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Um mar convidativo e fascinante

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O mar é um grande professor para nos ensinar sobre a inconsistência dos nossos traumas e medos. Eu confesso que já passei momentos de grandes angústias e incertezas diante da grandeza dos elementos que regem suas forças. Momentos de um incontrolável terror mental, mas que no segundo seguinte, percebia que todas as respostas de que precisava estavam lá, sinalizadas com as mais belas cores.

O artigo da semana passada, em que iniciei o relato da velejada que realizamos a bordo do veleiro Tranquilidade, de Natal a Salvador, foi sobre um mar encapetado e varrido por ventos soltos e sopradores. Condições que forçou a nossa entrada na paraibana Cabedelo para consertos, apertos e descansos. Mas foi também mostrando a personalidade forte de um Netuno que um dia está amuado e reativo, e no outro está convidativo e fascinante como o nadar de um golfinho.

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Notícias e mais desculpas esfarrapadas

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Mais uma vez vou ter que me desculpar por tão poucas notícias, em uma navegada tão cheia de histórias e causos como foi a que fizemos no Tranquilidade de Natal a Salvador. Até que tentei botar pressão na cuca e produzir textos para o blog, mas se você já navegou na Bahia, deve saber muito bem da dificuldade que é ter a vontade de trabalhar naquele paraíso de mar e bons amigos. Se ainda não teve essa oportunidade, vá lá e confira o que estou querendo dizer. É difícil!  Agora que já retornei a Natal, depois de deixar o Tranquilidade fora da água para uns ajustes na rabeta do motor de boreste, acho que enfim vou parar para escrever e contar como foi a nossa velejada. O nosso comandante, Flávio Alcides, ficou por lá para poder descer o barco e colocar numa vaga do Angra dos Veleiros, onde o Tranquilidade vai ficar por um bom período. Nós agora estamos de volta ao Avoante, e já de olho numa boa janela de tempo, para descer a costa em direção a Recife/PE e de lá rumar para Fernando de Noronha na flotilha da Refeno.

No Tranquilidade de Natal a Salvador

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Depois de programar e reprogramar várias horas infalíveis para a saída, o Tranquilidade enfim se livrou dos cabos que o prendia ao píer do Iate Clube do Natal às 19 horas do Sábado, 15/09. Recebemos o abraço carinhoso dos amigos Isolda e Eilson, que nunca deixaram de estar presente nas nossas saídas, e também do amigo Ramon, que só não aparece nas fotos porque estava por trás das lentes. Antes de continuar com o texto gostaria de fazer uma observação, só tomara que isso não custe o meu desembarque: Mas olhando atentamente para a primeira foto, achei que o cabeleireiro do comandante Flávio é o mesmo de Dona Isolda. O que vocês acham? Bem, vamos deixar isso para outra hora e vamos voltar ao mar que estava fazendo o batismo do nosso companheiro de bordo Felício. Mas acho que Netuno poderia ter sido mais benevolente com o nosso amigo, já que essa era a sua primeira velejada em mar aberto e não precisava pegar um mar tão mal criado. O mar de Natal tem mesmo fama de mal criado, ainda mais para quem pretende sair em direção ao Sul. Na boca da barra já deu para sentir o drama que seria a nossa velejada naquele vento que arrepiava a mais de 25 nós e mar coalhado de carneirinhos. Não era isso que pensei quando fiz o convite ao Felício, mas no mar nem tudo funciona como a gente pensa. Sobrou para ele que passou maus bocados. Nessa velejada que pretendíamos sair direto de Natal a Salvador, teve de tudo além do mar agitado e vento forte, teve ainda muita rede de pesca espalhada no mar sem a mínima sinalização, inclusive pegamos algumas, teve ainda a antena do VHF despencando do alto do mastro, teve o alarme de água no motor disparando permanente sem nada de anormal e teve ainda mais vento e mais mar, só não teve a nossa pretendida velejada e sim uma crucificante motorada de 18 horas até Cabedelo/PB, onde tivemos que entrar para botar tudo em ordem e descansar um pouco. Amanhã tem mais, mas olhando os sites meteorológicos já deu para ver que tudo vai continuar como está. Tomara que seja apenas previsão!

Contando quase tudo e agradecendo

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Como prometido no post O TRANQUILIDADE JÁ ESTÁ EM CASA, aqui vai o diário de bordo da nossa navegada de Fortaleza/CE a Natal/RN

Saímos de Fortaleza às 12 horas da Quarta-Feira, 20/06, com tempo bom, mar melhor ainda e vento soprando lá pelos 17 nós, mas como sempre, vindo diretamente em encontro a proa do Tranquilidade. Mais uma vez os motores funcionando a todo vapor e a gente tendo que aguentar o ronco. Fazer o que? Três aviões da Força Aérea Brasileira surgiram voando baixinho no horizonte, dando um belo espetáculo. Os bichos voavam rente ao mar e quase na altura do nosso olho. O mar do Ceará estava enfeitado com uma bela roupagem azul e deixando para trás as rasas águas maranhense. Foi assim que navegamos o restinho do dia e entramos a noite já aproando as belas dunas de Canoa Quebrada, mas o vento festejou a noite soprando forte e mostrando que ali era o terreiro dele. 28, 29, 30 e mais alguns nós de lambuja. Com todo esse festeiro de arromba, o mar resolveu entrar na festa arrepiando as ondas. Bom demais! O dingue, que vinha preso na targa de popa, chiou com toda essa barulheira e resolveu tentar pular na água, mas fomos mais rápidos e prendemos o teimoso. Depois da trabalheira com o dingue revoltoso, o piloto automático entrou em greve e não teve mais quem o fizesse trabalhar. Novamente bom demais! Sobrou serviço para a tripulação, que se dividiu em turnos de 2 horas, mas sem muita rigidez de horário. O Tranquilidade fazia uma média de 5 nós de velocidade naquele mar encapetado e enfrentando o vento nos peitos. Ondas lavavam o convés e a madrugada foi chegando para acalmar toda a bagunça. O novo dia amanheceu e já navegávamos em águas potiguares e avaliamos que no dia seguinte estaríamos em Natal. O Sol foi esquentando e novamente o vento arrochou o nó e o mar veio junto, mas ai já estávamos no través do litoral da Costa Branca potiguar, e nunca vi um lugar demorar tanto a passar como foi a pesqueira cidade de Diogo Lopes. O mar por ali levantou ondas de mais de 2,5 metros e o Tranquilidade pulava feito um cabrito, de onda em onda, mas quando o Sol se foi fomos juntos, e logo estávamos no través da praia de Galinhos, quando entrei para dormir o sono dos justos. Acordei para o meu turno a meia noite, puxado pelo dedão do pé pelo comandante, quando estava no través da minha bela praia de Enxú-Queimado, lugar que tenho boas histórias para contar, e não soltei o timão durante o resto da madrugada até que as 4:30 horas da manhã, debaixo de um verdadeiro dilúvio, passei a bola para o comandante já próximo ao través do Farol do Calcanhar, onde o Brasil faz a curva. Quando acordei do meu breve sono de uma hora, registrei que muita chuva ainda estava por vir, pois as nuvens tomavam conta do mundo a nossa volta. Faltavam menos de 30 milhas para Natal e fomos avançando na mesma média de 5 nós de velocidade, com o nosso último banquete a bordo sendo preparado pela comandante Lucia. Coxinhas de Frango Crocante ao molho de cerveja, acompanhado por um delicioso Arroz Chop Suei e Salada. Dos Deuses! Próximo a praia de Muriú um tranco no motor de bombordo anunciou que havíamos cruzado com uma rede ou alguma coisa no mar. O mar está cada vez mais tomado por redes, mal educados e donos do mundo. Nessa hora não enxergávamos 10 metros a frente e muita chuva ainda estava por cair. Com apenas um motor e com uma pequena velinha de proa continuamos navegando em direção a barra de Natal. Às 14 horas o comandante Flávio Alcides assumiu o timão e depois de 19 minutos entramos felizes pelo Rio Potengi, com o Tranquilidade fazendo o reconhecimento do seu novo lar. No píer do Iate Clube do Natal um amigo para todas as horas estava lá, todo encharcado, para receber os cabos que prenderiam o Tranquilidade para seu merecido descanso depois de 50 horas, 19 minutos e 20 segundos de Fortaleza a Natal. Mais uma vez Helio Milito provou o grande carinho que tem por nós e por todos que chegam do mar. Ele que um dia esperou o Avoante, debaixo de outra chuva forte às 4 horas de uma fria madrugada, estava lá para nos dar um grande abraço de boas vindas. Obrigado meu amigo! É muito gostoso chegar ao nosso porto e receber o abraço dos amigos, mas o dia ainda me reservava fortes emoções. Mas sobre isso falou em outra oportunidade. Eu e Lucia agradecemos ao comandante Flávio Alcides e ao seu filho Bruno pelo convite e pelo prazer de tripular o Tranquilidade em sua primeira navegada pelos mares. Agradecemos também aos amigos Sérgio Marques, Moby e Erasmo que nos fizeram companhia de São Luiz/MA a Fortaleza/CE e dizer que para sempre estarão em nossos corações. E nunca poderíamos deixar de agradecer a todos vocês leitores que são a alma, a força e o principal objetivo que move o nosso blog pelas ondas do cotidiano da vida.  Continuarei contando coisas e fatos ocorridos nessa viagem fantástica e cheia de aprendizados, pois o mar nunca deixa de nos ensinar e marcar a nossa vida com coisas boas e belas. Muito Obrigado!

O Tranquilidade já está em casa

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Cinquenta horas e dezenove minutos depois de largar as amarras em Fortaleza/CE o Tranquilidade chegou a Natal/RN. Tudo sobre esse percurso irei conta em detalhes assim que a internet resolva trabalhar em ritmo normal. Por enquanto vamos ficar apenas com esse pequeno registro da nossa chegada com o apoio fotográfico do amigo, sempre presente, Hélio Milito.

No rumo de casa

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Amanhã, 20/06, soltaremos as amarras que prendem o Tranquilidade em Fortaleza e voltaremos ao mar para a próxima perna da nossa viagem até Natal. Sentiremos saudades dos amigos Erasmo, Sérgio e Moby que desembarcaram para retornarem a São Luiz/MA. A tripulação até Natal recebe o reforço de Bruno Araújo, filho do nosso comandante. O tempo promete ser bom e o mar com agitação fraca, pelo menos isso é o que diz os satélites. Se você quiser acompanhar a nossa velejada, e saber onde estamos, basta clicar AQUI ou acessar o SPOT DO TRANQUILIDADE no Blogroll que fica do lado direito da nossa página.

Já estamos em Fortaleza

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Já estamos atracados no Hotel Marina em Fortaleza, como você pode ver através do SPOT DO TRANQUILIDADE,  A viagem até aqui foi super tranquila, apesar do vento contrário que não deu permissão de utilizarmos as velas em nenhum momento. Foram 70 horas de navegada num mar de pouca agitação, mas com ondas curtas. Navegamos muito próximo a costa e muitas vezes em menos de 4 metros de profundidade para fugir da correnteza contrária de mais de 2 nós. O BV 43, se mostrou um barco marinheiro, super confortável e que não se intimida com o mar. Enfrentou o contravento de São Luiz/MA a Fortaleza/CE, apesar do uso intenso do motor, na maior Tranquilidade, o que deixou a tripulação formada por mim, Lucia, Flávio Alcides(proprietário do barco), Sérgio Marques(designe e construtor do BV), Moby e Erasmo sem o mínimo de cansaço, mas com uma sede enorme de gelar a goela com uma cervejinha gelada, já que o estoque de bordo acabou no segundo dia. A viagem continua, ainda falta a perna de Fortaleza a Natal/RN, e logo terei boas novas.