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Passeio de jet no litoral potiguar termina em empurra-empurra

600x400Um passeio dos usuários de motos aquáticas que seria realizado nesta sexta-feira, 11/01, no litoral Sul do Rio Grande do Norte, deu o que falar nas redes sociais, expôs a maluquice das repartições fiscalizadoras que cuidam do bom cumprimento das leis ambientais e tirou os prefeitos, das cidades por onde a flotilha navegaria, do conforto dos alpendres das casas de veraneio. O Idema, órgão ambiental do Estado, navegou pra lá, deu bordo pra cá e sem ter um rumo certeiro passou o comando para o Ibama, que sem saber se acelerava ou parava as motocas voadoras, devolveu o timão para o Idema sem ao menos visualizar o horizonte. Quem botou ordem na derrota foi o prefeito de Tibau do Sul, que numa canetada fechou a barra. O quiprocó teve início quando foi anunciado a navegada que sairia da praia de Barra do Cunhaú, uma das joias do litoral potiguar, com destino ao município de Senador Georgino Avelino, passando por uma extensa área de proteção ambiental na Lagoa de Guaraíras. Segundo os organizadores, o “passeio” tinha como objetivo fazer distribuição de cestas básicas a comunidades carentes, porém, os ambientalista vislumbraram uma possível agressão ao meio ambiente e aí o reboliço foi grande. Procurei nas ondas livres da internet notícias se o “passeio” encalhou ou seguiu em frente, mas não tive resposta, como também fiquei sem saber qual foi o posição da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte diante desse moído. Estou comentando o caso porque navegando por aí deparei com vários passeios de motos aquáticas e vi de tudo: de motonautas bem comportados e seguidores das leis de navegação a turmas que mais pareciam saídos dos filmes de bárbaros sanguinários. As leis de terra podem não ter a clareza necessária, mas as leis marítimas não deixam dúvidas, porém, todas escorregam pelo mesmo ralo por onde escorrem as coisas nebulosas. Já os ambientalistas, nem sempre olham para onde deveriam olhar e muitas vezes se apegam apenas em aspas.          

Entre dois rios tem um mar de lama

Enxu Queimado julho 2017 - Erico Amorim (2)Uma Força-tarefa Previdenciária, com apoio da Polícia Federal, deu início hoje, 01/12, a operação Entre Dois Rios, para apurar recebimentos irregulares do seguro defeso, que beneficia pescadores, catadores de mariscos e crustáceos. O primeiro arrastão, no Rio Grande do Norte, foi lançado na praia de Tibau do Sul. Pela avaliação do peso da rede, tudo indica que o cesto vai encher!

POR ONDE NAVEGO

O Diário do Avoante de hoje abre espaço ao amigo e velejador Ricardo Barbosa, para contar uma de suas muitas navegadas a bordo do seu belo e cativante veleiro TUTA, pelos recantos do litoral do Rio Grande do Norte.

Nelson Mattos Filho

POR ONDE NAVEGO

Ricardo Barbosa

Velejador

                                   Ancorar novamente o veleiro Tuta nas águas de Tibau do Sul/ RN é um prazer que renovo a cada ano. 

                                    O lugar é lindo, banhado pela Lagoa de Guaraíras e aberto para o Atlântico. Numa margem,  falésias exuberantes precisam ser vencidas para o acesso a cidade. Na outra margem, a força de sua natureza demonstrada pela mata atlântica que chega até o mar e por grandes manguezais a perder de vista.

                                   Tibau do Sul é um município do litoral sul do Estado do Rio Grande do Norte, vizinho da badalada praia de Pipa e distante 80 km de Natal. Seu endereço para os que são do mar é: 06º11`12”  S  e  35º05`11” W. Contudo, nessa região onde os extremos se cruzam, assistimos o vem e vai de muitas e simples canoas a remo, promovendo o sustento de suas famílias com um pescado de linha que envolve robalos, caranhas e xaréus, ou de um jogar de tarrafas (redes de pescar em águas mais rasas) na busca de fartos cardumes de tainhas.

                                   No rumo que o sol se põe, no manguezal, caranguejos sal e caranguejos aratu, dividem espaço com ninhos de garças brancas. Uma confortável infra-estrutura hoteleira disposta a receber os mais variados estilos de visitantes, entre crepes, ostras e outros frutos do mar, somos fisgados a ir ficando, envolvidos no ritmo lento de suas paisagens e opções de lazer.

                                   É neste cenário privilegiado que simplesmente,  fundeamos todo ano o veleiro Tuta.

                                   Neste fevereiro de 2010, atraídos pelos encantos da gastronomia local, eu, minha mulher e um grupo de velhos e bons amigos, decidimos aceitar a indicação de um nativo e conhecer outra pequena cidade debruçada na margem oposta da Lagoa Guaraíras.

                                   A cidade de Georgino Avelino é o  menor município em área de nosso extenso Brasil, mas possui um charme, uma simplicidade e um calor humano que merece ser vista de perto. A economia do município é baseada na agricultura, na pesca e na produção de camarão de cativeiro.

                                   Partimos assim de Tibau do Sul, num velejar de popa, com vento fraquinho vindo de leste e que, aos poucos, nos fazia atravessar toda a extensão da grande lagoa.

                                   O nome original de Georgino Avelino já era um indicador de que estávamos no lugar certo. Inicialmente, meados do século XVII, esse lugar se chamava Surubajá, que significa lugar de muito peixe. Para ancorar em terras Surubajás, entramos com motor ligado por um canal navegável,  com o apoio do amigo Dido, um nativo que explora passeios de lancha e conhece tudo da região. E aí, fundeamos o Tuta em frente ao restaurante de Dona Lúcia, uma anfitriã habilidosa, casada com um francês e dona de um tempero mágico que nos encantou quando serviu filé de tainha ao molho de limão e um escaldaréu de fazer inveja a qualquer chefe de cozinha.

                                   Difícil foi deixar a simplicidade de seu restaurante e de sua acolhida, depois de uma cocada caseira e de um café fresquinho.

                                   Porém, a maré já baixava e o navegar só é possível, para um veleiro naquela região, se a maré estiver bem alta.

                                   Despedimo-nos e iniciamos o rumo de volta à Tibau do Sul. Na travessia finalzinho de tarde, a lua cheia já se fazia no céu e nos brindava com uma paisagem inesquecível e uma certeza de que no próximo ano, repetiremos tudo novamente.