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Coisas do reino dos homens

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A divisa entre Sergipe e Bahia, banhada pelo Rio Real e seus afluentes não menos belos, é um desses lugares que ainda podemos chamar de virgem. Para onde apontarmos os olhos aparecerá sempre uma paisagem espetacular de vida ainda em estado bruto. Mas a sede de progresso invertido que domina a mente dos homens, já cravou sua marca de insensatez com uma grande montanha de cimento serpenteando e atravessando as margens do Rio Piauí. Não adianta a revolução dos caranguejos, a revolta dos pássaros, a ira dos peixes, o choro das arvores e nem os olhos incrédulos de seres humanos conscientes, tudo já está fadado aos comandos brutais do agressor que dilacera entranhas e estupra a pureza silenciosa da natureza. Até quando veremos crianças caminhando descontraídas pelas praias? Até quando poderemos ver os coqueiros balançando ao vento? Até quando as conoas descansarão tranquilas em suas amarras? Até quando? Por enquanto, tudo está parado à espera de míseros milhões de Reais para finalizar a invasão. Isso não é uma denuncia, é apenas um grito solitário de um velejador amador que não consegue entender o valor do progresso anunciado pelos homens. 

Um dia lindo

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Você deve ter navegado pelo blog várias vezes nesses últimos dias à procura de notícias e viu que tudo parou no post As pedras e a educação náutica. Não foi preguiça e nem falta de assunto, mas é que saímos de Natal/RN no último dia 27/03, no rumo de Salvador/BA e paramos por dois dias num pequeno pedaço de paraíso em que é até difícil definir onde o Estado de Sergipe termina e onde começa a Bahia. Um lugar tão apaixonante que não tem como a gente acordar e não achar o dia lindo. Mas antes que você pergunte eu vou responder: Não viemos no Avoante, viemos no carro de apoio que foi um presente de minha Mãe e que tem deixado a gente muito mal acostumado. Outra resposta: Esses dias lindos acontecem no povoado Terra Caída/SE, parede e meia com a tietana Mangue Seco. Se você ainda não conhece, que tal nas próximas férias esquecer os salamaleques europeus, os acordes dos tangos e vinhos, os sandubas do Tio Sam, as asas apertadas das promoções e  se embrenhar pelas belezas das paisagens e riquezas culturais desse imenso Brasil?

Uma boa terra

Terra Caída

Artigo publicado em Janeiro de 2010 no Jornal Tribuna do Norte, coluna Diário do Avoante.

Toma Burro! Essa frase para quem conhece o povoado de Terra Caída no município de Indiaroba/SE é bastante familiar. Faz lembrar o impagável Zé de Teca, uma figura folclórica, amiga e cheia de boas histórias para contar.

Zé de Teca de vez em quando, ou quase sempre, esta aprontando uma boa, para alegria dos que tem o prazer de conviver com ele.

Sentar numa roda de bate papo e escutar Zé contar suas estripulias, quando da gravação da novela Tieta, é um deleite de alegria e diversão. Ele fala com naturalidade e numa intimidade tão aguçada da atriz Sonia Braga, a bela morena que encarnou Tieta na novela global, até parece que tudo aconteceu ontem à noite.

Zé de Teca, o italiano Burro, como ele mesmo gosta de se autodenominar, flanava com muita naturalidade no sete de filmagem e em todos os eventos sociais em que compareciam os artistas e sua musa super star.

A esposa de Zé, Dona Regina, que ele batizou de Regina Duarte, para não fugir da linha global, de tanto ouvir os seus relatos de paixões com atrizes e outras afamadas, já não esboça nenhuma reação de ciúme. Para ela Zé é um menino grande, um bode velho que escapou das dunas brancas de Mangue Seco e hoje faz sua festa particular em Terra Caída.

É muito difícil alguém por aquelas bandas não conhecer ou mesmo não saber alguma coisa sobre ele. Ficar amigo de Zé é muito fácil, basta que a pessoa goste de brincar, escutar histórias e acompanhá-lo em uma rodada de sapeca temperada com 51. Toma Burro!

Relatar suas aventuras com Sônia Braga é o maior prêmio para esse apaixonado pela vida. Difícil é saber até onde vai à imaginação do homem e qual a fronteira da verdade nesse relacionamento recheado de boas intenções com umas pitadas de amor platônico.

Numa das muitas festas que giraram em volta da filmagem e que Zé de Teca compareceu ao lado de sua musa morena, eles foram montados numa carroça puxada por um burro. Na festa tinha comida e bebida para dar de comer a um verdadeiro batalhão. Zé não agüentava mais comer nem beber coisa nenhuma. Seu estado etílico era de fazer inveja a muito boêmio apaixonado. Mas, ele solidário com o burrico da carroça e incentivado por Sônia Braga, juntou o que podia de bolo, torta, salgados e refrigerante, colocou tudo no mais fino prato de louça é foi dar de comer e beber ao burro. Enquanto o burro comia, ele e sua bela atriz deitaram na grama e ficaram um bom tempo olhando as estrelas. Quando acordaram, a festa já tinha terminado, o burro os observava de longe e não existia mais ninguém para contar a história, somente ele, Sônia e o burro. Mas, ele jura de pés juntos que nada de mais aconteceu fora à contagem das estrelas.

Quando terminou a gravação da novela, Sônia Braga quis levar Zé de Teca com ela, mas ele muito apaixonado por sua Regina Duarte, deixou que a bela morena partisse para nunca mais vê-la.

Certa vez um filho dele caiu da canoa quando pescava em alto mar e desapareceu nas profundezas do oceano. Dona Regina vendo o filho ser levado pelo mar, chorou uma semana seguida e Zé sempre dizia que ela não se desesperasse a toa, pois um dia ele votaria. Uma semana depois apareceu um tubarão em frente à Terra Caída e para surpresa de todos em cima do bicho, cavalgando alegremente, estava o filho de Zé.

Ele contou que quando afundou no mar o tubarão o pegou no lombo e saiu com ele numa viagem pela Bahia, Rio de Janeiro e outros Estados do sul. Quando ele já estava sem fôlego o tubarão deu meia volta e trouxe-o de volta. Toma Burro!

O Avoante já entrou três vezes na Barra de Estância e lá dentro, sempre faço o rumo do povoado de Terra Caída. Sigo em busca das histórias fantásticas do grande Zé de Teca, dos massunins da Ilha da Sogra, das sapecas na brasa e do calor humano de um povo bom.

Estamos prestes a sair novamente de Natal e uma das paradas oficiais do Avoante será novamente a tranquilidade dominante daquela ancoragem e dos aromas trazidos pelos ventos. Terra fértil, muito verde, muito peixe, muito crustáceo, muito calor humano e muita alegria.

Tomar banho de rio no pôr-do-sol e esperar a revoada de pássaros de volta aos ninhos. Tudo isso é Terra Caída e tudo isso é bem Brasil, mundo apaixonante e abençoado pela natureza.

Nelson Mattos Filho/Velejador

Empada dos deuses

Terra Caída 021Estas deliciosas empadas que desmancham na boca são as mesmas que falei no texto sobre Terra Caída e que deixou muita gente com água na boca, mesmo sem ver essa foto. Elas são produzidas no restaurante do Sr.Pascaziu com uma receita que ele diz não guardar a sete chaves e até ensina a fazer. Pascaziu é descendente de italiano, boa praça e um excelente papo.  Há muitos anos se estabeleceu em Terra Caída e hoje comanda o principal restaurante da cidade, localizado ao lado da rampa de embarque para a balsa que faz a travessia do Rio Piauí.Terra Caída 026 Sentar numa mesa e escutar a conversa alegre e decidida de Pascaziu, que na foto acima esta ao lado do filho e da esposa, faz o tempo passar sem que ninguém perceba. Foi através de suas informações que fiquei sabendo de boa parte da história desse belo lugarejo sergipano. Terra Caída 027 Quem trafega na Linha Verde que liga Sergipe a Bahia, vale a pena dar uma entradinha em Terra Caída e provar as empadinhas do Pascaziu, mesmo que não pretenda pegar a balsa. Mas, se aceitar um bom conselho, é muito mais gostoso parar para comer as empadinhas, esperar a balsa e navegar pelo Rio Piuaí numa deliciosa travessia cercada de natureza.

Terra Caída e apaixonante

Terra Caída 008 Terra Caída, pequena localidade sergipana, situada nas margens dos Rios Cajazeiras e Piauí e pertencente ao município de Indiaroba, é um dos lugares do mundo onde a natureza agiu de forma excepcional.

Quebramos a semana em que ficaríamos em Salvador, até chegar a hora de levar o veleiro Toa Toa a cidade do Recife, e fomos passar uns dias entre rios, mangues, natureza, goiamuns, massunins, sapecas e empadas do Pascaziu.

De Terra Caída, sai uma balsa que cruza o Rio Piauí fazendo a travessia até o Porto do Cavalo, em Estância, numa navegada cercada de natureza, onde motoristas e passageiros, são levados a uma breve reflexão acalmando os ânimos do stress das rodovias. Infelizmente uma ponte esta sendo construída e em breve toda essa paz e tranqüilidade serão jogadas sobre o concreto de pistas duplas e rápidas. O que vai acontecer com Terra Caída, que vai estar localizada estrategicamente embaixo da ponte? Isso, somente o tempo dirá!

Mas, de onde surgiu esse nome tão estranho? Antigamente o lugarejo se chamava Praia de São José. Conversando com o Pascaziu ele me deu um norte e contou uma história que também já ouviu de seus pais.

O nome Terra Caída surgiu quando um antigo Padre teve a idéia de aumentar a única igrejinha do lugarejo.

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Diário de viagem

Olá amigos, estamos novamente no ar depois de uma breve férias do mundo antenado e conectado. Vou tentar fazer um rápido balanço dessa nossa viagem as terras apimentadas da Bahia e ao paraíso sergipano de Terra Caída.Viagem a Salvador Toa Toa 002 Com essa visão da Praça do Campo Grande, no centro de Salvador, iniciamos nossa pequena estadia na Bahia  onde viemos para compor a tripulação do veleiro Toa Toa, um trinidad 37 que levaremos até Recife e de lá faremos a regata Recife – Fernando de Noronha 2010. Salvador continua muito bonita, alegre, colorida e com aquele eterno jeito baiano de ser. Eita terra porreta!Viagem a Salvador Toa Toa 022 Visitamos o Iate Clube da Bahia e ficamos surpresos com a estrutura física de um clube bem organizado e com a Diretoria de Vela funcionando a todo pano, inclusive com uma excelente escolinha de vela. Viagem a Salvador Toa Toa 005 Como estávamos no Campo Grande, na casa do amigo Marcelo Flôr, fizemos uma boa caminhada até o ICB que fica na ladeira da Barra. Uma excelente caminhada com uma vista de cartão postal. Na volta entramos para conhecer o Museu de Arte da Bahia localizado no Corredor da Vitória. Viagem a Salvador Toa Toa 026 O museu é fantástico e vale a pena ser visitado. Conta toda da história das artes na Bahia, inclusive a do seu maior incentivador o mestre José Valadares. Essa é a vantagem de se andar a pé nas cidades, somos despertados para lugares que na maioria das vezes passam despercebidos apesar da beleza e de toda sua história. Valeu ter conhecido o MAB, como valeu ter feito essa boa caminhada!Terra Caída 001 Depois de um dia em Salvador, passeando a toa e sem compromissos, pegamos um ônibus e tomamos a estrada até o pequeno distrito de Terra Caída, no município sergipano de Indiaroba. Terra Caída é um pequeno pedaço de paraíso muito próximo das dunas brancas de Mangue Seco, onde a morena Tieta, saída dos livros de Jorge Amado, encantava e embalava corações. Terra Caída 023 Sobre essa pequena e bela cidadezinha sergipana, vou deixar vocês com um pouco mais de curiosidade, pois o lugar é muito bonito.

Terra Caída/SE

Caros navegantes do Diário do Avoante, estou há alguns dias sem atualizar o blog porque cheguei a Salvador/BA e logo em seguida viajei para Terra Caída/SE, onde estou agora. Um lugar dos mais belos desse imenso litoral nordestino, só que, aqui não tenho acesso a internet regularmente porque o sinal é muito fraco e tenho que ficar procurando o melhor local para o sinal. Assim que conseguir um bom sinal postarei fotos e alguns comentários desse pequeno paraíso sergipano. Um grande abraço a todos.