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No balanço da rede

20160924_120848Tem certas coisas que nunca entendi e continuo sem entender, mas estou vendo que em alguns lugares do mundo as coisas funcionam como devem funcionar, e não de acordo com a vontade das classes políticas, ou do “donatário” da vez. Antes de prosseguir proseando vou perguntar a mim mesmo: – Existe povo mais sem regras e sem leis do que político? Já que a pergunta foi para mim, eu mesmo respondo: – Existe não, porque regras e leis, para regular político, são feitas por eles mesmos e ao sabor da vontade e da enrascada que eles se metem. Se o bicho pegou, basta inventar outra e tudo fica nos conformes.

Olhando a vida através da poeira do barro que vem no sopro do vento e olhando as imensas torres de energia eólica, que estão trazendo um tortuoso progresso a pequenos povoados pelo litoral e sertão adentro, fiquei matutando em como são frágeis as cidades quando se entregam aos desmandos e a demagogia das politicagens deslavadas.

Certa feita, em um bate papo com um amigo que havia acabado de chegar dos “esteites”, e ainda sob o efeito da propaganda desenvolvimentista americana do norte, fiquei encantado quando ele disse, com impostação na voz, que na cidade onde esteve, a prefeitura estava empenhada em construir novas tubulações de água e esgoto para satisfazer o pretenso crescimento da cidade no ano de 2040. Pois foi, ele disse! Na hora lembrei que nas terras descobertas por Cabral, e sua turba de degredados, os projetos visam o ontem e nem por isso os homens deixam de armar um palanque para festejar o feito. Aliás, o palanque é armado no anuncio da intenção, na assinatura do contrato, na hora da primeira pazada de areia e vai nessa pisadinha, até que um dia, alguém chega à conclusão que está tudo errado e o orçamento, que havia sido acordado inicialmente, já foi comido tantas vezes que não tem cristão no mundo que ache o fio da meada. Pois é, tem gente que pensa longe, tem gente que pensa bem ali, tem gente que pensa para trás e tem gente que pensa apenas no bolso e quem vier atrás que feche a porta dos fundos.

Mas isso não tem nada a ver com essa prosa e o que me fez lembrar desse assunto foi uma placa, na beira da rodagem, em que está escrito “queremos água”. A placa está desbotada e até já perdeu um pedaço de sua estrutura, porém, a água ainda está por chegar em algum dia qualquer do futuro. O que na verdade norteia essa escrita, segue no rastro de uma notícia vinda lá das terras geladas da Suécia, e os esgotos ianques e a água tupiniquim que não sai da promessa, apenas se entranharam nos punhos da rede.

O Reino da Suécia, que vem a ser o terceiro maior país da União Europeia, em área. Considerado um dos mais socialmente justos no mundo atual e com uma população de mais 9 milhões de habitantes, onde a grande maioria não acredita em nenhum deus. O país está classificado como a quarta economia mais competitiva do mundo e tem nas hidroelétricas, madeira e minério de ferro a base de sua economia, visando principalmente o comércio exterior. A Suécia é uma potência. Pois bem, a cidade sueca de Kiruna, considerado o maior município do mundo, com 20.000m² de área, e que cresceu em torno de uma gigantesca mina produtora de minério de ferro, decidiu que precisa mudar de lugar para não ser tragada pela terra.

A mineradora estatal LKAB, avisou a prefeitura que a extração de ferro iria se estender por baixo da cidade e era arriscado que tudo viesse abaixo. Nesse interim, a empresa se comprometeu a transferir, literalmente, a cidade para outro lugar com um ousado, e nunca tentado, projeto de engenharia. Depois de muito quiproquó e dezenas de acordos entre população, governo e mineradora, foi batido o martelo e a cidade vai ser transferida para um terreno localizado a pouco mais de 3 quilômetros de distância e longe dos buracos da mina. A transferência deve ser dada por encerrada daqui uns 30 anos, mas os engenheiros apostam no sucesso da empreitada. Primeiramente vão levar o centro da cidade inteiro e depois vai o restante, mas de uma coisa é certa, até 2050 o que era superfície será um buraco só, pois as máquinas da mina não param de moer e quem quiser que saia de cima.

Isso é o tipo de notícia que a gente lê e escuta e fica matutando com os botões: – Homi, isso será verdade ou delírio do mundo das pranchetas? – Como danado vão pegar um prédio pelo sovaco e plantar ele em outro terreiro? Mas tudo está escrito nas páginas online do site Planeta Sustentável e eu li com meus olhos que a terra a de comer. – Ei, taí um movimento que eu queria assistir de perto! Fico imaginando o arranca rabo se uma proposta dessa fosse em algum recantinho das terras brasilis. – Seu menino, ia ser tanto arranca rabo, tanto ônibus queimado, tanta greve no meio do mundo, tanto bofete trocado entre polícia e manifestantes, que no fim, a turma do abafa abraçaria todo mundo e o projeto era engavetado como se ele nunca tivesse existido. A mineradora que fosse cavar buraco nos infernos.

Tomará que o sono chegue logo!

Nelson Mattos Filho

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Notícia dos confins da Terra

Tremor de terra

O Nordeste brasileiro sempre foi sacudido por tremores de terra e nas últimas décadas eles são cada vez mais constantes no interior do Rio Grande do Norte, mais precisamente na cidade de Pedra Preta e João Câmara. João Câmara ficou mais conhecida nesse contexto sismológico por ter sido quase completamente destruída, há mais de vinte anos, por um terremoto. Dizem que diariamente toda aquela região do Rio Grande do Norte, conhecida por Mato Grande, é sacudida por pequenos abalos sísmicos imperceptíveis ao homem. Ultimamente Pedra Preta é quem vem sofrendo com as acomodações das camadas subterrâneas, o que tem colocado a cidade no noticiário nacional. Hoje, 04/01, vi uma notícia no blog potiguar Portal no Ar, copiada do blog Sismos do Nordeste, que um tremor de terra de 4,7 graus foi registrado ontem a tarde ao largo da costa nordestina na distância de 990 quilômetros dos rochedos de São Pedro e São Paulo. Coisas da natureza!