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Um resgate histórico dos velhos e fascinantes Saveiros da Bahia

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Dia desses eu estava lavando o Avoante no píer de serviço do Aratu Iate Clube, quando chegou o amigo Sérgio “Pinauna” Netto perguntando: – Nelson você aceita um livro? – Claro que sim! – Espere ai que vou buscar. Ao retornar, com o livro na mão, ele falou: – Se não quiser ler, ou se já leu, pode deixar na biblioteca do clube ou doe a quem quiser. O livro em questão era o da imagem acima, Embarcações do Recôncavo – Um estudo de origens, do antropólogo luso-brasileiro Pedro Agostinho, esgotado desde de 1973 e que em 2011 foi reeditado pela Oiti/OAS Empreendimentos. A obra é uma joia rara e um resgate da cultura náutica da Bahia, em que tinha o Saveiro como grande baluarte. Recheado de fotos belíssimas, inseridas em um escrito histórico de encher os olhos, o livro me deixou maravilhado. Como bem disse a Senhora Carmine De Sierve, no texto de apresentação: …uma obra de referência, um tesouro desejado por aqueles que se interessam pela história e etnografia naval e pelo patrimônio cultural da Bahia e do Brasil” Caro amigo Sérgio Pinauna, só tenho a agradecer o presente e dizer que ele está sendo muito bem aproveitado em minhas fontes de pesquisa.

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Teste para o bom observador

2 fevereiro (74)

O que tem nesse Saveiro que difere dos outros?

Reverenciando um mito

saveiro rompe nuvemsaveiro rompe nuvem (1)saveiro rompe nuvem (3)Cruzar com um Saveiro navegando na Baía de Todos os Santos é uma felicidade para qualquer velejador. A beleza de suas linhas, o navegar suave, a altura do mastro sem estaiamento, o tamanho descomunal da vela e a destreza dos mestres saveiristas e de encher os olhos de alegria. Foi pensando em tudo isso, que quase parei o Avoante quando avistei o Saveiro Rompe Nuvem vindo em nossa direção quando velejávamos por trás da Ilha do Frade/BA.

Viva Saveiro!

Vela do vendavalO Saveiro de vela de içar é uma embarcação que tem a cara e o jeito da Bahia. O Saveiro é uma parte viva de toda a história do comercio no recôncavo baiano. A bordo dessas belas embarcações a Bahia decretou sua liberdade e expulsou seus invasores. Histórias de amores e canções saíram de suas tábuas recortadas com precisão milimétricas por carpinteiros analfabetos, mas dotados de uma inteligência abençoada pelos Santos e Orixás dessa terra abençoada pelo Senhor do Bonfim. A Bahia de amores, acarajés, morenas, caymmis, sambas de roda e trancinhas coloridas, tudo isso navegou na mansidão dos Saveiros. Eu já tive a honra de velejar  e comandar um velho e valente Saveiro de içar, fui convidado pelo velejador Davi Hermida, um grande saveirista apaixonado e grande entusiasta da Associação Viva Saveiro. Senti o coração forte daquele barco valente e marinheiro, e ví a emoção estampada na alma do seu contra-mestre quando o barco chegou tranquilo e obediente ao porto. Barco tem alma e a alma do Saveiro parece ser mais alma do que as outras. Hoje soube que a Associação Viva Saveiro recebeu o prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo Ministério da Cultura e entregue pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, na categoria Preservação de Bens Móveis e Imóveis, justamente pela preservação dos Saveiros de içar. Viva Saveiro!