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Aviso aos navegantes

anima_altura O Inverno está aí, mas como São Pedro está envolvido na organização dos arraiais em sua comemoração, que acontecem dias 28 e 29/06, a chuvarada rareou um pouco e esta semana se concentrará apenas nos extremos das regiões Sul e Norte, com um punhadinho aqui ou outro acolá pelas beiradas do Nordeste. Porém, o mar deve crescer a partir do dia 27, em agitação moderada, com ondas que devem alcançar 2,5 metros de altura em todo litoral brasileiro. Mas vale lembrar que o “dono da festa”, além de mandatário das chuvas, é também um bom homem do mar.   

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Entre uma chuva e outra

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Nesse período junino queríamos ter navegado por algumas cidades que margeiam o Recôncavo Baiano, não seria uma viagem para balançar o esqueleto nos muitos forrós espalhados por ai, mas sim para rever lugares que nos encantou em um passado recente, para saber se o encanto ainda prevalece. Apos ancorar em Itaparica e festejar uma noite de São João chuvosa, aproamos o Avoante para a cidade de Salinas da Margarida para uma breve parada antes de subir o histórico Rio Paraguaçu. Pois é, a breve parada se estendeu além da conta, os santos forrozeiros já recolheram as sanfonas e hoje, 30/06, ainda estamos ancorados em frente a bela cidade de Salinas. Mas juro que não foi por vontade própria e sim por força das chuvas que castigaram o Recôncavo. Não foram chuvas torrenciais que duravam o dia todo, mas pancadas insistentes, que deixavam o céu muito nublado e que despejavam água a qualquer momento, trazendo um friozinho gostoso durante a noite. Esse é justamente o quadro meteorológico que o velejador de cruzeiro adora, porque dá aquela velha vontade de ficar um pouquinho a mais da conta. Dá uma preguiça!

almoço no Ondine - salinas jun 2015 (2)almoço no Ondine - salinas jun 2015 (3)

E já que estávamos na companhia dos amigos dos veleiros Ondine e Tô Indo, Gomes e Lia, Gerson e Lili, tirávamos os dias chuvosos para nos reunirmos cada dia em um veleiro diferente em seções gastronômicas de engorda magro, como mostra as imagens a bordo do Ondine. Os amigos já retornaram a Salvador e nos continuamos aqui olhando para o tempo parcialmente nublado e de vez em quando batendo perna pelas ruas largas e limpas da cidade de Salinas da Margarida. 

E viva São João!

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São João Batista para o cristianismo foi quem anunciou a chegada de Jesus. Foi ele também que batizou muitos judeus, incluindo Jesus, as margens do Rio Jordão. João Batista era um profeta e pregador admirado pelos cristãos ortodoxos e era considerado um homem consagrado. Teve uma educação nazarita, que incluía em seus dogmas abster-se de bebidas alcoólicas, deixar o cabelo crescer e não tocar nos mortos. João Batista, ou São João, ao lado de São Pedro, São Paulo e Santo Antônio, faz a corrente dos Santos mais populares e por eles criou-se o termo festas juninas. As festas juninas são celebrações católicas que acontecem em várias partes do mundo e o Brasil tem no nordeste sua maior força de expressão e festejos. Elas são historicamente festas pagãs que celebram o solstício de verão, o menor dia do ano, mas que nas referências religiosas é a vitória da luz sobre a escuridão e por isso as fogueiras. E elas são acesas só por isso? Bem, diz a lenda que elas surgiram seguindo uma promessa de Izabel, Mãe de São João Batista, que acenderia uma fogueira sobre um monte para avisar a Maria, Mãe de Jesus, sobre o nascimento do menino João. E os balões e os fogos? Bem, isso são invenções dos portugueses e que por aqui ficaram até os dias de hoje. E a quadrilha? Acho melhor a gente parar por aqui para não começar a falar besteira. Mas não achem vocês que sou daqueles aprofundados nas coisas das religiões, apenas procuro saber o que me basta e para isso, muitas vezes recorro as ferramentas de pesquisas, hoje tão populares e fáceis, nessa grande rede mundial de comunicação, como foi o caso do Wikipédia nessa minha simplória pesquisa sobre São João.

Porém, toda essa iniciação na história do santo forrozeiro e justamente para falar da alegria que sempre tive com as festas juninas e em especial com o glorioso São João. É nesses tempos de fogueiras, fogos e balões no ar, que o brasileiro vive seus dias de maiores animações, para mim,  mais animação do que o Carnaval. É forró pra todo lado, muito milho, muita canjica, pamonha e bolos até da uma dor no pé bucho. Mas, lendo a história de vida de São João, com todos aqueles severos dogmas de fé, fico a me perguntar: O que será que ele deve estar pensando de toda essa forrozada e muito quentão espalhados por mei mundo de “arraiá”?. É viva São João!

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Nesse nosso mais um São João a bordo do Avoante, que ancoramos em frente a tranquilidade da Ilha de Itaparica, me vi envolvido por esse clima gostoso, com o cheiro de fogueira queimada, com o pipocar dos fogos e com algumas letras desse arremedo de forró que se escuta nas rádios hoje em dia. Mas tudo no mundo tem o novo e a gente tem que seguir com a maré e nunca contra ela. Porém, vou até o toca CD e ponho para tocar um “disco” cheinho de poesia em rítmo de forró, do mestre, poeta e cantador potiguares, Galvão Filho. E lá está dizendo: “…Se tu quiser eu invento um vento pra ventar o amor/Uma chuva bem chuvida pra chover pé de fulô, pra tu ficar cheirosa e vir dançar mais eu/Se tu quiser puemo um poema bem cheio de rima/Acendo a estrela mais bonita lá de cima e faço tudo que puder pra tu ficar mais eu…” Eita São João Menino!!!!

Esse São Pedro!!!

imagem Continuam as chuvas por quase todo o Norte e Nordeste desse imenso Brasil velho de guerra. É muita água para aplacar a secura que tomava conta do mundo e, parece que estou vendo, daqui uns dias já vai ter nego pedindo arrego diante de tanta fartura de água. É difícil o emprego de São Pedro! Numa hora a turma pede para chover, na outra pede para parar e assim o Santo, que já é velhinho, fica sem saber que botão apertar e o bicho pega. Os satélites do Cptec/Inpe estão monitorando tudo e mostram que, por enquanto, as comportas do Céu vão continuar abertas e São Pedro tá nem ai para o mundo e ainda mais para velejador que mora a bordo. É muita chuva, mas o mapa mostra que no litoral parece que vai haver um tiquinho de nada de Sol. Tomara!