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Sobre o naufrágio no Pará.

naufragio-pa-xinguTranscrevo o comentário do leitor Grazziano Picanço Guarany, na postagem sobre o naufrágio do barco Capitão Ribeiro, nas águas do Rio Xingu. Desde já agradeço ao caboclo pelas informações.

Amigos,
Sou caboclo amazônida e santareno, e ainda moro aqui em Santarém de onde partiu o barco que veio a naufragar em Porto de Moz. Também sou velejador tendo velejado em vários lugares de nosso Brasil assim como navegado em vários rios da Amazônia.

Gostaria de compartilhar com vocês alguns conhecimentos adquiridos durante a minha vida. Acredito que nesse blog a maioria tem uma noção de que aqui na Amazônia os barcos formam o meio de transporte mais importante para a população ribeirinha. Diariamente milhares de pessoas de deslocam em embarcações precárias que utilizam a mesma tecnologia e materiais de 300 anos atrás, exceto pelos motores rabeta que foram a elas anexados nos últimos 20 anos.

No caso específico do barco que naufragou devo esclarecer que a grande maioria das embarcações da região estão na mesma situação. Em cidades mais afastadas das capitais Belém e Manaus, muitas embarcações não tem nem coletes salva vidas muito menos registro nas capitanias fluviais dos portos.

Hoje assistindo o Bom Dia Brasil vi a repórter do tempo falar que a chuva não havia alterado o nível do rio Xingu, como se isso fosse fazer alguma diferença. Como se os rios amazônicos fossem como os rios do sul e ou sudeste com alguns metros de largura e profundidade. Nossos rios chegam em alguns locais a 20 km de largura, isso mesmo largura e não extensão. Em alguns pontos o rio Amazonas chega a mais de 100 metros de profundidade. Temos em alguns trechos, em dias normais de vento, ondas de 1,5 metros. Numa tempestade ou temporal os ventos chegam a 40 nós nas rajadas.

Outro dado é que a grande maioria das embarcações de madeira não tem projeto e foram construídos há mais de 20 anos, e tem como característica as obras mortas quase 3 vezes a altura das obras mortas e sem lastro muitas vezes. Os barcos com dois passadiços, ou mais, são comuns, sendo que os passageiros sempre preferem os passadiços mais altos desequilibrando mais ainda os barcos o que em condições de ventos fortes pode ser fatal.

Existem muitos outros fatores para se levantar para que possamos fazer uma análise mais precisa, quem sabe um dia tiro um tempo para escrever sobre isso.

Grande abraço a todos e Bons Ventos, Grazziano Picanço Guarany

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