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Uai! Parte 4

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Na página anterior desse relato a nossa trupe estava caminhando entre os monumentos e museus do Circuito da Liberdade e demos por encerrada a caminhada depois que a fome bateu no bucho e anunciou que ou vai ou racha. Mais uma vez não conhecemos tudo o que tínhamos para conhecer, porque engrenar um passo que atenda a vontade sem ultrapassar a razão é complicado diante de museus incrivelmente fantásticos e passeando por avenidas e ruas em que a história se fez. O programa da Praça da Liberdade tem que ser feito em dois dias e olhe lá, pois se o passo não for firme não dá.

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Como a fome nos fez apressar o passo, demos adeus a Praça e tomamos o rumo do Mercado Central, sonhando com aquelas comidas gostosos que todos que já visitaram indicam com água na boca e brilho nos olhos. O Mercado é um marco no centro de Belo Horizonte e onde tudo parece começar em suas entranhas. Sem saber que rumo tomar e sem querer ir parando ali, acolá para pedir ajuda aos passantes, ligamos o GPS do celular e aceleramos seguindo o traçado azul. Não sei por que esses GPS de carro têm mania de bagunçar o coreto dos incautos motoristas. O nosso começava bem e seguia melhor ainda, mas quando se aproximava do objetivo o bicho dava a bexiga e se arvorava a fazer maluquice.

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Entra aqui, segue por acolá, volta tudo, refaz, recalcula, agora vai e pronto, chegamos. – Eita, parece que o Mercado já fechou! – E num é que fechou mesmo! Foi aí que descobrimos que aos domingos e feriados o Mercado Central fecha a uma hora da tarde. E agora? E fome? Bem, vamos dar um pito nela e já que estamos no centro da cidade, vamos conhecer o Museu dos Ofícios, na Praça da Estação. E novamente o GPS aprontou para valer.

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Ao parar em um sinal pedimos ajuda a um motorista de taxi, que tentou ensinar da melhor maneira mineira, mas se atrapalhou todo e quando o sinal abriu ele disse: Me siga que é melhor! No sinal seguinte, ele respirou fundo e recomeçou nos ensinamentos: – Siga em frente e na primeira vire totalmente a direita, na segunda rua vire totalmente a esquerda, na praça vire totalmente a direita e na rua seguinte vire a esquerda só um pouco, siga em frente que vocês chegam na Praça da Estação. Hum? Acho melhor a gente ir pelo GPS!

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E nesse entra, vira e segue, chegamos enfim a Praça da Estação, que originalmente se chama Praça Rui Barbosa, e consequentemente ao Museu dos Ofícios, dois destinos que jamais devem ser deixado de lado pelos que visitam Belo Horizonte. A Praça tem a história da cidade gravada em suas pedras, porque foi a partir de seu espaço que a cidade surgiu e floresceu. A Estação Central era o pórtico de entrada da capital e pelos trens chegavam às pessoas que vinham conhecer a nova capital e ficavam.

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A Praça se destaca pela imponência de um espaço amplo e cercado de belos monumentos que valorizam a história mineira. Alguns estão expostos em réplicas, porque o vandalismo incontrolável e permissivo não deixa que as obras originais permaneçam sob o chão da praça. O local serve para a realização de festas populares, entre elas o São João, que dizem ser um dos melhores do interior brasileiro.

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O Museu dos Ofícios é simplesmente imperdível e basta apreciar sua fachada para sentir a grandeza existente em suas dependências. O Museu foi idealizado pelo Instituto Cultural Flávio Gutierrez e o seu acervo, único no país, foi doado pela empresária Ângela Gutierrez. O tema do Museu está bem explicitado em seu nome e lá estão representadas todas as profissões que deram e dá forma a riqueza do Brasil. E como diz o folheto informativo: É um enorme painel da história e das relações sociais do trabalho no País nos últimos três séculos.

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São mais de 2 mil obras com detalhes que encantam até quem afirma que não gosta de visitar museu. Como aconteceu no Circuito Liberdade, não é visita para ser feita as pressas. O Museu dos Ofícios precisa ser visitado de pé em pé, com reflexão, com parcimônia e sentido a magia de obras tão perfeitas e que nos leva a estar vivendo a época de onde as obras foram retidas.

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Me vi representado e viajei naquele espaço tão fascinante e sai de lá com a certeza que preciso voltar. Preciso parar longo tempo diante de cada ofício ali exposto para sentir a energia e aprender um pouco mais sobre o mundo em que vivemos. Preciso de horas de reflexão caminhando pelos corredores bem cuidados para saber até onde chegaremos. Será que um dia os museus contaram a nossa história? A história desses anos amalucados em que estamos vivendo? O que será que deixaremos para ser visto?

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– E a fome? Ela apertou e agora vamos abafar sua ira. Vamos a Lagoa da Pampulha!

Nelson Mattos Filho/Velejador

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