iate Clube em Salvador. Destino: Recife. Geladeira cheia, despensas mais cheias ainda, água nos tanques, diesel de reserva nos bojões, bote inflável recém-comprado desinflado no porão, motor e refrigeração revisados uma centena de vezes, um bom estoque de pilhas para nosso GPS comilão, enfim, tudo pronto para a grande viagem.

E, deu no que deu.

Na minha opinião e na do comandante também, exclusivamente por causa da colagem malfeita das duas bandas de fibra por cima do eixo e suas costelas de aço, dois anos antes. Elas se separaram devido a infiltração continua de água nos orifícios deixados pela má colagem. Com a pressão da água passando com maior velocidade naquela viagem mais longa até Recife, os pequenos furos se tornaram rombos que permitiram a entrada de mais e mais água no leme. O isopor que compõe a maior parte do seu interior ficou encharcado, começou a se despedaçar e a pesar muito. O peso excessivo, a pressão e a vibração do conjunto causado pela velocidade do barco fragilizaram o leme até aquele ponto em que as muitas fissuras se tornaram uma fenda contínua, inicialmente estreita, mas comprida ao longo de toda a parte frontal do leme. Mais água, mais pressão e o leme não resistiu. Abriu em leque separando suas duas bandas de fibra, uma para cada lado, uma para cada canto, ambas em direção das profundezas do oceano, esse depósito de segredos que lhe serviria, dali em diante, de sepultura eterna.

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Ainda a cronologia:

– Aratu Iate Clube-Salvador ao ponto do acidente: das 16:00 da quinta a 01:00 da madrugada do sábado ou 175 –milhas em 33 horas com média de 5,3 nós por hora.

– Trabalhos de construção e instalação do leme de fortuna: 14 horas, das 03:00 às 17:00 horas do sábado. Derivando para o leste-sudeste.

– Inicio do deslocamento com o leme de fortuna: 17:00 do sábado até a tempestade por volta das 23:00 horas.

– Retomada de navegação com o leme de fortuna e chegada em Aracaju: das 03:00 da madrugada as 18:00 do domingo, ou 15 horas para vencer aproximadamente 30 milhas a média de 2 milhas por hora.

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Enfim, são e salvos e atracados no pequeno píer de madeira do Iate Clube de Aracaju, tratamos de encontrar uma solução para sair dali.

Navegando. E conseguimos.

Mas, isso já é outra estória.

Por: Michael Gruchalski

Barcos com história

11 Novembro (47)11 Novembro (69)

Alguns barcos contam “estórias” outros fazem história, eis aí dois especiais exemplares que navegaram os oceanos do mundo e as narrativas de seus comandantes atiçam o sonho de muitos. Aleluia, o Passageiro do Vento sob o comando de Edson de Deus. Três Marias, do irrequieto Aleixo Belov, três voltas ao mundo em solitário. Barcos e homens que sempre renderei homenagens!  

A Tempestade – Parte 8

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A Tempestade do nosso amigo Michael Gruchalski vai avançando mar adentro e deixando a gente, que lê essa beleza de narrativa no conforto da terra firme, angustiado  pois ela avança a conta gotas. Mas como diz o Michael: Novela é assim mesmo!. Bem, hoje vamos a oitava parte da peleja:

A chegada do vento II

Fecham-se as cortinas e as portas de acesso ao teatro. O mar escuro é coberto pelo manto de nuvens negras. Ninguém entra. Ninguém sai. A batuta do maestro Netuno, todo poderoso, alerta os componentes da orquestra: o vento, os raios, a chuva. Os lanterninhas e seguranças baixam e desligam suas lanternas e se retiram. Qualquer vestígio de luz desaparece. Tudo preparado porque o espetáculo vai começar. E nós, marinheiros desavisados, sentados no foyer do teatro, na vastidão do oceano, assistindo a tudo, sem saída, presos e envoltos no mistério do primeiro ato que é a aproximação do vento.

Ficamos ali no escuro, sentados no cockpit, quietos, sem dizer uma palavra. Encapotados, as mãos nos bolsos. Olhar fixo nas nuvens. Olhar fixo nos relâmpagos. E, principalmente, evitando olhar um para o outro.

O motor, o leme e o nosso homem equilibrista, seguiam levando o veleiro por águas, ainda tranquilas, rumo às plataformas de petróleo que ficam em frente à praia de Atalaia em Aracaju. Tínhamos plotado nossa posição pouco antes de colocar a roupa de mau tempo e, pela carta, com a posição dada pelo Gps, estávamos a quatorze milhas da plataforma PM-10, muito provavelmente a mais externa e mais ao norte. Perto, mas ainda muito longe.

Com o céu já quase todo encoberto a noite ficou mais noite, mais preta, mais assustadora. Quase dez horas. O motor, alheio a tudo, trepidava mansamente sobre suas patilhas transmitindo uma sensação de conforto e segurança. De vez em quando o barco botava a proa uns trinta graus fora do rumo, mas em seguida, depois de sentir a renovada pressão sobre a cana de leme que o filho do capitão fazia com a perna esquerda e o peso do corpo, retornava ao rumo original. Continuar lendo