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Veleiros brasileiros pelo mundo

mon bienArgos Vocês sabem quantos veleiros com bandeira brasileira estão hoje navegando pelos oceanos do mundo? – Não sabe? Pois é, eu também não, mas digo que tem uma flotilha enorme de abnegados aventureiros cortando água por aí, depois de abandonarem o conforto de um escritório e as maravilhas abençoadas de uma poltrona macia diante de uma TV último tipo. Se vocês não acreditam, basta deixar de lado, por alguns minutos, o facebook ou o whatsApp, para navegar pelos sites de pesquisa que povoam a internet, que você ficará de frente com pessoas que jogaram tudo para o alto e foram em busca de viver o sonho sonhado sem ter nenhum medo de ser feliz. Entre essa turma estão as tripulações do veleiro baiano Mon Bien, comandado pelo Gileno Borges, um sergipano arretado de bom, e do veleiro paulista Argos, sob o comando do André Cavalheiro, que agora estão fazendo o caminho de volta, depois de perambularem pelos mares do Caribe, português e espanhol. O Mon Bien já está no meio do Atlântico dando bordo buscando se apegar com os ventos alísios que o trarão a costa brasileira. O Argos, está nos preparativos finais para zarpar. – Quer saber por onde eles andam? Acesse os links que fazem parte do nosso BLOGROLL SPOT DO VELEIRO ARGOS e SPOT DO VELEIRO MON BIEN – que você acompanhará toda a velejada dos dois.  

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Um barco, uma paixão

Roberta Izabella 1

O texto hoje é da velejadora Roberta Izabella, almiranta do veleiro Argos, e reflete o poder da magia que existe a bordo de um veleiro. Obrigado Izabella por compartilhar esse fascínio com nossos leitores.

É ASSIM!

Eu realmente preciso parar de ler Freud… Quase um mês em terra e muitos quilos a mais. Quilos de comida boa e cabeça cheia de vento. Tenho 36 anos, dos quais, 35 e alguns meses muito bem vividos em terra firme. Brinquei, estudei, acumulei, planejei, viajei o mundo, voei alto… Ter um barco é incrível e torturante ao mesmo tempo. Vivi dez meses no mar e tudo foi mais intenso e real do que todo o resto da minha vida. Naveguei, velejei um pouco, descobri que o vento nunca está na direção e intensidade certa, passei fome – não de comida -, mas de vontade. Tinha tantos roxos na perna que se fizesse exame de corpo e delito prenderiam meu barco pela Lei Maria da Penha. Conseguia bater a cabeça sempre no mesmo lugar, escorreguei, caí, passei frio – porque a âncora só solta à noite e na chuva –, carreguei tantos galões de água doce que dava pra encher o Cantareira. Remei contra a corrente, bebi água do mar, tomei banhos de diesel, aprendi a odiar as bombas de porão, descobri que guinchos servem para quebrar na hora de recolher a âncora no perrengue, o rizo da vela nunca dá certo e sempre sobra um pedaço. Aprendi a sair com roupas saídas de uma garrafa e ir ao shopping sem ligar pra nada. Descobri que por mais que se compre parafusos e braçadeiras, nunca se tem o tamanho que se quer. Sangrei as mãos com os cabos das velas, aprendi que vazamentos são como o ar que respiramos e estão sempre lá, haja o que houver. Por mais que se tente arrumar o barco nunca se acha o que se quer na hora que quer, em suma, tudo quebra o tempo todo, é isso! Você passa dias arrumando, limpando, procurando, chorando, rezando e às vezes relaxa e se diverte. Daí estava pensando na famosa frase Navegar é Preciso, Viver não é Preciso. Pois é, não é que é isso mesmo!!! Devo ter sérios problemas, porque preciso dele, vivo por ele, sinto necessidade dele, ele é meu e eu sou dele, ainda morro por ele, não sou ninguém sem ele… Meu barco é um pedacinho de mim e acho que o melhor.

Roberta Isabella/Velejadora

Veleiro Argos

Uma viagem para poucos – IV

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Caro tripulante desse Diário, juro que não pensei que essa história iria se estender tanto e ao acrescentar o número quatro após o título me dei conta do tamanho da encrenca que estou tentando descrever sem deixar você cansado. Já recebi alguns e-mails de amigos querendo que eu adiante os fatos e parta logo para os finalmentes, mas não é bem assim, pois a vida precisa de calma para ser vivida e o melhor dela está nas entrelinhas.

Encerrei o capítulo três aproado no rumo da praia de Caiçara do Norte/RN, uma das mais belas praias do litoral potiguar. Rumamos para lá na esperança de reabastecer os tanques de combustível do Argos III, porque até ai não conseguimos abrir as velas em nenhum momento da viagem. Bem que poderíamos tentar, mas isso tornaria a navegada um pouco mais desconfortável do que já estava, além de que, tínhamos data para chegar a Cabedelo/PB.

Chegamos a Caiçara no finzinho de uma bela tarde emoldurada com um esplendido pôr do sol. Jogamos âncora umas três vezes e em nenhuma delas tivemos sucesso. O vento estava forte e o fundo de areia dura não permitia que a âncora unhasse. Um pescador indicou uma poita de um barco de pesca e afirmou que não teríamos problemas, porque era um ferro muito pesado. Continuar lendo

Uma viagem para poucos – II

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O título dessa série de crônicas me veio em mente num dos piores momentos da navegada entre Fortaleza/CE e Cabedelo/PB, enquanto cruzávamos o Cabo de São Roque, no litoral do Rio Grande do Norte. Naquele momento pensei no livro, Uma Viagem para Loucos, que conta os primórdios de uma das regatas mais famosas do mundo e que tem como objetivo cruzar os mais tenebrosos cabos, enfrentando os mais temerosos mares, e fiquei matutando em como aqueles homens, velejando em solitário, eram valentes e valorosos com o pouco que dispunham em seus veleiros.

Lógico que nem de longe estávamos enfrentando o desafio daqueles velejadores que se tornaram lenda e referência para o mundo da vela, e nem em sonho tenho a intenção e nem o egoísmo de me tornar um deles, pois meu voo é baixinho como o de um anum. Porém, aquele mar do litoral potiguar me instigou os sentidos e me deixou a cada onda que vencíamos mais alerta.

Mas antes de prosseguir na narrativa, quero pedir um pouco de paciência aos leitores que apenas amam o mar e embarcam comigo semanalmente nas páginas desse Diário, para poder dar alguns detalhes técnicos do catamarã Argos III, o grande guerreiro dessa história, porque a turma de velejadores e afins, que também nos acompanha, implora aos quatro ventos. Continuar lendo

A bordo do Argos III

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Andei um pouco ausente do blog, mas foi por uma boa causa. Nos últimos dias eu e Lucia estivemos a bordo do Argos III, um catamarã Praia 30, navegando de Fortaleza/CE para Cabedelo/PB, a convite do comandante Fábio Ribeiro. Muitos podem achar que nessa época do ano, soprando ventos de Agosto, essa é uma viagem de maluco e saibam que eles não estão errado de tudo. Hoje já estamos na delícia de um porto seguro, nas águas mornas do belo Rio Paraíba, com o Argos III recebendo os louros que todo grande guerreiro merece. Assim que tiver um pouquinho mais de tempo contarei como tudo aconteceu.