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Visita surpresa e uma velejada arretada

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Domingo, 23/11, pretendíamos soltar as amarras que prendiam o Avoante ao píer do clube Angra dos Veleiros, no bairro da Ribeira, porém, na vida de um velejador de cruzeiro nem tudo precisa ser tão perfeito como nariz de santo e assim as programações vão mudando ao sabor das vontades, preguiças, meteorologia e outros porquês, pois motivo é o que não falta. Mas o tempo na Bahia também não estava assim tão firme e fomos ficando. Para nossa surpresa, no comecinho da noite recebemos uma mensagem do amigo e velejador potiguar Ricardo Maia, querendo saber por onde andávamos e quando respondi que estava no Angra dos Veleiro ele treplicou: – Mas homi, estamos aqui em frente! Ricardo e Jacqueline estavam passando de carro por Salvador, indo para o Rio Grande do Sul, e resolveram parar uns dias na capital baiana. Convidamos o casal para vir a bordo, depois fomos festejar o reencontro saboreando uma pizza no largo da Ribeira e marcamos velejar no dia seguinte até a Ilha de Itaparica. Convite aceito de pronto!

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A Segunda-Feira amanheceu com tempo bom, vento leste e a Baía de Todos os Santos com seu tradicional tapete de águas. Foi uma travessia fantástica toda feita em asa de pombo e sem precisar usar o motor em momento algum. Ricardo, velejador nato e apaixonado, festejou a travessia com um largo sorriso no rosto e não largou o comando hora nenhuma.

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A noite, diante da Lua cavaiando, comemoramos a tranquilidade do fundeio na Ilha no cockpit saboreando um delicioso risoto de rúcula com tomate seco, que infelizmente não deu tempo de fotografar, mas o café da manhã de hoje, Terça-Feira, 25, foi registrado para a posteridade e provocar alguma invejasinha. Ricardo e Jacqueline desembarcaram e retornaram a Salvador para seguir viagem rumo ao Sul e nos ficamos curtindo a saudade desses casal que é uma simpatia.  

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Resultado da regata Fernando de Noronha/Natal 2014

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O Iate Clube do Natal premiou na noite da última Terça-Feira, 07/10, os campeões da regata Fernando de Noronha/Natal 2014, que teve como Fita Azul, primeiro barco a cruzar a linha de chegada, o veleiro Tapioca. Não foi uma travessia das mais tranquilas e a flotilha enfrentou mar muito agitado e ventos com rajadas que beiravam 35 nós. Veja baixo o resultado completo:  

MONOCASCO RGS A

1º TAPIOCA

2º INAÊ

3º SOGNO

MONOCASCO RGS B

1º TALENTO

2º FISKER

3º BEPALUHE

MONOCASCO RGS C

1º JR 01

2º TIMSHEL

MULTICASCO A

1º VIAMAR

2º AQUAMUNDO

3º YAKARE

MULTICASCO B

1º TRANQUILIDADE

2º NAMOA

3º BORANDÁ

MULTICASCO C

1º JAHU III

2º MUAKÃ

A EPOPÉIA DO CAPITÃO MACÁRIO-2ª PARTE

Termina hoje a viagem do Capitão Macário, uma história de sonho de qualquer grande Marinheiro que é contada aqui pelo amigo e velejador Erico Amorim. Erico é dono de uma suave, romântica e apaixonante vivacidade das coisas do mar.

                                                                                                          Nelson Mattos Filho

                                                                                                          Velejador  

 

A EPOPÉIA DO CAPITÃO MACÁRIO – 2ª PARTE 

Erico Amorim das Virgens

Velejador

                                   O barco ia entrar na água para confirmação da linha d’água, elemento necessário não só para a pintura como também para confirmação dos cálculos de flutuação que mexe com a cabeça de muitos construtores e estaleiros.

                                    Assim como sempre acontece nas praias, quando um pesqueiro se aproxima para descarregar o pescado, quando se juntam os curiosos da redondeza, o mesmo se deu no dia da primeira descida. Quanto mais à carreta se aproximava do fim da rampa mais os curiosos se aglomeravam ao redor e cada um dava seu pitaco, querendo adivinhar onde estaria à famosa linha que separa as obras vivas das obras mortas, como é conhecida a famosa linha d’água. Lentamente a carreta foi descendo e a “nau catarineta” também, não ficando muito claro aquele exato momento em que o barco flutua e se desprende do berço, ou seja, a flutuação não foi lá o que se esperava. A nau de tanto esperar por esse dia já tinha fissuras em tudo quanto era lugar e foi afundando lentamente.

                                    O barco retorna ao pátio e mais uma vez podemos fazer uma comparação entre os sentimentos do nosso Comandante Macário, com os sentimentos que povoaram a cabeça de Vasco Moscoso após sua última atracação: tristeza profunda, velho amigo.

                                    Um tempo foi dado para solução dos problemas e retomou-se a construção em tudo o mais: ajuste dos estais, parte elétrica, remendo geral em todo casco, etc. e tal.

                                   Mas, conversas sobre a travessia do comandante Macário não só dominaram nas rodas de freqüentadores do palhoção do Iate Clube como também foi motivo de muita admiração de estrangeiros que por aqui passaram durante o tempo em que o mesmo permaneceu no pátio. Tanto é verdade que fui conseguir a foto que ilustra esta matéria com um navegador famoso de Santa Catarina, o comandante Gobbo, personagem de uma travessia penosa de volta do Caribe até Natal.

                                   Qualquer que tenha sido a rota escolhida pelo comandante Macário ele deve ter sofrido muito. Imaginem a rota do Atlântico Norte. Ora Pirajás, ventos que aparecem repentinamente como pequenos furacões, ora calmarias prolongadas que torram a paciência de qualquer um, até mesmo do nosso comandante que tem a paciência de Jó. Outros perigos certamente foram enfrentados: baleias, navios e objetos que flutuam pelo mar sem fim.

                                    A rota do Atlântico Sul não perdoa pelo frio, vagalhões enormes, correntes de 6 nós ao longo do canal de  Moçambique e por fim os altos custos da travessia do canal de Suez. Isto sem falar na travessia do mar vermelho. Aleixo Belov, navegador dos mais afoitos que conheci, quando atravessou o dito mar em 1987 dizia todo tempo só querer mesmo sair com vida daquele mar.

                                    Se para nossos navegadores ir a Pirangi já dá conversa para inúmeros goles, imagine o que o mesmo não tem para contar quando descer na terra santa ou mesmo vir a escrever seu heróico feito.

                                    E os Piratas, tanto da Somália, agora tão em moda, como os do estreito de Gibraltar, terão deixado em paz a pequena Nau?

                                    O fato inconteste que o barco sumiu do Clube em noite de ventos brandos e sem lua, deixa qualquer um a fazer elucubrações as mais diversas. É da cabeça de qualquer comandante mais arrojado não ligar para sexta-feira 13, enfrentar boca de barra em dias de mar agitado, e muitas outras situações porque passa um pequeno barco ao sabor de grandes vagas. Macário, no entanto, para sua partida preferiu a mansidão dos ventos de verão, afinal seria uma longa e difícil travessia.

                                    Se o comandante Macário tiver realmente enfrentado e vencido os oceanos com sua navegação lenta e penosa, imagine o final quando se deparou com o litoral de Israel. Se passou pelo canal de Suez foi quase impossível evitar a faixa de Gaza, tão conhecida pelo estado permanente de guerra. Se ele escolheu o mar Mediterrâneo, foi à consagração total de toda a aventura fundear no porto de Jaffa. Afinal foi do porto de Jaffa, talvez o escolhido por ser bem abrigado, que partiu o profeta Jonas, aquele que foi engolido por uma baleia e chegou são e salvo ao seu destino.

                                    Embora nunca mais tenha recebido notícias do final de sua aventura, sempre o lembrarei como um herói. Qualquer que tenha sido sua rota, lá se foi o sonho de um VELHO MARINHEIRO que nunca mais voltou.