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Diário de um sonho real

3 Março (128)

Este pequeno diário é dedicado a todo aquele que tem um sonho e foi escrito como tarefa durante um curso de liderança no Sebrae/RN

Capítulo 1 – Experiência

Sempre fui um sonhador, daqueles que sentam em uma confortável poltrona e fazem das imaginações suas mais fantasiosas histórias, porém, no momento em que a realidade me fazia abrir os olhos, eu me via envolvido por um mundo minuciosamente complexo e objetivo, onde os resultados eram resultantes do meu estado de humor e da missão projetada para minha empresa. Era uma vida de trabalho, resultados, conquistas, derrotas e sempre em busca do mais: mais eficiência, mais lucros, mais crescimento, mais desenvolvimento empresarial e mais e mais. Um belo dia o sonho bateu na porta de minha alma e sentenciou: O seu sonho nunca passará de um sonho, como o sonho de muitos por aí. Você sonha acordado e aqueles que sonham acordado não realizam sonhos. Se quiser viver o sonho, feche os olhos e durma, ao acordar, levante da cama e tome a direção inversa daquela que você caminha todos os dias. Não olhe para trás, não escute a voz da razão e sorria para a vida e os horizontes que se descortinarem em sua frente. Não busque a linha do horizonte, porque nunca irá encontrá-lo. Dormi com o eco daquelas palavras e acordei em um mundo de sonhos, mas sabendo que aquele era o mundo mais real e nessa realidade, vivi onze anos a bordo de um lindo e aconchegante veleiro de oceano, batizado de Avoante.

O que faria diferente?

Não sei, porque a vida é feita de experiências, aprendizados e renascimentos.

Qual capítulo ainda irá escrever?

A continuação da caminhada em busca dos horizontes imaginários, onde vivem os loucos, iluminados de alegria e vida vadia.

Nelson Mattos Filho

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VIDA A BORDO

UMA VIDINHA SIMPLES

                                   Viver a bordo de um veleiro é o sonho de muita gente. Transformar esse sonho em realidade é o grande problema. Quando se começa a pensar na questão financeira o sonho se torna uma grande utopia. Muitas vezes esse problema nem existe, mas como temos por base a vida em terra, fechar essa equação exige a queima dos neurônios.

                                   Morar num veleiro ou dar a famosa volta ao mundo em um veleiro, não tem muito haver com a situação financeira de ninguém. Se bem que, o dinheiro e uma boa base financeira ajudam um bocado.

                                   Se formos pesquisar quantas pessoas resolveram embarcar nessa vida, teremos uma população náutica bem considerável. Não tenho esse numero, mas a quantidade de brasileiros que moram a bordo, no Brasil ou dando uma voltinha pelo mundo é grande.

                                   A grande maioria são pessoas sem muitos recursos financeiros, que venderam um bem imóvel é hoje levam uma vida viajando pelos mares do mundo, vivendo uma vida que nunca teriam se continuassem encalhados nas cidades. Alguns vivem de aluguel, poupança, ações, contratos de patrocínios, aluguel da embarcação, trabalhos em outros barcos e outras fontes. Não é fácil, mas em compensação é uma vida muito livre.

                                   Fazer o planejamento financeiro é muito importante, mas nada de excepcional. Muitos velejadores gostam de fazer projeções alarmantes e até meio fantasiosas sobre quanto se precisa, mensalmente, para se viver bem a bordo. Mas isso é uma questão muito pessoal. Como em terra, a vida a bordo segue de acordo com o padrão de cada um. Não existe uma formula única.

                                   Sair pelo mundo navegando não é preciso ser aposentado. Não é preciso ser rico. Não é preciso vender a empresa, para quem não tem uma boa diretoria, mas eu particularmente acho que quanto menos se deixar compromissos em terra melhor. Mas se a pessoa tiver um emprego não tem como fazer, é largar e cair no mar com a cara, a coragem e o dinheiro da rescisão na carteira.

                                   O profissional liberal, ainda tem a vantagem de voltar a exercer a profissão quando retornar e se um dia retornar. No Brasil ele pode exercer a profissão em qualquer parte.

                                   A bordo, o custo de vida é relativamente barato e não se deve abrir mão do controle. Despesas com marinas, restaurantes e manutenção do barco devem ser muito bem analisadas. As marinas e clubes náuticos têm preços muito variados. Antes de fazer uso dessas instalações, devem-se pesquisar as ofertas. A cobrança é feita pelo tamanho da embarcação. Portanto até a compra do barco tem de ser bem planejada. Além disso, na maioria dos lugares, o uso de marinas é completamente dispensável.

                                   Despesas com restaurantes é outra grande sangria. Se não tiver outra opção e não souber mesmo cozinhar, é procurar um restaurante que sirva uma comida caseira e que caiba dentro do orçamento diário. Se for um bom cozinheiro, é manter a despensa abastecida, sem supérfluos, e aproveitar as horas livres para aperfeiçoar os dotes culinários, curtindo o prazer de um almoço ou um jantar a bordo com amigos.  

                                   A manutenção do barco, outra ralo de saída do caixa, deve ser feita o máximo possível pelo próprio velejador. Um técnico, somente para trabalhos mais complexos e que exija muito conhecimento.   

                                   Despesas com vestuário e calçados quase não existem. O espaço no barco é muito pequeno para o acumulo de roupas. Uma boa roupa de tempo, quatro camisas, quatro bermudas, uma calça, um tênis e um chinelo de borracha já é um guarda roupa de alto luxo para quem mora num veleiro.

                                   A vida a bordo não é uma vida alternativa, ela é apenas cheia de boas alternativas.                                 

Nelson Mattos Filho

Velejador